

	{"id":4289,"date":"2019-06-05T02:12:53","date_gmt":"2019-06-05T02:12:53","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/?p=4289"},"modified":"2019-06-05T02:12:53","modified_gmt":"2019-06-05T02:12:53","slug":"eleicoes-para-o-parlamento-europeu-o-sistema-bipartidario-acaba-a-instabilidade-cresce","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2019\/06\/05\/eleicoes-para-o-parlamento-europeu-o-sistema-bipartidario-acaba-a-instabilidade-cresce\/","title":{"rendered":"Elei\u00e7\u00f5es para o Parlamento Europeu: o sistema bipartid\u00e1rio acaba, a instabilidade cresce *"},"content":{"rendered":"<p class=\"m_7028272413531091434yiv1718235262MsoNormal\">Com a quest\u00e3o do Brexit n\u00e3o resolvida, o resultado das elei\u00e7\u00f5es aprofunda a instabilidade institucional e a fragmenta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica da Uni\u00e3o Europeia. O bipartidarismo da democracia crist\u00e3 e da socialdemocracia, que tem sido o pilar das institui\u00e7\u00f5es europeias, entrou em colapso. A irrup\u00e7\u00e3o dos liberais, dos verdes e da extrema direita modifica substancialmente o panorama e complica os equil\u00edbrios no Parlamento Europeu. A instabilidade que j\u00e1 domina a maioria das capitais do continente \u00e9 transferida para as institui\u00e7\u00f5es europeias.<\/p>\n<p class=\"m_7028272413531091434yiv1718235262MsoNormal\">Pela primeira vez na hist\u00f3ria do Parlamento Europeu, conservadores e socialdemocratas n\u00e3o chegam a 51% das cadeiras. Com uma queda de 45 cadeiras da socialdemocracia e 41 do Partido Popular Europeu, estas forma\u00e7\u00f5es n\u00e3o alcan\u00e7am a maioria absoluta. Na Alemanha, a CDU de Angela Merkel (-6,4%) e o SPD (-11,4%), que tinham 62% dos votos, somam agora 44%. Na Fran\u00e7a, o outro pa\u00eds central da UE, nem os socialdemocratas e nem a direita tradicional alcan\u00e7aram 9% dos votos. Na Gr\u00e3-Bretanha vence novamente a extrema direita (32%), os trabalhistas ficam como a terceira for\u00e7a (14%) e os conservadores passam a ser a quinta (9%).<\/p>\n<p class=\"m_7028272413531091434yiv1718235262MsoNormal\"><b>O colapso socialdemocrata continua<\/b><\/p>\n<p class=\"m_7028272413531091434yiv1718235262MsoNormal\">O resultado do Estado espanhol \u00e9 uma exce\u00e7\u00e3o &#8211; com Portugal, Holanda, Su\u00e9cia e Malta em um colapso prolongado das for\u00e7as socialdemocratas, arrastados por sua grande refer\u00eancia o SPD alem\u00e3o, que governa com a direita de Angela Merkel na chamada grande coaliz\u00e3o desde 2013. Em outros artigos, caracterizamos essa queda livre da socialdemocracia como consequ\u00eancia da crise capitalista e a exig\u00eancia do capital por planos brutais contra a classe trabalhadora. Uma situa\u00e7\u00e3o que n\u00e3o deixa espa\u00e7o para melhorias que possam conter a rea\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora e das classes populares e d\u00ea sustenta\u00e7\u00e3o ao projeto pol\u00edtico socialdemocrata.<\/p>\n<p class=\"m_7028272413531091434yiv1718235262MsoNormal\"><b>Os verdes assumem o lugar do Syriza &#8211; Podemos na busca por uma alternativa \u00e0 esquerda<\/b><\/p>\n<p class=\"m_7028272413531091434yiv1718235262MsoNormal\">Nas elei\u00e7\u00f5es europeias de 2014, o desgaste da socialdemocracia foi capitalizado por organiza\u00e7\u00f5es que se apresentavam como a esquerda alternativa e que eram, de fato, novos agrupamentos emergentes do eurocomunismo. O maior expoente foi o Syriza, que ent\u00e3o prometeu acabar com a austeridade ditada pelo Banco Central Europeu, a Comiss\u00e3o Europeia e pelos grupos do Euro, que funcionavam sob o comando do ministro da economia alem\u00e3, Wolfgang Sch\u00e4uble, que fez da Gr\u00e9cia um bode expiat\u00f3rio. Mas ent\u00e3o veio a virada do Syriza, que apesar de ter vencido o N\u00c3O ao referendo de 2015 contra os planos de ajustes, acabou impondo o terceiro programa de cortes: uma tamanha trai\u00e7\u00e3o que deixou a classe trabalhadora grega (e como ela a dos pa\u00edses do sul da Europa) sem alternativa. Assim como foi com seus antecessores, o PASOK e Nova Democracia, agora \u00e9 o Syriza quem paga nas urnas o pre\u00e7o da pol\u00edtica de cortes: o partido de Alexis Tsipras ficou 9 pontos atr\u00e1s da direita em 26 de maio (coincidiu elei\u00e7\u00f5es europeias, regionais e municipais, e os resultados s\u00e3o semelhantes). O fracasso foi monumental e Tsipras se viu for\u00e7ado a convocar elei\u00e7\u00f5es legislativas antecipadas em 30 de junho, antes que o desastre seja maior.<\/p>\n<p class=\"m_7028272413531091434yiv1718235262MsoNormal\">A n\u00edvel europeu, o grupo da Esquerda Unit\u00e1ria Europeia &#8211; Esquerda N\u00f3rdica Verde caiu de 52 para 49 deputados. \u00c0 perda do Syriza, podemos somar a do Podemos na Espanha e a do Movimento 5 Estrelas na It\u00e1lia, que governa com a Liga Matteo Salvini e ficou atr\u00e1s do partido socialdemocrata, que est\u00e1 envolvido numa grave crise. Fran\u00e7a insubmissa, de Jean-Luc M\u00e9lenchon, manteve os resultados de 2014, mas, muito aqu\u00e9m das expectativas: 6,3% dos votos, n\u00e3o chegando a ser nem a terceira for\u00e7a e ficando atr\u00e1s dos verdes e at\u00e9 mesmo atr\u00e1s da direita, que vive seu pior resultado eleitoral, e empatados com os socialdemocratas, que tamb\u00e9m passa por maus momentos.<\/p>\n<p class=\"m_7028272413531091434yiv1718235262MsoNormal\">A crise da socialdemocracia e as forma\u00e7\u00f5es da esquerda alternativa s\u00e3o capitalizadas pelos verdes, que s\u00e3o o segundo partido mais votado na Alemanha, e o terceiro na Fran\u00e7a, o segundo na Finl\u00e2ndia. Eles tamb\u00e9m obtiveram bons resultados na Irlanda, B\u00e9lgica, Holanda e \u00c1ustria. O grupo verde no Parlamento Europeu passa de 52 para 69 deputados, e torna-se a quarta for\u00e7a, impulsionada pela preocupa\u00e7\u00e3o com as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, que as mobiliza\u00e7\u00f5es de jovens da Europa Central e do Norte colocaram na agenda. Em seus programas, os partidos verdes tamb\u00e9m defendem o aumento dos impostos sobre multinacionais e tecnologia, uma abordagem humanit\u00e1ria para a quest\u00e3o da imigra\u00e7\u00e3o e se apresentam como feministas pedindo o fim da diferen\u00e7a salarial e medidas contra a viol\u00eancia sexista. O outro grande triunfo dos Verdes est\u00e1 no Reino Unido, onde eles v\u00e3o de 10 a 18% dos votos porque eles concentraram o voto anti-brexit de esquerda. O \u00fanico lugar onde os ecologistas n\u00e3o t\u00eam bons resultados \u00e9 na Europa Oriental.<\/p>\n<p class=\"m_7028272413531091434yiv1718235262MsoNormal\"><b>Liberais ou a fragmenta\u00e7\u00e3o da direita tradicional<\/b><\/p>\n<p class=\"m_7028272413531091434yiv1718235262MsoNormal\">O outro lado da crise do bipartidarismo \u00e9 a fragmenta\u00e7\u00e3o da direita tradicional, com a ascens\u00e3o dos liberais, que, com 109 eurodeputados, dobraram o partido. Mas atrapalhado pela crise dos coletes amarelos, o presidente franc\u00eas Emmanuel Macron, que fez da refunda\u00e7\u00e3o da UE sua principal bandeira, tamb\u00e9m foi derrotado nas urnas. O dia seguinte \u00e0 elei\u00e7\u00e3o, o primeiro-ministro espanhol Pedro Sanchez &#8211; refor\u00e7ado como um dos poucos socialdemocratas que n\u00e3o fracassou &#8211; e Macron, se reuniram para consumar uma alian\u00e7a que acabe com o dom\u00ednio do conservador Partido Popular Europeu nas institui\u00e7\u00f5es de Bruxelas.<\/p>\n<p class=\"m_7028272413531091434yiv1718235262MsoNormal\"><b>A extrema direita continua avan\u00e7ando<\/b><\/p>\n<p class=\"m_7028272413531091434yiv1718235262MsoNormal\">Apesar de que o aumento da participa\u00e7\u00e3o e sucesso dos verdes e liberais impedirem os partidos de extrema direita de subirem nas urnas como apontavam as pesquisas, e sem chegar ao 33% que lhes deram a capacidade de bloqueio, n\u00e3o podemos minimizar o aumento que obtiveram nestas elei\u00e7\u00f5es. Partidos de extrema direita ganharam a maioria absoluta na Hungria de Viktor Orban, (62%: s\u00e3o 13 deputados aos quais o Partido Popular Europeu n\u00e3o quer renunciar) e na Rep\u00fablica Checa 52%. A extrema direita foi a mais votada na It\u00e1lia de Matteo Salvini, na Fran\u00e7a, na Pol\u00f4nia e no Reino Unido.<\/p>\n<p class=\"m_7028272413531091434yiv1718235262MsoNormal\">Marine Le Pen ganhou novamente as elei\u00e7\u00f5es europeias em Fran\u00e7a (23,3%, com mais de meio milh\u00e3o de votos acima do que obteve em 2014), mas, com curta dist\u00e2ncia do partido de Macron (22,4%). A extrema-direita francesa est\u00e1 se consolidando como o primeiro partido na Fran\u00e7a, mas isso n\u00e3o se traduz em poder institucional porque no sistema de duas voltas \u00e9 permitido formar frentes de maioria contra Le Pen. O partido do Brexit, liderado pelo ultradireitista, Nigel Farage, tamb\u00e9m se imp\u00f4s no Reino Unido durante a crise dos Tories no governo (que permaneceram em quinto lugar, com 9% dos votos) e dos Trabalhistas (que ficou atr\u00e1s dos verdes) sem uma pol\u00edtica clara sobre o Brexit.<\/p>\n<p class=\"m_7028272413531091434yiv1718235262MsoNormal\">No conceito de extrema direita cabem matizes importantes, que v\u00e3o das for\u00e7as neonazistas como o Alba Dourada, \u00e0s for\u00e7as xen\u00f3fobas e racistas como a Frente Nacional, ou os ultracat\u00f3licos da Pol\u00f4nia. \u00c9 por isso que eles est\u00e3o divididos em tr\u00eas grupos no Parlamento Europeu.<\/p>\n<p class=\"m_7028272413531091434yiv1718235262MsoNormal\">Esses resultados s\u00e3o uma clara amea\u00e7a \u00e0s organiza\u00e7\u00f5es do movimento oper\u00e1rio, aos movimentos sociais e aos direitos e liberdades. Se \u00e9 importante o aumento dos votos, tamb\u00e9m o \u00e9 a mimetiza\u00e7\u00e3o que provocam nos programas de outras for\u00e7as pol\u00edticas, de modo que a pol\u00edtica em geral est\u00e1 tomada desse vi\u00e9s mais racista e xen\u00f3fobo.<\/p>\n<p class=\"m_7028272413531091434yiv1718235262MsoNormal\">O resultado das elei\u00e7\u00f5es reflete tamb\u00e9m o principal problema subjacente: a falta de uma refer\u00eancia da esquerda revolucion\u00e1ria na Europa. Quando a UE se tornou uma m\u00e1quina de guerra social a servi\u00e7o do capitalismo, para impor seu plano de sa\u00edda da crise com cortes e privatiza\u00e7\u00f5es para o benef\u00edcio dos bancos, o desmantelamento das pens\u00f5es, a destrui\u00e7\u00e3o dos direitos das trabalhadoras e trabalhadores com reformas trabalhistas e ataques contra imigrantes que ati\u00e7am a xenofobia, promovendo e normalizando a extrema direita, construir esta alternativa \u00e9 t\u00e3o urgente quanto necess\u00e1rio. \u00c9 nisso que n\u00f3s da Unidade Internacional das Trabalhadoras e Trabalhadores &#8211; IV Internacional (UIT-QI)- estamos construindo.<\/p>\n<p class=\"m_7028272413531091434yiv1718235262MsoNormal\">\n<p class=\"m_7028272413531091434yiv1718235262MsoNormal\"><b>* Luta Internacionalista, se\u00e7\u00e3o do Estado Espanhol da UIT-QI.<\/b><\/p>\n<p class=\"m_7028272413531091434yiv1718235262MsoNormal\">3 de junho de 2019<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com a quest\u00e3o do Brexit n\u00e3o resolvida, o resultado das elei\u00e7\u00f5es aprofunda a instabilidade institucional e a fragmenta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica da Uni\u00e3o Europeia. 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