

	{"id":4299,"date":"2019-06-11T01:23:40","date_gmt":"2019-06-11T01:23:40","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/?p=4299"},"modified":"2019-06-11T01:24:16","modified_gmt":"2019-06-11T01:24:16","slug":"argentina-29-de-maio-forte-greve-greve-contra-o-ajuste-do-macri-e-do-fmi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2019\/06\/11\/argentina-29-de-maio-forte-greve-greve-contra-o-ajuste-do-macri-e-do-fmi\/","title":{"rendered":"Argentina:  29 de Maio &#8211;  forte greve geral contra o ajuste do Macri e do FMI"},"content":{"rendered":"<p>A CGT (Confedera\u00e7\u00e3o Geral do Trabalho) definiu a convocat\u00f3ria para uma greve em 29 de maio, que foi acatada de modo maci\u00e7o pelo povo argentino. A quest\u00e3o de como seguir essa luta ficou pairando sobre milh\u00f5es de trabalhadores. O sindicalismo combativo e a esquerda t\u00eam uma resposta: convocar outra paralisa\u00e7\u00e3o, agora de 36 horas e com mobiliza\u00e7\u00e3o, junto a um plano de luta para derrotar o ajuste.<\/p>\n<p><b>Por Edgardo Reynoso<\/b>\u00a0(delegado ferrovi\u00e1rio do Sarmiento)<\/p>\n<p>Mais uma vez, a classe trabalhadora deu um forte sinal do seu descontentamento e desejo de lutar. Foi uma aut\u00eantica greve de massas, onde o governo e seu ajuste foram duramente atingidos. Na verdade, sobram raz\u00f5es para fazer greve: sal\u00e1rios e aposentadoria pulverizados pela infla\u00e7\u00e3o, 200 mil empregos a menos, uma pobreza que cresce a passos largos, crescimento no valor das faturas de energia, \u00e1gua, e muito mais.<\/p>\n<p>O governo &#8220;Cambiemos&#8221; (Maur\u00edcio Macri) tentou responder com argumentos rid\u00edculos. A Ministra da Seguran\u00e7a Patr\u00edcia Bullrich disse &#8220;j\u00e1 estamos cansados das paralisa\u00e7\u00f5es&#8221;. E n\u00f3s respondemos \u00e0 ministra que estamos cansados do aumento, duas vezes por m\u00eas, no pre\u00e7o de artigos de necessidade b\u00e1sica; das enormes opera\u00e7\u00f5es de c\u00e2mbio de d\u00f3lares e pesos (conhecida como \u201cbicicleta financeira\u201d) ao servi\u00e7o do superlucro dos bancos. Dificilmente um trabalhador seja &#8220;solid\u00e1rio&#8221; com esse cansa\u00e7o do que fala Bullrich.<\/p>\n<p>Muitos jornalistas alinhados com o governo levantaram uma hip\u00f3tese que questiona se a greve &#8220;serve para algo&#8221;. Mas n\u00f3s somos categ\u00f3ricos em afirmar que a greve serve sim! Uma greve \u00e9 a principal ferramenta dos trabalhadores para enfrentar o ajuste. \u00c9 o que nos permite mostrar a for\u00e7a da classe trabalhadora como um todo e assim, somar e coordenar as muitas lutas que, de outro modo, acabariam acontecendo isoladamente.<\/p>\n<p>A contund\u00eancia de cada uma das greves gerais demonstra que, para al\u00e9m das dire\u00e7\u00f5es que as convocam, \u00e9 poss\u00edvel derrotar o ajuste. Se as quatro greves gerais anteriores n\u00e3o conseguiram mexer no ritmo e na dire\u00e7\u00e3o do ajuste do governo Macri, n\u00e3o foi devido ao m\u00e9todo de luta, mas ao papel traidor das dire\u00e7\u00f5es sindicais, em particular da c\u00fapula da CGT. Foram eles que, durante os tr\u00eas anos e meio do governo Cambiemos, deram tr\u00e9gua ap\u00f3s tr\u00e9gua. Eles, junto \u00e0 oposi\u00e7\u00e3o patronal peronista que, atrav\u00e9s de seus deputados e senadores, garantiram com seu voto as leis que o governo precisava para aplicar o ajuste, como foi no caso do pagamento aos fundos abutre (compradores de t\u00edtulos de d\u00edvida), da redu\u00e7\u00e3o das aposentadorias que votaram no final de 2017, ou at\u00e9 do or\u00e7amento feito \u00e0 medida do FMI em outubro de 2018. Ent\u00e3o, a pr\u00f3pria burocracia sindical e as diferentes variantes do peronismo s\u00e3o os verdadeiros culpados de que Macri tenha chegado at\u00e9 aqui na aplica\u00e7\u00e3o do ajuste.<\/p>\n<p>Essa greve foi convocada ap\u00f3s uma longu\u00edssima tr\u00e9gua que a dire\u00e7\u00e3o da CGT deu ao governo, tr\u00e9gua que come\u00e7ou em setembro passado, usando frases do tipo &#8220;n\u00e3o vemos raz\u00e3o para fazer uma greve&#8221;. Mesmo tendo sido convocada a contragosto da CGT, a greve teve ades\u00e3o maci\u00e7a dos trabalhadores. &#8220;Apesar das\u201d dire\u00e7\u00f5es burocr\u00e1ticas e sem qualquer confian\u00e7a do povo nelas, foram milh\u00f5es que paralisaram suas atividades. O que prevaleceu foi a raiva e o desejo de atingir o governo e mostrar sua oposi\u00e7\u00e3o ao ajuste.<\/p>\n<p>Infelizmente, na coletiva de imprensa acerca do balan\u00e7o da greve, tanto H\u00e9ctor Daer quanto Carlos Acu\u00f1a (dire\u00e7\u00e3o da CGT) n\u00e3o fizeram o menor coment\u00e1rio sobre como agir para continuar lutando contra o ajuste. Hugo Moyano e a \u201cCorrente Federal\u201d, por outro lado, deram um tom mais eleitoral \u00e0 coletiva de imprensa com a presen\u00e7a do prefeito da cidade de Merlo, Gustavo Men\u00e9ndez. Nada de levantar qualquer tipo de continuidade na luta contra o ajuste. Pelo contr\u00e1rio, tudo voltado apenas para votar no peronismo contra Macri no pr\u00f3ximo outubro. Assim, cada um dos diferentes burocratas, est\u00e1 se preparando para ver como se encaixa nas diversas variantes do peronismo em face das elei\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Como dissemos nas greves gerais anteriores, desde o sindicalismo combativo e da esquerda afirmamos que a greve serviu para bater no governo, para mostrar a vontade de lutar dos trabalhadores e para reafirmar o descontentamento do povo.<\/p>\n<p>Mas \u00e9 preciso dar continuidade a tudo isso para conseguir quebrar a tr\u00e9gua que, repetidamente, as diferentes dire\u00e7\u00f5es burocr\u00e1ticas acabam impondo. Sempre que poss\u00edvel, temos de fazer assembleias e aprovar pronunciamentos dos delegados para arrancar da dire\u00e7\u00e3o da CGT e das CTAs (Centrais dos Trabalhadores Argentinos) a continuidade da luta com mais uma greve, agora de 36 horas e com mobiliza\u00e7\u00e3o, e lan\u00e7ar um plano de luta para derrotar o ajuste. Porque, para lutar contra o ajuste, n\u00e3o podemos depositar expectativas nesses dirigentes sindicais e seus partidos patronais. Os trabalhadores devem se opor ao programa de ajuste com seu pr\u00f3prio programa, oper\u00e1rio e popular. E \u00e9 isso o que a esquerda prop\u00f5e.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A CGT (Confedera\u00e7\u00e3o Geral do Trabalho) definiu a convocat\u00f3ria para uma greve em 29 de maio, que foi acatada de modo maci\u00e7o pelo povo argentino. A quest\u00e3o de como seguir essa luta ficou pairando sobre milh\u00f5es de trabalhadores. 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