

	{"id":437,"date":"2009-06-26T19:23:00","date_gmt":"2009-06-26T19:23:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/index.php\/2009\/06\/26\/arquivoid-9461\/"},"modified":"2009-06-26T19:23:00","modified_gmt":"2009-06-26T19:23:00","slug":"arquivoid-9461","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2009\/06\/26\/arquivoid-9461\/","title":{"rendered":"Ch\u00e1vez n\u00e3o aceita cr\u00edticas nem dos intelectuais chavistas"},"content":{"rendered":"<p>| Por Sim\u00f3n Rodr\u00edguez Porras<\/p>\n<p>As aprecia\u00e7\u00f5es emitidas no documento final do foro \u201cIntelectuais, Democracia e Socialismo\u201d**, organizado pelo Centro Internacional Miranda (CIM), em torno da lideran\u00e7a do presidente Chaves e a falta de democracia e autocr\u00edtica no interior do PSUV tem gerado com certeza, mais barulho do que puderam esperar seus autores. A \u201cinteligentzia\u201d ali reunida pelo CIM colocou a nu dois aspectos altamente sens\u00edveis da pr\u00e1tica pol\u00edtica do governo.  <\/p>\n<p>A pol\u00eamica desencadeada a partir da\u00ed resultou mais interessante que as opini\u00f5es que a promoveram (1). O presidente Ch\u00e1vez e o chanceler Nicolas Maduro, furiosos pelo golpe recebido, centraram sua resposta em questionamentos ad hominem ***; colocando imediatamente em d\u00favida o \u201cchavismo\u201d dos intelectuais (2). Por outro lado, setores do chavismo defendem a lealdade e o compromisso com o processo revolucion\u00e1rio dos intelectuais questionados, e reivindicam a import\u00e2ncia de habilitar espa\u00e7os para a cr\u00edtica \u201cconstrutiva\u201d. <\/p>\n<p>A publica\u00e7\u00e3o \u201cDebate Socialista\u201d (DS), esp\u00e9cie de \u00f3rg\u00e3o ideol\u00f3gico do governo, colocou na sua editorial a resposta burocr\u00e1tica. Sistematizando os elementos da posi\u00e7\u00e3o defendida pelo presidente e o chanceler, DS apresenta as cr\u00edticas e o foro mesmo como a\u00e7\u00f5es contrarevolucion\u00e1rias de um setor pequeno burgu\u00eas, reformista e antisocialista. Pese a que as cr\u00edticas ao PSUV e \u00e0 lideran\u00e7a presidencial foram emitidas em um contexto de discursos de apoio aberto ao governo, DS como porta-voz burocr\u00e1tico deixa claro que nem com a p\u00e9tala de uma flor podem ser tocadas duas institui\u00e7\u00f5es sacrossantas do processo bolivariano: o Presidente Ch\u00e1vez e o PSUV. (3)<\/p>\n<p>O m\u00e9rito que tem as opini\u00f5es e reflex\u00f5es geradas pelos intelectuais de esquerda no Foro do CIM \u00e9 que contribuem a que um debate silenciado, de corredor e \u00e0s escondidas, come\u00e7a a emergir \u00e0 superf\u00edcie sem disfarce, para questionar o papel de dirigente onipresente e onipotente do presidente Ch\u00e1vez e deixa em evid\u00eancia tamb\u00e9m as estruturas de corte militar do PSUV.<\/p>\n<p>Mas s\u00f3 at\u00e9 aqui. Porque, partindo da premissa que dialogam com dirigentes governamentais revolucion\u00e1rios e socialistas, os intelectuais de esquerda centram suas reflex\u00f5es e recomenda\u00e7\u00f5es em assuntos de \u201cforma\u201d, que sem d\u00favida alguma s\u00e3o importantes, mas que de modo algum penetram nas causas profundas daqueles v\u00edcios que pretendem combater. Por isso sugerem que o Presidente deve coletivizar sua \u201cimprescind\u00edvel\u201d lideran\u00e7a para compartilhar o pedestal no qual hoje est\u00e1; que o PSUV deve ser \u201creformulado\u201d para que este instrumento pol\u00edtico tenha uma dire\u00e7\u00e3o coletiva que articule efetivamente com os movimentos sociais de base e derrote o mal do clientelismo partidarista; que o Estado n\u00e3o \u201cabsorva\u201d os movimentos sociais; \u201copor\u201d o poder popular e a participa\u00e7\u00e3o protagonista \u00e0s pr\u00e1ticas burocr\u00e1ticas; \u201creorientar\u201d o modelo produtivo para uma economia social com novas rela\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o, e para coroar esta vers\u00e3o corrigida e aumentada de \u201cRevis\u00e3o, Retifica\u00e7\u00e3o e Re impulso\u201d (as tr\u00eas R) aprovado pelos participantes do Foro do CMI, se sugere que bebamos das fontes de um Gramsci transmutado em hegeliano de direita por esta mesma intelectualidade chavista, para criar uma nova hegemonia ideol\u00f3gica que \u201ccontra-reste\u201d a ideologia capitalista e consumista, que hoje continua absorvendo venezuelanas e venezuelanos. <\/p>\n<p>O problema est\u00e1 em que esta forma elegante de propor a\u00e7\u00f5es corretivas &#8211; ainda que possa estar motivada pelas mais generosas inten\u00e7\u00f5es \u2013 oculta um debate mais profundo e significativa, que o povo trabalhador est\u00e1 obrigado a realizar, em torno dos fundamentos do projeto econ\u00f4mico, pol\u00edtico, social e internacional que defende o governo do Presidente Chaves. N\u00f3s afirmamos que o culto \u00e0 personalidade e a falta de democracia do PSUV, a coopta\u00e7\u00e3o do movimento popular, s\u00e3o fen\u00f4menos intimamente vinculados ao car\u00e1ter do projeto pol\u00edtico que encabe\u00e7a Chaves e o resto da nova classe pol\u00edtica. <\/p>\n<p>Esta vers\u00e3o potencializada das 3 R enunciada pela intelectualidade chavista de esquerda n\u00e3o vai fundo na caracteriza\u00e7\u00e3o do governo, do regime e do Estado, os quais hoje a propaganda oficial faz passar por \u201csocialistas\u201d. Esta afirma\u00e7\u00e3o propagandista \u00e9 seu ponto de partida. Esta decisiva limita\u00e7\u00e3o dos diagn\u00f3sticos e receitas propostas pelos intelectuais termina refor\u00e7ando a no\u00e7\u00e3o da depend\u00eancia com o papel de Ch\u00e1vez como dirigente m\u00e1ximo e comandante em chefe do processo bolivariano; simult\u00e2neo com apresentar as praticas que caracterizam ao PSUV, a seus dirigentes e ao governo, como se fossem erros e n\u00e3o estrat\u00e9gias propositais. Os intelectuais confundem os sintomas com a doen\u00e7a, por isso mostram os fatos criticados como desvios menores ou lastros no caminho do socialismo e n\u00e3o enxergam neles a demonstra\u00e7\u00e3o pratica de que o rumo do governo est\u00e1 afastado de qualquer perspectiva socialista.<br \/>\nHoje o povo trabalhador venezuelano padece em carne pr\u00f3pria as vicissitudes de viver constrangido por um Estado capitalista que administra os interesses da burguesia nacional e internacional; conhece a dureza de um regime democr\u00e1tico burgu\u00eas que restringe as liberdades pol\u00edticas e democr\u00e1ticas sob um governo bonapartista cada vez mais reacion\u00e1rio que acentua suas caracter\u00edsticas autorit\u00e1rias para sustentar no poder uma casta parasit\u00e1ria de novos ricos e burocratas; e agora \u00e9 disciplinado politicamente por um partido burgu\u00eas, com um programa nacionalista e uma dire\u00e7\u00e3o pequena burguesa burocr\u00e1tica como \u00e9 a do PSUV.<\/p>\n<p>Este \u00e9 o debate que devemos fazer com seriedade, pois nos permitira ter um enfoque social e hist\u00f3rico do processo revolucion\u00e1rio venezuelano, afastado da leitura positivista que considera que a hist\u00f3ria \u00e9 feita pelas grandes lideran\u00e7as e personalidades. Se as for\u00e7as que motorizam este processo revolucion\u00e1rio s\u00e3o efetivamente sociais e  econ\u00f4micas, devemos identificar quais s\u00e3o as for\u00e7as sociais em luta, quais interesses de classe representa a casta governante, qual papel corresponde aos trabalhadores e a todos os explorados frente \u00e0 situa\u00e7\u00e3o concreta da luta de classes que o momento atual coloca. Visto assim, podemos reconhecer na coopta\u00e7\u00e3o do movimento popular, na falta de democracia interna no PSUV, na intoler\u00e2ncia com a cr\u00edtica e a autocr\u00edtica, no estilo de lideran\u00e7a exercido pelo presidente; em tudo isso, uma s\u00e9rie de pol\u00edticas propositais que obedecem a interesses concretos e n\u00e3o meros acidentes.<br \/>\nA discuss\u00e3o em torno do car\u00e1ter da lideran\u00e7a do presidente Ch\u00e1vez deve se derivar de todas estas quest\u00f5es mais gerais e n\u00e3o \u00e0 inversa; em outras palavras, n\u00e3o podemos caracterizar o Estado, o regime, o governo a partir da singularidade de um dirigente, por mais importante que ele seja.<br \/>\nIsto \u00e9 o que pretende a burocracia intelectual estalinista representada pela seita da \u201cDS\u201d. Este m\u00e9todo leva \u00e0s posi\u00e7\u00f5es ultra reacion\u00e1rias apresentadas sob os pseud\u00f4nimos de Neftal\u00ed Reyes e Antonio Aponte, assim como os Manifestos de \u201cVanguarda Obrera Socialista\u201d e a \u201cFrente dos Trabalhadores Socialistas\u201d, todo obra de uma mesma equipe. Para estes padres estalinistas, por exemplo, uma luta oper\u00e1ria reivindicativa em uma empresa p\u00fablica \u00e9 um ato contra revolucion\u00e1rio, uma vez que o Estado j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 burgu\u00eas, mas \u201csocialista\u201d, e o patr\u00e3o n\u00e3o \u00e9 a casta burocr\u00e1tica que administra o Estado, mas o \u201cconjunto do povo\u201d. E para que o Estado seja socialista e o povo seja patr\u00e3o, n\u00e3o foi necess\u00e1rio fazer nenhuma revolu\u00e7\u00e3o, pois foi suficiente com que Ch\u00e1vez seja o chefe do governo.<\/p>\n<p>Pode-se compreender que a rea\u00e7\u00e3o do presidente e seus funcion\u00e1rios ideol\u00f3gicos procure enterrar este, o verdadeiro debate, antes mesmo de come\u00e7ar. O risco para o governo \u00e9 que fique reduzida \u00e0 sua justa dimens\u00e3o, reformista e retrograda aquela pol\u00edtica por ele apresentada como \u201cde transi\u00e7\u00e3o ao socialismo\u201d e que consiste em \u201calian\u00e7as estrat\u00e9gicas com a burguesia\u201d, compras a valor de mercado de a\u00e7\u00f5es de empresas estrat\u00e9gicas, associa\u00e7\u00f5es de capital estatal e multinacional em empresas mistas, a aposta na \u201cmultipolaridade\u201d capitalista e os ataques cont\u00ednuos \u00e0 autonomia sindical e do movimento popular. <\/p>\n<p>Ainda que superficiais, as cr\u00edticas dos intelectuais chavistas de esquerda tiveram a enorme virtude de mostrar a vulnerabilidade doutrin\u00e1ria deste grande estelionato ideol\u00f3gico do \u201csocialismo do s\u00e9culo XXI\u201d, este nacionalismo burgu\u00eas disfar\u00e7ado de socialista, que rejeita todo debate e esmaga toda cr\u00edtica.<br \/>\nEste buraco aberto na nave do pensamento \u00fanico do chavismo burocr\u00e1tico nos coloca aos revolucion\u00e1rios o desafio de viabilizar uma alternativa pol\u00edtica, verdadeiramente socialista, democr\u00e1tica, oper\u00e1ria e popular, que tenha como alicerce a mobiliza\u00e7\u00e3o consciente do povo para a tomada do poder e a derrocada do Estado burgu\u00eas, e n\u00e3o mais as utopias burguesas do nacionalismo, o messianismo bonapartista e a concilia\u00e7\u00e3o de classes.<\/p>\n<p>Notas:<br \/>\n1. &#8211; Fa\u00e7o referencia \u00e0s conclus\u00f5es do documento final do Foro organizado pelo CIM, no site http:\/\/aporrea.org\/actualidad\/n136550.html<br \/>\n2.-http:\/\/www.laclase.info\/arte-y-cultura\/chavez-y-nicolas-maduro-descalifican-intelectuales-chavistas-por-sus-criticas-al-gobi<br \/>\n3.- O dogma oficial fica sintetizado na frase que costuma rematar as editoriais do DS: \u201cCh\u00e1vez \u00e9 socialismo\u201d.  Ver editorial completo no qual ataca o Foro do CIM: http:\/\/www.debatesocialistadigital.com\/editoriales\/a209\/junio2009\/elmapadehoy.htm<br \/>\n* Simon Rodr\u00edguez Porras \u00e9 militante da Unidade Socialista de Esquerda<br \/>\n**O Semin\u00e1rio \u201cIntelectuais, Democraica e Socialismo: Becos sem sa\u00edda e caminhos de abertura\u201d aconteceu nos dias 2 e 3 de Junho na sede do Centro Internacional Miranda.<br \/>\n*** em latim, \u2018dirigido \u00e0 pessoa\u2019<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>| Por Sim\u00f3n Rodr\u00edguez Porras As aprecia\u00e7\u00f5es emitidas no documento final do foro \u201cIntelectuais, Democracia e Socialismo\u201d**, organizado pelo Centro Internacional Miranda (CIM), em torno da lideran\u00e7a do presidente Chaves e a falta de democracia e autocr\u00edtica no interior do PSUV tem gerado com certeza,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-437","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-arquivo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/437","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=437"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/437\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=437"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=437"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=437"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}