

	{"id":4406,"date":"2019-06-28T12:24:31","date_gmt":"2019-06-28T12:24:31","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/?p=4406"},"modified":"2019-06-28T12:30:29","modified_gmt":"2019-06-28T12:30:29","slug":"50-anos-da-revolta-de-stonewall","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2019\/06\/28\/50-anos-da-revolta-de-stonewall\/","title":{"rendered":"50 anos da Revolta de Stonewall"},"content":{"rendered":"<p>Hoje \u00e9 dia do Orgulho LGBT e comemoramos 50 anos da Revolta de Stonewall, um dos maiores e mais conhecidos epis\u00f3dios da luta LGBT. Nos dias atuais, \u00e9 cada vez mais importante retomarmos nossa organiza\u00e7\u00e3o em defesa dos nossos direitos e contra todo tipo de preconceito. Diante de um governo machista e LGBTf\u00f3bico que retira direitos as LGBTs devem estar lado a lado com os trabalhadores nesta luta.<\/p>\n<p>Em 28 de junho de 1969, ap\u00f3s mais uma cotidiana a\u00e7\u00e3o repressiva da pol\u00edcia no bar Stonewall, em Nova York, grupos LGBTs iniciaram uma onda de protestos que durou tr\u00eas dias. Naquela \u00e9poca, ser LGBT era ilegal nos EUA e em boa parte do mundo e, assim, bares LGBTs eram, em sua maioria, clandestinos e sofriam com batidas policiais que sempre os fechavam e prendiam seus frequentadores. Esses bares eram o principal local de ref\u00fagio de pessoas que eram obrigadas a esconder suas orienta\u00e7\u00f5es sexuais e identidades de g\u00eanero para se manterem vivas, n\u00e3o perderem seus empregou ou serem expulsas de suas fam\u00edlias.<\/p>\n<p>At\u00e9 que na noite de 28 de junho, um grupo resolver reagir \u00e0s constantes viol\u00eancias e viola\u00e7\u00f5es, iniciando protestos em defesa dos direitos e da vida das pessoas LGBTs. Esse foi uma importante luta que ajudou a organizar o movimento LGBT de uma maneira mais firme a seguir reivindicando seus direitos em todo o mundo. No ano seguinte, foi organizada a 1\u00ba Parada do Orgulho LGBT e desde ent\u00e3o a data \u00e9 lembrada em todo o mundo.<\/p>\n<p>Hoje, 50 anos depois, temos diversas conquistas a comemorar. A homossexualidade e a lesbianidade n\u00e3o s\u00e3o mais vistas como crime em grande parte do mundo. Al\u00e9m disso, orienta\u00e7\u00f5es sexuais n\u00e3o heteronormativas n\u00e3o s\u00e3o mais consideradas doen\u00e7as nem desvios sexuais e, seguindo os manuais psiqui\u00e1tricos, a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade decidiu retirar as identidades trans da categoria de transtornos psiqui\u00e1tricos.<\/p>\n<p>Aqui no Brasil, conquistamos tamb\u00e9m o direito ao casamento civil, a ado\u00e7\u00e3o homoparental e o uso do nome social nas escolas, universidades e no SUS. Recentemente, o Supremo Tribunal Federal decidiu que a LGBTfobia \u2013 preconceito e discrimina\u00e7\u00e3o contra pessoas LGBTs \u2013 \u00e9 crime. Este foi um importante passo para a garantia dos direitos das pessoas LGBTs e para o combate a viol\u00eancia, sendo preciso vir acompanhada de a\u00e7\u00f5es de educa\u00e7\u00e3o e sensibiliza\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o quanto a uma cultura antimachista.<\/p>\n<p>Mas tamb\u00e9m ainda h\u00e1 muito em que avan\u00e7ar. Em 38 pa\u00edses da \u00c1frica, a homossexualdiade ainda \u00e9 criminalizada e diversos governos reacion\u00e1rios refor\u00e7am a viol\u00eancia e a marginaliza\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o LGBT. Os n\u00fameros da viol\u00eancia, mesmo que subnotificados, mostram uma dura realidade. O Brasil amarga o t\u00edtulo de pa\u00eds que mais mata travestis e pessoas trans em todo o mundo e, a cada 19 horas, um LGBT \u00e9 morto. Al\u00e9m disso, apenas 10% das pessoas trans e travestis ocupam postos formais de trabalho e 41% dos LGBTs afirmam j\u00e1 ter sofrido discrimina\u00e7\u00e3o nos seus empregos (dados GGB, IBGE e ANTRA).<\/p>\n<p>Essa \u00e9 uma realidade que se aprofunda diante de um governo ultraliberal, machista e LGBTf\u00f3bico. LGBTs sofrem ainda mais duramente com o ajuste fiscal, por conta da dupla opress\u00e3o-explora\u00e7\u00e3o. S\u00e3o, ao lado das mulheres e negros, os que recebem menores sal\u00e1rios e os primeiros a perderem seus empregos em tempos de crise. Medidas como a Reforma Trabalhista, que flexibiliza direitos, fazem como que a rela\u00e7\u00e3o de trabalho seja ainda mais precarizada para essa popula\u00e7\u00e3o. Assim como, a Reforma da Previd\u00eancia que impossibilita que possamos nos aposentar, sobretudo quando temos pouqu\u00edssimas oportunidades de trabalho formal e quando nossa expectativa de vida n\u00e3o chega nem aos 50 anos.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, Bolsonaro n\u00e3o tem nenhuma vergonha em mostrar seu discurso de \u00f3dio contra LGBTs. \u00c9 conhecido por declara\u00e7\u00f5es como \u201cN\u00e3o vou combater, nem discriminar, mas se ver dois homens se beijando, eu vou bater\u201d e \u201co filho come\u00e7a a ficar assim, meio gayzinho, leva um coro e muda o comportamento dele\u201d, e segue a mesma linha a Ministra Damares Alves, que j\u00e1 afirmou que mulheres l\u00e9sbicas s\u00e3o uma aberra\u00e7\u00e3o, discursos que refor\u00e7am ainda mais a discrimina\u00e7\u00e3o e a viol\u00eancia contra LGBTs.<\/p>\n<p>Por isso, precisamos fazer com que a mem\u00f3ria de Stonewall esteja presente sempre! Que a luta LGBT se fortale\u00e7a para garantirmos os nossos direitos. Fizemos hist\u00f3ria ocupando as ruas nos gigantescos atos do Ele N\u00e3o, em 2018. Esse ano, conseguimos reunir mais de 2 milh\u00f5es nas ruas de S\u00e3o Paulo na maior Parada LGBT do mundo! Que sigamos nas ruas, afirmando que n\u00e3o toleraremos mais \u00f3dio e viol\u00eancia. Lado a lado \u00e0s mulheres, contra o machismo e a misoginia, aos negros e negras, contra o racismo e o genoc\u00eddio, e aos trabalhadores, contra toda retirada de direitos. Somos LGBTs na luta por nossas vidas, contra Bolsonaro e a Reforma da Previd\u00eancia!<\/p>\n<p>Rio, 28 de junho de 2019.<\/p>\n<p>Por Ivana Fortinato &#8211; Comiss\u00e3o LGBT da CST\/PSOL<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje \u00e9 dia do Orgulho LGBT e comemoramos 50 anos da Revolta de Stonewall, um dos maiores e mais conhecidos epis\u00f3dios da luta LGBT. 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