

	{"id":4490,"date":"2019-07-27T19:35:57","date_gmt":"2019-07-27T19:35:57","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/?p=4490"},"modified":"2019-07-28T16:32:02","modified_gmt":"2019-07-28T16:32:02","slug":"debate-6-anos-das-jornadas-de-junho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2019\/07\/27\/debate-6-anos-das-jornadas-de-junho\/","title":{"rendered":"DEBATE: 6 anos das jornadas de junho"},"content":{"rendered":"<p><strong>6 anos das jornadas de junho<\/strong><\/p>\n<p>Em mar\u00e7o de 2013, um protesto de cerca de 2 mil estudantes contra o aumento da tarifa de \u00f4nibus em Porto Alegre foi duramente reprimido pela guarda municipal. Parecia mais um protesto comum, mas havia algo novo no ar: uma semana depois os estudantes voltaram \u00e0s ruas, dessa vez eram dez mil pessoas. Aquela mobiliza\u00e7\u00e3o derrotou o aumento da tarifa. A ideia de que era poss\u00edvel vencer os empres\u00e1rios de \u00f4nibus e as prefeituras\u00a0correu o pa\u00eds. Esse exemplo estimulou atos em v\u00e1rias capitais, sendo que o congresso da UNE de 2013 refletiu a efervesc\u00eancia estudantil.<\/p>\n<p>Manifesta\u00e7\u00f5es em Goi\u00e2nia, Natal, Rio de Janeiro e S\u00e3o Paulo pipocavam e cresciam, sendo reprimidas pela PM. Nossa juventude, por exemplo, teve in\u00fameros ativistas detidos nessas manifesta\u00e7\u00f5es pr\u00e9vias \u00e0s jornadas de junho. Surgiram novos organismos que convocavam os atos, como o F\u00f3rum de Lutas do Rio de Janeiro, a Assembleia Horizontal de BH, o Bloco de Lutas do RS, coordenadas com os calend\u00e1rios do MPL (Movimento pelo Passe Livre) de SP.<\/p>\n<p>Quando uma nova manifesta\u00e7\u00e3o foi reprimida em S\u00e3o Paulo, no in\u00edcio de junho, os barris de p\u00f3lvora explodiram em todo o pa\u00eds: rapidamente assembleias e manifesta\u00e7\u00f5es convocadas via redes sociais obtiveram ades\u00e3o massiva da popula\u00e7\u00e3o, em sua maioria jovens estudantes. Era o in\u00edcio de um novo momento que entrou para a hist\u00f3ria como as Jornadas de Junho de 2013. A aparente calmaria do pa\u00eds se rompia definitivamente em protestos e lutas:<\/p>\n<p>\u201cAs manifesta\u00e7\u00f5es\u00a0 de junho no Brasil colocaram o pa\u00eds de pernas para o ar. (&#8230;) A cada dia,\u00a0 nas ruas, novas e sentidas reivindica\u00e7\u00f5es apareciam nas cartolinas escritas \u00e0\u00a0 m\u00e3o, nas faixas improvisadas e nos gritos da multid\u00e3o. Em pouco tempo ficou demonstrado que n\u00e3o era\u00a0 s\u00f3 os 20 centavos de aumento do combust\u00edvel que mantinha a fogueira acesa. Educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade p\u00fablica de qualidade, contra a\u00a0 corrup\u00e7\u00e3o, contra a homofobia e exig\u00eancias democr\u00e1ticas por participa\u00e7\u00e3o e transpar\u00eancia entraram rapidamente na pauta. (&#8230;) O contraste gritante\u00a0 entre os gastos para realizar a Copa da FIFA\/2014, esbanjando dinheiro p\u00fablico enquanto a sa\u00fade e a educa\u00e7\u00e3o s\u00e3o escandalosamente sucateadas, se converteu\u00a0 em bandeiras contra a Copa em meio aos protestos, brutalmente reprimidos, durante a Copa das Confedera\u00e7\u00f5es. Mas, a cada repress\u00e3o a resposta era mais gente nas ruas mais \u00f3dio contra os governantes.\u201d Combate socialista n\u00ba 48. Havia ainda um forte conte\u00fado internacionalista nas passeatas, pela liga\u00e7\u00e3o com os protestos na Turquia, que ocorriam no mesmo momento.<\/p>\n<p><strong>As jornadas de junho foram manifesta\u00e7\u00f5es de direita?<\/strong><\/p>\n<p>Diversas setores de esquerda, correntes do PT e at\u00e9 do PSOL classificam essas manifesta\u00e7\u00f5es como o \u201covo da serpente do fascismo\u201d. N\u00f3s discordamos categoricamente delas.<\/p>\n<p>Naquele momento,\u00a0o Brasil come\u00e7ava a sentir o impacto\u00a0 da crise econ\u00f4mica mundial e o governo, na \u00e9poca do PT, respondeu\u00a0 com infla\u00e7\u00e3o, arrocho salarial, aumento das passagens e sucateamento dos servi\u00e7os p\u00fablicos. Dilma anunciava um contingenciamento de R$ 15 bi no or\u00e7amento p\u00fablico enquanto as empreiteiras e bancos enriqueciam vertiginosamente. \u201cEsse\u00a0 foi o elemento central que gerou essa tremenda inflex\u00e3o para a irrup\u00e7\u00e3o das massas nas ruas, iniciada principalmente pelos jovens, mas que foi ganhando corpo e simpatia em setores populares e entre os trabalhadores.\u201d<\/p>\n<p>As manifesta\u00e7\u00f5es radicalizadas eram marcadas pelo \u00f3dio aos pol\u00edticos, aos\u00a0 partidos e no geral a todas as institui\u00e7\u00f5es do regime. \u00c9 claro que a direita tamb\u00e9m tentou disputar esses processos\u00a0enquanto de conjunto as institui\u00e7\u00f5es burguesas buscavam sa\u00eddas pela via institucional que \u201cestancassem a sangria\u201d. A Rede Globo e outros setores passaram a estimular pautas, como \u00e9 comum em qualquer movimento de massas que nunca ocorre no v\u00e1cuo. A pr\u00f3pria Opera\u00e7\u00e3o Lava-jato se encaixa nesse turbilh\u00e3o de disputas interburguesas e de press\u00e3o das massas, do contr\u00e1rio jamais se entenderia como empres\u00e1rios multimilion\u00e1rios como os Odebrechet e pol\u00edticos como S\u00e9rgio Cabral foram parar na cadeia. Onde atuou um setor do judici\u00e1rio seletivo tentando se mostrar como \u201ceficiente\u201d contra a corrup\u00e7\u00e3o, o que n\u00e3o passa de hipocrisia pois jamais a justi\u00e7a burguesa vai acabar com a corrup\u00e7\u00e3o..<\/p>\n<p>Infelizmente, o governo Dilma Roussef aplicou\u00a0 o mesma receita dos governos neoliberais: repress\u00e3o.\u00a0 Dilma agiu em conjunto com o governador de SP (do PSDB), e do Rio (PMDB), na repress\u00e3o. Mandou a For\u00e7a Nacional atuar contra as manifesta\u00e7\u00f5es e enviou ao Congresso o Projeto de Lei Antiterror, conhecido como \u201co AI5 da Dilma\u201d. Com o apoio das dire\u00e7\u00f5es da CUT e da UNE o governo buscou construir um pacto com governadores e prefeitos que tinha como centro garantir o ajuste fiscal que retirava dinheiro do or\u00e7amento para manter o pagamento da D\u00edvida p\u00fablica e apresentar uma reforma pol\u00edtica recuada. N\u00e3o podemos esquecer que Haddad e Alckmin, juntos num evento na Europa, criticaram as manifesta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>Ainda hoje sentimos os efeitos das jornadas de junho<\/strong><\/p>\n<p>As manifesta\u00e7\u00f5es foram fruto da leg\u00edtima indigna\u00e7\u00e3o dos trabalhadores e da juventude. A\u00a0 tentativa de classificar junho como de direita tamb\u00e9m faz parte da estrat\u00e9gia eleitoreira de repetir o modelo de concilia\u00e7\u00e3o de classes. Para isso \u00e9 preciso reafirmar que no governo do PT n\u00e3o havia problemas, mas junho de 2013 provou contr\u00e1rio. Ocorreu um levante, uma revolta popular hist\u00f3rica, contrariando as pr\u00e1ticas das velhas dire\u00e7\u00f5es conciliadoras e eleitoreiras, polarizando as ruas do pa\u00eds de norte a sul, marchando para a porta dos pal\u00e1cios de governo e se articulando em plen\u00e1rias democr\u00e1ticas massivas. Caracter\u00edsticas fundamentais para incorporar na elabora\u00e7\u00e3o da estrat\u00e9gia revolucion\u00e1ria da esquerda socialista.<\/p>\n<p>Para n\u00f3s,\u00a0a situa\u00e7\u00e3o iniciada pelas jornadas de junho de 2013 continua aberta pois de l\u00e1 pra c\u00e1 a juventude e os trabalhadores seguem com disposi\u00e7\u00e3o de enfrentar a retirada de direitos e os governo. Hoje, o governo de extrema-direita de Bolsonaro n\u00e3o consegue encerrar essa disposi\u00e7\u00e3o nem tirar o povo das ruas, isso explica que em seis meses de governo, j\u00e1 tivemos um tsunami da educa\u00e7\u00e3o e uma greve geral. Junho nos ensina que o caminho para derrotar Bolsonaro continua sendo o da mobiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Por Joice Souza &#8211; Coordena\u00e7\u00e3o Nacional da CST\/PSOL<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>6 anos das jornadas de junho Em mar\u00e7o de 2013, um protesto de cerca de 2 mil estudantes contra o aumento da tarifa de \u00f4nibus em Porto Alegre foi duramente reprimido pela guarda municipal. 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