

	{"id":452,"date":"2014-11-03T20:55:00","date_gmt":"2014-11-03T20:55:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/index.php\/2014\/11\/03\/arquivoid-9487\/"},"modified":"2014-11-03T20:55:00","modified_gmt":"2014-11-03T20:55:00","slug":"arquivoid-9487","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2014\/11\/03\/arquivoid-9487\/","title":{"rendered":"Solidariedade com a resist\u00eancia do povo curdo em Kobane!"},"content":{"rendered":"<p>Declara\u00e7\u00e3o da UIT-QI |<\/p>\n<p>A cidade de Kobane, que abriga uma popula\u00e7\u00e3o de maioria curda do norte da S\u00edria, passou a ser controlada pelo povo curdo durante a rebeli\u00e3o popular iniciada em 2011 contra a ditadura de Bashar Al-Assad. Desde ent\u00e3o, os curdos vinham exercendo na cidade o autogoverno, defendidos pelas suas Unidades de Prote\u00e7\u00e3o Popular (YPG). H\u00e1 v\u00e1rias semanas Kobane \u00e9 alvo de ataques das for\u00e7as reacion\u00e1rias do Estado Isl\u00e2mico (ISIS), com a cumplicidade do governo turco, que impede o ingresso de ajuda humanit\u00e1ria, armas e combatentes curdos da Turquia para lutar ao lado dos seus irm\u00e3os s\u00edrios expostos a um massacre.  <\/p>\n<p>A Turquia participa da \u201ccoaliz\u00e3o internacional\u201d capitaneada pelos Estados Unidos com o apoio das pot\u00eancias europ\u00e9ias e das monarquias \u00e1rabes, que s\u00f3 decidiu se enfrentar militarmente com o Estado Isl\u00e2mico quando este amea\u00e7ou os seus interesses. Como uma quinta coluna da revolu\u00e7\u00e3o, o ISIS vem massacrado os povos da S\u00edria h\u00e1 dois anos, com a coniv\u00eancia do regime de Al-Assad. A coaliz\u00e3o, no entanto, somente se organizou quando o regime do Iraque, imposto pelos Estados Unidos ao se retirarem do pa\u00eds, foi posto em cheque pelo avan\u00e7o do ex\u00e9rcito isl\u00e2mico (v. Declara\u00e7\u00e3o da UIT-CI de 28 de agosto). Longe de qualquer objetivo humanit\u00e1rio, a interven\u00e7\u00e3o imperialista no Iraque e na S\u00edria visa apenas estabilizar os odiados regimes de Bagd\u00e1 e Damasco. Como declaramos em agosto, s\u00f3 os povos s\u00edrio e iraquiano poder\u00e3o se livrar do Estado Isl\u00e2mico e p\u00f4r fim a esses regimes que criaram o caldo de cultura favor\u00e1vel \u00e0 expans\u00e3o do autoproclamado \u201ccalifado\u201d. Por isto, condenamos a interven\u00e7\u00e3o imperialista, que em nada ajuda aos que, no Iraque e na S\u00edria, lutam pelos direitos dos povos e a justi\u00e7a social. <\/p>\n<p>A Turquia aderiu \u00e0 coaliz\u00e3o, mas se resiste a intervir militarmente na S\u00edria porque, em primeiro lugar, n\u00e3o est\u00e1 disposta a fazer o trabalho sujo em terra, enquanto Obama evita mandar mais soldados para a regi\u00e3o. O governo turco permitiu durante anos o avan\u00e7o do ISIS e manteve um bloqueio sobre Kobane para debilitar o movimento curdo. <\/p>\n<p>Quando Obama nomeou o ISIS inimigo p\u00fablico n\u00famero um e come\u00e7aram os bombardeios na S\u00edria, o favorecido foi o genocida Al-Assad. Desde ent\u00e3o, come\u00e7aram as press\u00f5es para que a Turquia se somasse aos bombardeios. O governo turco de Erdogan apresentou a contraproposta de criar com suas tropas uma \u201czona tamp\u00e3o\u201d ao norte da S\u00edria, cujo principal objetivo seria destruir a autonomia curda. O primeiro-ministro turco disse claramente que a zona de exclus\u00e3o permitiria \u201cseguir lutando contra as organiza\u00e7\u00f5es terroristas e separatistas\u201d. A situa\u00e7\u00e3o de Kobane colocava na mesa todas as contradi\u00e7\u00f5es: se a cidade ca\u00eda, massacrada pelo Estado Isl\u00e2mico sob o olhar impass\u00edvel dos tanques turcos, toda a pol\u00edtica da OTAN se desmascarava. Mas o governo turco insistia em seu projeto de liquida\u00e7\u00e3o. A sa\u00edda para conciliar as propostas de Erdogan e Obama  se materializou  em 20 de outubro, quando os Estados Unidos e a Turquia ABRIRAM AS PORTAS a um aliado que sempre havia sido fiel aos seus interesses: Barzani, o chefe do governo curdo do norte do Iraque. Cerca de uma semana antes, avi\u00f5es norte-americanos j\u00e1 tinham lan\u00e7ado 24 toneladas de armas e medicamentos diretamente em Kobane para o YPG (Unidade de Prote\u00e7\u00e3o curda Popular). Por outro lado, a Turquia anunciava que abriria a sua fronteira aos peshmergas curdos iraquianos (soldados de Barzani)  para que lutassem na cidade assediada, mas n\u00e3o aos volunt\u00e1rios curdos da Turquia. Durante anos, Barzani tem sido inimigo declarado do PKK (Partido dos Trabalhadores do Curdist\u00e3o) e nunca tinha prestado qualquer ajuda significativa aos curdos s\u00edrios, cuja autonomia se recusava a reconhecer at\u00e9 h\u00e1 poucos dias. O objetivo do imperialismo, no acordo com Erdogan, \u00e9 fazer com que Barzani assuma o controle de Kobane, limitando uma verdadeira autonomia curda. Na realidade, o que for\u00e7ou o imperialismo foi a press\u00e3o da her\u00f3ica resist\u00eancia de Kobane e a solidariedade mundial com ela.   <\/p>\n<p>Os objetivos do ISIS em Kobane       <\/p>\n<p>O ISIS tem um duplo objetivo. Por um lado, detonar a autonomia e as conquistas democr\u00e1ticas do povo curdo em Kobane e o reconhecimento dos seus direitos em pleno processo revolucion\u00e1rio s\u00edrio. Por outro, dar continuidade \u00e0 sua brutal expans\u00e3o com a conquista de Cizre, situada no extremo oriental da S\u00edria e onde se acha o importante campo petrol\u00edfero de Rimela. Com isto, o ISIS teria o dom\u00ednio total dos campos de petr\u00f3leo e poderia cobrir suas necessidades de auto-financiamento.<\/p>\n<p>O ataque a Kobane, ademais, abriria caminho ao ISIS para avan\u00e7ar sobre Alepo, onde continuam a resistir heroicamente os rebeldes s\u00edrios, encurralados ao norte pelos jihadistas do ISIS e ao sul pelas for\u00e7as criminosas de Bashar Al-Assad, que diariamente os bombardeiam com barris de dinamite. Se o ISIS atingir seus objetivos, ter\u00e1 capturado todas as grandes cidades do norte da S\u00edria at\u00e9 conseguir uma sa\u00edda para o mar em Afrin. Este cen\u00e1rio lhe permitiria montar uma estrutura mais eficiente, aumentar o n\u00famero de combatentes em suas fileiras e consolidar sua posi\u00e7\u00e3o atacando a revolu\u00e7\u00e3o s\u00edria pela retaguarda.<\/p>\n<p>O apoio \u00e0 resist\u00eancia de Kobane  <\/p>\n<p>Nosso dever, como socialistas revolucion\u00e1rios, \u00e9 estar incondicionalmente ao lado do povo curdo e suas organiza\u00e7\u00f5es contra essa b\u00e1rbara investida. Isto nos leva a denunciar tamb\u00e9m a cumplicidade do governo turco de Erdogan, que MOSTRA novamente SUA total hipocrisia. Enquanto fala de dar continuidade ao \u201cprocesso de paz\u201d com o PKK, a Turquia, que \u00e9 membro da OTAN, mant\u00e9m a organiza\u00e7\u00e3o curda na lista negra do terrorismo e tem a desfa\u00e7atez de afirmar que se enfrenta com \u201ctodos os terroristas\u201d, misturando  com o estado isl\u00e2mico as  organiza\u00e7\u00f5es curdas da S\u00edria, o partido Uni\u00e3o Democr\u00e1tica (pyd) e o pkk turco. Erdogan n\u00e3o esconde sua hostilidade e recusa o estatuto de refugiados aos curdos da s\u00edria, que, como os rebeldes s\u00edrios, s\u00e3o os \u00fanicos que enfrentam militarmente o estado isl\u00e2mico.<\/p>\n<p>Os curdos que se manifestaram na Turquia em apoio a kobane pagaram sua solidariedade com mais de 40 mortos. As cidades curdas da Turquia foram militarizadas, como j\u00e1 acontecera nos anos de chumbo. Sob a vitrina do processo de paz, o estado turco e o governo de Erdogan levam a cabo uma estrat\u00e9gia de liquida\u00e7\u00e3o ou, ao menos, de controle do movimento nacional curdo. Esta mesma estrat\u00e9gia \u00e9 agora a que se aplica em kobane. O estado turco adotou, desde o principio, uma atitude hostil \u00e0 experi\u00eancia de Kobane, j\u00e1 que esta constitui um exemplo perigoso para os curdos da Turquia, o que explica o intento de bloquear Kkobane com o fechamento das fronteiras \u2013 que haviam sido amplamente abertas para o isis.<\/p>\n<p>A her\u00f3ica resist\u00eancia de Kobane mostra a capacidade de luta do povo curdo, que, lamentavelmente, n\u00e3o conta com uma dire\u00e7\u00e3o que responda \u00e0s suas aspira\u00e7\u00f5es nacionais e de emancipa\u00e7\u00e3o social. Os curdos, divididos em quatro estados pelo colonialismo, viram como os seus dirigentes, no PKK, no PYD e no PDK (partido democr\u00e1tico do curdist\u00e3o) de barzani, renunciavam ao direito democr\u00e1tico \u00e0 autodetermina\u00e7\u00e3o e se limitavam a reivindicar direitos culturais, tratando de acomodar-se em cada pa\u00eds e confinando-se em seu territ\u00f3rio, ao inv\u00e9s de participar das lutas contra esses odiados regimes. foi contra a postura c\u00e9tica da dire\u00e7\u00e3o do PKK que muitos curdos participaram individualmente da luta contra Erdogan nas mobiliza\u00e7\u00f5es da pra\u00e7a Taksim. Os curdos s\u00edrios, retirados em seus cant\u00f5es, n\u00e3o se envolveram na revolu\u00e7\u00e3o contra Assad, que tamb\u00e9m n\u00e3o os reconhecia.<\/p>\n<p>Tudo isto p\u00f5e de manifesto que a verdadeira liberta\u00e7\u00e3o do povo curdo n\u00e3o radica em projetos isolados de democracia com amb\u00edguo car\u00e1ter de classe, nem nas jogadas diplom\u00e1ticas de equil\u00edbrio de poder, mas na luta comum dos trabalhadores e das massas populares da regi\u00e3o contra o imperialismo e as for\u00e7as reacion\u00e1rias ali presentes, e contra a sua pr\u00f3pria burguesia.<\/p>\n<p>A defesa de kobane levou tamb\u00e9m \u00e0 unidade de a\u00e7\u00e3o das organiza\u00e7\u00f5es curdas e dos rebeldes s\u00edrios na frente militar. O comando das unidades de prote\u00e7\u00e3o popular curda (ypg) anunciou num comunicado, em 19 de outubro, o acordo com unidades do ex\u00e9rcito s\u00edrio livre para combaterem juntos em kobane e outros pontos da s\u00edria. \u00e9 uma grande not\u00edcia, e isto demonstra que a \u00fanica sa\u00edda para as massas \u00e9 a unifica\u00e7\u00e3o da luta dos curdos por sua liberta\u00e7\u00e3o nacional com a das massas s\u00edrias, que enfrentam Al-Assad numa her\u00f3ica revolu\u00e7\u00e3o abandonada pela maioria das for\u00e7as da esquerda.<\/p>\n<p>Os socialistas revolucion\u00e1rios condenamos todas as interven\u00e7\u00f5es imperialistas, cujo \u00fanico objetivo \u00e9 estabilizar os regimes de opress\u00e3o e liquidar com a din\u00e2mica revolucion\u00e1ria no oriente m\u00e9dio, expressa na revolu\u00e7\u00e3o popular contra Al-Assad, no levantamento contra o governo sect\u00e1rio iraquiano e na luta das massas populares curdas por sua liberta\u00e7\u00e3o. os estados unidos, Fran\u00e7a, Inglaterra, Turquia, Ar\u00e1bia saudita, Israel e seus aliados, bem como o Iran e a R\u00fassia, perseguem fundamentalmente o mesmo objetivo, ainda que \u00e0s vezes pare\u00e7am estar em lados opostos da trincheira.  <\/p>\n<p>Parte da solidariedade internacional com a resist\u00eancia de kobane \u00e9 a chamada marcha global convocada para 1\u00ba de novembro, que ter\u00e1 a ades\u00e3o de v\u00e1rias organiza\u00e7\u00f5es, personalidades, artistas e intelectuais de todo o mundo.<\/p>\n<p>Chamamos os povos do mundo e as organiza\u00e7\u00f5es sindicais, estudantis, democr\u00e1ticas e anti-imperialistas \u00e0 a\u00e7\u00e3o unit\u00e1ria pelas seguintes propostas:<\/p>\n<p>VIVA A RESIST\u00caNCIA DE KOBANE!<\/p>\n<p>ARMAS PARA A RESIST\u00caNCIA CURDA E EM ALEPO CONTRA AL-ASSAD!<\/p>\n<p>ABERTURA DA FRONTEIRA TURCA AOS LUTADORES QUE QUEREM DEFENDER KOBANE!  <\/p>\n<p>N\u00c3O AOS BOMBARDEIOS IMPERIALISTAS: SOMENTE OS POVOS DA S\u00cdRIA E IRAQUE PODEM COMBATER O ISIS E ACABAR COM ESSES REGIMES ODIADOS!<\/p>\n<p>UNIDADE INTERNACIONAL DOS TRABALHADOES \u2013 QUARTA INTERNACIONAL &#8211; UIT-CI<\/p>\n<p>29 DE OUTUBRO DE 2014<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Declara\u00e7\u00e3o da UIT-QI | A cidade de Kobane, que abriga uma popula\u00e7\u00e3o de maioria curda do norte da S\u00edria, passou a ser controlada pelo povo curdo durante a rebeli\u00e3o popular iniciada em 2011 contra a ditadura de Bashar Al-Assad. 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