

	{"id":4624,"date":"2019-08-15T16:40:39","date_gmt":"2019-08-15T16:40:39","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/?p=4624"},"modified":"2019-08-15T20:42:07","modified_gmt":"2019-08-15T20:42:07","slug":"4624","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2019\/08\/15\/4624\/","title":{"rendered":"Argentina |  Desastre pol\u00edtico-eleitoral do governo Macri"},"content":{"rendered":"<p>Panorama pol\u00edtico<\/p>\n<p>Nas elei\u00e7\u00f5es prim\u00e1rias argentina houve um desastre pol\u00edtico de Macri. O governo federal e o governador Vidal foram amplamente derrotados. Milh\u00f5es votaram contra demiss\u00f5es, recess\u00e3o, roubo de sal\u00e1rio, entrega do pa\u00eds e a enorme crise social. Houve um voto castigo contra o governo do qual foi beneficiada a chapa peronista dos Fernandez. A derrota eleitoral do governo foi esmagadora, 47,37% para 32,23%, com 15 pontos de diferen\u00e7a. O outro fato distintivo das elei\u00e7\u00f5es foi que a FIT \u2013 Unidade (Frente de Esquerda Unidade), com a chapa de Ca\u00f1o-Del Pl\u00e1, teve uma \u00f3tima elei\u00e7\u00e3o, apesar da reviravolta eleitoral de milh\u00f5es para o peronismo. O colapso eleitoral de Macri p\u00f5e no vermelho a crise pol\u00edtica e econ\u00f4mica que estava encoberta pela campanha eleitoral.<\/p>\n<p><em>* O socialista 14\/8\/2019 Esquerda Socialista FIT-Unidade. Argentina<\/em><\/p>\n<p>A esmagadora derrota do governo Macri provoca um abalo pol\u00edtico porque mostra que o resultado j\u00e1 \u00e9 irrevers\u00edvel, abrindo um espa\u00e7o de quatro meses com um governo muito enfraquecido, repudiado por milh\u00f5es. Os empres\u00e1rios, as multinacionais, os bancos, o FMI e o imperialismo ter\u00e3o de esperar quatro meses pela mudan\u00e7a de um governo patronal a outro.<\/p>\n<p>O desastre tornou-se evidente no dia seguinte com a coletiva de imprensa Macri-Pichetto tentando &#8220;passar adiante&#8221;. Com os rostos p\u00e1lidos, ambos anunciaram que &#8220;decidimos lutar&#8221;, &#8220;vamos reverter a elei\u00e7\u00e3o&#8221; e, segundo Pichetto, &#8220;isso n\u00e3o acaba&#8221;. Como se nada tivesse acontecido. Enquanto pretendiam atribuir o aumento do d\u00f3lar e a instabilidade financeira ao voto ao peronismo, quando na realidade era uma nova demonstra\u00e7\u00e3o da depend\u00eancia do pa\u00eds dos interesses das multinacionais e do capital financeiro internacional. \u00c9 um novo ajuste a servi\u00e7o de seus lucros e outra brutal queda dos sal\u00e1rios.<\/p>\n<p><strong>O fim do governo Macri come\u00e7ou<\/strong><\/p>\n<p>Tudo indica que a derrota eleitoral do governo \u00e9 irrevers\u00edvel. O voto castigo contra ele foi t\u00e3o contundente que deixa em aberto que, para as elei\u00e7\u00f5es de 27 de outubro, essa derrota se repita e que n\u00e3o haja segundo turno. Para vencer no primeiro turno, \u00e9 preciso que a chapa vencedora tenha 45% dos votos. Alberto Fern\u00e1ndez j\u00e1 alcan\u00e7ou 47%. Esta \u00e9 a base da crise pol\u00edtica que o regime patronal tem hoje.<\/p>\n<p>A magnitude da derrota do macrismo fica evidenciada em que s\u00f3 conseguiu vencer em dois distritos, CABA e C\u00f3rdoba. Ele perdeu at\u00e9 em Mendoza, Jujuy e Corrientes, onde os governadores s\u00e3o dele. A derrota mais forte foi sofrida por seu candidato &#8220;estrela&#8221; Vidal na prov\u00edncia de Buenos Aires. Aqui a diferen\u00e7a com o peronismo foi de 17 pontos (52,5% para 34,6%). O golpe mais marcante foi nos sub\u00farbios de Buenos Aires, onde ele perdeu nos distritos de Quilmes, Lan\u00fas, 3 de fevereiro e Pilar. S\u00f3 manteve os de San Isidro e Vicente L\u00f3pez. O decl\u00ednio de Macri e \u201cCambiemos\u201d vem ocorrendo no compasso do ajuste e da queda no padr\u00e3o de vida dos trabalhadores. Devemos lembrar que \u201cCambiemos\u201d tinha arrasado nas elei\u00e7\u00f5es legislativas de 2017, a tal ponto que na prov\u00edncia de Buenos Aires o desconhecido Esteban Bullrich venceu a lista peronista liderada pela pr\u00f3pria Cristina Kirchner. Crescido com esse resultado, Macri lan\u00e7ou a reforma previdenci\u00e1ria recomendada pelo FMI, que provocou um rep\u00fadio maci\u00e7o em dezembro daquele ano. Milhares de pessoas se mobilizaram em frente ao Congresso. Foi um antes e depois. O pacto com o FMI, em meados de 2018, terminou de afund\u00e1-lo. Uma pr\u00e9via de sua queda foram os resultados das elei\u00e7\u00f5es provinciais antecipadas este ano. Em Santa F\u00e9, por exemplo, onde tinha chegado a disputar o governo com Miguel Del Sel, nas deste ano ficou em terceiro com 19,78%. Uma ampla gama de trabalhadores e setores populares que haviam votado em Macri em rep\u00fadio aos doze anos do kirchnerismo foram rompendo com a nova fraude pol\u00edtica que significou \u201cCambiemos\u201d. Isto n\u00e3o tem retorno. Nem mesmos as pesquisas conseguiram registrar a magnitude do \u00f3dio popular contra Macri e seu governo.<\/p>\n<p><strong>O voto castigo foi capitalizado pela chapa peronista dos Fernandez.<\/strong><\/p>\n<p>A chapa de Alberto e Cristina conseguiu capitalizar esmagadoramente o voto castigo ao macrismo. Alberto Fern\u00e1ndez recebeu mais de 10 milh\u00f5es de votos. Nenhuma pesquisa havia previsto tal diferen\u00e7a, nem aqueles que trabalhavam para a Frente Todos. Isso fortaleceu a tend\u00eancia que as elei\u00e7\u00f5es provinciais j\u00e1 marcavam. O voto de raiva, o voto castigo, marcou o retorno dos setores populares ao voto no peronismo. Muitos trabalhadores e jovens votaram na chapa dos Fernandez, sabendo que uma mudan\u00e7a fundamental em suas vidas n\u00e3o \u00e9 certa. Mas, o \u00f3dio a Macri e ao seu ajuste brutal prevaleceram. Prevaleceu o&#8221;devemos acabar com Macri&#8221;, \u00a0&#8220;n\u00e3o se aguenta mais outro governo Macri&#8221;.<\/p>\n<p>O peronismo kirchnerista soube aproveitar essa raiva de milh\u00f5es. Para isso, teve que se reciclar e mudar sua pol\u00edtica eleitoral. Embora o governo enfatize que enfrenta o &#8220;Kirchnerismo&#8221;, a Frente de Todos \u00e9 uma nova alian\u00e7a peronista. Na verdade, Cristina, em sua debilidade (nunca superou os 30-35%), teve que aceitar uma arma\u00e7\u00e3o superior ao peronismo K. Ela sabia que com La C\u00e1mpora n\u00e3o estava certo que poderiam ganhar. \u00c9 por isso que eles tiveram que construir outra alian\u00e7a, come\u00e7ando por colocar Alberto Fern\u00e1ndez como candidato \u00e0 presid\u00eancia, que h\u00e1 anos vinha sendo cr\u00edtico de Cristina. Essa decis\u00e3o foi fundamental para uma alian\u00e7a superior. E acabaram concordando com Sergio Massa e grande parte da Frente de Renova\u00e7\u00e3o, o Movimento Evita e a maioria da burocracia sindical. Daer, Moyano e o CTA fizeram campanha pelo Fern\u00e1ndez. E centralmente eles teceram uma alian\u00e7a com os governadores, os mesmos que vieram aplicando o ajuste macristas nas prov\u00edncias. Eles tamb\u00e9m acrescentaram setores de centro-esquerda como Pino Solanas, Victoria Dona e V\u00edctor De Gennaro. Assim, foram liquidando ou reduzindo a sua express\u00e3o m\u00ednima a poss\u00edvel &#8220;terceira frente&#8221; do peronismo federal. Assim, Lavagna, Urtubey e Graciela Cama\u00f1o alcan\u00e7aram apenas 8,3%.<\/p>\n<p>Nem esta alian\u00e7a nem o quase pr\u00f3ximo governo de Fern\u00e1ndez significam que o peronismo superou sua crise hist\u00f3rica. Mas isso significa uma importante recomposi\u00e7\u00e3o conjuntural. Milh\u00f5es retornaram a votar no peronismo como um voto de raiva, mas tamb\u00e9m com alguma ligeira esperan\u00e7a de que v\u00e3o ficar &#8220;melhores&#8221; do que com Macri. Refletindo que ainda n\u00e3o houve uma ruptura final com a cren\u00e7a equivocada de que os l\u00edderes pol\u00edticos dos patr\u00f5es podem &#8220;resolver&#8221; a pobreza e o decl\u00ednio social das massas. Esse ainda \u00e9 o legado do velho peronismo das &#8220;conquistas sociais&#8221; de 45, que n\u00e3o retornar\u00e1. Ele n\u00e3o retornou durante os doze anos de Kirchnerismo e menos agora. Alberto Fern\u00e1ndez j\u00e1 disse que renegociar\u00e1 com o FMI e que continuar\u00e1 pagando a d\u00edvida, ou seja, continuar\u00e1 governando para os de cima e aliados \u00e0 burocracia sindical. Os trabalhadores e setores populares enfrentar\u00e3o novamente um governo peronista.<\/p>\n<p>Por isso, que qualquer interpreta\u00e7\u00e3o poss\u00edvel, por parte dos setores da esquerda, de que uma &#8220;nova ordem&#8221; ser\u00e1 aberta no pa\u00eds em que o imperialismo e as multinacionais v\u00e3o ter um forte choque com o governo de Alberto e Cristina est\u00e1 errada. Macri foi o candidato preferido de Trump, do FMI e Bolsonaro, mas outra coisa \u00e9 acreditar que o FMI e o imperialismo n\u00e3o est\u00e3o mais dispostos a negociar com um novo governo peronista. Eles j\u00e1 fizeram isso com o Kirchnerismo, por 12 anos, que pagaram a d\u00edvida, atacaram o sal\u00e1rio e concordaram com a Barrick, a Monsanto e a Chevron.<\/p>\n<p><strong>Uma \u00f3tima elei\u00e7\u00e3o da FIT-Unidade<\/strong><\/p>\n<p>A Frente de Esquerda Unidade fez uma \u00f3tima elei\u00e7\u00e3o. Ganhou 700.000 votos para \u00a0presidente com a chapa Del Ca\u00f1o-Del Pl\u00e1 e 760.000 votos para deputados nacionais, indo al\u00e9m das expectativas previstas para as prim\u00e1rias e se colocando como a quarta for\u00e7a nacional. \u00c9 muito importante o voto para a FIT-Unidade contra o fato objetivo da reviravolta massiva em rela\u00e7\u00e3o ao voto castigo com o peronismo. Isso mostra que h\u00e1 uma importante faixa de votos em todo o pa\u00eds que foi consolidada com a Frente de Esquerda-Unidade, apoiando uma sa\u00edda de esquerda diante da crise no pa\u00eds e dando as costas para as diferentes variantes patronais. E um reconhecimento por ter sido consistente em enfrentar o ajuste de Macri e os governadores, na luta das mulheres, na defesa da juventude e na postula\u00e7\u00e3o do sindicalismo combativo contra a burocracia sindical.<\/p>\n<p>A vota\u00e7\u00e3o para a FIT-Unidade foi parte de um voto de rep\u00fadio ao governo Macri e de apoio a uma sa\u00edda de independ\u00eancia de classe. Tamb\u00e9m foi uma forte campanha de que n\u00e3o h\u00e1 sa\u00edda para a classe trabalhadora e os setores populares sem romper com o FMI e deixar de pagar a d\u00edvida externa.<\/p>\n<p>Foi um voto a favor da coer\u00eancia da FIT-Unidade em manter e lutar por mais unidade na esquerda. Como tamb\u00e9m se mostrou o fracasso eleitoral do sectarismo do Novo-MAS e de sua candidata \u00e0 presid\u00eancia, Manuela Casti\u00f1eira, que n\u00e3o passou para outubro, e o \u00f3bvio rev\u00e9s de Luis Zamora. Ambos rejeitaram a proposta de juntar-se a unidade em uma lista de esquerda.<\/p>\n<p>Passada as prim\u00e1rias, temos duas tarefas fundamentais \u00e0 frente. A primeira, para enfrentar o novo ajuste com o aumento do d\u00f3lar e o consequente aumento de pre\u00e7os e a diminui\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios e da aposentadoria. N\u00f3s da<strong> Izquierda Socialista<\/strong> na FIT Unidade, acreditamos que dever\u00edamos nos unir para exigir uma greve de 36 horas da CGT-CTA e um plano de luta para impor medidas de emerg\u00eancia, como aumento de sal\u00e1rios e aposentadorias de acordo com a cesta b\u00e1sica, que sejam suspensos os pagamentos da d\u00edvida e que se nacionalize os bancos para evitar a fuga de capitais e especula\u00e7\u00e3o contra os trabalhadores e o pa\u00eds. A segunda \u00e9 preparar-se para continuar a luta pol\u00edtico-eleitoral em outubro, para consolidar e aumentar o voto para os candidatos da FIT-Unidade e fortalecer uma alternativa pol\u00edtica que, diante de poss\u00edveis convuls\u00f5es sociais, prepare sa\u00edda radical. Uma nova boa elei\u00e7\u00e3o nos fortalecer\u00e1 para continuar a luta contra o novo governo e os novos ajustes que vir\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Panorama pol\u00edtico Nas elei\u00e7\u00f5es prim\u00e1rias argentina houve um desastre pol\u00edtico de Macri. O governo federal e o governador Vidal foram amplamente derrotados. Milh\u00f5es votaram contra demiss\u00f5es, recess\u00e3o, roubo de sal\u00e1rio, entrega do pa\u00eds e a enorme crise social. Houve um voto castigo contra o governo<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":4626,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[40,812,813],"class_list":["post-4624","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-internacional","tag-argentina","tag-derrota-de-macri","tag-voto-castigo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4624","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4624"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4624\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4626"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4624"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4624"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4624"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}