

	{"id":4638,"date":"2019-08-15T17:04:29","date_gmt":"2019-08-15T17:04:29","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/?p=4638"},"modified":"2019-08-15T17:04:29","modified_gmt":"2019-08-15T17:04:29","slug":"para-enfrentar-bolsonaro-a-oposicao-precisa-de-outra-estrategia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2019\/08\/15\/para-enfrentar-bolsonaro-a-oposicao-precisa-de-outra-estrategia\/","title":{"rendered":"Para enfrentar Bolsonaro a oposi\u00e7\u00e3o precisa de outra estrat\u00e9gia"},"content":{"rendered":"<p>Em meio a aprova\u00e7\u00e3o da reforma da previd\u00eancia na c\u00e2mara dos deputados, o governo Bolsonaro lan\u00e7ou uma contraofensiva visando revogar direitos sociais e democr\u00e1ticos, busca aumentar a superexplora\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho e diminuir as liberdades democr\u00e1ticas. A demiss\u00e3o do presidente do INPE, xenofobia contra o nordeste, privatiza\u00e7\u00e3o da Br distribuidora, modifica\u00e7\u00f5es nas NRs de seguran\u00e7a do trabalho, modifica\u00e7\u00f5es na Comiss\u00e3o de Mortos e Desaparecidos, bem como as amea\u00e7as de pris\u00e3o e extradi\u00e7\u00e3o de Gleen Grenwald s\u00e3o os exemplos.\u00a0A extrema direita possui um plano contrarrevolucion\u00e1rio e pretende derrotar o conjunto do movimento de massas, atrav\u00e9s de um projeto autorit\u00e1rio e de ajuste estrutural, atacando todas as \u00e1reas.<\/p>\n<p>Apesar de concordar sobre a reforma da previd\u00eancia, h\u00e1 um setor da burguesia vocalizado por Rodrigo Maia que tem nuances e diverg\u00eancias com Bolsonaro e seu n\u00facleo mais pr\u00f3ximo. Querem foco total no ajuste fiscal e se diferenciam da pauta autorit\u00e1ria da extrema direita. Assim, contraditoriamente, a instabilidade e a crise pol\u00edtica se mantem. N\u00e3o \u00e9 por acaso que Bolsonaro tenta iludir o povo trabalhador com medidas parciais, como a libera\u00e7\u00e3o do FGTS e o programa \u201cM\u00e9dicos pelo Brasil\u201d, que n\u00e3o solucionam a crise econ\u00f4mica e nem resolvem os problemas da sa\u00fade, mas podem ter conjunturalmente algum impacto pol\u00edtico num setor do eleitorado do PSL.<\/p>\n<p><strong>A reforma previd\u00eancia \u00e9 o resultado da estrat\u00e9gia conciliadora da oposi\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>A vota\u00e7\u00e3o, em dois turnos, ocorreu sem nenhuma manifesta\u00e7\u00e3o nacional. A c\u00fapula dos partidos de oposi\u00e7\u00e3o (PT, PDT, PCdoB e PSB) apostou em negociatas com Rodrigo Maia e o PSDB e comemoraram as mudan\u00e7as no relat\u00f3rio da reforma, desarmando a classe. J\u00e1 os governadores do PT, PDT, PCdoB e PSB, que se elegeram com votos de oposi\u00e7\u00e3o, passaram meses negociando com Bolsonaro e Guedes e querem a inclus\u00e3o de servidores municipais e estaduais. Houve, ainda, o voto de setores das oposi\u00e7\u00f5es, como Tabata Amaral.<\/p>\n<p>Apesar da insist\u00eancia da CSP-CONLUTAS, as maiores centrais se negaram a protestar contra a retirada de nossa aposentadoria. Ap\u00f3s as jornadas de mar\u00e7o, o tsunami de maio e a greve geral de 14 de junho a c\u00fapula das maiores centrais (CUT, For\u00e7a, CTB, UGT) n\u00e3o deu continuidade \u00e0 luta, dando f\u00f4lego ao governo da extrema direita e ao congresso nacional corrupto. N\u00e3o foi por falta de disposi\u00e7\u00e3o das bases. Todos os calend\u00e1rios convocados tinham sido positivos, desde o 8 de mar\u00e7o encabe\u00e7ados pelas mulheres ou o dia 22 de mar\u00e7o das centrais. O tsunami da educa\u00e7\u00e3o e a greve geral mostravam a queda da popularidade de Bolsonaro e crise na c\u00fapula burguesa. Mas ao inv\u00e9s de aproveitar a crise pol\u00edtica para derrotar o governo a linha da burocracia sindical e dos partidos de oposi\u00e7\u00e3o foi o pacto e a negocia\u00e7\u00e3o. Em primeiro lugar a carta a Bolsonaro, seguida da reuni\u00e3o com o Vice-presidente Mour\u00e3o. E mesmo quando tiveram que lan\u00e7ar, pela press\u00e3o das bases, os calend\u00e1rios de luta, o fizeram sem abandonar a estrat\u00e9gia conciliadora. Por isso n\u00e3o convocavam nenhum plano de luta e divulgavam que \u201c<em>n\u00e3o haveria votos suficiente pra aprovar a reforma<\/em>\u201d ap\u00f3s se reunir com os deputados do Centr\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>A dire\u00e7\u00e3o da CUT negociou com Maia a aprova\u00e7\u00e3o da reforma<\/strong><\/p>\n<p>A linha da CUT foi deixar a vota\u00e7\u00e3o ocorrer na c\u00e2mara. \u00c9 o que diz a resolu\u00e7\u00e3o da sua Executiva Nacional de 2 de julho: \u201c<em>Existe a possibilidade de o projeto ser aprovado na C\u00e2mara dos Deputados antes do recesso parlamentar previsto para 18 de julho, o que torna decisivo o embate a ser travado contra a reforma a partir de meados de agosto, quando for discutida no Senado<\/em>\u201d (<a href=\"https:\/\/www.cut.org.br\/noticias\/temos-motivo-de-sobra-para-rejeita-la-diz-cut-sobre-a-reforma-da-previdencia-fbd8\">cut.org.br<\/a>).\u00a0No dia 3 de julho, os presidentes da CUT e For\u00e7a Sindical tiveram uma reuni\u00e3o com Rodrigo Maia onde trataram da reforma da previd\u00eancia e da MP 873 (das mensalidades sindicais). \u201c<em>O encontro foi pedido pelo parlamentar e discutiu a reforma da Previd\u00eancia&#8230; Segundo Vagner Freitas, o presidente da C\u00e2mara dos Deputados disse que quer propor medida que discuta uma nova legisla\u00e7\u00e3o sindical. \u2018Nesse debate n\u00f3s vamos entrar. Essa sempre foi uma proposta da CUT, a Central surgiu para questionar a estrutura sindical\u2019 disse<\/em>.\u201d (idem).\u00a0Assim fechou-se uma negociata ao redor da reforma, com o argumento de que era \u201cmenos pior\u201d que a de Guedes. Abandonaram a luta pela derrota integral da PEC, que foi a pauta da manifesta\u00e7\u00e3o de 22 mar\u00e7o e a greve geral de 14 de junho.\u00a0Ou seja, o problema central n\u00e3o foi a falta de mobiliza\u00e7\u00e3o das pessoas, como dizem dirigentes do PT e da CUT, mas sim o papel retr\u00f3grado dos dirigentes.<\/p>\n<p>Em meio a esse quadro, fica patente que as oposi\u00e7\u00f5es desaproveitaram grande parte da energia oriunda das bases e o movimento de oposi\u00e7\u00e3o que explodiu nas ruas no 8 de mar\u00e7o feminista, encheram as ruas no tsunami da educa\u00e7\u00e3o. Uma for\u00e7a que garantiu a convoca\u00e7\u00e3o dos protestos oper\u00e1rios no dia 22 de mar\u00e7o e na greve geral de 12 de julho, feito pelas Centrais. Fica evidente que a estrat\u00e9gia dos maiores partidos e das maiores centrais est\u00e1 errada. Eles n\u00e3o garantem o enfrentamento consequente o autoritarismo e as privatiza\u00e7\u00f5es e as demais medidas do ajuste fiscal. O que precisamos \u00e9 de uma outra estrat\u00e9gia, que n\u00e3o de tr\u00e9gua a extrema direita. De oposi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica intransigente e nas ruas, como no \u201cEle N\u00e3o\u201d, nos atos contra a invas\u00e3o dos campi universit\u00e1rios, como na jornada de luta de mar\u00e7o, do tsunami da educa\u00e7\u00e3o e a da greve geral em 2019.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso seguir nas ruas ap\u00f3s o dia 13\/8, organizar a resist\u00eancia \u00e0 vota\u00e7\u00e3o da Reforma da Providencia no Senado, contra a Reforma Tribut\u00e1ria, o Futere-se e outros ataques.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Para tirar o pa\u00eds da crise, precisamos de um Plano Econ\u00f4mico e Social Alternativo<\/strong><\/p>\n<p>O conjunto das medidas anunciadas por Bolsonaro s\u00f3 aprofundam os graves problemas sociais, como a proposta de reforma tribut\u00e1ria. \u00c9 preciso contrapor uma agenda da classe trabalhadora para tirar o pa\u00eds da crise.<\/p>\n<p>O PT, acaba de lan\u00e7ar um \u201cplano emergencial de emprego e renda\u201d que infelizmente \u00e9 incorreta. De acordo com o site do PT, as propostas formuladas por uma equipe liderada pelo \u201cex-ministro Mercadante\u201d est\u00e3o baseadas em \u201cmedidas que n\u00e3o pressionam a d\u00edvida p\u00fablica\u201d. Eles apostam em setores da burguesia da constru\u00e7\u00e3o civil e nos contratos tempor\u00e1rios. Algumas semanas atr\u00e1s a ex-presidente Dilma declarou em entrevista ao UOL que se continuasse na presid\u00eancia faria uma \u201creforma da previd\u00eancia\u201d. Nota-se que o PT segue sua mesma estrat\u00e9gia, de concilia\u00e7\u00e3o de classes.<\/p>\n<p>Precisamos de outra pol\u00edtica, uma sa\u00edda favor\u00e1vel para a classe trabalhadora, que ataques os privil\u00e9gios dos banqueiros, grandes empres\u00e1rios, multinacionais e dos fazendeiros. Precisamos de uma nova Assembleia Nacional da classe trabalhadora para construir uma Plano Econ\u00f4mico e Social Alternativo, que seja debatido em assembleias de base nos sindicatos, DCE\u2019s, ocupa\u00e7\u00f5es, nas associa\u00e7\u00f5es de bairro, que inclua medidas como:<\/p>\n<p><strong>&#8211; Suspender o pagamento da D\u00edvida P\u00fablica, taxar as grandes fortunas e estatizar os bancos privados<\/strong><\/p>\n<p>O sistema da d\u00edvida p\u00fablica consome mais de R$ 1 trilh\u00e3o de reais. \u00c9 preciso suspender o pagamento e garantir mais verbas para educa\u00e7\u00e3o, aposentadoria e concursos p\u00fablicos. Com o sistema financeiro estatizado poder\u00edamos combater a especula\u00e7\u00e3o e garantir cr\u00e9dito barato ao povo trabalhador. Criando um imposto espec\u00edfico sobre aqueles que t\u00eam mais de R$ 2 milh\u00f5es em patrim\u00f4nio. S\u00f3 essa medida ajudaria a arrecadar cerca de R$ 30 bilh\u00f5es\/ano.<\/p>\n<p><strong>&#8211; Taxar o Lucro dos patr\u00f5es e aumentar taxas sobre heran\u00e7as dos ricos e realizar um plano de Obras P\u00fablicas<\/strong><\/p>\n<p>Os patr\u00f5es n\u00e3o pagam imposto sobre seus lucros. Taxar os lucros e dividendos pode gerar R$ 50 bilh\u00f5es ao ano. Se fizermos como o pr\u00f3prio EUA, onde se taxa em at\u00e9 40% as heran\u00e7as, podemos gerar R$ 30 bilh\u00f5es\/ano. Com esses recursos \u00e9 poss\u00edvel realizar obras p\u00fablicas e reverter o desemprego.<\/p>\n<p><strong>Construir uma Frente de Esquerda<\/strong><\/p>\n<p>Para batalhar por essas propostas \u00e9 fundamental a unidade da esquerda. \u00c9 preciso construir uma outra alternativa pol\u00edtica, superando a concilia\u00e7\u00e3o classes do PT, PCdoB, PDT e seus governadores. \u00c9 preciso uma Frente de Esquerda com PSOL, PSTU, PCB, PCR. Para defender a revoga\u00e7\u00e3o de todas as MPs, decretos do atual governo e lutar nas ruas contra a aprova\u00e7\u00e3o da reforma da previd\u00eancia no senado. Pela manuten\u00e7\u00e3o dos direitos democr\u00e1ticos e das liberdades de livre manifesta\u00e7\u00e3o. Para combatendo a corrup\u00e7\u00e3o, exigindo pris\u00e3o para Queiroz e os milicianos e a demiss\u00e3o do ministro do turismo. Exigir o fim das chacinas nas periferias; por justi\u00e7a para Marielle e Anderson.<\/p>\n<p>10\/08\/2019<\/p>\n<p>Coordena\u00e7\u00e3o Nacional da CST\/PSOL<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em meio a aprova\u00e7\u00e3o da reforma da previd\u00eancia na c\u00e2mara dos deputados, o governo Bolsonaro lan\u00e7ou uma contraofensiva visando revogar direitos sociais e democr\u00e1ticos, busca aumentar a superexplora\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho e diminuir as liberdades democr\u00e1ticas. 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