

	{"id":472,"date":"2014-12-16T18:14:00","date_gmt":"2014-12-16T18:14:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/index.php\/2014\/12\/16\/arquivoid-9507\/"},"modified":"2014-12-16T18:14:00","modified_gmt":"2014-12-16T18:14:00","slug":"arquivoid-9507","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2014\/12\/16\/arquivoid-9507\/","title":{"rendered":"QUEM S\u00c3O OS INIMIGOS DO POVO?"},"content":{"rendered":"<p>Um debate sobre o car\u00e1ter do governo Dilma e as tarefas do PSOL em 2015 |<\/p>\n<p>Pedro Fonteles e Michel Tunes \u2013 militantes da CST e do PSOL<\/p>\n<p>Estamos em meio a um novo curso da situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e da luta de classes. A explos\u00e3o popular de junho de 2013 com as dezenas de greves e lutas que se seguiram e insurgiram contra os aparelhos burocr\u00e1ticos e os governos abriram novas brechas para a esquerda intervir e extrair li\u00e7\u00f5es. Em meio a um debate do rumo p\u00f3s-junho opinamos que h\u00e1 uma crise crescente de descontentamento, representatividade e questionamento das massas \u00e0s institui\u00e7\u00f5es, aos partidos tradicionais, as velhas dire\u00e7\u00f5es pelegas e a democracia burguesa. Esse fen\u00f4meno vai se consolidando na medida em que a classe trabalhadora, a juventude e o povo v\u00e3o aprofundando sua experi\u00eancia e viv\u00eancia de mais de 12 anos de governo do Partido dos Trabalhadores. Governos que mantiveram a pol\u00edtica neoliberal da era FHC, as privatiza\u00e7\u00f5es, a corrup\u00e7\u00e3o como m\u00e9todo de governo, a submiss\u00e3o ao imperialismo e a repress\u00e3o aos movimentos sociais.  <\/p>\n<p>A elei\u00e7\u00e3o de Dilma derrotando A\u00e9cio por uma pequena diferen\u00e7a de votos evidenciou uma enorme dificuldade de diferencia\u00e7\u00e3o dos projetos encabe\u00e7ados pelo PT\/PMDB ao do PSDB\/DEM para os trabalhadores. A vota\u00e7\u00e3o do candidato tucano n\u00e3o representa um ascenso de uma onda conservadora influenciada por elementos fascistas e nazistas, como o governismo agitou. Ela \u00e9 express\u00e3o do esgotamento do modelo impulsionado pelo PT, do seu giro cada vez mais a direita que representa a estagna\u00e7\u00e3o e o retrocesso nesses mais de 12 anos em que est\u00e1 no poder. Por isso, o fato caracter\u00edstico do \u00faltimo processo eleitoral foi um voto de protesto que castigou o PT, pulverizando-se em distintas alternativas e no voto nulo\/branco\/absten\u00e7\u00e3o. Sendo que uma parte mais politizada e de esquerda votou nas candidaturas do PSOL e esteve com Luciana Genro. N\u00e3o deixa de ser importante a trag\u00e9dia eleitoral do PT no ABC paulista e em outros centros oper\u00e1rios de S\u00e3o Paulo, Minas e Rio de Janeiro, al\u00e9m de seu retrocesso nos maiores centros urbanos do pa\u00eds, onde se concentra a maior parte do proletariado nacional e dos setores mais organizados e politizados do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Junho acelerou os rumos dos ventos<\/p>\n<p>As jornadas de Junho aceleraram um processo que j\u00e1 estavam em andamento por meio de greves como Jirau e Santo Antonio, Bombeiros e outras explos\u00f5es sociais. As teses que defendiam que o governo Dilma era um governo forte, s\u00f3lido e que o caminho para a esquerda socialista e o PSOL era atuar como o setor de esquerda da governabilidade petista caiu por terra em meio aos milhares de manifestantes nas ruas. No entanto esta quest\u00e3o segue em discuss\u00e3o e voltou a tona nos \u00faltimos meses como se o furac\u00e3o que varreu as ruas entre 2013 e 2014, numa rebeli\u00e3o permanente, nunca tivesse ocorrido. H\u00e1 uma s\u00e9rie de posturas que legitimam discursos como se o PT fosse de esquerda e o governo Dilma progressista ou integrasse um campo \u201cavan\u00e7ado\u201d contra a \u201cdireita conservadora\u201d. Fato mais evidenciado no segundo turno e os debates que o seguiram. O que mostra a necessidade de um debate profundo e estrat\u00e9gico no PSOL, preparando os embates de 2015 e a afirma\u00e7\u00e3o de uma pol\u00edtica combativa e classista em nosso pa\u00eds. Junho de 2013 representou a retomada dos movimentos de massas no Brasil. A rua, as mobiliza\u00e7\u00f5es e o sentimento de que \u00e9 poss\u00edvel conquistar direitos voltou a ser o eixo principal da luta pol\u00edtica aos olhos de milhares. Conseguimos romper o pacto social e o imobilismo que o PT em conjunto com a burocracia sindical e as entidades governistas do movimento social visavam construir com fra\u00e7\u00f5es da burguesia. Junho com toda a sua complexidade e pluralidade fruto dos milh\u00f5es que sa\u00edram as ruas apresentou uma agenda a esquerda, centrada na denuncia dos gastos p\u00fablicos com est\u00e1dios para a copa do mundo e por mais direitos sociais. A consigna foi: sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e transporte p\u00fablico padr\u00e3o FIFA, combinada com os questionamentos da falsa democracia corrupta em que vivemos e o aumento do custo de vida. O Governo Dilma n\u00e3o apenas n\u00e3o deu nenhuma resposta concreta a essa agenda proposta pelas ruas, como criminalizou e atuou para reprimir as manifesta\u00e7\u00f5es, realizando tamb\u00e9m um pacto de ajuste fiscal com governadores do PSDB, PMDB e PSB. Com a retomada dos grandes movimentos de massa se desencadeou um conjunto de grandes lutas oper\u00e1rias que tinham como centro valoriza\u00e7\u00e3o salarial e melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho, tendo para isso que passar por cima da burocracia que dirige as centrais sindicais e enfrentar os governos da ordem, tanto da base de apoio da Dilma quanto da oposi\u00e7\u00e3o do PSDB. Essas sucessivas e vitoriosas greves, como a dos garis do RJ ou dos rodovi\u00e1rios de POA, confirmaram que a velha dire\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem mais condi\u00e7\u00f5es de conter, sozinha, os avan\u00e7os e as explos\u00f5es das lutas sociais no Brasil, e que eles j\u00e1 come\u00e7am a perder em uma parte do imagin\u00e1rio da classe trabalhadora o referencial de combatividade e por sua vez de representa\u00e7\u00e3o dos seus sonhos. Por isso inclusive cresce a import\u00e2ncia do papel da esquerda, em particular do PSOL, nessa nova situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica para atuar de forma correta em meio as lutas e as disputas pol\u00edticas.<\/p>\n<p>O PSOL foi bem no Primeiro turno<\/p>\n<p>A disputa presidencial de 2014 se deu nos marcos de quem poderia gerenciar melhor o Estado burgu\u00eas, em meio a um intervalo conjuntural das grandes lutas de impacto nacional. De um lado o PT, apresentando como seus aliados os hist\u00f3ricos inimigos da classe trabalhadora como K\u00e1tia Abreu, Sarney, Renan Calheiros, Barbalhos e aplicando h\u00e1 12 anos uma pol\u00edtica de privatiza\u00e7\u00e3o de portos, aeroportos, rodovias, leil\u00f5es do petr\u00f3leo, arrocho salarial, a submiss\u00e3o ao setor financeiro e \u00e0s diretrizes do FMI\/Banco Mundial garantindo mesmo em tempos de crise lucros exorbitantes aos banqueiros, rela\u00e7\u00f5es esp\u00farias com empreiteiras se confirmando como o principal beneficiado pela corrup\u00e7\u00e3o que est\u00e1 encastelada nas principais estatais, subservi\u00eancia ao agroneg\u00f3cio e a impunidade no campo, criminaliza\u00e7\u00e3o do movimento social e etc. Ou seja, o PT aplicou o mesmo programa que outrora em suas ra\u00edzes combatia. De outro lado estava o A\u00e9cio com a Veja e o Estad\u00e3o e as fra\u00e7\u00f5es opositoras da burguesia que viram a possibilidade iminente de al\u00e7ar um dos seus representantes leg\u00edtimos e n\u00e3o mais terceirizar para o PT a gerencia do estado. Foi nesse cen\u00e1rio que houve a polariza\u00e7\u00e3o de dois nomes e a divis\u00e3o de votos entre Dilma e A\u00e9cio. Jamais houve dois projetos em disputa.<\/p>\n<p>Em meio a essa falsa polariza\u00e7\u00e3o, apareceu o PSOL. Nossa candidata Luciana Genro, enfrentando as leis eleitorais antidemocr\u00e1ticas e o boicote da m\u00eddia burguesa conseguiu manter de p\u00e9 um projeto de esquerda aos olhos de um setor expressivo do eleitorado durante o primeiro turno. Isso empolgou a milit\u00e2ncia que estava nas ruas e nas redes. Em v\u00e1rios estados pudemos verificar o crescimento do partido e bons resultados proporcionais. Em alguns locais conseguirmos at\u00e9 mesmo boas campanhas majorit\u00e1rias. A atua\u00e7\u00e3o do PSOL no primeiro turno da elei\u00e7\u00e3o apontou o caminho que devemos seguir: denunciando que na sua ess\u00eancia a pol\u00edtica que defendem PT e PSDB s\u00e3o iguais e mais do mesmo, ambos governam com os patr\u00f5es e para o capital financeiro. S\u00e3o os irm\u00e3os-siamenes que n\u00e3o contrariam os interesses da burguesia, sendo duas alas do sistema. E dentro disso afirmando as nossas propostas de mudan\u00e7a profunda do pais, saindo da mesmice representada pelos partidos da ordem. H\u00e1 um espa\u00e7o aberto para o PSOL atuar e se consolidar como uma alternativa pol\u00edtica para os trabalhadores e a juventude. Nosso desafio \u00e9 vocalizar e ser a express\u00e3o pr\u00e1tica das lutas e da agenda que as ruas e as greves tem reivindicado (como as greves dos banc\u00e1rios ou da USP durante a elei\u00e7\u00e3o). Logicamente corrigindo problemas, como o financiamento de campanha e outras quest\u00f5es program\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Voto cr\u00edtico na Dilma se transformou em voto na burguesia<\/p>\n<p>Manter o perfil do PSOL como oposi\u00e7\u00e3o de esquerda aos partidos do sistema \u00e9 fundamental. O combate aos irm\u00e3o siameses, o bloco PT e o bloco do PSDB, \u00e9 uma defini\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica, que marcou a independ\u00eancia de classe do PSOL no terreno eleitoral durante o primeiro turno e est\u00e1 em sua marca de funda\u00e7\u00e3o. Sem ela \u00e9 imposs\u00edvel construir uma esquerda alternativa no pr\u00f3ximo per\u00edodo. Mudar essa defini\u00e7\u00e3o significa transformar o PSOL em &quot;linha auxiliar do PT&quot;, um erro cometido por dirigentes e setores de nosso partido durante o segundo turno.<\/p>\n<p>A tarefa para um p\u00f3lo revolucion\u00e1rio e l\u00facido do papel que se deve cumprir \u00e9 por vezes dif\u00edcil, requer um trabalho pedag\u00f3gico de explicar e educar pacientemente as massas para o real car\u00e1ter dos &quot;falsos governos oper\u00e1rios&quot; e nesse processo buscar a melhor pol\u00edtica que ajude a manter a mobiliza\u00e7\u00e3o de massas. A cita\u00e7\u00e3o de Trotsky \u00e9 perfeita nesse sentido: &quot;Expor aos oprimidos a verdade sobre a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 abrir-lhes o caminho da revolu\u00e7\u00e3o\u201d.  Isso hoje est\u00e1 at\u00e9 menos dif\u00edcil pela crise brutal pela qual passa o PT e a corrente de Lula. Hoje o principal agente do capital no Brasil \u00e9 o governo do PT, quem mais atuou para reprimir e derrotar as greves e as manifesta\u00e7\u00f5es, quem cooptou uma grande parte da vanguarda de dirigentes oper\u00e1rios e do movimento social foi o governo Lula\/Dilma, quem nada fez contra a grande m\u00eddia corporativa e suas mentiras foram os governos do PT, que hoje s\u00e3o o principal entrave para o avan\u00e7o do n\u00edvel de consci\u00eancia dos trabalhadores, seja porque venderam a ilus\u00e3o de que \u00e9 poss\u00edvel governar em concilia\u00e7\u00e3o de classes e que os trabalhadores podem avan\u00e7ar em seus direitos convivendo de maneira pac\u00edfica com os seus opressores, ou seja, porque representam aos olhos de muitos lutadores honestos a derrocada de constru\u00e7\u00e3o de um partido de esquerda, socialista e de massas. A trai\u00e7\u00e3o do PT representa um duro golpe na mentalidade e na perca de esperan\u00e7a que muitos tinham. Qualquer a\u00e7\u00e3o que fa\u00e7a com que a classe trabalhadora recue no seu n\u00edvel geral de consci\u00eancia, de esp\u00edrito revolucion\u00e1rio e de capacidade de luta e vit\u00f3ria, ou seja, que perca a confian\u00e7a em governar por ela mesma e romper com as estruturas do estado burgu\u00eas, est\u00e1 inevitavelmente contra o nosso projeto estrat\u00e9gico. Por isso o PSOL n\u00e3o pode dar um &quot;abra\u00e7o de afogado&quot; no projeto petista. Muito menos agora quando assistimos a explos\u00e3o de novo fatos vinculados a corrup\u00e7\u00e3o na Petrobras e nos contratos federais com as empreiteiras.  Um esc\u00e2ndalo que deixa em crise a falsa democracia em que vivemos j\u00e1 que afeta todos os partidos e as principais institui\u00e7\u00f5es da rep\u00fablica. Sendo que o PT \u00e9 organizador do esquema e seu principal beneficiado, mostrando como ele nada tem de progressista.<\/p>\n<p>A esquerda precisa estar conectada com esse sentimento e seguir adiante. Abrir o voto critico em Dilma, ainda que tenha sido com argumentos de que seria para \u201cevitar o retrocesso e um mal maior\u201d \u00e9 refor\u00e7ar a ilus\u00e3o (que lutamos todos os dias para desconstruir nas ruas) de que o PT ainda nos serve como alternativa ao PSDB. E refor\u00e7ar a tese de que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel construir uma ferramenta de classe para a disputa de poder, de que s\u00f3 h\u00e1 duas alternativas poss\u00edveis: ou PT ou PSDB. Nos n\u00e3o pactuamos com isso! N\u00e3o se pode emprestar todo o acumulo fruto das lutas e da coragem da sua milit\u00e2ncia que o PSOL adquiriu para maquiar a realidade que \u00e9 dura, mas \u00e9 verdadeira: A maior parte das representa\u00e7\u00f5es dos fundamentalistas, do agroneg\u00f3cio, das empreiteiras que enriquecem com obras superfaturadas, dos banqueiros, ou seja da direita mais reacion\u00e1ria n\u00e3o esta na oposi\u00e7\u00e3o conservadora ao PT, est\u00e1 justamente governando junto com Lula e Dilma h\u00e1 12 anos, e comandam as pastas estrat\u00e9gicas do governo federal. Portanto sabemos que Dilma n\u00e3o estava sendo disputada \u00e0 esquerda, que n\u00e3o ter\u00edamos uma guinada, j\u00e1 que hoje o PT tamb\u00e9m \u00e9 conservador. Nossa tarefa mais estrat\u00e9gica \u00e9 construir uma alternativa que seja independente dos patr\u00f5es e da burguesia, unindo os oprimidos, os pobres, os trabalhadores e a juventude contra a velha pol\u00edtica, a burocracia, e as dire\u00e7\u00f5es traidoras que conciliam classes, contra essa falsa polariza\u00e7\u00e3o, entre PT e aliados de um lado e PSDB e aliados do outro. Nesse sentido chamando o voto nulo debatemos a nossa opini\u00e3o com toda a esquerda e no interior do PSOL. Votamos nulo porque ele esteve a servi\u00e7o de combater tanto Dilma quanto A\u00e9cio j\u00e1 que entre eles n\u00e3o havia projetos antag\u00f4nicos em disputa. Hoje continuamos a denunciar PT como partido do regime e que gerencia o estado burgu\u00eas, armando assim a classe trabalhadora e a juventude para resistir aos ajustes e ir \u00e0s ruas e as greves para arrancar na luta real e no movimento de massas mais direito. O mesmo que fazemos contra o governo Alckmin e nos demais estados onde o PSDB governa. Nem PT e nem PSDB nos representam! O PT traiu a classe trabalhadora e o povo e deixou de ser de esquerda ao se converter a ordem burguesa e assumir um programa capitalista. Por isso o governo Dilma n\u00e3o \u00e9 progressista, n\u00e3o est\u00e1 em disputa e n\u00e3o integra um campo \u201cde combate\u201d contra \u201ca direita conservadora\u201d. Infelizmente os companheiros do PSOL e da esquerda que votaram em Dilma e no PT, acabaram votando naqueles que combatemos todos os dias. A composi\u00e7\u00e3o do novo minist\u00e9rio j\u00e1 comprova esse fato.<\/p>\n<p>O novo &#8211; velho governo e o tempo que est\u00e1 por vir<\/p>\n<p>O novo governo Dilma ainda nem come\u00e7ou, mas j\u00e1 apresenta de maneira nefasta quais ser\u00e3o os seus aliados priorit\u00e1rios e qual pol\u00edtica aos mais oprimidos ela aplicar\u00e1. Tudo para sinalizar aos banqueiros e aos grandes empres\u00e1rios, que o tom mais a esquerda que ela imprimiu no 2 turno com a consigna: Dilma &#8211; Cora\u00e7\u00e3o Valente foi apenas uma manobra para descolar um setor do movimento combativo e se apoderar de uma cara mais a esquerda. A sinaliza\u00e7\u00e3o come\u00e7a com o tarifa\u00e7o proposto e em curso, em especial das contas de luz e da gasolina que deve crescer em 20% em 2015. Mas o movimento principal de Dilma e da dire\u00e7\u00e3o do PT e que antecipou a necessidade da esquerda se manter mobilizada e se preparar para voltar a ocupar as ruas, s\u00e3o a nova equipe do n\u00facleo duro e estrat\u00e9gico dos minist\u00e9rios: Em primeiro lugar a nomea\u00e7\u00e3o de Joaquim Levy para comandar o Minist\u00e9rio da Fazenda e a pol\u00edtica econ\u00f4mica do governo. Segue na verdade a mesma l\u00f3gica de sempre, um nome de confian\u00e7a do mercado como foi com Henrique Meirelles. Levy era diretor do Bradesco e foi chefe do tesouro nacional no primeiro mandato de Lula e foi um dos respons\u00e1veis por operar o ajuste fiscal e tamb\u00e9m era colaborador do programa de governo de A\u00e9cio a presid\u00eancia. Essa \u00e9 a confirma\u00e7\u00e3o que os credores da divida p\u00fablica e o capital financeiro est\u00e3o contemplados. Os bancos se mant\u00eam no comando da economia do pa\u00eds, seus lucros estar\u00e3o mantidos, foi assim neste ano de 2014 em que meio a crise e demiss\u00f5es nas \u00e1reas da ind\u00fastria os bancos tiveram lucros enormes. Em 2014 somados os bancos Ita\u00fa, Bradesco e Santander, o lucro foi na casa dos R$ 27,4 bilh\u00f5es, 27% a mais que 2013. Vamos assistir novamente graves cortes nas \u00e1reas sociais, como sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o, saneamento b\u00e1sico e mobilidade urbana atacando diretamente a qualidade de vida dos trabalhadores e seus filhos. O nome da presidente da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Agricultura e Pecu\u00e1ria (CNA), K\u00e1tia Abreu (PMDB-TO) foi tamb\u00e9m anunciado para o Minist\u00e9rio da Agricultura. K\u00e1tia Abreu \u00e9 a representante e l\u00edder leg\u00edtima dos ruralistas e do agroneg\u00f3cio no congresso nacional. Seus mandatos e sua atua\u00e7\u00e3o a transformaram em inimiga do conjunto dos movimentos sem-terra, dos ind\u00edgenas que lutam pela demarca\u00e7\u00e3o de suas terras e da luta pela reforma agr\u00e1ria. Se destacou combatendo as pol\u00edticas contra o trabalho escravo e como defensora do uso de transg\u00eanicos. A deputada &quot;motosserra de ouro&quot; comandar\u00e1 toda a pol\u00edtica do campo do governo Dilma. Possivelmente as mortes e a impunidade no campo continuar\u00e3o a ser a rotina e a marca do governo do PT. Dificilmente A\u00e9cio responderia t\u00e3o bem aos interesses do Agroneg\u00f3cio e do latif\u00fandio quanto Dilma o faz.<\/p>\n<p>Em meio a esse processo, as centrais sindicais governistas j\u00e1 preparam sua a\u00e7\u00e3o para blindar o governo de responder sobre os ajustes que aplicar\u00e1 aos trabalhadores, enquanto o capital financeiro manter\u00e1 seus lucros. Em recente reuni\u00e3o com o Minist\u00e9rio da Fazenda, as dire\u00e7\u00f5es da CUT, For\u00e7a Sindical, CTB, UGT e NCST formularam uma proposta que seria de reduzir a jornada de trabalho e concomitantemente reduzir os sal\u00e1rios em at\u00e9 30%. Al\u00e9m disso, as centrais pedem que o governo amplie as isen\u00e7\u00f5es de impostos para as empresas. Nas palavras do pr\u00f3prio presidente nacional da CUT, Vagner Freitas: &quot;haveria redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho e dos sal\u00e1rios e o governo, por sua vez, abriria m\u00e3o de alguns tributos&#8230;&quot;. reafirmando a necessidade de uma nova dire\u00e7\u00e3o para a classe trabalhadora combatendo esses burocratas sindicais vendidos.<\/p>\n<p>Que fazer?<\/p>\n<p>O ano de 2015 ser\u00e1 de resist\u00eancia e luta pol\u00edtica e \u00e9 necess\u00e1rio fazer um chamado e construir um calend\u00e1rio com ampla unidade de a\u00e7\u00e3o com as organiza\u00e7\u00f5es de juventude em luta, sindicatos, centrais sindicais e a todo movimento social para, nas ruas, resistir \u00e0 pol\u00edtica de retirada de direitos do governo Dilma (PT\/PMDB) e dos governadores do PSDB e PSB. Fazemos um chamado para unificar e coordenar as campanhas salariais do pr\u00f3ximo semestre por meio de comandos de mobiliza\u00e7\u00e3o e atos unificados. Ser\u00e1 preciso unir as lutas dos trabalhadores com os protestos dos sem-teto e da juventude. Os trabalhadores e seus filhos n\u00e3o podem pagar por essa crise.<br \/>\nUm exemplo a seguir \u00e9 dos oper\u00e1rios da Wolks de S\u00e3o Bernardo do Campo que enfrentaram e derrotaram em assembleia a pol\u00edtica de arrocho salarial do governo, da patronal e da dire\u00e7\u00e3o pelega do sindicato dos metal\u00fargicos do ABC. Os oper\u00e1rios da Wolks mostraram o caminho pra n\u00e3o pagar pela crise: resistir e se revoltar! Para transformar esse sentimento em a\u00e7\u00e3o, faz falta a a\u00e7\u00e3o coordenada da esquerda num polo combativo e din\u00e2mico, sem vacilar na a\u00e7\u00e3o e sem capitular aos governistas. O mais prov\u00e1vel \u00e9 que em 2015 novos levantes continuar\u00e3o a estremecer a ordem vigente e questionando a falsa democracia burguesa, os governos da ordem e as velhas dire\u00e7\u00f5es traidoras do movimento de massas, e a nossa responsabilidade \u00e9 intervir incentivando o desenvolvimento das lutas e organizando a\u00e7\u00f5es concretas que desenvolvam um conjunto de experi\u00eancias que fa\u00e7a avan\u00e7ar o n\u00edvel de consci\u00eancia pol\u00edtica dos trabalhadores e da juventude e acumule para a altera\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria da atual ordem social.<\/p>\n<p>A CST e sua milit\u00e2ncia seguir\u00e1 mobilizada nas ruas, nos sindicatos, nos gr\u00eamios e DCE\u00b4s na defesa intransigente dos direitos e dos sonhos dos trabalhadores e da juventude, construindo o PSOL como ferramenta pol\u00edtica a altura da necessidade de supera\u00e7\u00e3o do sistema capitalista que oprime, explora e mata milh\u00f5es todos os dias.<br \/>\nVenceremos!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um debate sobre o car\u00e1ter do governo Dilma e as tarefas do PSOL em 2015 | Pedro Fonteles e Michel Tunes \u2013 militantes da CST e do PSOL Estamos em meio a um novo curso da situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e da luta de classes. A explos\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-472","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-arquivo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/472","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=472"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/472\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=472"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=472"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=472"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}