

	{"id":474,"date":"2014-12-20T18:00:00","date_gmt":"2014-12-20T18:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/index.php\/2014\/12\/20\/arquivoid-9509\/"},"modified":"2014-12-20T18:00:00","modified_gmt":"2014-12-20T18:00:00","slug":"arquivoid-9509","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2014\/12\/20\/arquivoid-9509\/","title":{"rendered":"Declara\u00e7\u00e3o da UIT-QI: Diante do reestabelecimento de rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas entre EUA e Cuba"},"content":{"rendered":"<p>| UIT_QI<\/p>\n<p>O anuncio de reestabelecimento das rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas realizado de forma conjunta entre Barak Obama e Raul Castro depois de mais de 50 anos de ruptura e bloqueio norte americano, causaram um l\u00f3gico impacto no mundo. Trata-se de um fato relevante que gera todo tipo de interpreta\u00e7\u00f5es sobre as raz\u00f5es desta mudan\u00e7a e suas consequ\u00eancias.<\/p>\n<p>Ainda que se trate de uma medida parcial, j\u00e1 que o bloqueio hist\u00f3rico continua, o fato que um presidente dos EUA finalmente reconhe\u00e7a, como teve de fazer Obama, que os mais de 50 anos de ruptura de rela\u00e7\u00f5es e bloqueio a Cuba \u201cn\u00e3o serviram\u201d, significa um triunfo pol\u00edtico para o povo cubano e os povos do mundo que lutaram durante d\u00e9cadas e repudiaram estas repres\u00e1lias do imperialismo. Junto com isto, \u00e9 um fato positivo a libera\u00e7\u00e3o dos presos cubanos que formam parte dos chamados \u201cCinco her\u00f3is\u201d (dois tinham sido liberados anteriormente), que levavam mais de 15 anos presos nos EUA e que era um bandeira dos povos e da esquerda mundial. Por isto, como socialistas, rejeitamos que Ra\u00fal Castro agrade\u00e7a ao Papa e felicite Obama por este recuo pol\u00edtico. Foi a luta de mais de 50 anos dos povos de Cuba e do mundo que conseguiram esta derrota pol\u00edtica do imperialismo.<\/p>\n<p>Mas por sua vez, somos categ\u00f3ricos em afirmar que nada de bom pode-se aguardar para o povo cubano deste acordo entre Obama-Castro e o Vaticano. \u00c9 falsa toda interpreta\u00e7\u00e3o que o reestabelecimento de rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas possa trazer benef\u00edcios para os trabalhadores e o povo cubano. Ra\u00fal Castro e o regime do PC cubano abrem equivocadamente expectativas em Obama e no papel do Vaticano, mas \u00e9 sabido que eles est\u00e3o a servi\u00e7o dos exploradores.<br \/>\nObama n\u00e3o tinha alternativa que n\u00e3o fosse reconhecer o erro hist\u00f3rico do imperialismo porque s\u00e3o parte de uma crise global do capitalismo, com seu fracasso em Oriente M\u00e9dio, com a rebeli\u00e3o dos povos do Norte de \u00c1frica, as lutas dos trabalhadores e da juventude contra os cortes de verbas e ajustes e com uma grave crise econ\u00f4mica mundial. Procura ent\u00e3o, superar sua crise com novas pol\u00edticas de pactos e invers\u00f5es das multinacionais. Obama quer repetir o que j\u00e1 fizeram com China e Vietnam. Nesses pa\u00edses pactuaram com as ditaduras comunistas para que se instalassem as multinacionais norte-americanas e do mundo, desenvolvendo um capitalismo com sal\u00e1rios de fome e altos lucros. Por isto n\u00e3o e casual que entre os que mais aplaudem a medida de Obama e pedem o levantamento do embargo, estejam grandes empres\u00e1rios norte americanos desejosos de fazer neg\u00f3cios com Cuba. Entre eles est\u00e3o: \u201cRicky J Arriola, presidente do poderoso grupo Inktel; os magnatas do a\u00e7\u00facar e do setor imobili\u00e1rio Andr\u00e9s Fanjul e Jorge P\u00e9rez; o empres\u00e1rio Carlos Saladrigas e o petroleiro Enrique Sosa, ademais de outros empreendedores multimilion\u00e1rios, figuram entre os ativistas do relacionamento binacional. Muitos deles s\u00e3o de origem cubano, mas todos tem cidadania estadunidense pelo qual n\u00e3o podem fazer neg\u00f3cios com Cuba por imperativo do embargo\u201d El Pa\u00eds, Espanha, 18\/12\/2014. <\/p>\n<p>Justamente Obama muda de pol\u00edtica porque est\u00e3o atrasados com Cuba. Porque, a partir do bloqueio ianque, o regime cubano h\u00e1 anos vem pactuando negocios com multinacionais europeias e do Canad\u00e1 e com investidores privados de Brasil, China, Israel ou Venezuela.<\/p>\n<p>Ainda que para muitos lutadores custe acreditar, o regime de partido \u00fanico dos Castro, h\u00e1 anos come\u00e7ou restaurar o capitalismo com um plano semelhante ao da China e Vietnam. Essa \u00e9 a triste realidade. Al\u00e9m disso, com sal\u00e1rios miser\u00e1veis que n\u00e3o alcan\u00e7am os 20 d\u00f3lares por m\u00eas e sem direito a greve nem a formar sindicatos independentes. <\/p>\n<p>O avan\u00e7o do capitalismo em Cuba e os fortes investimentos privados s\u00f3 contribu\u00edram para agudizar os problemas sociais do povo cubano. Enquanto isso, crescem os ricos e os acomodados nas esferas do governo e das empresas. No porto de Mariel, em acordo com a multinacional Odebrecht e outros empres\u00e1rios brasileiros, j\u00e1 foi instalada uma zona franca para empresas privadas. Essas oportunidades de negocio s\u00e3o as que Obama e muitos empres\u00e1rios norte americanos vem que est\u00e3o perdendo em meio de sua crise econ\u00f4mica. Este \u00e9 o marco da mudan\u00e7a e do acordo Obama-Castro. <\/p>\n<p>Este acordo n\u00e3o nasce de um dia para outro, \u00e9 fruto de longas negocia\u00e7\u00f5es secretas realizadas de costas para o povo cubano. Nem Ra\u00fal Castro nem o PC cubano consultaram os trabalhadores e o povo. H\u00e1 anos que existem negocia\u00e7\u00f5es e acordos secretos entre EUA e Cuba, tanto de colabora\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a mar\u00edtima como em medidas econ\u00f3micas apesar da exist\u00eancia do bloqueio. Em 2001, por exemplo, EUA flexibilizou o bloqueio no quesito alimentos e desde 2003 converteu-se no primeiro provedor da ilha de produtos agroalimentares, deslocando Fran\u00e7a e Canad\u00e1. Naquela \u00e9poca n\u00e3o acabou com o bloqueio por raz\u00f5es politico eleitorais: o temor de perder votos da comunidade cubano-norte americana. Por outra parte, a burocracia governamental cubana sempre utilizou politicamente a quest\u00e3o do bloqueio, ainda que seu efeito seja cada vez menor, para justificar a desastrada pol\u00edtica econ\u00f4mica e as pen\u00farias da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Nossa corrente socialista revolucionaria sempre defendeu as conquistas da revolu\u00e7\u00e3o cubana de 1959 e repudiou toda forma de agress\u00e3o do imperialismo a Cuba, dentre eles o bloqueio e o embargo econ\u00f4mico. Mas sempre fomos cr\u00edticos da dire\u00e7\u00e3o pol\u00edtica cubana que foi abandonando as bandeiras do socialismo da gloriosa \u00e9poca do Che Guevara. Desde os anos 60\/70 se submeteu \u00e0 pol\u00edtica de pactos com o imperialismo estabelecidos pela URSS para n\u00e3o impulsionar novas revolu\u00e7\u00f5es socialistas pelo mundo. Por isso na Nicar\u00e1gua de 1979, o pr\u00f3prio Fidel Castro lhes recomendou aos sandinistas que n\u00e3o fizeram de Nicar\u00e1gua \u201cuma nova Cuba\u201d, ou seja que n\u00e3o avan\u00e7arem ao socialismo. Seguindo Moscou, Fidel e Ra\u00fal castro impuseram uma ferrenha burocracia restringindo os direitos democr\u00e1ticos da popula\u00e7\u00e3o. Depois, nos anos 90, quando desapareceu a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, uniu-se com Ch\u00e1vez e agora Maduro, avalizando sua pol\u00edtica do falso slogan: \u201cSocialismo do S\u00e9culo XXI\u201d para continuar mantendo em Venezuela uma estrutura econ\u00f4mica capitalista. Entre tanto, pactuavam que Venezuela subsidiasse a debilitada economia cubana com petr\u00f3leo a baixo pre\u00e7o e restauravam o capitalismo com invers\u00f5es espanholas, brasileiras e canadenses. <\/p>\n<p>A crise da Venezuela, agudizada agora com a queda do pre\u00e7o do petr\u00f3leo, acelerou a concre\u00e7\u00e3o do pacto com EUA que j\u00e1 vinha sendo negociado secretamente. Agora, o acordo Obama-Castro prepara uma apertura para futuros negocios ianques. Que solu\u00e7\u00e3o poder\u00e3o trazer os investimentos norte americanos ao povo cubano? Nenhum. <\/p>\n<p>Por tudo isto, desde a UIT-QI chamamos a continuar apoiando ao povo cubano e sua hist\u00f3rica reinvindica\u00e7\u00e3o para que se levante definitivamente o bloqueio, que \u00e9 uma medida antidemocr\u00e1tica, de destrui\u00e7\u00e3o da soberania dos povos e um resquicio da pol\u00edtica colonial dos EUA, e que devolvam j\u00e1 Guant\u00e1namo \u00e0 soberania cubana. Nesse marco rejeitamos toda e qualquer inger\u00eancia e interven\u00e7\u00e3o do imperialismo norte americano. Tamb\u00e9m apoiamos a luta do povo cubano para recuperar as conquistas da revolu\u00e7\u00e3o socialista de 1959, para tanto deve ter plenos direitos democr\u00e1ticos para formar sindicatos e partidos, acabar com o regime de partido \u00fanico e ter o direito de reclamar e se mobilizar para reverter a restaura\u00e7\u00e3o capitalista e garantir sal\u00e1rios dignos e recuperar a educa\u00e7\u00e3o e a sa\u00fade conquistadas nos primeiros tempos do socialismo do Che.<\/p>\n<p>Unidade Internacional dos Trabalhadores \u2013 Quarta Internacional (UIT-QI)<br \/>\n19 de dezembro de 2014<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>| UIT_QI O anuncio de reestabelecimento das rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas realizado de forma conjunta entre Barak Obama e Raul Castro depois de mais de 50 anos de ruptura e bloqueio norte americano, causaram um l\u00f3gico impacto no mundo. 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