

	{"id":48,"date":"2011-01-28T18:37:00","date_gmt":"2011-01-28T18:37:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/index.php\/2011\/01\/28\/arquivoid-9083\/"},"modified":"2011-01-28T18:37:00","modified_gmt":"2011-01-28T18:37:00","slug":"arquivoid-9083","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2011\/01\/28\/arquivoid-9083\/","title":{"rendered":"Revolu\u00e7\u00e3o popular na Tun\u00edsia"},"content":{"rendered":"<p>| Miguel Lamas<\/p>\n<p>O ano de 2011 come\u00e7ou com uma revolu\u00e7\u00e3o popular na Tun\u00edsia, que obrigou, no dia 14 de Janeiro, a fuga para Ar\u00e1bia Saudita, juntamente com toda a fam\u00edlia, de Abidine Bem Al\u00ed, ditador do pa\u00eds durante 23 anos. O \u201cnovo\u201d governo \u00e9 um farrapo do velho e cambaleia, enquanto continua a mobiliza\u00e7\u00e3o de massas.<br \/>\nO ditador fugiu e deixou no governo seu primeiro ministro Mohammed Ghannouchi. Por\u00e9m este n\u00e3o durou nem um dia. Foi substitu\u00eddo pelo presidente do Parlamento, Fouad Mebazaa, que anunciou liberdades p\u00fablicas. No entanto, a rebeli\u00e3o popular continua, apesar da repress\u00e3o que j\u00e1 deixou mais de 100 mortos. Ningu\u00e9m acredita no novo governo, que \u00e9 na realidade o mesmo velho governo, por\u00e9m descabe\u00e7ado&#8230; Tampouco h\u00e1 uma alternativa vis\u00edvel. Quatro ministro do \u201cnovo\u201d governo j\u00e1 renunciaram. A dire\u00e7\u00e3o da UGTT (Uni\u00e3o Geral dos Trabalhadores da Tunisia) composta por burocratas que apoiaram o governo de Bem Al\u00ed, agora denunciam que o novo governo est\u00e1 dominado pelo partido de Bem Al\u00ed.<br \/>\nUma economia \u201cexitosa\u201d<br \/>\nA ditadura era felicitada anos atr\u00e1s pelo FMI e Banco Mundial por seus \u201c\u00eaxitos\u201d econ\u00f4micos em \u201catrair investimentos\u201d. Para isso baixou ao m\u00ednimo os impostos e facilitou a exporta\u00e7\u00e3o de capital, para que a Europa instalasse suas f\u00e1bricas \u201cdeslocalizadas\u201d, principalmente de 1250 empresas da Fran\u00e7a, e aproveitasse a m\u00e3o-de-obra barata. Ao mesmo tempo a pol\u00edcia pol\u00edtica prendia e torturava opositores e lutadores sociais, proib\u00eda qualquer imprensa opositora e censurava a internet. Uma gigantesca corrup\u00e7\u00e3o concentrou a maior parte \u201cnacional\u201d da economia no cl\u00e3 Trabelsi ( a fam\u00edlia do Ditador)<\/p>\n<p>A fa\u00edsca e a explos\u00e3o<br \/>\nNo dia 17 de dezembro a corrupta pol\u00edcia do regime confiscou (roubou) o carrinho com frutas e verduras, \u00fanico sustento de Mohamed Bouazizi, de 26 anos, que era diplomado na Universidade e, sem trabalho, vivia da venda como ambulante. Bouazizi, desesperado por essa perda, se banhou com gasolina e se ateou fogo. Faleceu em 4 de janeiro, como resultado de suas graves queimaduras.<br \/>\nA morte de Bouazizi se converteu em um s\u00edmbolo. Centenas de milhares de jovens sem trabalho e nada o que perder, se lan\u00e7aram as ruas enfrentando a pol\u00edcia. Nada os detinha. A repress\u00e3o (se diz que houve mais de 100 morto e milhares de feridos e presos), multiplicava a indigna\u00e7\u00e3o e o n\u00famero de manifestantes. As promessas do ditador de criar postos de trabalho e outorgar liberdades, n\u00e3o convenceram ningu\u00e9m. A rebeli\u00e3o juvenil se fez incontrol\u00e1vel. Os oper\u00e1rios das f\u00e1bricas, em sua maioria tamb\u00e9m muito jovens e com sal\u00e1rios miser\u00e1veis, come\u00e7aram a unir-se a revolta, apesar da passividade da dire\u00e7\u00e3o da UGTT. At\u00e9 que a greve geral foi um fato, organizada desde a base, e a UGTT teve que proclam\u00e1-la. Milhares atacaram domic\u00edlios e propriedade da fam\u00edlia Trabelsi, e esta\u00e7\u00f5es foram incendiadas. A multid\u00e3o enfrenta a pol\u00edcia apenas com os pr\u00f3prios punhos. S\u00e3o pedras contra balas. E eles vencem! O regime fica no ar. O exercito n\u00e3o interv\u00eam, talvez sabendo que corria risco de desintegrar-se. Assim, ao ditador, s\u00f3 restou a fuga&#8230;<\/p>\n<p>A luta rec\u00e9m come\u00e7a<br \/>\nA derrubada do ditador e a conquista de fato de muitas liberdades pol\u00edticas, \u00e9 um grande triunfo popular. Por\u00e9m, \u00e9 s\u00f3 o primeiro round. Fala-se de elei\u00e7\u00f5es em 90 dias, por\u00e9m com partidos na ilegalidade, como agora est\u00e3o, entre outros, o Partido Comunista, que tem influ\u00eancia em alguns sindicatos de base.<br \/>\nO avan\u00e7o na autoconfian\u00e7a e organiza\u00e7\u00e3o das massas de jovens e trabalhadores que derrubaram a ditadura \u00e9 grande. Um rep\u00f3rter na cidade de Ksour indica: \u201cOs homens \u2018de confian\u00e7a\u2019 jovens, adultos e anci\u00e3os, se armaram com paus e facas e levantaram barricadas para controlar os acessos a localidade, bairro por bairro, rua por rua. N\u00e3o permitem a passagem de ve\u00edculos nem de pessoas desconhecidas\u201d (J. D. Fierro, Rebeli\u00f3n).<br \/>\nSem d\u00favida o imperialismo Ianque e europeu, perdeu um aliado, e as distintas for\u00e7as pol\u00edticas patronais tunisianas e do exercito est\u00e3o empenhadas agora em desmobilizar o povo e \u201cestabiliz\u00e1-lo\u201d, a custa de conceder alguns pontos democr\u00e1ticos. Por\u00e9m, isso n\u00e3o soluciona os problemas de fundo, a mis\u00e9ria, desemprego e explora\u00e7\u00e3o imperialista. Ao mesmo tempo, o descontentamento tunisiano est\u00e1 contagiando a mobiliza\u00e7\u00e3o dos povos da Arg\u00e9lia e L\u00edbia. Somando mais temores no imperialismo.<br \/>\nA exig\u00eancia central da revolu\u00e7\u00e3o, a exig\u00eancia dos jovens por trabalho, requer outro plano econ\u00f4mico, expropriar a \u201cfam\u00edlia\u201d do ditador e as transnacionais. Estas duas medidas de fundo s\u00f3 podem ser conquistadas sob um novo poder oper\u00e1rio, popular e campon\u00eas. Nesse caminho seguir a mobiliza\u00e7\u00e3o popular pelas reivindica\u00e7\u00f5es sociais e democr\u00e1ticas, como recuperar os sindicatos expulsando os burocratas para lutar por sal\u00e1rio e todas as exig\u00eancias sociais, assim como dissolver a pol\u00edcia pol\u00edtica e castigar aos carrascos do regime, sendo o povo quem decide livremente sobre seu futuro.<\/p>\n<p>Exemplo contagioso?<br \/>\nA revolu\u00e7\u00e3o na Tun\u00edsia \u00e9 a express\u00e3o da resist\u00eancia das massas diante do ajuste capitalista mundial que imp\u00f5e desemprego e sal\u00e1rios de fome.<br \/>\nPor\u00e9m, al\u00e9m disso, ocorrem em uma regi\u00e3o, os pa\u00edses \u00e1rabes (Marrocos, Arg\u00e9lia, L\u00edbia, Egito, Sud\u00e3o, Jord\u00e2nia, S\u00edria, Yemen, Iraque, Ar\u00e1bia Saudita, L\u00edbano, etc.), com uma grande unidade hist\u00f3rica e cultural, agora dominada pelo imperialismo. \u201cMuitos jovens \u00e1rabes se identificam com os problemas que enfrentam os jovens tunisianos: desemprego, corrup\u00e7\u00e3o, autocracia, viola\u00e7\u00f5es dos direitos humanos\u201d (BBC Londres). Isto se soma \u00e0 derrota dos Estados Unidos no Iraque, tamb\u00e9m pais \u00e1rabe.<br \/>\nO cont\u00e1gio dos fatos da Tun\u00edsia j\u00e1 \u00e9 evidente na Arg\u00e9lia onde houve grandes protestos nas \u00faltimas semanas. Tamb\u00e9m houve manifesta\u00e7\u00f5es de protesto na Jord\u00e2nia e L\u00edbia. No Yemen, na pen\u00ednsula ar\u00e1bica, milhares de estudantes marcharam pelas ruas gritando a favor da rebeli\u00e3o dos povos \u00e1rabes contra o que chamaram de \u201cos assustados e falsos lideres\u201d. <\/p>\n<p>Dados:<br \/>\n&#8211; Popula\u00e7\u00e3o: 10.400.000<br \/>\n&#8211; Superf\u00edcie: 165.000 (similar a Provincia de C\u00f3rdoba)<br \/>\n&#8211; Economia: agroindustria, fosfatos, turismo y \u201cmaquilas\u201d (f\u00e1bricas imperialistas instaladas com &#8232;baixissemos impostos e m\u00e3o de obra barata).<br \/>\n&#8211; Idioma: \u00e1rabe.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>| Miguel Lamas O ano de 2011 come\u00e7ou com uma revolu\u00e7\u00e3o popular na Tun\u00edsia, que obrigou, no dia 14 de Janeiro, a fuga para Ar\u00e1bia Saudita, juntamente com toda a fam\u00edlia, de Abidine Bem Al\u00ed, ditador do pa\u00eds durante 23 anos. 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