

	{"id":49,"date":"2011-02-01T19:38:00","date_gmt":"2011-02-01T19:38:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/index.php\/2011\/02\/01\/arquivoid-9084\/"},"modified":"2011-02-01T19:38:00","modified_gmt":"2011-02-01T19:38:00","slug":"arquivoid-9084","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2011\/02\/01\/arquivoid-9084\/","title":{"rendered":"A import\u00e2ncia dos sindicatos de trabalhadores para a revolu\u00e7\u00e3o no Egito"},"content":{"rendered":"<p>Egito: entrevista a Hossam el- Hamalawy,jornalista e blogueiro eg\u00edpcio. | Tradu\u00e7\u00e3o: Caio Dorsa<\/p>\n<p>Egito: entrevista a Hossam el- Hamalawy,jornalista e blogueiro eg\u00edpcio.<\/p>\n<p>A import\u00e2ncia dos sindicatos de trabalhadores na revolu\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>*Traducido del ingl\u00e9s para Rebeli\u00f3n por Germ\u00e1n Leyens y revisado por Caty R.<\/p>\n<p>Hossam el-Hamalawy \u00e9 um jornalista e blogueiro do site 3arabwy. Mark Levine, professor da Universidade de Calif\u00f3rnia Irvine, conseguiu contato com Hassam atrav\u00e9s do Skype para ter um informe de primeira m\u00e3o sobre os eventos que se desenvolvem no Egito.<\/p>\n<p>Hossa El-Hamalawy<\/p>\n<p>MK &#8211; Porque foi necess\u00e1ria uma revolu\u00e7\u00e3o na Tun\u00edsia para colocar os eg\u00edpcios nas ruas em quantidades sem precedentes?<\/p>\n<p>No Egito dizemos que a Tun\u00edsia foi mais um catalisador do que um instigador, porque as condi\u00e7\u00f5es objetivas para um levante existiam no Egito e durante os \u00faltimos anos a revolta estava no ar. Decerto, j\u00e1 conseguimos fazer duas mini-intifadas ou \u201cmini-tunisias\u201d em 2008.A primeiro foi um levante em abril de 2008 em Mahalla, seguido de outro em Borollos, no norte do pa\u00eds.<\/p>\n<p>As revolu\u00e7\u00f5es n\u00e3o surgem do nada. N\u00e3o temos um nascer no Egito porque ontem teve um na Tun\u00edsia. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel isolar os protestos dos \u00faltimos quatro anos, de greves de trabalhadores no Egito ou de eventos internacionais como a intifada AL-Aqsa e a invas\u00e3o do Iraque pelos EUA.Mas uma vez que a oposi\u00e7\u00e3o formal ao regime passa das armas para protestos massivos, \u00e9 muito dif\u00edcil enfrentar um dissenso semelhante.Pode-se planificar a liquida\u00e7\u00e3o de um grupo de terroristas que combatem nos canaviais , mas o que v\u00e3o fazer frente a milhares de manifestantes nas ruas? N\u00e3o podem matar todos. Nem sequer podem garantir que os soldados fa\u00e7am, que disparem contra os pobres.<\/p>\n<p>MK &#8211; Qual \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o entre eventos regionais e locais neste pa\u00eds?<\/p>\n<p>H\u00e1 que se compreender que o regional \u00e9 local neste pa\u00eds.No ano de 2000 os protestos n\u00e3o come\u00e7aram como protesto contra o regime mas sim contra Israel e em apoio aos palestinos.O mesmo ocorreu com a invas\u00e3o estadounidense no Iraque tr\u00eas anos depois.Mas, um vez que se tu sa\u00ed as ruas e enfrenta a viol\u00eancia do regime, tu come\u00e7a a fazer perguntas: Porque exportam cimento para Israel para que construam assentamentos de vez de ajudar os palestinos? Porque a policia \u00e9 t\u00e3o violenta com a gente quando s\u00f3 tratamos de expressar nossa solidariedade com os palestinos de maneira pac\u00edfica? E assim tamb\u00e9m os problemas regionais como Israel e irque passaram a ser temas locais. E em poucos instantes, os mesmos manifestantes que cantavam consignas Pr\u00f3 Palestina come\u00e7aram a cantar contra Mubarak. O momento decisivo especifico em termos de protestos foi 2004, quando o dissenso virou interno.<\/p>\n<p>MK &#8211; Na Tun\u00edsia os sindicatos jogaram um papel crucial na revolu\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que sua ampla e disciplinada ades\u00e3o assegurou que os protestos n\u00e3o pudessem esmagar-se facilmente e se conferiu um organiza\u00e7\u00e3o. Qual \u00e9 o papel do movimento dos trabalhadores no Egito no atual levante?<\/p>\n<p>O movimento sindical eg\u00edpcio foi bastante atacado nos anos oitenta e noventa pela policia, que utilizou muni\u00e7\u00e3o de guerra contra os grevistas pac\u00edficos em 1989 durante greves nas f\u00e1bricas sider\u00fargicas e em 1994 nas greves da f\u00e1bricas t\u00eaxteis. Mas d\u00eas de dezembro de 2006 nosso pa\u00eds vive continuamente as maiores e mais sustentadas ondas de greve desde 1946, detonadas por greves na industria t\u00eaxtil na cidade de Mahalla no Delta do Nilo, centro da maior for\u00e7a oper\u00e1ria no oriente M\u00e9dio com mais de 28.00 trabalhadores. Come\u00e7ou com temas trabalhistas mas se estendeu a todos os setores da sociedade com exce\u00e7\u00e3o da policia e das for\u00e7as armadas.<\/p>\n<p>Como resultado destas greves conseguimos obter dois sindicatos independentes, os primeiros de sua classe desde 1957, o dos cobradores de impostos de im\u00f3veis, que inclui mais de 40.00 empregados p\u00fablicos e o de t\u00e9cnicos da sa\u00fade, mais de 30.00 dos quais lan\u00e7aram um sindicato no m\u00eas passado fora dos sindicatos controlados pelo Estado.<\/p>\n<p>Mas \u00e9 verdade que existe uma diferen\u00e7a importante entre n\u00f3s e a Tun\u00edsia, e \u00e9 a que mesmo em uma ditadura, a Tun\u00edsia tinha uma federa\u00e7\u00e3o sindical semi-independentes. Inclusive se a dire\u00e7\u00e3o colaborava com o regime, os membros eram sindicalista militantes. De maneira que quando chegou a hora das greves gerais, os sindicatos puderam somar-se. Mas aqui no Egito temos um vazio que esperamos encher r\u00e1pido. Os sindicalistas independentes j\u00e1 est\u00e3o sobre a ca\u00e7a as bruxas desde que se estabeleceram, j\u00e1 h\u00e1 processos iniciados contra eles pelos sindicatos estatais e respaldados pelo estado, mas seguem se fortalecendo apesar das continuas tentativas de silenciarmos.<\/p>\n<p>Decerto, nos \u00faltimos dias a repress\u00e3o se dirigiu contra os manifestantes nas ruas, dos quais n\u00e3o s\u00e3o necessariamente sindicalistas. Estes protestos reunir\u00e3o um amplo espectro de eg\u00edpcios, incluindo filhos e filhas da elite. De modo que temos uma combina\u00e7\u00e3o de pobres e jovens da cidade junto com a classe m\u00e9dia e filhos e filhas da elite.<\/p>\n<p>Penso que Mubarak conseguiu agrupar todos os setores da sociedade com exce\u00e7\u00e3o de seu circulo intimo de c\u00famplices.<\/p>\n<p>MK &#8211; A revolu\u00e7\u00e3o tunisiana foi descrita muito como encabe\u00e7ada pela \u201cjuventude\u201d e dependente para o seu \u00eaxito da tecnologia das redes sociais como Facebook ou Twitter.E agora as pessoas se concentram na juventude eg\u00edpcia como um catalisador importante. Se trata de um \u201cintifada juvenil\u201d e podia ter lugar sem o Facebook e outras novas tecnologias medi\u00e1ticas?<\/p>\n<p>Sim, \u00e9 um intifada juvenil nas ruas.A internet apenas ajuda na difus\u00e3o das informa\u00e7\u00f5es e das imagens do que sucede no terreno. N\u00e3o utilizamos a internet para nos organizar. A utilizamos para mostrar o que estamos fazendo nas ruas com a esperan\u00e7a de animar a outros para que participem da a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>MK &#8211; Como se ouviu, nos EUA, o apresentador de programas de entrevistas Glenn Beck atacou a uma acad\u00eamica j\u00e1 doutora, Frances Fox Piven, por um artigo que ela escreveu chamando aos desempregados para fazer protestos massivos por postos de trabalho. Inclusive recebeu amea\u00e7as de morte, algumas de pessoas sem trabalho que parecem mais felizes fantasiando em atirar com uma de suas numerosas armas do que lutar realmente pelos seus direitos.\u00e8 surpreendente pensar no papel crucial dos sindicatos no mundo \u00e1rabe atual, tendo em conta as mais de duas d\u00e9cadas de regimes neoliberais em toda a regi\u00e3o cujo objetivo primordial \u00e9 destruir a classe trabalhadora. Porque seguiram sendo t\u00e3o importantes os sindicatos?<\/p>\n<p>Os sindicatos sempre s\u00e3o o rem\u00e9dio m\u00e1gico contra qualquer ditadura. Veja a Pol\u00f4nia, Cor\u00e9ia do sul,Am\u00e9rica Latina ou Tun\u00edsia. Os sindicatos sempre foram uteis para a mobiliza\u00e7\u00e3o das massas.Faz falta uma greve geral para derrotar a ditadura,e n\u00e3o h\u00e1 nada melhor que um sindicato independente para fazer-la.<\/p>\n<p>MK &#8211; Existe um programa ideol\u00f3gico mais amplo por tr\u00e1s dos protestos, ou somente se livrar de Mubarak?<\/p>\n<p>Cada um tem suas raz\u00f5es para sair \u00e0s ruas, mas suponho que se nosso levante tiver \u00eaxito e derrubarmos a Mubarak aparecer\u00e3o divis\u00f5es. Os pobres ir\u00e3o querer levar a revolu\u00e7\u00e3o a uma posi\u00e7\u00e3o mais radical, impulsionar a redistribui\u00e7\u00e3o radical da riqueza e combater a corrup\u00e7\u00e3o, enquanto os denominados reformistas v\u00e3o querer colocar freios, pressionar mais ou menos pelas mudan\u00e7as \u201cdesde cima\u201d e limitar um pouco os poderes mas mantendo alguma ess\u00eancia de Estado.<\/p>\n<p>Mk &#8211; Qual \u00e9 o papel da irmandade Mul\u00e7umana e  qual \u00e9 o impacto na situa\u00e7\u00e3o o fato deles permanecerem distantes das atuais manifesta\u00e7\u00f5es?<\/p>\n<p>A irmandade vem sofrendo divis\u00f5es desde o estalo da intifad AL-Aqsa. Sua partipa\u00e7\u00e3o no movimento de solidariedade com a Palestina quando se enfrentou com o regime foi desastrosa.Basicamente, cada vez que seus dirigentes chegam a um compromisso com o regime, especialmente os seguidores do atual guia supremo, desmoralizam aos seus quadros de base.Conhe\u00e7o pessoalmente a numerosos jovens irm\u00e3o que abandonaram o grupo, alguns deles se uniram a outros grupos ou seguem independentes.A medida que cresce o atual movimento de rua e a dire\u00e7\u00e3o inferior participa, haver\u00e1 mais divis\u00f5es porque a dire\u00e7\u00e3o superior n\u00e3o pode justificar por que n\u00e3o formam parte do novo levante.<\/p>\n<p>MK &#8211; Qual \u00e9 o papel dos EUA neste conflito? Como as pessoas nas ruas v\u00eam seus posicionamentos?<\/p>\n<p>Mubarak \u00e9 o segundo benefici\u00e1rio da ajuda exterior dos EUA, depois de Israel.O conhecem como o capanga dos EUA na regi\u00e3o; \u00e9 um dos instrumentos da pol\u00edtica externa estadunidense, que implementa seu programa de seguran\u00e7a para Israel e o fluxo sem problemas do petr\u00f3leo enquanto mant\u00e9m cercado os palestinos.De modo que n\u00e3o \u00e9 nenhum segredo que esta ditadura tenha gozado do respaldo de governos dos EUA d\u00eas do primeiro dia,inclusive durante a ret\u00f3rica enganadora por democracia de Bush. Por tanto n\u00e3o que h\u00e1 o porque se suurprender frente as ris\u00edveis declara\u00e7\u00f5es de Hillary Clinton que mais ou menos defendem o regime de Mubarak, j\u00e1 que um dos pilares da pol\u00edtica externa americana \u00e9 manter regimes est\u00e1veis a custa da liberdade e dos direitos civis.<\/p>\n<p>N\u00e3o esperamos nada de Obama, a quem consideramos um grande hip\u00f3crita.Ma esperamos que o povo estadunidense \u2013sindicatos, associa\u00e7\u00f5es de professores, uni\u00f5es estudantis, grupos de ativistas, &#8211; se pronunciem em nosso apoio. O que queremos \u00e9 que o governo dos EUA se mantenham fora do assunto. N\u00e3o queremos nenhum tipo de respaldo, simplesmente que cortem de imediato a ajuda a Mubarak e retirem o respaldo, que se retire de todas as bases do oriente Medio e deixe de apoiar o Estado de Israel.<\/p>\n<p>Em ultima instancia, Mubarak far\u00e1 tudo o que tenha que fazer para proteger-se. De repente adotara uma ret\u00f3rica mais anti-estadunidense se pensar que possa ajudar a salvar sua pele. Afinal de contas esta comprometido com seus pr\u00f3prios interesses e se pensar que os EUA n\u00e3o o apoiaram, se voltara a outra dire\u00e7\u00e3o. A realidade \u00e9 que qualquer governo ralmente limpo que chegue ao poder na regi\u00e3o chegara a um conflito aberto com os EUA porque chamara a uma distribui\u00e7\u00e3o racional da riqueza e a terminar com o apoio a Israel e outras ditaduras.De modo que n\u00e3o esperamos nenhuma ajuda dos EUA. Somente que nos deixem em paz.<\/p>\n<p>Mark Levine \u00e9 professor de historia na Universidade de Calif\u00f3rnia Irvine e investigador visitante no Centro de Estudos do Oriente M\u00e9dio na universidade de Lund na Su\u00e9cia. Seus livros mais recentes s\u00e3o Heavy Metal Islam (Random House) e Impossible Peace: Israel\/Palestine Since 1989 (Zed Books).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Egito: entrevista a Hossam el- Hamalawy,jornalista e blogueiro eg\u00edpcio. | Tradu\u00e7\u00e3o: Caio Dorsa Egito: entrevista a Hossam el- Hamalawy,jornalista e blogueiro eg\u00edpcio. A import\u00e2ncia dos sindicatos de trabalhadores na revolu\u00e7\u00e3o *Traducido del ingl\u00e9s para Rebeli\u00f3n por Germ\u00e1n Leyens y revisado por Caty R. Hossam el-Hamalawy<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-49","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-arquivo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=49"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=49"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=49"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=49"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}