

	{"id":50,"date":"2011-02-03T19:59:00","date_gmt":"2011-02-03T19:59:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/index.php\/2011\/02\/03\/arquivoid-9085\/"},"modified":"2011-02-03T19:59:00","modified_gmt":"2011-02-03T19:59:00","slug":"arquivoid-9085","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2011\/02\/03\/arquivoid-9085\/","title":{"rendered":"Viva a Revolu\u00e7\u00e3o Arabe &#8211; Solidariedade ao povo Egipcio"},"content":{"rendered":"<p>Declara\u00e7\u00e3o da UIT &#8211; CI | Tradu\u00e7\u00e3o Michel Oliveira e Priscila Guedes<\/p>\n<p>Solidariedade ao povo do Egito<br \/>\nDeclara\u00e7\u00e3o da UIT-QI<\/p>\n<p>Fora Mubarak!<br \/>\nMultid\u00f5es exigem a queda de Mubarak. Nem o toque de recolher, nem a repress\u00e3o policial pararam a mobiliza\u00e7\u00e3o. Cortaram telefones celulares e internet, para impedir a coordena\u00e7\u00e3o e difus\u00e3o da luta, mas tamb\u00e9m n\u00e3o adiantou.<br \/>\nO ex\u00e9rcito saiu \u00e0s ruas, supostamente para garantir o toque de recolher ordenado pelo ditador, produzindo a morte de quase 300 eg\u00edpcios. Mas o poder da mobiliza\u00e7\u00e3o foi t\u00e3o grande que o aparato militar de fato terminou dividido, quando militares de baixa patente confraternizaram com os manifestantes, dan\u00e7ando e cantando. Subindo nos tanques gritavam que o povo e o ex\u00e9rcito s\u00e3o um s\u00f3.<br \/>\nO povo do Egito est\u00e1 nas ruas denunciando o desemprego, a infla\u00e7\u00e3o, o pre\u00e7o do p\u00e3o, do leite em p\u00f3 e lutando para derrubar a ditadura, no poder h\u00e1 quase 30 anos. Em 1\u00ba de fevereiro aconteceu a marcha do \u201cmilh\u00e3o\u201d em meio a uma greve geral. Milh\u00f5es ocuparam as pra\u00e7as do Cairo e de todo Egito. A contund\u00eancia das a\u00e7\u00f5es levou a que Mubarak, o principal aliado do imperialismo Ianque na regi\u00e3o, e pa\u00eds chave para proteger Israel, esteja contra a parede. Numa tentativa desesperada para desmontar a mobiliza\u00e7\u00e3o e negociar, anunciou que terminar\u00e1 seu mandato em setembro e que n\u00e3o se apresentar\u00e1 nas elei\u00e7\u00f5es. Por\u00e9m a resposta das massas mobilizadas foi contundente: \u201cFora!\u201d, \u201cFora!\u201d e decidiram seguir nas pra\u00e7as.<\/p>\n<p>A revolu\u00e7\u00e3o \u00e1rabe est\u00e1 em marcha<br \/>\nAp\u00f3s o triunfo da revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica na Tun\u00edsia, os povos \u00e1rabes seguem mobilizando-se contra a fome e as ditaduras pr\u00f3-imperialistas. Crescem as lutas no Yemen e Jord\u00e2nia.<br \/>\nAs massas \u00e1rabes est\u00e3o fartas de mis\u00e9ria, repugnantes desigualdades sociais (a fortuna de Mubarak \u00e9 calculada em US$ 40 bilh\u00f5es), corrup\u00e7\u00e3o e as ditaduras. Encabe\u00e7ado pela pequena Tun\u00edsia e agora pelo poderoso Egito, est\u00e1 em marcha um processo revolucion\u00e1rio nos pa\u00edses \u00e1rabes. No Yemen (pequeno por\u00e9m importante aliado dos Ianques) e Jord\u00e2nia (uma monarquia que capitulou h\u00e1 muito tempo a Israel) crescem as mobiliza\u00e7oes. O descontentamento j\u00e1 se extende a outros pa\u00edses como Argelia, L\u00edbia, entre outros.<br \/>\nA queda do ditador tunisiano foi o primeiro sinal do in\u00edcio de um processo revolucion\u00e1rio no mundo \u00e1rabe, que detonou o descontentamento contra Mubarak. No dia 25 aconteceu o \u201cdia da ira\u201d. Centenas de milhares de manifestantes tomaram as ruas do Cairo, Alexandria, Suez e outras cidades. Desde ent\u00e3o, nem a repress\u00e3o da pol\u00edcia (com mais de 300 mortos), que foi obrigada a retroceder na maior parte das cidades, nem as \u201cpromessas\u201d de Mubarak conseguiram deter o processo revolucion\u00e1rio.<\/p>\n<p>Os eg\u00edpcios reclamam contra a pobreza, o desemprego e a ditadura<br \/>\nAp\u00f3s 30 anos de ditadura de Mubarak, quase a metade da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 analfabeta e pobre; a maior parte sobrevive com 2 dolares por dia e recebe comida subsidiada. O desemprego supera 30% e entre os menores de 30 anos chega a 90%. Milh\u00f5es de jovens com t\u00edtulos universit\u00e1rio e forma\u00e7\u00e3o profissional n\u00e3o tem nenhuma oportunidade de conseguir trabalho digno, s\u00e3o ambulantes e se alimentam s\u00f3 de p\u00e3o. Nos \u00faltimos anos se instalaram grandes f\u00e1bricas das multinacionais, para explorar m\u00e3o-de-obra barata. Uma pequena minoria de milion\u00e1rios desfruta dos ingressos de turismo e da exporta\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo e algod\u00e3o.<br \/>\nDe v\u00e1rias formas se exige liberdades democr\u00e1ticas, mas tamb\u00e9m se luta contra pobreza e o desemprego. Ou seja, a crise mundial capitalista e os planos de ajuste tamb\u00e9m tem sua express\u00e3o no Egito e nos pa\u00edses \u00e1rabes. Isso explicaria que as consignas religiosas isl\u00e2micas n\u00e3o tenham maior presen\u00e7a. A maior for\u00e7a pol\u00edtica do pa\u00eds \u00e9 a Irmandade Mu\u00e7ulmana, que teve 20% dos mandatos legislativos de 2005, quando pactuou com Mubarak sua apresenta\u00e7\u00e3o.  N\u00e3o apoiou o in\u00edcio da mobiliza\u00e7\u00e3o e depois deu um t\u00edmido apoio pedindo calma.<br \/>\nAs sedes do partido do governo s\u00e3o destru\u00eddas e queimadas no Cairo e outras cidades. Os cassinos Al Lail e Andalus e o Hotel Europa foram saqueados. Uma infinidade de ve\u00edculos policiais s\u00e3o incendiados com coqueteis molotovs. Diante do temor do desabastecimento houve saques de alimentos. Nos bairros surgem comit\u00eas populares, em alguns casos junto com militares, para proteger as casas da a\u00e7\u00e3o de delinquentes e a multid\u00e3o impediu que grupos de provocadores e assaltantes atacasse o Museo do Cairo.<br \/>\nA classe trabalhadora eg\u00edpcia tem um papel importante na mobiliza\u00e7\u00e3o, como ocorreu na Tunisia. H\u00e1 anos vem enfrentando o governo e os empres\u00e1rios atraves de greves. Desde dezembro de 2006 produziram-se as maiores e mais duradouras ondas de greves desde a d\u00e9cada de 1940. Come\u00e7aram com os oper\u00e1rios texteis na cidade de Mahalla no delta do Nilo, centro da maior for\u00e7a prolet\u00e1ria da regi\u00e3o, com mais de 28000 trabalhadores.<br \/>\nO jornalista e blogueiro eg\u00edpcio Hossam el-Hamalawy declarava a Al-Jazeera  que \u201cdurante os \u00faltimos anos a revolta estava no ar. Assim surgiram os primeiros passos para conquistar sindicatos independentes da corrupta burocracia sindical da ditadura. Agora os trabalhadores s\u00e3o chave na greve geral contra Mubarak\u201d.<\/p>\n<p>O regime ditatorial de Mubarak, pe\u00e7a chave do imperialismo Ianque<br \/>\nO triunfo da revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica na Tun\u00edsia foi muito importante, por\u00e9m a revolu\u00e7\u00e3o iniciada no Egito \u00e9 de vital import\u00e2ncia tanto para o imperialismo como para os povos do mundo.<br \/>\nEgito \u00e9 o pa\u00eds \u00e1rabe mais povoado e um dos poucos que reconhecem Israel. Mubarak \u00e9 um aliado incondicional dos Ianques e de Israel, e seu regime parece ser o \u00faltimo basti\u00e3o de um movimento pol\u00edtico que passou do nacionalismo ao pr\u00f3-imperialismo.<br \/>\nNos anos cinquenta, o presidente Gamal Abdel Nasser encabe\u00e7ou o nacionalismo \u00e1rabe e enfrentou a presen\u00e7a invasora do sionismo na Palestina. Em julho de 1956 nacionalizou o estrat\u00e9gico Canal de Suez, que permite o acesso aos portos europeus do mediterr\u00e2neo ao petr\u00f3leo do Golfo e aos produtos asi\u00e1ticos baratos. Pouco depois, derrotou as tropas israelenses, inglesas e francesas, quando tentaram recuper\u00e1-lo na \u201cguerra de Suez\u201d.<br \/>\nO decl\u00ednio daquele nacionalismo burgu\u00eas abriu caminho a uma grande trai\u00e7\u00e3o e a capitula\u00e7\u00e3o ao imperialismo ianque. Em 1978, em Camp David, a resid\u00eancia do presidente dos EUA\/Anwar Sadat \u2013 sucessor de Nasser \u2013 assinou com Menajem Beguin um acordo, impulsionado por Jimmy Carter, reconhecendo o Estado de Israel (que devolveu os ricos territ\u00f3rios petroleiros da pen\u00edsula do Sinai, ocupados desde 1967). A liga \u00c1rabe repudiou o acordo e Egito ficou isolado. Em 1981, um militante do fundamentalismo isl\u00e2mico executou Sadat, que foi sucedido por Hosni Mubarak. Desde ent\u00e3o, ele encabe\u00e7a um regime cada vez mais corrupto e repressor, aliado incondicional e estrat\u00e9gico do imperialismo, para enfrentar o Ir\u00e3 e proteger Israel.<br \/>\nPor esse motivo, Mubarak recebe uma multimilion\u00e1ria ajuda militar do EUA, cujo poderio utiliza para colaborar com o sionismo, no bloqueio a Faixa de Gaza. Isto explica a solidariedade e apoio que recebeu tanto da monarquia da Ar\u00e1bia Saudita como do traidor Mahumed Abbas, presidente da Autoridade Nacional Palestina. Todos temem que a queda de Mubarak provoque uma nova Intifada Palestina e o levante dos demais povos da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Obama e a crise do imperialismo<br \/>\nObama est\u00e1 diante de um grande dilema. Como manter um regime aliado a seus interesses, se Mubarak for obrigado a fugir?. N\u00e3o \u00e9 um problema menor, pois quando realizou seu giro em 2009, com uma \u201cmensagem\u201d ao mundo \u00e1rabe, utilizou o Cairo para fazer seu pronunciamento.<br \/>\nSua derrota no Iraque e Afeganist\u00e3o seguiu o debilitando na regi\u00e3o. Nos Estados Unidos aconteceram numerosas mobiliza\u00e7\u00f5es em apoio ao povo eg\u00edpcio. Nada lhe assegura que uma \u201csucess\u00e3o\u201d com o \u201cdesignado\u201d vice-presidente, ex-general Omar Suleim\u00e1n, restabele\u00e7a a calma. Tem sua grande arma de press\u00e3o sobre o ex\u00e9rcito pelos milh\u00f5es de d\u00f3lares que envia ao pa\u00eds, por\u00e9m a c\u00fapula militar se distancia de Mubarak.<br \/>\nAp\u00f3s 30 anos de f\u00e9rrea ditadura, salvo o partido isl\u00e2mico da Irmandade Mu\u00e7ulmana, n\u00e3o h\u00e1 l\u00edderes ou organiza\u00e7\u00f5es reconhecidas de oposi\u00e7\u00e3o.<br \/>\nAparentemente, poderia ser um \u201ccandidato\u201d para uma \u201ctransi\u00e7\u00e3o\u201d o f\u00edsico nuclear Mahamed el Baradei, pr\u00eamio Nobel da Paz em 2005, que foi diretor do Organismo Internacional de Energia At\u00f4mica, apoiado pelos EUA. Apesar da publicidade que os jornais d\u00e3o a Baradei, ele at\u00e9 agora n\u00e3o possui um grande apoio popular. No Egito e no mundo \u00e1rabe tornou-se conhecido em 2003, pois junto com o sueco Hans Blix, liderava as inspe\u00e7\u00f5es da ONU no Iraque  e questionou as supostas \u201cprovas\u201d sobre a exist\u00eancia de armas de destrui\u00e7\u00e3o em massa nas m\u00e3os de Saddam Hussein. Essa foi a colossal mentira que utilizou Bush pai para \u201cjustificar\u201d sua invas\u00e3o ao Iraque. Por\u00e9m Baradei \u00e9 essencialmente um dirigente pol\u00edtico liberal, moderado e pr\u00f3-imperialista, que n\u00e3o representa nenhuma sa\u00edda de fundo para satisfazer as demandas de quase 80 milh\u00f5es de eg\u00edpcios.<br \/>\nObama oscila entre sustentar o ditador Mubarak e buscar uma sa\u00edda negociada entre o ex\u00e9rcito, Baradei e a Irmandade Mu\u00e7ulmana, que chamou o alto comando militar \u00e0 negociar uma transi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica \u201cpacifica\u201d. O imperialismo busca evitar o perigo de uma mudan\u00e7a pol\u00edtica radical, anti-EUA e anti-sionista.<br \/>\nEm s\u00edntese, nas ruas, n\u00e3o s\u00f3 est\u00e1 em jogo que o povo eg\u00edpicio consiga melhorar suas condi\u00e7\u00f5es de vida, sen\u00e3o tamb\u00e9m dar um grande golpe \u00e0 influ\u00eancia do imperialismo ianque sobre o mundo \u00e1rabe e \u00e0 sustenta\u00e7\u00e3o de Israel. <\/p>\n<p>Solidariedade ao povo eg\u00edpcio<br \/>\nNessas horas decisivas o povo do Egito segue mobilizado, disposto a chegar at\u00e9 a derrubada do ditador Mubarak.<br \/>\nDiante da passividade e o apoio dos soldados \u00e0 mobiliza\u00e7\u00e3o, Mubarak lan\u00e7ou nas ruas grupos aliados da ditadura que buscam esmagar a mobiliza\u00e7\u00e3o. Os enfrentamentos crescem. A luta exige que os trabalhadores e o povo eg\u00edpcio se organizem para se defender desses bandos assassinos. E que se convoque aos soldados e aos militares de baixa patente a que contribuam com essa tarefa, formando comit\u00eas de soldados para coordenar a defesa da mobiliza\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria contra a ditadura.<br \/>\nA mobiliza\u00e7\u00e3o nas ruas mostrou um imenso vazio de dire\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m ao calor da luta se expressa de fato um esbo\u00e7o de duplo poder, e apostamos em seu desenvolvimento, com os comit\u00eas de vigil\u00e2ncia nos bairros, os sindicatos e organiza\u00e7\u00f5es juvenis que impulsionam a mobiliza\u00e7\u00e3o, para que se unifiquem na perspectiva de que avan\u00e7e um poder alternativo oper\u00e1rio e popular, em que n\u00e3o tenham espa\u00e7o as dire\u00e7\u00f5es reformistas e conciliadoras com a ran\u00e7osa oligarquia eg\u00edpcia e o imperialismo norte-americano.<br \/>\n No mundo cresce o rep\u00fadio a Mubarak e as express\u00f5es de solidariedade com o povo do Egito. A UIT-QI se soma a estas mobiliza\u00e7\u00f5es e chama a aprofundar a solidariedade ativa para derrubar o ditador. Chamamos a mais ampla unidade de a\u00e7\u00e3o para realizar marchas e a\u00e7\u00f5es em frente as embaixadas e consulados de Egito.<br \/>\nExigimos aos governos de todo mundo e, em especial, aos de Hugo Chavez na Venezuela, Evo Morales na Bol\u00edvia, Cristina Kirchner e Dilma Rousseff a que abandonem a passividade e que rompam rela\u00e7\u00f5es com Mubarak e todos os ditadores que oprimem aos povos \u00e1rabes e sustentam junto ao imperialismo o invasor Estado de Israel.<br \/>\nAbaixo Mubarak! Mobiliza\u00e7\u00e3o at\u00e9 que caia!<\/p>\n<p>Unidade Internacional dos Trabalhadores \u2013 Quarta Internacional UIT-QI, 02\/02\/2011<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Declara\u00e7\u00e3o da UIT &#8211; CI | Tradu\u00e7\u00e3o Michel Oliveira e Priscila Guedes Solidariedade ao povo do Egito Declara\u00e7\u00e3o da UIT-QI Fora Mubarak! Multid\u00f5es exigem a queda de Mubarak. Nem o toque de recolher, nem a repress\u00e3o policial pararam a mobiliza\u00e7\u00e3o. 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