

	{"id":5012,"date":"2019-10-31T21:05:51","date_gmt":"2019-10-31T21:05:51","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/?p=5012"},"modified":"2019-11-01T18:52:52","modified_gmt":"2019-11-01T18:52:52","slug":"argentina-o-que-as-eleicoes-deixaram","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2019\/10\/31\/argentina-o-que-as-eleicoes-deixaram\/","title":{"rendered":"ARGENTINA  | O que as elei\u00e7\u00f5es apontaram !"},"content":{"rendered":"<p class=\"yiv9615652908MsoNormal\">H\u00e1 um novo governo. Ganhou o peronismo liderado por Alberto Fern\u00e1ndez-Cristina Kirchner. Macri e Juntos Pela Mudan\u00e7a foram derrotados, apesar de 2,3 milh\u00f5es de votos. Refletiu-se nas pesquisas o rep\u00fadio oper\u00e1rio e popular contra Macri com um claro recha\u00e7o contra o ajuste, as demiss\u00f5es, o fechamento dos postos de trabalho e a mis\u00e9ria salarial e de aposentadoria. Um voto de puni\u00e7\u00e3o canalizado pela Frente de Todos. A enorme polariza\u00e7\u00e3o fez com que a esquerda recuasse, apesar de ter recebido mais de meio milh\u00e3o de votos (561.214)para presidente e 723.000 para deputados federais. Abre-se um novo per\u00edodo em que as expectativas do governo ir\u00e3o se definhando ante ao novo ajuste que est\u00e1 por vir, com o pagamento da d\u00edvida externa, em meio a conjuntura pol\u00edtica latino-americana com os exemplos do Chile e do Equador.<\/p>\n<p class=\"yiv9615652908MsoNormal\">O peronismo retorna ao poder ap\u00f3s quatro anos de governo macrista. A Frente de Todos obteve 48% dos votos, alcan\u00e7ando 267.000 a mais do que no primeiro turno. Fez a diferen\u00e7a centralmente nos sub\u00farbios de Buenos Aires, o distrito m\u00e3e, obtendo l\u00e1 1,3 milh\u00e3o de votos de diferen\u00e7a, onde Kicillof triunfou com 52% contra Vidal. O peronismo venceu, embora n\u00e3o tenha \u201carrasado\u201d, como previam as pesquisas.<\/p>\n<p class=\"yiv9615652908MsoNormal\">A Frente de Todos teve que fazer algumas mudan\u00e7as para vencer. Desde a derrota que sofreu em 2015, vem se preparando para contornar divis\u00f5es internas e deixou de se concentrar no Kirchnerismo duro para superar o teto eleitoral de Cristina. O fato de concorrer com Alberto Fern\u00e1ndez (que votou em branco na vota\u00e7\u00e3o de 2015, fazendo fortes cr\u00edticas a Cristina e apoiando Sergio Massa quando a Frente Renovadora votou todas as leis para Macri) foi o gesto para conquistar os governadores, a todas as politicas internas da CGT, os CTAs, os movimentos sociais conciliadores ligados \u00e0 Igreja, \u00e0 centro-esquerda sempre obediente aos partidos dos chefes (Solanas, Donda, Lozano) e selar a &#8220;unidade&#8221; dos len\u00e7os verde e azul, dando uma cara de antidireitos na sua chapa presidencial.<\/p>\n<p class=\"yiv9615652908MsoNormal\">Desde que o PJ viu que, com a rebeli\u00e3o de 2017 contra o roubo de aposentadoria, come\u00e7ou a queda irrevers\u00edvel na popularidade de Macri (da qual ele nunca se recuperou), canalizou a insatisfa\u00e7\u00e3o popular, n\u00e3o para as lutas e sim para as elei\u00e7\u00f5es com seu slogan \u201cHay 2019 \u201d, uma linha que funcionou. A tal ponto, foi o desastre econ\u00f4mico do governo Macri, que foi suficiente para a Frente de Todos denunciar o &#8220;caos&#8221;, sem praticamente fazer propostas claras e substantivas, limitando-se a vagas promessas de &#8220;boas inten\u00e7\u00f5es&#8221;. Desta forma, venceu em 27 de outubro e n\u00e3o haver\u00e1 segunda vota\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"yiv9615652908MsoNormal\"><b>Macri perdeu mesmo tendo crescido em rela\u00e7\u00e3o ao primeiro turno.<\/b><\/p>\n<p class=\"yiv9615652908MsoNormal\">Isso p\u00f5e fim a um governo de ajustes, um aliado do FMI, filho mimado de Donald Trump, de Bolsonaro e do grande capital internacional e nacional. O verso da \u201cpobreza zero\u201d, que ia combater a infla\u00e7\u00e3o ou \u00a0\u201cprivilegiar\u201d os aposentados, ao aplicar um ajuste brutal, deu lugar \u00e0 ciranda financeira e \u00e0 d\u00edvida feroz que acabou selando seu fim. Apesar disso, obteve 2.300.000 votos a mais do que no primeiro turno, passando de 32% para 40%, o que foi um fato surpreendente da elei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"yiv9615652908MsoNormal\">Larreta venceu na CABA com 55% dos votos. Nas prov\u00edncias onde, nas elei\u00e7\u00f5es antecipadas, j\u00e1 haviam vencido os governadores do peronismo como em C\u00f3rdoba e Santa Fe, agora se imp\u00f4s a chapa Macri-Pichetto, com 61% na prov\u00edncia mediterr\u00e2nea, revertendo tamb\u00e9m os resultados que ocorreram em Entre R\u00edos , San Luis e em Mendoza.<\/p>\n<p class=\"yiv9615652908MsoNormal\">No Congresso Nacional, o \u201cJuntos Pela Mudan\u00e7a\u201d ficou como primeira minoria de deputados, um forte bloco de senadores e com a possibilidade de concorrer como alternativa de substitui\u00e7\u00e3o. Como \u00e9 poss\u00edvel que, diante de uma crise econ\u00f4mica como essa, tenha recebido 10 milh\u00f5es de votos? \u00c9 que o governo entrou na ofensiva sob o apelo para &#8220;reverter&#8221; os resultados do primeiro turno. Fez atos de rua importantes, polarizou o discurso atacando a corrup\u00e7\u00e3o kirchnerista (&#8220;os corruptos ser\u00e3o libertados&#8221;) e convocou para votar no setor que n\u00e3o o fez no primeiro turno. Tamb\u00e9m radicalizou o discurso com o famoso \u201ctem que voar pelas vilas\u201d de Pichetto, tentando consolidar parte de sua base reacion\u00e1ria e obter votos de Espert e Centurion.<\/p>\n<p class=\"yiv9615652908MsoNormal\">Dessa maneira, conseguiu capitalizar dois por cento dos eleitores de Lavagna, perdidos pela direita Espert e Centurion, e por sua vez ganhou um milh\u00e3o a mais de novos eleitores. Ou seja, Macri capitaliza com o voto da classe m\u00e9dia tradicional antiperonista, uma classe m\u00e9dia alta tradicional bem abastada e tamb\u00e9m de setores populares que, confusos e erroneamente, se empolgam com seu discurso &#8220;anticorrup\u00e7\u00e3o&#8221; (como se no macrismo n\u00e3o tivesse ) ou viram que \u201cas obras est\u00e3o sendo feitas\u201d, sem reparar que o resultado do neg\u00f3cio imobili\u00e1rio foi o que levou ao desastre com um morto e v\u00e1rios feridos, como aconteceu com o colapso de Ezeiza. Infelizmente, o rep\u00fadio da experi\u00eancia com o governo Kirchner Peronista anterior leva os setores populares a optar por variantes de centro-direita, como o macrismo. Essa confus\u00e3o \u00e9 o que, em parte, explica os resultados de C\u00f3rdoba e Santa F\u00e9, por exemplo. Essas s\u00e3o as principais raz\u00f5es para a recupera\u00e7\u00e3o na vota\u00e7\u00e3o de Macri, n\u00e3o uma \u201cvirada \u00e0 direita\u201d eleitoral, encarnada pelo Centurion e Espert, variantes ultrarreacion\u00e1rias superadas pela Frente de Esquerda-Unidade.<\/p>\n<p class=\"yiv9615652908MsoNormal\"><b>A polariza\u00e7\u00e3o prejudicou a esquerda<\/b><\/p>\n<p class=\"yiv9615652908MsoNormal\">Como resultado da extrema polariza\u00e7\u00e3o que n\u00e3o havia ocorrido no primeiro turno (entre a Frente de Todos e a Uni\u00e3o pela Mudan\u00e7a, 88% dos votos foram conquistados), a Frente de Esquerda-Unidade perdeu 160.000 votos para \u00a0presidente e 47.000 para deputados federais em compara\u00e7\u00e3o com agosto. Isso nos impediu de obter um deputado federal para a prov\u00edncia de Buenos Aires (apesar dos 331.000 votos obtidos) e uma cadeira para a cidade de Buenos Aires (apesar de estar perto de 6,12%). Se conseguiu um legislador na CABA e fez bons votos em Chubut, Neuqu\u00e9n (onde anteriormente se elegeu uma vereadora) e outros distritos.<\/p>\n<p class=\"yiv9615652908MsoNormal\">Milh\u00f5es consideraram que era necess\u00e1rio derrotar Macri, votando em quem estava em posi\u00e7\u00e3o de conseguir, neste caso a chapa de Fernandez. Essa situa\u00e7\u00e3o foi exacerbada pelo medo de que Macri pudesse se recuperar e for\u00e7ar um segundo turno. Isso significava que muitos dos que haviam votado na FIT-Unidade e no primeiro turno, n\u00e3o voltassem a faz\u00ea-lo em outubro.<\/p>\n<p class=\"yiv9615652908MsoNormal\">Embora a Frente de Esquerda tenha repudiado Macri desde que assumiu o cargo, liderado todas as marchas, greves e mobiliza\u00e7\u00f5es e fez v\u00e1rias marchas ao lado do sindicalismo combativo no primeiro turno e em outubro, exigindo um plano de luta, o voto castigo foi para a Frente de Todos. Repetiu-se o que aconteceu ao longo de muitas d\u00e9cadas, punindo os governos de plant\u00e3o apelando \u00e0 outra variante patronal (votando-a como &#8220;mal menor&#8221;), em detrimento de optar por uma sa\u00edda de fundo proposta pela esquerda. Isso demonstra novamente que os trabalhadores argentinos protagonizam grandes lutas, mas ao longo dos anos se\u00a0 manifesta sempre uma consci\u00eancia pol\u00edtica atrasada, de acreditar que os governos dos patr\u00f5es podem ser uma sa\u00edda. Uma express\u00e3o disso \u00e9 o caso de Chubut, onde se est\u00e1 em luta por v\u00e1rias semanas e a Frente de Todos, \u00e0 qual o governador Arcioni responde, obteve mais votos do que no primeiro turno, provavelmente com a falsa expectativa de que Fern\u00e1ndez passar\u00e1 os fundos necess\u00e1rios para pagar os sal\u00e1rios que Macri negou.<\/p>\n<p class=\"yiv9615652908MsoNormal\">Milh\u00f5es de trabalhadores, mulheres e jovens, com expectativas importantes, optaram pela Frente de Todos, embora reconhe\u00e7am que a esquerda esteja sempre em lutas ou que concordem com muitas de suas propostas. O desespero foi tal e, em muitos casos, a raiva prevaleceu na vontade de garantir que esse governo fosse embora de uma vez. No entanto, h\u00e1 uma faixa de trabalhadores que n\u00e3o se deixou levar pela polariza\u00e7\u00e3o e falsos discursos, que repudiou Macri confiando seu voto \u00e0queles que o enfrentaram desde o in\u00edcio (e n\u00e3o fomos c\u00famplices como l\u00edderes do PJ e da CGT). Dissemos n\u00e3o ao FMI e ao n\u00e3o pagamento da d\u00edvida, somos 100% ecologistas, pelo aborto legal, para que a estatiza\u00e7\u00e3o dos nossos bancos continuem nas reivindica\u00e7\u00f5es dos trabalhadores e populares e estivemos fervorosamente em solidariedade com os povos do Chile e do Equador. Mais de meio milh\u00e3o de votos para presidente e 723.000 para deputados optaram por fortalecer uma alternativa pol\u00edtica dos trabalhadores e a unidade da esquerda contra todas as variantes patronais e pela independ\u00eancia de classe, o que \u00e9 muito importante.<\/p>\n<p class=\"yiv9615652908MsoNormal\"><b>\u201cColaborar\u201d ou enfrentar o ajuste do FMI?<\/b><\/p>\n<p class=\"yiv9615652908MsoNormal\">A foto depois das elei\u00e7\u00f5es foi a de Macri e Alberto Fern\u00e1ndez apertando as m\u00e3os. &#8220;Colaboraremos&#8221; na transi\u00e7\u00e3o, disse o presidente eleito. Muitos trabalhadores poder\u00e3o ver que Alberto se encontra com Macri e pede que ele se dedique ao governo. Outros dizem &#8220;se aguentamos quatro anos com Macri, como n\u00e3o dar um tempo a Alberto&#8221;. Eles fazem parte das expectativas de que algo mudar\u00e1 com o novo governo. Mas enquanto Macri e Fern\u00e1ndez pedem uma &#8220;transi\u00e7\u00e3o ordenada&#8221;, os de cima continuam a se dar bem e os trabalhadores seguem perdendo.<\/p>\n<p><span lang=\"ES-AR\">O governo acaba de estocar moedas, diz que os d\u00f3lares s\u00f3 chegam at\u00e9 dezembro, o d\u00f3lar paralelo reapareceu, os grandes empres\u00e1rios remarcaram brutalmente os pre\u00e7os e em algumas semanas se encerra o congelamento dos combust\u00edveis.<\/span><\/p>\n<p><span lang=\"ES-AR\">A determina\u00e7\u00e3o de Alberto Fern\u00e1ndez de n\u00e3o reverter as tarifas de Macri e, especialmente, de continuar com o pacto pol\u00edtico e econ\u00f4mico que nos vincula ao FMI e aos pagamentos da d\u00edvida, impedir\u00e1 o cumprimento da &#8220;esperan\u00e7a&#8221; da geladeira cheia ou de que a economia ser\u00e1 reativada, como promete. Os exemplos do Uruguai, Equador, Portugal e Gr\u00e9cia, entre outros, mostram que, pela m\u00e3o do FMI ou pela renegocia\u00e7\u00e3o da d\u00edvida, haver\u00e1 apenas fome, mis\u00e9ria e depend\u00eancia. \u00c9 imposs\u00edvel pagar a d\u00edvida e, por sua vez, reativar a economia, como diz a Frente de Todos.<\/span><\/p>\n<p><span lang=\"ES-AR\">Por sua vez, o pacto social que Fern\u00e1ndez est\u00e1 promovendo com a UIA e a CGT, visa enrolar os trabalhadores para que eles os apoie (um esfor\u00e7o &#8220;entre todos&#8221;, dizem eles)), enquanto os ganhos capitalistas continuam.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>Teremos que ver como se resolver\u00e1 a lua de mel de milh\u00f5es com Fern\u00e1ndez, em quem votaram para fazer uma mudan\u00e7a, exatamente quando come\u00e7ar a aplicar o ajuste e os s\u00e9rios problemas sociais continuarem.<\/p>\n<p>Chamamos desde j\u00e1 aos trabalhadores e demais setores populares para reivindicarem \u00a0pelo o que \u00e9 nosso. Para um imediato aumento de sal\u00e1rio e aposentadoria, para equilibrar \u00e0 cesta b\u00e1sica. E dinheiro para \u00a0resolver os s\u00e9rios problemas sociais e n\u00e3o para pagar a d\u00edvida externa. Denunciamos a tr\u00e9gua da CGT, que mais uma vez afirmou que acompanhar\u00e1 o novo governo, enquanto o ajuste continua.<\/p>\n<p>Hoje a raiva popular foi eleitoralmente canalizada pela Frente de Todos, mas a luta n\u00e3o vai esperar. A Am\u00e9rica Latina est\u00e1 convulsionada. Os povos heroicos do Chile e do Equador se levantaram contra os planos de ajuste dos governos capitalistas e do FMI. Ajuste que tamb\u00e9m \u00a0aplicavam os governos anteriores, supostamente progressivos, n\u00e3o apenas a &#8220;direita neoliberal&#8221;.<\/p>\n<p>O m\u00e9rito da Frente de Esquerda- Unidade foi postular nas elei\u00e7\u00f5es um caminho de luta e sa\u00edda de fundo, para agora e o que vir\u00e1, dialogando com os milh\u00f5es que far\u00e3o a experi\u00eancia com o novo governo, participando das reivindica\u00e7\u00f5es dos trabalhadores e populares e dos pr\u00f3ximos desafios. Esse \u00e9 o compromisso da Izquierda Socialista na Frente de Esquerda-Unidade.<\/p>\n<p>Editorial do Jornal El Socialista &#8211; 30\/10\/2019<\/p>\n<p>Jornal do Izquierda Socialista &#8211; UIT-QI<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 um novo governo. Ganhou o peronismo liderado por Alberto Fern\u00e1ndez-Cristina Kirchner. Macri e Juntos Pela Mudan\u00e7a foram derrotados, apesar de 2,3 milh\u00f5es de votos. 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