

	{"id":502,"date":"2015-01-28T10:00:00","date_gmt":"2015-01-28T10:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/index.php\/2015\/01\/28\/arquivoid-9537\/"},"modified":"2016-02-23T15:53:38","modified_gmt":"2016-02-23T15:53:38","slug":"arquivoid-9537","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2015\/01\/28\/arquivoid-9537\/","title":{"rendered":"H\u00e1 28 anos do seu falecimento: Nahuel Moreno, a revolu\u00e7\u00e3o cubana e o socialismo"},"content":{"rendered":"<p>Por: Laura Marrone (El Socialista, Argentina)<\/p>\n<p>Foi, sem d\u00favida, o dirigente trotskista latino-americano mais importante da segunda metade do s\u00e9culo XX. Tinha apenas 19 anos quando compreendeu que as bandeiras da Quarta Internacional, fundada por Trotsky &#8211; assassinado apenas quatro anos antes em 1940 -, eram o legado que permitiria recuperar o caminho da revolu\u00e7\u00e3o socialista que havia sido &#8220;truncado&#8221; na Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica pela burocracia stalinista desde os anos 20.<\/p>\n<p>Moreno se forjou no que ele mesmo chamou um trotskismo b\u00e1rbaro, pelo isolamento de seu pa\u00eds (Argentina) em rela\u00e7\u00e3o ao centro dos processos pol\u00edticos mundiais ao final da Segunda guerra mundial. A revolu\u00e7\u00e3o cubana, no entanto, p\u00f4s a Am\u00e9rica Latina aos olhos dos revolucion\u00e1rios do mundo, e seu curso acompanhou a maior parte da sua vida pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Cuba, come\u00e7a a revolu\u00e7\u00e3o socialista na Am\u00e9rica Latina<\/p>\n<p>Convencido de que o internacionalismo era a chave para a forma\u00e7\u00e3o dos partidos nacionais, foi um dos primeiros a compreender, em fins de 59 e in\u00edcio de 1960, que a revolu\u00e7\u00e3o em Cuba avan\u00e7ava por caminhos impensados para a ruptura com o capitalismo e em dire\u00e7\u00e3o ao socialismo. Contra as tend\u00eancias sect\u00e1rias e dogm\u00e1ticas, j\u00e1 em 1961, a partir da expropria\u00e7\u00e3o da burguesia, defendeu que Cuba era um estado oper\u00e1rio surgido por fora do aparato stalinista mundial, ainda que n\u00e3o respondia aos c\u00e2nones cl\u00e1ssicos da revolu\u00e7\u00e3o russa, que previam somente revolu\u00e7\u00f5es apoiadas na classe oper\u00e1ria e em organismo de democracia oper\u00e1ria como os soviets.<\/p>\n<p>Moreno destacava duas coincid\u00eancias centrais com a proposta cubana: por um lado, o resgate da luta armada como continuidade da luta de classes, contra as posturas reformistas que o Partido Comunista da URSS ordenava como estrat\u00e9gia da coexist\u00eancia pac\u00edfica com o imperialismo. E por outro, o aprofundamento da revolu\u00e7\u00e3o que, tendo se iniciado com um programa democr\u00e1tico anti-ditatorial, avan\u00e7ou at\u00e9 a expropria\u00e7\u00e3o da burguesia em um processo de revolu\u00e7\u00e3o permanente impondo medidas socialistas.<\/p>\n<p>O debate entre revolucion\u00e1rios<\/p>\n<p>A cabe\u00e7a aberta aos novos processos n\u00e3o o impedia, no entanto, de manter ao mesmo tempo uma posi\u00e7\u00e3o cr\u00edtica e independente em rela\u00e7\u00e3o ao castro guevarismo. Dessa forma, desde o primeiro momento, advertia sobre os perigos que trazia a proposta de Che de estender a guerra de guerrilhas a todo continente. Moreno discute que \u00e9 necess\u00e1rio fazer distin\u00e7\u00e3o entre a luta armada e a t\u00e1tica de guerra de guerrilhas. A generaliza\u00e7\u00e3o simplista do foco guerrilheiro de Guevara \u00e0 toda Am\u00e9rica Latina conduzia ao desconhecimento da realidade, das formas de luta e organiza\u00e7\u00e3o de cada movimento de massas e levava a enfrentamentos dif\u00edceis e \u00e0 morte valentes jovens que, no come\u00e7o dos anos sessenta, impulsionaram os focos guerrilheiros, rapidamente esmagados em numerosos pa\u00edses, ou como ocorreu nas d\u00e9cadas posteriores na Argentina e Bol\u00edvia (1).<\/p>\n<p>O castrismo exporta a pol\u00edtica stalinista<\/p>\n<p>Poucos anos depois, a pol\u00eamica se reacende com Fidel, mas num sentido diferente. Longe de reiterar o foquismo de Che, no final das contas internacionalista, um Fidel cada vez mais funcional \u00e0 pol\u00edtica exterior da R\u00fassia e do Partido Comunista apoiou em 1968 o esmagamento da her\u00f3ica insurrei\u00e7\u00e3o antiburocr\u00e1tica na Tchecoslov\u00e1quia. No Chile em 1973, pouco antes do golpe de Pinochet (2) e logo depois em Nicar\u00e1gua em 1979, convoca a n\u00e3o marchar ao socialismo (3).<\/p>\n<p>A estrat\u00e9gia de coexist\u00eancia pac\u00edfica com o imperialismo que Moscou coloca em pr\u00e1tica no mundo, o copta para ser o freio da extens\u00e3o da revolu\u00e7\u00e3o latino-americana, especialmente na Am\u00e9rica Central, nesse momento estendida a v\u00e1rios pa\u00edses al\u00e9m da Nicar\u00e1gua, como El Salvador e Guatemala. O quintal dos Estados Unidos est\u00e1 pegando fogo. E Fidel convoca \u00e0 unidade com a burguesia e a governar com ela. Na Argentina, a trai\u00e7\u00e3o do Parido Comunista, que ap\u00f3ia a ditadura de Videla, \u00e9 acompanhada por Fidel (4).<\/p>\n<p>Moreno argumenta que a transforma\u00e7\u00e3o do Movimento 26 de Julho, com um programa originalmente nacionalista revolucion\u00e1rio, anti-ditatorial e anti-imperialista, em um partido stalinista, burocr\u00e1tico, se explica justamente por seu car\u00e1ter de classe pequeno-burgu\u00eas, baseado em uma forma\u00e7\u00e3o militar burocr\u00e1tica. Isto o impediu de impulsionar, desde o in\u00edcio, o desenvolvimento independente e democr\u00e1tico da organiza\u00e7\u00e3o de base das massas cubanas e que estas se apropriassem dos destinos da revolu\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s do exerc\u00edcio da democracia oper\u00e1ria (5).<\/p>\n<p>Revolu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica ou restaura\u00e7\u00e3o capitalista<\/p>\n<p>Em &#8220;Atualiza\u00e7\u00e3o do Programa de Transi\u00e7\u00e3o&#8221; (6), escrito em 1980, Moreno adverte que as economias dos estados oper\u00e1rios burocr\u00e1ticos, da R\u00fassia at\u00e9 Cuba, orientadas por um desenvolvimento nacional \u00e0 servi\u00e7o dos interesses dos aparatos dirigentes, leva a crise cr\u00f4nica dos mesmos, ao padecimento de seus trabalhadores e os faz cada vez mais dependentes da economia mundial capitalista. Assinala que isto conduz a dois caminhos: ou avan\u00e7am at\u00e9 \u00e0 integra\u00e7\u00e3o ao mercado mundial e a restaura\u00e7\u00e3o do capitalismo, ou marcham para a revolu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que havia proposto Trotsky, &#8220;para que o movimento oper\u00e1rio democraticamente ordene seus planos econ\u00f4micos ao desenvolvimento da revolu\u00e7\u00e3o mundial&#8221; (7).<\/p>\n<p>Ele diz que a revolu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica &#8220;se transformou possivelmente na tarefa espec\u00edfica mais imediata e importante da Quarta Internacional&#8221; (8). Isto sup\u00f5e um programa n\u00e3o apenas para os estados oper\u00e1rios burocratizados como a ent\u00e3o URSS, China e Cuba, para impedir o perigo da restaura\u00e7\u00e3o capitalista, mas tamb\u00e9m para todos os organismos da classe trabalhadora no mundo, especialmente os sindicatos. Para isso, prop\u00f5e um programa: acabar com o regime de partidos \u00fanicos nos estados oper\u00e1rios, direito \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o sindical, independente do estado, revogabilidade dos delegados, impulsionar as assembleias e a decis\u00e3o das bases, etc., para o avan\u00e7o na constru\u00e7\u00e3o de novas dire\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias.<\/p>\n<p>Moreno faleceu em 1987 sem ver que os cursos da revolu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica iniciada no Leste, como na Pol\u00f4nia, se bem conseguiu acabar com as ditaduras do partido \u00fanico na ex-URSS e no leste europeu e destruir o aparato stalinista mundial, n\u00e3o pode frear e derrotar o avan\u00e7o da restaura\u00e7\u00e3o capitalista. N\u00e3o surgiram dire\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rios que permitissem reconstruir a mem\u00f3ria hist\u00f3rica da classe trabalhadora e retomar o caminho do socialismo e da democracia oper\u00e1ria. A restaura\u00e7\u00e3o capitalista no leste, e o processo na mesma dire\u00e7\u00e3o de Cuba, ao qual se insere a recente retomada de rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas e as crescentes rela\u00e7\u00f5es comerciais com os Estados Unidos, confirmaram as hip\u00f3teses de Moreno no sentido mais negativo.<\/p>\n<p>No entanto, o capitalismo imperialista n\u00e3o se recupera, segue de crise em crise. Ao mesmo tempo, a cada dia h\u00e1 mais lutas no mundo e os grandes aparatos contra-revolucion\u00e1rios que antes as controlavam entraram em crise. As massas se mobilizam em todos os continentes e geram condi\u00e7\u00f5es para que surjam novas correntes e dire\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias.<\/p>\n<p>Seguimos na luta pelo socialismo e a Quarta Internacional<\/p>\n<p>Enquanto o castrismo e o chavismo confundem as massas com o modelo chin\u00eas de restaura\u00e7\u00e3o capitalista, desvirtuando o legado da pr\u00f3pria revolu\u00e7\u00e3o cubana, \u00e9 importante recordar as teses de Moreno, onde reafirma que o socialismo, ou seja, a expropria\u00e7\u00e3o da burguesia e planifica\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica da economia segundo as necessidades do conjunto da humanidade \u00e9 cada vez mais urgente. Em sua tese 40, defende que a humanidade est\u00e1 a beira do abismo. O imperialismo e a burocracia, n\u00e3o s\u00f3 podem nos levar a uma etapa de barb\u00e1rie e nova escravid\u00e3o, mas a algo mais grave: ao perigo de que o mundo se transforme num planeta sem vida. &#8220;Somente o socialismo pode superar o mundo da necessidade e nos levar ao terreno da liberdade&#8221; (9).<\/p>\n<p>Pra isso, sua tese 41, coloca a tarefa hoje mais do que nunca urgente: Reconstruir a Quarta Internacional.<\/p>\n<p>Somos rebeldes, pensemos como.<\/p>\n<p>(1). Ver &#8220;Dos m\u00e9todos ante la revoluci\u00f3n latinoamericana&#8221; (www.nahuelmoreno.org), de 1964, y MORENO, Nahuel et alt. Argentina e Bolivia: un Balance. Pol\u00e9mica com la guerrilla 1969-1972. Bs As, Cehus, 2014.<\/p>\n<p>(2). Ver Chile: la derrota de la &#8220;v\u00eda pac\u00edfica al socialismo&#8221;. Bs As., El Socialista, 2013.<\/p>\n<p>(3). La brigada Sim\u00f3n Bol\u00edvar. Bs. As., El Socialista, 2009.<\/p>\n<p>(4). MORENO, Nahuel. Actualizaci\u00f3n del programa de transici\u00f3n. Bs. As., Cehus, 2014. P\u00e1g. 57.<\/p>\n<p>(5). Ibid, Tesis XX p\u00e1g. 91.<\/p>\n<p>(6). Ibid, p\u00e1g. 150.<\/p>\n<p>(7). Ibid, p\u00e1g. 93<\/p>\n<p>(8). Ibid. p\u00e1g. 100.<\/p>\n<p>(9). IBid, p\u00e1g. 153.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por: Laura Marrone (El Socialista, Argentina) Foi, sem d\u00favida, o dirigente trotskista latino-americano mais importante da segunda metade do s\u00e9culo XX. 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