

	{"id":503,"date":"2015-01-30T10:33:00","date_gmt":"2015-01-30T10:33:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/index.php\/2015\/01\/30\/arquivoid-9538\/"},"modified":"2015-01-30T10:33:00","modified_gmt":"2015-01-30T10:33:00","slug":"arquivoid-9538","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2015\/01\/30\/arquivoid-9538\/","title":{"rendered":"&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;TRIUNFOU A ESQUERDA NA GR\u00c9CIA!&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;-Somente o n\u00e3o pagamento da d\u00edvida e a ruptura com a Troika e seu ajuste podem dar uma sa\u00edda aos trabalhadores e \u00e0 juventude!"},"content":{"rendered":"<p>| Nota da UIT &#8211; CI (Unidade Internacional dos Trabalhadores) www.uit-ci.org<\/p>\n<p>Triunfou a esquerda nas elei\u00e7\u00f5es gerais de 25 de janeiro em Gr\u00e9cia. Syriza (Coaliz\u00e3o de Esquerda Radical, em grego) e seu dirigente maior, Alexis Tsipas, conseguiram 2.246.064 votos, 36,6% dos votantes. O partido do antigo governo, Nova Democracia, conservador de direita, foi derrotado, conseguindo chegar somente a 27,8% dos votos.<\/p>\n<p>O triunfo da esquerda \u00e9 um fato muito importante que impacta os trabalhadores e a juventude europeia, e tamb\u00e9m os povos do mundo que v\u00eam lutando e enfrentando h\u00e1 d\u00e9cadas os ajustes e cortes de direitos promovidos pelos governos patronais \u2013 agentes do imperialismo e do Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI). A vit\u00f3ria \u00e9 ainda mais significativa quando muitos davam a esquerda por morta e em algumas elei\u00e7\u00f5es europeias crescia a extrema direita como Marine Le Pen e a Frente Nacional de Fran\u00e7a ou mesmo a forma\u00e7\u00e3o neonazista grega Nova Democracia.<\/p>\n<p>Gr\u00e9cia: um pa\u00eds saqueado pelo FMI e a d\u00edvida externa<\/p>\n<p>Estas elei\u00e7\u00f5es legislativas para formar um novo governo ocorreram antecipadamente por causa da grande crise pol\u00edtica e social que vive Gr\u00e9cia. Crise que vem aumentando ano a ano desde que seus governos vinham aplicando o ajuste e os cortes de direitos que pactuaram com a chamada Troika (Uni\u00e3o Europeia (EU), Banco Central Europeu (BCE) e o FMI), comandados por Angela Merkel e a os banqueiros internacionais. Estes, juntos \u00e0s multinacionais, querem que sejam os trabalhadores que paguem as perdas geradas pela crise econ\u00f4mica mundial gerada pelos pr\u00f3prios capitalistas<br \/>\nGr\u00e9cia \u00e9 o ponto mais fraco das na\u00e7\u00f5es imperialistas europeias, unida \u00e0 crise aguda de Espanha, Portugal e It\u00e1lia. Desde muitos anos a Troika vem aplicando planos e planos de ajuste sobre o povo trabalhador e a juventude grega, com a mentira de que s\u00f3 desta forma os credores internacionais podem \u201cajudar\u201d injetando bilh\u00f5es na economia.<\/p>\n<p>As consequ\u00eancias est\u00e3o \u00e1 vista: um pa\u00eds com 11 milh\u00f5es de habitantes perdeu, desde 2009, um milh\u00e3o de empregos. Foram fechadas 30% das empresas, o sal\u00e1rio caiu em cerca de 38% e as aposentadorias e pens\u00f5es em uns 45%.  Ao mesmo tempo, mesmo com todos esses cortes para pagar a d\u00edvida, a mesma chegou a 175% do Produto Interno Bruto (PIB). Ou seja, quanto mais se paga, mais se deve.<\/p>\n<p>No entanto, a classe trabalhadora e a juventude n\u00e3o ficaram de bra\u00e7os cruzados. Eles v\u00eam resistindo a estes planos de mis\u00e9ria com cerca de 20 greves gerais, greves parciais, por categorias e mobiliza\u00e7\u00f5es de todo o tipo. Desta forma vem dificultando os planos da Troika e dos governos c\u00famplices, aumentando a instabilidades pol\u00edtica e a crise do regime pol\u00edtico.<\/p>\n<p>O triunfo do Syriza mostra que as massas se radicalizam e buscam uma mudan\u00e7a \u00e0 esquerda<\/p>\n<p>O voto massivo em Syriza mostra que ocorreu um giro eleitoral \u00e0 esquerda das massas. Temos que ter em conta, tamb\u00e9m, que este mesmo partido conseguia somente cerca de 4,5% dos votos h\u00e1 alguns anos. Nas \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es, cresceu para 16% e depois logo para 26%, tudo isso ao compasso da aplica\u00e7\u00e3o do ajuste, o desprest\u00edgio dos velhos partidos e as fortes lutas oper\u00e1rias e populares.<br \/>\nA Syriza tem sua origem na corrente de esquerda Synaspismos, que \u00e9 essencialmente formada por militantes que abandonaram o Partido Comunista Grego (KKE) numa ruptura de 1991. Muitos assumiram postura reformistas do chamado \u201ceurocomunismo\u201d, e foram se aliando a outros setores e grupos da esquerda grega.<\/p>\n<p>Esta vota\u00e7\u00e3o expressa a ruptura pol\u00edtica de milh\u00f5es com os velhos pol\u00edticos e partidos que ajustaram e pactuaram o Memorando (acordo de medidas de austeridade) com a Troika. Por isso a esquerda reformista grega, organizada no PASOK (Partido Socialista Grego, socialdemocrata), que governou por muito tempo com Papandreu (ex-primeiro ministro), nas elei\u00e7\u00f5es do domingo (25) teve somente 4,6% dos votos.<\/p>\n<p>A maior parte da base eleitoral do PASOK eram os trabalhadores, os setores populares e a juventude. Papandreu, que rompeu com seu antigo partido e fundou o Movimento Socialista Democr\u00e1tico, chegou somente a 2,4% e acabou fora do parlamento. Os neonazistas do Nova Democracia conseguiram 6,28%, elegendo 17 deputados. O KKE (PC Grego que segue se considerando estalinista) chegou a 5,4%, com 15 deputados.<\/p>\n<p>A Syriza tem sua origem na corrente de esquerda Synaspismos, que \u00e9 essencialmente formada por militantes que abandonaram o Partido Comunista Grego (KKE) numa ruptura de 1991. Muitos assumiram postura reformistas do chamado \u201ceurocomunismo\u201d, e foram se aliando a outros setores e grupos da esquerda grega.<\/p>\n<p>Os mais de dois milh\u00f5es de votos conquistados pela Syriza expressam essa bronca com os governos e a Troika, e tamb\u00e9m a busca de mudan\u00e7as de fundo, \u00e0 esquerda, de ruptura com as pol\u00edticas de ajuste. Neste sentido, o voto na esquerda \u00e9 um duro chamado de aten\u00e7\u00e3o e causa medo no imperialismo e na Troika, que temem que o efeito Syriza se repita em outros pa\u00edses da Europa e mundo.<\/p>\n<p>Sem ruptura com a Troika, a EU e com o pagamento da d\u00edvida n\u00e3o haver\u00e1 solu\u00e7\u00e3o para os problemas dos trabalhadores e da juventude grega.<\/p>\n<p>O triunfo eleitoral da esquerda e a instala\u00e7\u00e3o de um governo encabe\u00e7ado por Alexis Tsipras abrem uma nova etapa pol\u00edtica em Gr\u00e9cia. Milh\u00f5es de trabalhadores e jovens t\u00eam grandes esperan\u00e7as e expectativas de mudan\u00e7as. Milh\u00f5es de trabalhadores em Europa e no mundo tamb\u00e9m est\u00e3o esperan\u00e7osos. Inclusive em Espanha v\u00e3o ocorrer elei\u00e7\u00f5es municipais em maio e h\u00e1 uma expectativa similar com o novo partido Podemos que, segundo v\u00e1rias pesquisas, pode derrotar o PP (direita conservadora) de Rajoy e ao PSOE (socialdemocracia espanhola), ambos aplicadores dos planos de ajuste contra o povo espanhol.<\/p>\n<p>N\u00f3s, socialistas revolucion\u00e1rios da Unidade Internacional dos Trabalhadores \u2013 Quarta Internacional (UIT-QI), respeitamos as l\u00f3gicas expectativas dos trabalhadores e jovens gregos e que estes vejam o Syriza como seu governo.  Por\u00e9m, desde j\u00e1 alertamos que os trabalhadores n\u00e3o podem dar nenhum cheque em branco ao novo governo.<\/p>\n<p>O povo trabalhador grego deve seguir confiando em sua mobiliza\u00e7\u00e3o para impor as mudan\u00e7as que aspiram, para assim poder acabar com os ajustes e conseguir mudar a situa\u00e7\u00e3o. N\u00f3s somos categ\u00f3ricos em sustentar que a \u00fanica via para iniciar as mudan\u00e7as necess\u00e1rias para melhorar a vida do povo grego passa por um plano de emerg\u00eancia que anule o Memorando da Troika, avance com o n\u00e3o pagamento da d\u00edvida de forma imediata e chegue at\u00e9 a ruptura com a Troika, a zona do euro e a Uni\u00e3o Europeia. N\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para meias medidas. A d\u00edvida e os acordos com a EU s\u00e3o a principal causa do drama da Gr\u00e9cia. Se n\u00e3o se come\u00e7a com medidas de ruptura, n\u00e3o ter\u00e1 solu\u00e7\u00e3o para resolver os problemas de fundo do povo grego.<\/p>\n<p>Neste sentido n\u00e3o podemos deixar assinalar que esse n\u00e3o deve ser o caminho que vai assumir o novo governo da Syriza. Tsipras se comprometeu a terminar com os ajustes e aumentar os sal\u00e1rios, mas em vez de suspender j\u00e1 o pagamento da d\u00edvida, ele e alguns dirigentes do Syriza falam, por exemplo, em uma \u201crenegocia\u00e7\u00e3o\u201d para seguir pagando a ileg\u00edtima d\u00edvida em melhores condi\u00e7\u00f5es.<br \/>\nAlex Tsipras declarou ao di\u00e1rio alem\u00e3o Handelsblatt, no final de dezembro de 2014, que \u201cum governo liderado por Syriza respeitar\u00e1 todas as obriga\u00e7\u00f5es que a Gr\u00e9cia assumiu em quanto membro efetivo da zona do euro, buscando alcan\u00e7ar um equil\u00edbrio or\u00e7ament\u00e1rio e procurando atender aos objetivos fiscais no \u00e2mbito da Uni\u00e3o Europeia\u201d.<\/p>\n<p>Depois disso, em 20 de janeiro, reafirmou ao jornal brit\u00e2nico Financial Times. \u201cUm futuro governo liderado por Syriza vai manter todos os compromissos que Gr\u00e9cia assumiu anteriormente com a Uni\u00e3o Europeia em mat\u00e9ria or\u00e7ament\u00e1ria, para eliminar o d\u00e9ficit fiscal\u201d. Tamb\u00e9m, lamentavelmente, Syriza j\u00e1 deixou de lado sua proposta de 2012 de renacionalizar as empresas privatizadas. \u201cA renacionaliza\u00e7\u00e3o ser\u00e1 imposs\u00edvel devido \u00e0 falta de liquidez do Estado\u201d, disse Yannis Varoufakis, ministro de finan\u00e7as do governo de Tsipras.<\/p>\n<p>Muitos companheiros que t\u00eam expectativas em Syriza podem dizer que exageramos, que temos que dar um tempo ao novo governo, ou que estas declara\u00e7\u00f5es que citamos s\u00e3o t\u00e1ticas. N\u00e3o queremos ser estraga-prazeres. S\u00f3 dizemos que j\u00e1 houve outros governos onde se deram as mesmas propostas e argumentos. Nestas experi\u00eancias, quando alert\u00e1vamos, acusavam-nos de \u201cultraesquerdistas\u201d e \u201capressados\u201d. No entanto, lamentavelmente, fracassaram esses projetos de concilia\u00e7\u00e3o e busca de pactos com os setores patronais.<\/p>\n<p>Agora Syriza faz um acordo com um pequeno partido de direita (Gregos Independentes) que terminou as elei\u00e7\u00f5es do domingo (25) em sexto lugar, para poder formar um governo. J\u00e1 temos experi\u00eancias dos governos latino-americanos que iniciaram com os mesmos argumentos que hoje fazem o Syriza.<\/p>\n<p>Os casos de Lula e o governo de \u201cesquerda\u201d do PT, de Evo Morales do MAS de Bol\u00edvia ou o do chavismo em Venezuela. Nestes pa\u00edses n\u00e3o se tomaram medidas de fundo anticapitalistas e, no caso de Lula-PT, diretamente houve um acordo com o FMI, e os trabalhadores viram perdidas suas expectativas de mudan\u00e7a.<\/p>\n<p>Em Venezuela, onde o chavismo chegou ao poder h\u00e1 15 anos com grandes expectativas, o pa\u00eds se atola na crise, no desabastecimento de produtos alimentares, demiss\u00f5es de trabalhadores e na infla\u00e7\u00e3o mais elevada da Am\u00e9rica Latina. Por isso, ratificamos que segue colocada a necessidade de que a classe trabalhadora seja independente destes governos e seja protagonista com sua luta, com seus pr\u00f3prios organismos, com suas assembleias, para ajudar a formar uma nova dire\u00e7\u00e3o socialista revolucion\u00e1rias nestes processos.<\/p>\n<p>Neste caminho chamamos os trabalhadores gregos, a juventude e a base do Syriza, os seus setores mais combativos, que exijam, com sua mobiliza\u00e7\u00e3o, ao governo de Tsipras e Syriza que assuma a ruptura com o modelo econ\u00f4mico atual, baseado no endividamento e saque dos recursos da classe trabalhadora; que rompa com a Troika e a EU e que deixe pagar a d\u00edvida. Propomos tamb\u00e9m que se elabore uma plano de emerg\u00eancia que inclua medidas de fundo para sair da crise, como a nacionaliza\u00e7\u00e3o dos bancos e a reestatiza\u00e7\u00e3o de todas as empresas e propriedades privatizadas. Da\u00ed sair\u00e1 o dinheiro para dar sal\u00e1rios e aposentadorias e pens\u00f5es justas, trabalho, sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o para o povo trabalhador grego.<\/p>\n<p>Unidade Internacional dos Trabalhadores \u2013 Quarta Internacional<br \/>\n(UIT-QI)<br \/>\n 27 de janeiro de 2015.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>| Nota da UIT &#8211; CI (Unidade Internacional dos Trabalhadores) www.uit-ci.org Triunfou a esquerda nas elei\u00e7\u00f5es gerais de 25 de janeiro em Gr\u00e9cia. Syriza (Coaliz\u00e3o de Esquerda Radical, em grego) e seu dirigente maior, Alexis Tsipas, conseguiram 2.246.064 votos, 36,6% dos votantes. 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