

	{"id":5056,"date":"2019-11-09T18:18:03","date_gmt":"2019-11-09T18:18:03","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/?p=5056"},"modified":"2019-11-10T18:03:43","modified_gmt":"2019-11-10T18:03:43","slug":"historia-30-anos-apos-a-queda-do-muro-de-berlim","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2019\/11\/09\/historia-30-anos-apos-a-queda-do-muro-de-berlim\/","title":{"rendered":"HIST\u00d3RIA | 30 anos ap\u00f3s a queda do muro de Berlim"},"content":{"rendered":"<p id=\"m_-1062063998237653699yMail_cursorElementTracker_1573304859619\"><span style=\"font-family: inherit; font-style: inherit; font-weight: inherit;\">Este dia 9 de novembro marca o trig\u00e9simo anivers\u00e1rio de um dos eventos pol\u00edticos mais importantes do s\u00e9culo passado: a queda do muro de Berlim. Para alguns, os eventos de 1989 significaram o triunfo do capitalismo sobre o socialismo. Chegaram a afirmar que era o \u201cfim da hist\u00f3ria\u201d e setores da esquerda a viam como uma derrota da classe trabalhadora mundial. Os socialistas revolucion\u00e1rios t\u00eam outra vis\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p>A queda do muro de Berlim causou uma surpresa mundial. A m\u00eddia assistiu e denunciou exultantes como esse, at\u00e9 aquele momento, uma barreira intranspon\u00edvel de ferro e cimento, que durante 45 anos dividiu o territ\u00f3rio alem\u00e3o, separando fam\u00edlias, amigos e gerando um terr\u00edvel trauma social, desmoronou sob a for\u00e7a incontrol\u00e1vel de mobiliza\u00e7\u00e3o popular.<\/p>\n<p>Alguns meios de comunica\u00e7\u00e3o tentaram explicar o fato, atribuindo-o a uma pe\u00e7a magistral do capitalismo imperialista, liderada pelo ent\u00e3o presidente dos Estados Unidos, Ronald Reagan, juntamente com o papa Jo\u00e3o Paulo II e com a cumplicidade de Gorbachev. At\u00e9 hoje, o presidente russo Vladimir Putin diz que &#8220;Gorbachev estava errado&#8221;, como se esse processo hist\u00f3rico tivesse sido determinado pelo acordo entre algumas figuras influentes.<\/p>\n<p>Nenhum desses personagens, muito menos o velho ditador da Rep\u00fablica Democr\u00e1tica Alem\u00e3, Erich Honecker, planejou esse fato. Pelo contr\u00e1rio, era conveniente para todos manter o &#8220;status quo&#8221; estabelecido no final da Segunda Guerra Mundial, quando os Pactos de Yalta e Potsdam, assinados por Churchill, Roosevelt e Stalin, dividiram o mundo com o compromisso de que o Kremlin limitaria seu dom\u00ednio sobre os pa\u00edses da Europa Oriental e colaboraria para evitar revolu\u00e7\u00f5es no resto do mundo.<\/p>\n<p>Por isso, \u00e9 importante destacar que a queda do Muro de Berlim n\u00e3o se limitou \u00e0 reunifica\u00e7\u00e3o das duas Alemanha, o que por si s\u00f3 seria uma grande vit\u00f3ria. Esse processo significou o colapso do aparato mundial stalinista que manteve o movimento de massas encurralado e p\u00f4s fim ao acordo entre o imperialismo e a burocracia sovi\u00e9tica. Um acordo contrarrevolucion\u00e1rio que levou os PCs a trair revolu\u00e7\u00f5es ou, quando falharam, desvi\u00e1-los para que n\u00e3o avan\u00e7assem.<\/p>\n<p>At\u00e9 1989, o imperialismo apelou ao peso do PC, Moscou e seus agentes locais para evitar revolu\u00e7\u00f5es. Assim, agiram para impedir novos cubas, abortando processos como a Nicar\u00e1gua ou El Salvador. Na Europa, eles tiveram um papel semelhante no maio franc\u00eas de 68 ou na revolu\u00e7\u00e3o de Portugal 74. O stalinismo abafou rebeli\u00f5es apoiando ditaduras em pa\u00edses africanos ou enviando tanques contra levantes democr\u00e1ticos da Europa Oriental, como aconteceu na Hungria em 56 e na Tchecoslov\u00e1quia em 68.<\/p>\n<p>Essas trai\u00e7\u00f5es, combinadas com as graves crises econ\u00f4micas que afetaram os pa\u00edses do chamado &#8220;socialismo real&#8221;, criaram o terreno f\u00e9rtil onde foi incubado um processo de revoltas e rebeli\u00f5es que teve o evento mais proeminente na queda do Muro de Berlim, mas que encerrou as ditaduras estabelecidas na Pol\u00f4nia, Hungria, Rom\u00eania e outros pa\u00edses sob controle stalinista, incluindo a R\u00fassia.<\/p>\n<p>A reunifica\u00e7\u00e3o alem\u00e3, portanto, foi o resultado de um processo de mobiliza\u00e7\u00e3o das massas da Europa Oriental exigindo democracia e bem-estar, diante da deteriora\u00e7\u00e3o de suas condi\u00e7\u00f5es de vida impostas por uma economia dependente do imperialismo, produto da estagna\u00e7\u00e3o da revolu\u00e7\u00e3o mundial pela Pol\u00edtica stalinista. Devido \u00e0s ilus\u00f5es geradas em rela\u00e7\u00e3o aos benef\u00edcios do capitalismo e \u00e0 falta de uma lideran\u00e7a revolucion\u00e1ria, essas mobiliza\u00e7\u00f5es n\u00e3o foram capazes de evitar a restaura\u00e7\u00e3o capitalista.<\/p>\n<p>Mas, apesar das fortes contradi\u00e7\u00f5es que geraram na consci\u00eancia dos trabalhadores, os socialistas revolucion\u00e1rios consideram que a queda do Muro de Berlim foi um fato positivo, uma vez que o imperialismo perdeu seu principal aliado para parar o movimento de massas e hoje tem maiores dificuldades no controle das revoltas e movimentos revolucion\u00e1rios gerados pela profunda crise do sistema capitalista, como evidenciado pelos processos em andamento no Equador, Chile, L\u00edbano, Iraque e outros pa\u00edses.<\/p>\n<p><b style=\"font-family: inherit; font-style: inherit;\">As contradi\u00e7\u00f5es do triunfo<\/b><\/p>\n<p>Dizer que foi um evento positivo n\u00e3o significa ignorar as contradi\u00e7\u00f5es geradas pela queda do Muro. Um dos maiores problemas foi que esse processo de revolu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica falhou em interromper o curso restauracionista que a burocracia stalinista havia come\u00e7ado muito antes de 1989.<\/p>\n<p>Em todos os pa\u00edses onde a pol\u00edtica stalinista dominava, houve progresso na restaura\u00e7\u00e3o do capitalismo pela alian\u00e7a da burocracia com o imperialismo e as multinacionais e porque nesse processo n\u00e3o havia lideran\u00e7a revolucion\u00e1ria capaz de evit\u00e1-lo. A falta de uma alternativa antirrestauracionista, gerou uma imensa confus\u00e3o na cabe\u00e7a de milh\u00f5es de trabalhadores que acreditavam que, com o capitalismo, eles poderiam ter, al\u00e9m das liberdades, conquistas sociais qualitativas.<\/p>\n<p><span style=\"font-family: inherit; font-size: 19.4px; font-style: inherit; font-weight: inherit;\">Os quase setenta anos de opress\u00e3o stalinista foram o mecanismo capaz de mover as massas contra essas ditaduras. Isso foi usado pela propaganda imperialista para destacar o fracasso do socialismo. A isso se acrescentou a esquerda reformista, ex-stalinistas, Castro-Chavista, que come\u00e7ou a fazer uma ideologia de que o fracasso do &#8220;socialismo real&#8221; se devia ao &#8220;estatismo excessivo&#8221; e ao regime partid\u00e1rio com centralismo democr\u00e1tico criado por Lenin. Por isso, eles inventaram novas f\u00f3rmulas, como as do &#8220;socialismo do s\u00e9culo 21&#8221;, entrela\u00e7adas com multinacionais e empres\u00e1rios. E a partir da teoria de que o leninismo foi o que originou a burocracia stalinista, alguns desses setores prop\u00f5em partidos horizontalistas, sem centralismo democr\u00e1tico, ou que se recusam a disputar o poder.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: inherit; font-size: 19.4px; font-style: inherit; font-weight: inherit;\">No entanto, os fatos da realidade colocam essas novas teorias em cheque. Com a crise econ\u00f4mica de 2007\/2008, foi desenvolvido um processo de lutas mundiais que questiona o pr\u00f3prio sistema capitalista, causando importantes avan\u00e7os na consci\u00eancia do movimento de massas. \u00c9 o que vemos nos processos em andamento, onde demandas m\u00ednimas, como o aumento de passagens ou a aplica\u00e7\u00e3o de um imposto, tornam-se rebeli\u00f5es que questionam seriamente o sistema capitalista e seus organismos que os representam, como o FMI. Isso abre imensas possibilidades de luta pelo programa, pelas palavras de ordem e por uma organiza\u00e7\u00e3o com centralismo democr\u00e1tico, independente, dos trabalhadores e do povo, que nos leve \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o socialista.<\/span><\/p>\n<p id=\"m_-1062063998237653699yMail_cursorElementTracker_1573304870338\">Por Adolfo Santos &#8211; Izquierda Socialista &#8211; Argentina<\/p>\n<p id=\"m_-1062063998237653699yMail_cursorElementTracker_1573304886546\">Tradu\u00e7\u00e3o: Jos\u00e9 M\u00e1rio Makaiba<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Este dia 9 de novembro marca o trig\u00e9simo anivers\u00e1rio de um dos eventos pol\u00edticos mais importantes do s\u00e9culo passado: a queda do muro de Berlim. Para alguns, os eventos de 1989 significaram o triunfo do capitalismo sobre o socialismo. 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