

	{"id":5089,"date":"2019-11-15T18:11:15","date_gmt":"2019-11-15T18:11:15","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/?p=5089"},"modified":"2019-11-15T18:11:15","modified_gmt":"2019-11-15T18:11:15","slug":"chile-entrevista-com-a-deputada-federal-monica-schlotthauer-que-esteve-no-chile","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2019\/11\/15\/chile-entrevista-com-a-deputada-federal-monica-schlotthauer-que-esteve-no-chile\/","title":{"rendered":"CHILE | Entrevista com a Deputada Federal M\u00f4nica Schlotthauer que esteve no Chile!"},"content":{"rendered":"<h6 id=\"m_2926991029533844506yMail_cursorElementTracker_1573831265743\"><em>Nossa companheira deputada federal\u00a0 da Argentina\u00a0Monica Schlotthauer, juntamente com a parlamentar eleita de Buenos Aires Mercedes De Mendietta, visitou o Chile para mostrar solidariedade \u00e0 luta do povo transandino. Conversamos com Monica sobre suas impress\u00f5es e debates pol\u00edticos abertos*<\/em><\/h6>\n<p><b>&#8211; Conte-nos as suas impress\u00f5es de ver ao vivo tudo o que est\u00e1 acontecendo &#8230;<\/b><\/p>\n<p>O que mais impressiona \u00e9 que as marchas em massa n\u00e3o param. Elas est\u00e3o nas ruas h\u00e1 mais de duas semanas, enfrentando a repress\u00e3o, porque a guerra de Pi\u00f1era continua, com &#8220;P de Pinochet&#8221; como eles chamam. Assim que chegamos e enquanto nos transportavamos do aeroporto para Santiago, um companheira ia identificando os grupos de jovens que peregrinavam no meio do tr\u00e2nsito at\u00e9 os confrontos, alguns dos bairros, outros que deixaram o trabalho. E em algumas horas, assim que terminamos de atender \u00e0 m\u00eddia que nos chamou \u00a0impactada pelo projeto que apresentei no Congresso para que a Argentina rompa rela\u00e7\u00f5es com o governo Pi\u00f1era, fomos para a concentra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Fora Pi\u00f1era! Essa \u00e9 a reivindica\u00e7\u00e3o que une aqueles que est\u00e3o nas ruas, mas tamb\u00e9m ouvidos em casa ou nos locais de trabalho. Impressiona a pot\u00eancia e a coragem, a indigna\u00e7\u00e3o e a alegria dos manifestantes. Eles cantam &#8220;O Chile acordou&#8221;, veem os torcedores de clubes rivais cantando &#8220;aquele que n\u00e3o pula \u00e9 um paco (policial)&#8221;. Em cada corrida, eles se encorajam cantando &#8220;as balas que voc\u00ea atira contra n\u00f3s voltar\u00e3o&#8221; e as jogam de volta. A paisagem humana \u00e9 de pura bandeira chilena e mapuche, len\u00e7os pelo direito ao aborto e muitos cartazes &#8220;feitos em casa&#8221;. Impressiona que as massas reclamam pelas mesmas coisas que reivindicamos em nosso pa\u00eds: sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, aposentadorias ou contra a fome. &#8220;Este sistema n\u00e3o adianta mais&#8221;, eles repetem tamb\u00e9m. Fiquei impressionada com um cartaz que dizia: &#8220;Eu vim por voc\u00ea, m\u00e3e, \u00a0nos chamaram naquela vez quando est\u00e1vamos velando voc\u00ea&#8221; com uma foto. &#8220;S\u00e3o meus \u00faltimos seis meses de vida e a primeira vez sem a quimioterapia&#8221;, disse outro. Existem muitas queixas por falta de aten\u00e7\u00e3o ou medicamentos contra o c\u00e2ncer. Isso me fez pensar: acaso n\u00e3o crescem tamb\u00e9m na Argentina as den\u00fancias de abandono de pessoas com esse tratamento? \u00c9 que &#8220;a receita mundial&#8221; para a sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o foi cortada, segregando os necessitados. No Chile, os trabalhadores j\u00e1 est\u00e3o morrendo na porta dos hospitais. Fico pensando: caminhamos para isso, se n\u00e3o apoiarmos os profissionais que lutam em nosso pa\u00eds em defesa da sa\u00fade p\u00fablica. Hoje no Chile, se voc\u00ea n\u00e3o conseguir um empr\u00e9stimo banc\u00e1rio, n\u00e3o h\u00e1 como se curar.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m observei muitos jovens com cartazes que diziam &#8220;remiss\u00e3o do CAE&#8221;. S\u00e3o as d\u00edvidas de cada aluno com bancos privados, porque n\u00e3o h\u00e1 educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica gratuita. Assim, os jovens carregam uma mochila que hipoteca o futuro ou, como acontece com muitos, acabam abandonando. &#8220;Desprivatizar&#8221;, li tamb\u00e9m em muitos faixas: \u00e9 o equivalente ao que chamar\u00edamos de &#8220;reestatiza\u00e7\u00e3o&#8221;. Esta \u00e9 a solu\u00e7\u00e3o que eles reivindicam para ter acesso ao que n\u00e3o deveria ser uma mercadoria, mas um direito.<\/p>\n<p>Continuei lendo os cartazes: &#8220;n\u00e3o mais AFP&#8221;. Refere-se ao sistema de aposentadoria privada. Os bancos dividem o capital acumulado por 120 anos para calcular o pagamento mensal! Ent\u00e3o todo mundo fica com uma mis\u00e9ria. Mais faixas: &#8220;n\u00e3o ao TPP-11&#8221;, o acordo comercial que subordina a riqueza do Chile a empresas extrativas no Jap\u00e3o e no Canad\u00e1, entre outras pot\u00eancias imperialistas, impondo tribunais estrangeiros para lit\u00edgios. &#8220;N\u00e3o \u00e9 mega seca, \u00e9 mega pilhagem&#8221;, afirmam diretamente a mineradora e outras empresas respons\u00e1veis pela polui\u00e7\u00e3o e pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p>E muitos, muit\u00edssimos que dizem: &#8220;abaixo a constitui\u00e7\u00e3o&#8221;. Referem-se \u00e0 constitui\u00e7\u00e3o dos anos 80, a pinochetista, que est\u00e1 em vigor e \u00e9 o que possibilita todos esses abusos e tamb\u00e9m a viola\u00e7\u00e3o dos direitos humanos. O que concentra o modelo pol\u00edtico e econ\u00f4mico que essa rebeli\u00e3o quer jogar fora. Constitui\u00e7\u00e3o que, como todos sabem, ningu\u00e9m mudou ap\u00f3s o fim da ditadura. Nem os governos liderados pelo Partido Socialista da Concertaci\u00f3n.<\/p>\n<p><b>&#8211; Qual \u00e9 o papel e o que a oposi\u00e7\u00e3o representa?<\/b><\/p>\n<p>\u00c9 muito dif\u00edcil reconhecer como \u201coposi\u00e7\u00e3o\u201d as organiza\u00e7\u00f5es mais importantes que est\u00e3o agrupadas no MUS (Mesa de Unidade Social). Al\u00ed est\u00e1 a CUT, os referentes do PC e a Frente Ampla, entre outros. N\u00e3o pedem o que reivindica o povo: eles n\u00e3o exigem que Pi\u00f1era v\u00e1 embora. Nem as privatiza\u00e7\u00f5es. Sua proposta central, por outro lado, \u00e9 organizar \u201cconselhos\u201d para organizar uma lista nacional de demandas e lev\u00e1-la ao atual presidente. Eles prop\u00f5em isso em vez de articular um plano de luta para tir\u00e1-lo do governo.<\/p>\n<p>O que comove \u00e9 a clareza dos debates e a forma como \u00a0respondem os vizinhos nas assembleias de bairros: &#8220;dialobar \u00e9 garantir a impunidade do assassino&#8221;, ouvi dizer. O principal objetivo do MUS \u00e9 conter a rebeli\u00e3o, articul\u00e1-la com os debates no Parlamento. Um verdadeiro beco sem sa\u00edda.<\/p>\n<p>\u00c9 por isso que um intenso debate atravessa a vida cotidiana e, em particular, as assembleias de bairros, que s\u00e3o as novas formas de organiza\u00e7\u00e3o que emergem e que j\u00e1 est\u00e3o come\u00e7ando a se coordenar. Como aqui em 2001. As mulheres dessas assembleias tamb\u00e9m se autoconvocam para aprofundar suas demandas espec\u00edficas: contra a viol\u00eancia pol\u00edtica ou em rep\u00fadio \u00e0s violencia da pol\u00edcia. Para que possamos ver o qu\u00e3o longe essa realidade est\u00e1 das propostas do MUS, basta salientar que, em sua lista de peti\u00e7\u00f5es, ele se recusa a reivindicar o aborto legal.<\/p>\n<p>O mesmo vale para os trabalhadores. Existem setores importantes que fizeram paraliza\u00e7\u00f5es por esses dias, como os portu\u00e1rios. O MUS convoca formalmente as &#8220;paraliza\u00e7\u00f5ess&#8221;, mas n\u00e3o faz nada para garantir isso. Quando uma greve geral de fato seria fundamental para ajudar Pi\u00f1era a cair.<\/p>\n<p><b>&#8211; Como nossos companheiros do MST do Chile interv\u00eam?<\/b><\/p>\n<p>\u00c9 impressionante. &#8220;Esfor\u00e7o cansado&#8221;, como dizem os chilenos. Comece organizando os companheiros para as marchas di\u00e1rias, as garrafas de bicarbonato e os lim\u00f5es contra os gases da repress\u00e3o. Segue com a venda do jornal, que vem &#8220;como p\u00e3o quente&#8221; entre passeatas e gases. Ou pelo orgulho de chegar com nossas bandeiras do MST \u00e0 linha de fogo com os pacos.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, eles fazem todo o esfor\u00e7o para fortalecer as assembleias locais e coorden\u00e1-las, como pude ver que fizemos no bairro de Yungay. Tive a oportunidade de participar de v\u00e1rias dessas assembleias. Quando me virei, eles estavam trabalhando para reunir 35 porta-vozes do bairro esta semana. Nossos companheiros lutam junto com os vizinhos contra a pol\u00edtica do MUS, que pretende neutralizar essas organiza\u00e7\u00f5es aut\u00f4nomas.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m foi emocionante apresentar a sauda\u00e7\u00e3o de nosso partido em uma \u00f3tima palestra organizada pelos companheiros e conhecer tantos amigos e camaradas. Ali, convergiram \u00a0companheiros que durante anos enfrentaram Pinochet, com outros que surgiram em rebeli\u00f5es de estudantes ou em organiza\u00e7\u00f5es feministas. E tamb\u00e9m um novo grupo que se juntou \u201cQueremos construir este partido para fortalecer as assembleias e a luta at\u00e9 tirar Pi\u00f1era. Reivindicamos um plano de luta para conseguir isso. Para governar aqueles que lutam, esse \u00e9 nosso objetivo. \u201d Essa \u00e9 a chamada do MST. Para n\u00f3s \u00e9 muito claro. Por isso, ficamos felizes por ter contribu\u00eddo com nosso gr\u00e3o de areia e com a responsabilidade de tornar conhecida essa tremenda luta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>* Publicado originalmente em\u00a0www.izquierdasocialista.org.ar<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nossa companheira deputada federal\u00a0 da Argentina\u00a0Monica Schlotthauer, juntamente com a parlamentar eleita de Buenos Aires Mercedes De Mendietta, visitou o Chile para mostrar solidariedade \u00e0 luta do povo transandino. 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