

	{"id":509,"date":"2015-02-22T15:06:00","date_gmt":"2015-02-22T15:06:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/index.php\/2015\/02\/22\/arquivoid-9544\/"},"modified":"2015-02-22T15:06:00","modified_gmt":"2015-02-22T15:06:00","slug":"arquivoid-9544","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2015\/02\/22\/arquivoid-9544\/","title":{"rendered":"Argentina: o que mostrou a grande marcha em \u201chomenagem\u201d ao promotor Nisman?"},"content":{"rendered":"<p>| Juan Carlos Giordano (Dirigente Nacional de Esquerda Socialista* e Deputado Nacional de Arg<\/p>\n<p>A marcha teve uma grande participa\u00e7\u00e3o de pessoas em Buenos Aires com em outros pontos da Argentina. H\u00e1 um m\u00eas da duvidosa morte do promotor p\u00fablico Alberto Nisman, a mobiliza\u00e7\u00e3o foi convocada por v\u00e1rios promotores opositores do governo e apoiada pela ex-esposa de Nisman, pol\u00edticos patronais (os candidatos presidenciais Macri, Massa, Sanz, Binner, Carri\u00f3, Solanas) e alguns dirigentes sindicais (Piumato de la CGT Moyano). Falaremos abaixo porqu\u00ea nosso partido, Esquerda Socialista, n\u00e3o participou do protesto e sobre as pautas que seguem pendentes.<\/p>\n<p>A grande marcha que ocorreu debaixo de uma forte chuva na capital federal e na grande Buenos Aires mostrou que grandes setores da popula\u00e7\u00e3o seguem comovidos pela morte do promotor p\u00fablico Nisman. Refletiu o aumento da bronca de setores populares e da classe m\u00e9dia com Cristina e seu &quot;modelo&quot; de corrup\u00e7\u00e3o e impunidade, bastante al\u00e9m do que estavam propondo os organizadores do protesto.<\/p>\n<p>O kirchnerismo (setor pol\u00edtico que governa o pa\u00eds) montou um ato em Z\u00e1rate com sua milit\u00e2ncia, no mesmo dia, ainda que algumas horas antes, tentando mostrar que o caso n\u00e3o tem atrapalhado o governo e com a inten\u00e7\u00e3o de combater o rep\u00fadio popular. A presidente criticou a mobiliza\u00e7\u00e3o dias antes, dizendo &quot;prefiro a alegria, n\u00e3o o sil\u00eancio&quot;. E tamb\u00e9m a condenou como &quot;golpista&quot; e &quot;que buscava tir\u00e1-la do cargo&quot; ( ver &quot;Um golpe brando?&quot;). No entanto, Cristina n\u00e3o conseguiu seu objetivo. Foi uma grande manifesta\u00e7\u00e3o que reclamou &quot;nunca mais&quot; e &quot;justi\u00e7a&quot;.<\/p>\n<p>Os setores populares se mobilizaram espontaneamente para que o fato se esclare\u00e7a e n\u00e3o volte a ocorrer. &quot;Se ocorreu a um promotor, o que n\u00f3s trabalhadores podemos esperar&quot;, dizem. Milhares tamb\u00e9m marcharam como uma cr\u00edtica ao governo que n\u00e3o repudiou o assassinato de Nisman e nem sequer enviou condol\u00eancias aos seus familiares. Coisa que n\u00e3o estava contemplada na convocat\u00f3ria.<br \/>\nPor\u00e9m, para alcan\u00e7armos o esclarecimento da morte de Nisman, castigar os culpados e obter justi\u00e7a, necessita-se mobilizar para enfrentar o aparato repressivos dos Kirchner e para mudar pela raiz esta Justi\u00e7a. <\/p>\n<p>Por isso Esquerda Socialista n\u00e3o participou da marcha &#8211; como tamb\u00e9m n\u00e3o participaram os partidos da Frente de Esquerda e dos Trabalhadores-, ainda que tenhamos exigido desde o primeiro momento o esclarecimento da morte do promotor e denunciado que existe uma responsabilidade direta ou indireta do governo.<\/p>\n<p>Os objetivos da marcha<\/p>\n<p>Respeitamos o sentimento popular de marchar contra este grave fato e a exig\u00eancia de justi\u00e7a. Mas o objetivo dos impulsionadores (parte da atual Justi\u00e7a, acompanha de pol\u00edticas patronais) era s\u00f3 fazer uma &quot;homenagem a Nisman&quot;, convocando uma &quot;marcha do sil\u00eancio&quot;, &quot;contra nada&quot; e sem bandeiras pol\u00edticas. Inclusive, com a consigna &quot;eu sou Nisman&quot;, por exemplo, pode-se esconder uma reivindica\u00e7\u00e3o da a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica judicial do promotor no caso AMIA ( associa\u00e7\u00e3o judia, que sofreu atentado em 1994, com a morte de 84 pessoas, que Nisman investigava), que n\u00e3o compartilhamos. Ou uma defesa firme de promotores que agora marcham, mas que est\u00e3o longe de &quot;lutar por uma justi\u00e7a independente&quot;, com alguns deles dizem.<br \/>\nOs promotores organizadores da marcha, que est\u00e3o em uma disputa com o governo, s\u00e3o parte de uma poder judicial que se acomoda aos governantes de turno. Alguns est\u00e3o envolvidos em atos de impunidade. E est\u00e1 claro que n\u00e3o haver\u00e1 justi\u00e7a independente com os Macri, Massa ou com Binner. Os pol\u00edticos PJ anti-Cristina, PRO, Frente Renovador e a UCR (partidos patronais) acompanharam a marcha para lavar sua cara, reclamando &quot;que atue a justi\u00e7a&quot;, quando esses mesmos pol\u00edticos manipulam os ju\u00edzes onde governam e est\u00e3o de acordo em espionar opositores e lutadores sociais.<\/p>\n<p>Os organizadores da marcha tampouco t\u00eam alguma resposta ao atual debate sobre o que fazer com a ex SIDE (antiga ag\u00eancia de intelig\u00eancia argentina) e os servi\u00e7os de intelig\u00eancia. N\u00e3o levantam nenhuma consigna pela dissolu\u00e7\u00e3o destes organismo, nem sequer para que se abram os seus arquivos ou contra o genocida Milani (chefe do ex\u00e9rcito, sobre quem pesa ao menos um desaparecimento). Em s\u00edntese, tanto os promotores como os partidos patronais &#8211; que usaram a marcha para seus projetos eleitorais &#8211; n\u00e3o marcharam para garantir justi\u00e7a, quer dizer, para que se acabe com a casta judicial que vem garantido impunidade em todos esses anos.<\/p>\n<p>Esclarecimento da morte e que se desmantele o aparato repressivo<\/p>\n<p>Nosso partido repudia a atitude do governo de classificar a marcha de golpista, como vem fazendo os setores pol\u00edticos ligados a Cristina com toda manifesta\u00e7\u00e3o opositora. Com esse mesmo discurso ataca os lutadores sociais e de esquerda. A n\u00e3o participa\u00e7\u00e3o de nosso partido na marcha n\u00e3o \u00e9 porque h\u00e1 se tratado de uma mobiliza\u00e7\u00e3o &quot;golpista&quot; (apesar do uso que fizeram dela os pol\u00edticos burgueses), mas pelos motivos que expusemos antes.<\/p>\n<p>Esquerda Socialista faz um chamado aos organismos de direitos humanos independentes do governo, organiza\u00e7\u00f5es sindicais, de bairro, estudantis, e a todas as for\u00e7as de esquerda e da Frente de Esquerda e dos Trabalhadores, a impulsionar uma mobiliza\u00e7\u00e3o com outros objetivos. Denunciando que o governo \u00e9 respons\u00e1vel direto ou direto do ocorrido com Nisman; pela dissolu\u00e7\u00e3o de todos os servi\u00e7os de intelig\u00eancia; abertura dos arquivos secretos; N\u00e3o \u00e0 nova super ag\u00eancia de intelig\u00eancia do governo; Fora Milani; Abaixo o Projeto X (esquema de espionagem e vigil\u00e2ncia que o governo argentino de Cristina Kirchner montou contra os trabalhadores das f\u00e1bricas Kraft e Pepsico); basta de perseguir aos que lutam; n\u00e3o \u00e0 criminaliza\u00e7\u00e3o dos protestos sociais; fim dos processos de 5 mil lutadores sociais. Avaliamos que a voz desta mobiliza\u00e7\u00e3o deve ser sentida j\u00e1 na marcha do dia 24 de mar\u00e7o ( dia do golpe militar em Argentina, que se tornou o Dia Nacional da Mem\u00f3ria pela Verdade e a Justi\u00e7a). S\u00f3 assim podemos evitar mais mortes duvidosas e terminar com a impunidade e a repress\u00e3o.<\/p>\n<p>&quot;Um golpe brando&quot;?<\/p>\n<p>O kirchnerismo sempre inventa algo para tentar proteger seu &quot;modelo&quot; de corrup\u00e7\u00e3o e entrega. Seus representantes falam que h\u00e1 em um curso um &quot;golpe brando&quot;. Seria uma vers\u00e3o distinta, &quot;moderna&quot;, do s\u00e9culo XXI, dos antigos golpes de estado &quot;duros&quot; que executavam as for\u00e7as armadas, com mortos e desaparecidos. Agora se estaria ante golpes executados pela m\u00eddia, ju\u00edzes ou empres\u00e1rios opositores para tentar tirar o governo e trazes os ajustes cl\u00e1ssicos dos anos 1990. Nada mais falso!<br \/>\nQue existem atritos entre o governo e Clar\u00edn (maior grupo midi\u00e1tico da Argentina), ou desentendimentos entre o executivo e o judici\u00e1rio ou empres\u00e1rios que n\u00e3o querem se &quot;disciplinar&quot;, \u00e9 certo. Mas da\u00ed esses setores, hoje, quererem derrubar o governo com um golpe n\u00e3o \u00e9 certo. A m\u00eddia n\u00e3o alinhada ao governo, alguns empres\u00e1rios, Clar\u00edn e Macra, Massa e demais pol\u00edticos da oposi\u00e7\u00e3o patronal, querem que este governo &quot;chegue bem&quot; \u00e0s elei\u00e7\u00f5es de outubro. Eles t\u00eam repetido isso at\u00e9 cansar. Querem tamb\u00e9m que logo de produza uma mudan\u00e7a de governo para que se siga garantindo as gan\u00e2ncias capitalistas atrav\u00e9s de &quot;outro discurso&quot;.<\/p>\n<p>Hoje, apesar de existir uma luta em curso entre o governo e a oposi\u00e7\u00e3o, nenhum setor patronal (banqueiros, multinacionais ou latifundi\u00e1rios) querem que o governo seja derrubado abruptamente, deixando uma vazio de poder. Toda a patronal sabe muito bem os ensinamentos do Argentinazo. Aquela rebeli\u00e3o popular de 2001 trouxe abaixo um governo pelas mobiliza\u00e7\u00f5es de milh\u00f5es e durante uma semana ca\u00edram v\u00e1rios governos a mais. S\u00f3 depois de um longo e tortuoso tempo, o regime pode recompor a institucionalidade dos poderosos. Eles, os patr\u00f5es, t\u00eam terror que volte a ocorrer o mesmo.<br \/>\nO que quer a oposi\u00e7\u00e3o (e a maioria da burocracia sindical) \u00e9 ir desgastando o governo para depois trocar de governante patronal. Mas n\u00e3o querem tirar Cristina. Al\u00e9m do mais, nenhum golpe (seja brando ou duro) se d\u00e1 sem o aval do imperialismo norte-americano que, via Obama, aposta que este governo siga garantindo os lucros das suas multinacionais e banqueiros at\u00e9 o \u00faltimo dia como tem feito at\u00e9 agora.<br \/>\nN\u00e3o podemos nos deixar enganar. O golpe &quot;brando&quot; \u00e9 uma cortina de fuma\u00e7a, a mesma que usam todos os governos latino-americanos (Dilma e o PT, o chavismo, Evo, Correa) para seguir governando para as multinacionais e grandes empres\u00e1rios imperialistas.  <\/p>\n<p>\u00c9 uma tentativa desesperada do kirchnerismo para n\u00e3o perder base social, e para que estes sigam apoiando a este governo, ainda que esteja aplicando um duro ajuste e governando de forma corrupta. Ademais, a teoria do golpe \u00e9 muito perigosa, j\u00e1 que classifica todo opositor de direitista, golpista, desestabilizador ou sabotador. Cruzada que n\u00e3o s\u00f3 vai contra os jornalistas ou promotores (al\u00e9m de que estejamos de acordo ou n\u00e3o com suas opini\u00f5es), como tamb\u00e9m contra os lutadores oper\u00e1rios e populares. Campanha essa que chamamos a repudiar!<\/p>\n<p>*partido irm\u00e3o da CST na Argentina, tamb\u00e9m ligada \u00e0 Unidade Internacional dos Trabalhadores &#8211; Quarta Internacional (UIT-QI)<br \/>\n**frente pol\u00edtica e eleitoral na Argentina que tem como grupos principais Partido Oper\u00e1rio (PO), Partido dos Trabalhadores Socialistas (PTS) e Esquerda Socialista.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>| Juan Carlos Giordano (Dirigente Nacional de Esquerda Socialista* e Deputado Nacional de Arg A marcha teve uma grande participa\u00e7\u00e3o de pessoas em Buenos Aires com em outros pontos da Argentina. 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