

	{"id":5107,"date":"2019-11-19T23:13:01","date_gmt":"2019-11-19T23:13:01","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/?p=5107"},"modified":"2019-11-19T23:13:01","modified_gmt":"2019-11-19T23:13:01","slug":"belo-monte-miseria-e-degradacao-na-volta-grande-do-rio-xingu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2019\/11\/19\/belo-monte-miseria-e-degradacao-na-volta-grande-do-rio-xingu\/","title":{"rendered":"Belo Monte: mis\u00e9ria e degrada\u00e7\u00e3o na Volta Grande do rio Xingu"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Dispon\u00edvel em\u00a0<a class=\"at au av aw ax ay az ba bb bc ef bf bg bh bi\" style=\"font-family: 'PT Sans', sans-serif; font-size: 18px;\" href=\"https:\/\/medium.com\/@Contrapoderbr?source=post_page-----63d60eee1b13----------------------\" rel=\"noopener\">Contrapoder\u00a0<\/a><a class=\"at au av aw ax ay az ba bb bc ef bf bg bh bi\" href=\"https:\/\/medium.com\/@Contrapoderbr\/belo-monte-mis%C3%A9ria-e-degrada%C3%A7%C3%A3o-na-volta-grande-do-rio-xingu-63d60eee1b13?source=post_page-----63d60eee1b13----------------------\" rel=\"noopener\">Nov 16<\/a><\/p>\n<p id=\"325b\" class=\"gg gh dc bk gi b gj gk gl gm gn go gp gq gr gs gt\" data-selectable-paragraph=\"\">Estive recentemente na Volta Grande do Xingu, onde pude testemunhar o estado abandono e desalento do povo que vivia das outrora ricas \u00e1guas que passavam por este trecho maravilhoso do rio devastado por Belo Monte. Para quem n\u00e3o sabe, trata-se de uma por\u00e7\u00e3o de aproximadamente 100 km do Xingu em que o rio percorre um trajeto em forma de ferradura, ao longo do qual sofre um declive de 100 m, o que lhe confere um aspecto singular riqu\u00edssimo em corredeiras, cachoeiras e esp\u00e9cies end\u00eamicas adaptadas a esta condi\u00e7\u00e3o rara.<\/p>\n<p id=\"0f60\" class=\"gg gh dc bk gi b gj gk gl gm gn go gp gq gr gs gt\" data-selectable-paragraph=\"\">Para entender os impactos da hidrel\u00e9trica de Belo Monte sobre a Volta Grande do Xingu \u00e9 importante compreender sua anatomia, que se difere um bocado das hidrel\u00e9tricas tradicionais, compostas simplesmente por um barramento que cria uma diferen\u00e7a de potencial gravitacional entre os seus trechos a montante e jusante e turbinas por onde essa \u00e1gua passa, gerando eletricidade. Por motivos que n\u00e3o s\u00e3o totalmente claros, mas que certamente envolvem a necessidade se evitar duas Terras Ind\u00edgenas (Paqui\u00e7amba e Arara da Volta Grande), optou-se por um esquema em que a maior parte da \u00e1gua do rio Xingu \u00e9 desviada por canais para um lago artificial onde outrora havia terra firme. De l\u00e1, a \u00e1gua \u00e9 passada pela casa de for\u00e7a principal e ent\u00e3o \u00e9 devolvida novamente para o rio Xingu, abaixo da Volta Grande. Com isso, as Terras Ind\u00edgenas n\u00e3o foram alagadas, o que facilitou em muito a expedi\u00e7\u00e3o das licen\u00e7as de constru\u00e7\u00e3o, pois supostamente n\u00e3o seriam impactadas pela obra. Nada mais falso.<\/p>\n<p id=\"a542\" class=\"gg gh dc bk gi b gj gk gl gm gn go gp gq gr gs gt\" data-selectable-paragraph=\"\">A \u00e1gua desviada da Volta Grande tem feito muita falta a esta por\u00e7\u00e3o do rio Xingu. Apenas metade dos 1550 m3 \/segundo de \u00e1gua que passam neste exato momento na frente da cidade de Altamira est\u00e1 passando pela Volta Grande, uns 40 km mais \u00e0 frente. Esse imenso segmento do rio, est\u00e1 privado da maior parte da \u00e1gua que receberia naturalmente e foi chamado de Trecho de Vaz\u00e3o Reduzida (VTR) no contexto do projeto Belo Monte. Na Volta Grande, a \u00e1gua do Xingu corria, al\u00e9m de seu canal principal, por uma serie de leitos paralelos cravados nas rochas, e entre ilhas, quando os bra\u00e7os do rio s\u00e3o chamados de \u201cfuros\u201d e se assemelham a rios menores, mas que na verdade s\u00e3o todos parte do grandioso Xingu. Com o desvio de parte substancial de suas \u00e1guas pelos canais para o reservat\u00f3rio intermedi\u00e1rio, n\u00e3o h\u00e1 mais \u00e1gua para gerar correnteza nesses furos, e muitas das corredeiras e cachoeiras secaram. N\u00e3o h\u00e1 mais \u00e1gua para promover o alagamento das margens do rio, necess\u00e1rio para que os frutos das matas ciliares caiam sobre a \u00e1gua e possam engordar os peixes. A \u00e1gua parada nos furos apodrece e, al\u00e9m de n\u00e3o ter peixes, muitas vezes tamb\u00e9m n\u00e3o serve para o banho ou consumo humano. Tragicamente, esta mesma falta de \u00e1gua faz os po\u00e7os, \u00faltimo recurso para os moradores da regi\u00e3o, secarem.<\/p>\n<figure class=\"ff fg fh fi fj fk cl cm paragraph-image\">\n<div class=\"cl cm gu\">\n<div class=\"fu r fn fv\">\n<div class=\"gv r\">\n<div class=\"fp fq cp t u fr ak dz fs ft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"cp t u fr ak fx fy as pk\" role=\"presentation\" src=\"https:\/\/miro.medium.com\/max\/30\/1*0-esVcy8AnxuJ7bqF6TN7w.png?q=20\" width=\"567\" height=\"421\" \/><\/div>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"kg ma cp t u fr ak ga\" role=\"presentation\" src=\"https:\/\/miro.medium.com\/max\/567\/1*0-esVcy8AnxuJ7bqF6TN7w.png\" width=\"567\" height=\"421\" \/><\/div>\n<\/div>\n<\/div><figcaption class=\"bo dy gb gc gd cn cl cm ge gf bj dx\" data-selectable-paragraph=\"\">Trecho da Volta Grande do rio Xingu com pouqu\u00edssima \u00e1gua devido ao seu desvio para gera\u00e7\u00e3o de energia pela hidrel\u00e9trica de Belo Monte.<\/figcaption><\/figure>\n<p id=\"6861\" class=\"gg gh dc bk gi b gj gk gl gm gn go gp gq gr gs gt\" data-selectable-paragraph=\"\">Enquanto isso, a Norte Energia, a empresa que construiu e administra a hidrel\u00e9trica de Belo Monte, diz que a barragem n\u00e3o afetou a pesca ou a qualidade da \u00e1gua. Enfim, afirmam que est\u00e1 tudo bem. Claramente n\u00e3o \u00e9 o caso. Por isso que me juntei ao grupo de pesquisadores, a convite da bi\u00f3loga Cristiane Carneiro, que est\u00e1 fazendo um monitoramento independente das condi\u00e7\u00f5es de vida dos moradores da Volta Grande. Da\u00ed a viagem que fizemos recentemente.<\/p>\n<p id=\"1648\" class=\"gg gh dc bk gi b gj gk gl gm gn go gp gq gr gs gt\" data-selectable-paragraph=\"\">A regi\u00e3o da Volta Grande tem o relevo extremamente acidentado. Viajamos por horas por um emaranhado de estradinhas estreitas num sobe e desce sem fim. Talvez o relevo extremamente irregular, que dificulta a implementa\u00e7\u00e3o de t\u00e9cnicas agropecu\u00e1rias modernas de grande escala, explique a sobreviv\u00eancia de uma infinidade de pequenas propriedades na \u00e1rea, que fica no munic\u00edpio de Anap\u00fa (PA), munic\u00edpio que ficou famoso com o assassinato, em 2005, da missionaria Dorothy Stang a mando de um cons\u00f3rcio financiado por grandes fazendeiros da regi\u00e3o. Ao longo das estradinhas, t\u00e3o estreitas que o carro que nos levava muitas vezes ia praticamente abrindo caminho entre a vegeta\u00e7\u00e3o, fragmentos de florestas se misturam com ro\u00e7as de cacau e principalmente pastos em forma\u00e7\u00e3o ainda cheios de restos de imensas \u00e1rvores mortas, frequentemente ainda esfuma\u00e7antes, denunciado a devasta\u00e7\u00e3o recente.<\/p>\n<p id=\"0e23\" class=\"gg gh dc bk gi b gj gk gl gm gn go gp gq gr gs gt\" data-selectable-paragraph=\"\">Os desmatamentos alastraram-se t\u00e3o rapidamente na regi\u00e3o por dois motivos fundamentais ligados \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de Belo Monte. Moradores, que vivem na regi\u00e3o \u00e0s vezes por mais de 40 anos e que se deslocavam de suas casas na beira do rio at\u00e9 as cidades mais pr\u00f3ximas de barco pelo rio Xingu, n\u00e3o podem mais faz\u00ea-lo na maior parte do ano porque o rio, agora seco, n\u00e3o permite mais a navega\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o tiveram que formar a rede de estradas, que tamb\u00e9m abriu caminho para mais desmatamentos. Esses mesmos moradores que vivam em grande parte da comercializa\u00e7\u00e3o do produto da pesca, n\u00e3o podem mais faz\u00ea-lo, pois os peixes que conseguem pegar agora praticamente n\u00e3o s\u00e3o suficientes nem mesmo para o seu consumo dom\u00e9stico. Vivem quase que s\u00f3 de aposentadorias dos idosos. Da\u00ed a necessidade de buscar algum sustento a todo custo, avan\u00e7ando sobre a floresta para substitu\u00ed-la por pastagens ou o cultivo de cacau ou mandioca para produ\u00e7\u00e3o de farinha.<\/p>\n<p id=\"5043\" class=\"gg gh dc bk gi b gj gk gl gm gn go gp gq gr gs gt\" data-selectable-paragraph=\"\">Perguntamos aos moradores quais foram os benef\u00edcios deixados por Belo Monte. \u201cNenhum\u201d, foi a resposta geral. Nem sequer energia el\u00e9trica boa parte deles t\u00eam, a poucos quil\u00f4metros da maior hidrel\u00e9trica totalmente brasileira! S\u00f3 tiveram seu rio, de onde tiravam quase todo o seu sustento, destru\u00eddo. Impressionante como conseguiram convencer esse povo a aceitar a obra que devastou suas vidas. Tamb\u00e9m perguntamos sobre isso aos moradores. Disseram que no per\u00edodo que antecedeu a constru\u00e7\u00e3o, equipes da Norte Energia e empresas associadas vinham duas ou tr\u00eas vezes por dia conversar com eles sobre o que precisavam. Prometeram estradas pavimentadas, infraestrutura para cria\u00e7\u00e3o de peixes, \u00e1gua, energia, tudo. N\u00e3o cumpriram nada.<\/p>\n<p id=\"6056\" class=\"gg gh dc bk gi b gj gk gl gm gn go gp gq gr gs gt\" data-selectable-paragraph=\"\">As solu\u00e7\u00f5es sugeridas pela Norte Energia para os problemas criados pelo desvio da \u00e1gua da Volta Grande do Xingu s\u00e3o absolutamente rid\u00edculas.<\/p>\n<p id=\"a6b2\" class=\"gg gh dc bk gi b gj gk gl gm gn go gp gq gr gs gt\" data-selectable-paragraph=\"\">Os peixes est\u00e3o magros porque, com o fim dos alagamentos sazonais, n\u00e3o t\u00eam mais acesso aos frutos das matas ciliares. Ent\u00e3o eles sugerem a \u201c<em class=\"gw\">realiza\u00e7\u00e3o de manejo de habitats com o plantio de vegeta\u00e7\u00e3o nas margens do Trecho de Vaz\u00e3o Reduzida, em car\u00e1cter experimental em um projeto piloto<\/em>\u201d. Os pacus est\u00e3o magros porque a \u00e1gua que passa para a Volta Grande n\u00e3o \u00e9 suficiente para que certos trechos das matas ciliares onde crescem os frutos alague e os peixes possam ter acesso aos frutos. O plantio de esp\u00e9cies frut\u00edferas para contornar nesse problema n\u00e3o \u00e9 vi\u00e1vel pois para funcionar as novas \u00e1rvores deveriam ser plantadas nas proximidades dos novos limites dos corpos d\u00b4\u00e1gua. Acontece que essas \u00e1reas s\u00e3o pedregosas e de solo arenoso inadequado para o crescimento da imensa maioria das arvores frut\u00edferas. As poucas esp\u00e9cies que poderiam crescer nessas \u00e1reas, como a saroba, s\u00e3o de crescimento extremamente lento. Assim, a \u00fanica solu\u00e7\u00e3o poss\u00edvel para este problema \u00e9 permitir um fluxo de \u00e1gua pela Volta Grande compat\u00edvel com os processos ecol\u00f3gicos necess\u00e1rios para a sobreviv\u00eancia e bem-estar da fauna de peixes e das popula\u00e7\u00f5es humanas que dela dependem.<\/p>\n<p id=\"4939\" class=\"gg gh dc bk gi b gj gk gl gm gn go gp gq gr gs gt\" data-selectable-paragraph=\"\">Um outro exemplo grave: a Volta Grande do Xingu possui uma rica cole\u00e7\u00e3o de peixes ornamentais, muitos dos quais s\u00e3o encontrados apenas naquela regi\u00e3o e que, devido a sua beleza singular, tem grande valor econ\u00f4mico e cuja explora\u00e7\u00e3o representava uma importante fonte de renda para as popula\u00e7\u00f5es locais. Dentre eles se destaca o famoso acari-zebra, uma esp\u00e9cie de cascudo listado de preto e branco tal qual uma zebra, cujos exemplares s\u00e3o vendidos por v\u00e1rias centenas de d\u00f3lares no mercado internacional. Sobre o risco de extin\u00e7\u00e3o dessa esp\u00e9cie com a degrada\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica causada pelo desvio das \u00e1guas da Volta Grande, a Norte Energia respondeu que colaborou com a \u201c<em class=\"gw\">conclus\u00e3o da implanta\u00e7\u00e3o e apoio \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o do Laborat\u00f3rio de Aquicultura de Peixes Ornamentais do Xingu (LAQUAX), sob gest\u00e3o da UFPA, que j\u00e1 estabeleceu uma s\u00e9rie de protocolos de reprodu\u00e7\u00e3o em cativeiro de esp\u00e9cies relevantes, afastando a possibilidade de elimina\u00e7\u00e3o anteriormente prevista no Estudo de Impacto Ambiental<\/em>\u201d. Por mais louv\u00e1vel que seja o esfor\u00e7o da equipe do laborat\u00f3rio de peixes, \u00e9 absolutamente falso que este possa garantir a sobreviv\u00eancia de longo prazo do acari-zebra se seu habitat natural for seriamente comprometido. O laborat\u00f3rio soma-se ao esfor\u00e7o de outros criadores de peixe amadores ou comerciais que j\u00e1 tiveram sucesso na reprodu\u00e7\u00e3o dessa esp\u00e9cie em cativeiro. Entretanto, isso n\u00e3o contribui para a sobreviv\u00eancia da esp\u00e9cie na natureza nem garante a sobreviv\u00eancia da esp\u00e9cie no longo prazo pois as subpopula\u00e7\u00f5es isoladas em aqu\u00e1rios tendem a perder variabilidade gen\u00e9tica, acidentes operacionais como uma queda de energia podem sacrificar toda uma popula\u00e7\u00e3o e, sua manuten\u00e7\u00e3o depende de esfor\u00e7os e financiamento cont\u00ednuo. Assim sendo, a \u00fanica alternativa vi\u00e1vel para a preserva\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie \u00e9 a manuten\u00e7\u00e3o de seu ambiente natural, que exige a passagem de um fluxo de \u00e1gua pelo trecho de vaz\u00e3o reduzida na Volta Grande do Xingu compat\u00edvel com suas necessidades ecol\u00f3gicas.<\/p>\n<p id=\"8461\" class=\"gg gh dc bk gi b gj gk gl gm gn go gp gq gr gs gt\" data-selectable-paragraph=\"\">O abandono da Volta Grande do Xingu contrasta com os outdoors espalhados pela cidade de Altamira, que ligam Belo Monte \u00e0 hashtag #EnergiaBoa, associando esse lixo da engenharia a imagens de pessoas pescando, coletando a\u00e7a\u00ed, meditando etc. Essa \u00e9 a imagem que se propaga por boa parte do Brasil e segue sendo defendida mesmo por importantes pol\u00edticos de esquerda, como Ciro Gomes de Fernando Haddad. At\u00e9 mesmo alguns ambientalistas, como Marina Silva, ainda n\u00e3o fizeram a cr\u00edtica devida \u00e0 constru\u00e7\u00e3o desta hidrel\u00e9trica desastrosa.<\/p>\n<figure class=\"ff fg fh fi fj fk cl cm paragraph-image\">\n<div class=\"cl cm gx\">\n<div class=\"fu r fn fv\">\n<div class=\"gy r\">\n<div class=\"fp fq cp t u fr ak dz fs ft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"cp t u fr ak fx fy as pk\" role=\"presentation\" src=\"https:\/\/miro.medium.com\/max\/30\/1*9Y8ES6E1TRPlBAtx3N_X0w.png?q=20\" width=\"561\" height=\"487\" \/><\/div>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"kg ma cp t u fr ak ga\" role=\"presentation\" src=\"https:\/\/miro.medium.com\/max\/561\/1*9Y8ES6E1TRPlBAtx3N_X0w.png\" width=\"561\" height=\"487\" \/><\/div>\n<\/div>\n<\/div><figcaption class=\"bo dy gb gc gd cn cl cm ge gf bj dx\" data-selectable-paragraph=\"\">Propaganda enganosa da barragem espalhada pelas ruas de Altamira<\/figcaption><\/figure>\n<p id=\"4fd6\" class=\"gg gh dc bk gi b gj gk gl gm gn go gp gq gr gs gt\" data-selectable-paragraph=\"\">O novo drama para o povo e a ecologia da Volta Grande \u00e9 que a administra\u00e7\u00e3o da hidrel\u00e9trica de Belo Monte emitiu um alerta de que o n\u00edvel do reservat\u00f3rio Xingu (que se situa sobre o leito natural do rio, logo acima do Trecho de Vaz\u00e3o Reduzida) n\u00e3o pode ficar abaixo de 95,2 m ou a estrutura da barragem principal de Belo Monte no rio Xingu poderia ser comprometida. Para tal, pediram permiss\u00e3o para eventualmente n\u00e3o deixar passar nem mesmo o m\u00ednimo de 700 m3\/segundo que j\u00e1 sabemos estar causando a situa\u00e7\u00e3o ca\u00f3tica que testemunhamos. Confirmando-se a inviabilidade dessa situa\u00e7\u00e3o, \u00e9 certo que os barrageiros ir\u00e3o propor a constru\u00e7\u00e3o de novas usinas rio-acima no Xingu, conforme o projeto desenhado originalmente pelos governos militares, que armazenariam \u00e1gua na esta\u00e7\u00e3o chuvosa e ajudariam a regular a vaz\u00e3o do rio na esta\u00e7\u00e3o seca. Isso n\u00e3o pode acontecer. Belo Monte j\u00e1 se revelou uma trag\u00e9dia ecol\u00f3gica, econ\u00f4mica e social. Se ela n\u00e3o \u00e9 vi\u00e1vel t\u00e9cnica ou economicamente, isso n\u00e3o deveria ser novidade para ningu\u00e9m. O alerta foi dado repetidas vezes por todos os cr\u00edticos desse projeto alucinado. Se o volume de \u00e1gua dispon\u00edvel n\u00e3o \u00e9 suficiente para garantir a sobreviv\u00eancia dos moradores, fauna e flora da Volta Grande, a preserva\u00e7\u00e3o da estrutura dos barramentos e a gera\u00e7\u00e3o de energia, a \u00fanica solu\u00e7\u00e3o sensata \u00e9 desativ\u00e1-la, esvaziando os lagos, recuperando a Volta Grande e reflorestando todas as \u00e1reas impactadas direta ou indiretamente por esse projeto alucinado.<\/p>\n<p id=\"96e3\" class=\"gg gh dc bk gi b gj gk gl gm gn go gp gq gr gs gt\" data-selectable-paragraph=\"\"><strong class=\"gi gz\">Rodolfo Salm<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Dispon\u00edvel em\u00a0Contrapoder\u00a0Nov 16 Estive recentemente na Volta Grande do Xingu, onde pude testemunhar o estado abandono e desalento do povo que vivia das outrora ricas \u00e1guas que passavam por este trecho maravilhoso do rio devastado por Belo Monte. 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