

	{"id":511,"date":"2015-02-22T15:24:00","date_gmt":"2015-02-22T15:24:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/index.php\/2015\/02\/22\/arquivoid-9546\/"},"modified":"2015-02-22T15:24:00","modified_gmt":"2015-02-22T15:24:00","slug":"arquivoid-9546","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2015\/02\/22\/arquivoid-9546\/","title":{"rendered":"1905: Come\u00e7ava a Revolu\u00e7\u00e3o Russa. 110 anos do \u201cDomingo Sangrento\u201d"},"content":{"rendered":"<p>| Mercedes Petit (Dirigente nacional de Esquerda Socialista- Argentina-, partido irm\u00e3o da CST do Brasil)<\/p>\n<p>Em 1905 milh\u00f5es de oper\u00e1rios e camponeses se insurrecionaram contra a ditadura dos czares russos. A mis\u00e9ria e a opress\u00e3o secular somaram-se aos sacrif\u00edcios impostos pela guerra entre a R\u00fassia e Jap\u00e3o. Ap\u00f3s 1917, quando a revolu\u00e7\u00e3o triunfou, batizaram 1905 como seu \u201cEnsaio geral\u201d.<br \/>\nEm nove de janeiro de 1905 ocorreu o \u201cDomingo Sangrento\u201d em S\u00e3o Petersburgo, a capital do imp\u00e9rio dos czares. Uma enorme manifesta\u00e7\u00e3o de oper\u00e1rios com suas fam\u00edlias, encabe\u00e7ados por um padre, Gap\u00f3n, dirigiu-se, pacificamente, desde os diferentes bairros oper\u00e1rios, em dire\u00e7\u00e3o ao Pal\u00e1cio de Inverno. Os manifestantes levavam \u00edcones religiosos e retratos do czar, a quem rogavam por \u201cjusti\u00e7a e prote\u00e7\u00e3o\u201d. Eles tamb\u00e9m pediam anistia, liberdades p\u00fablicas, separa\u00e7\u00e3o entre igreja e estado, jornada de trabalho de oito horas, aumento de sal\u00e1rios, cess\u00e3o progressiva da terra ao povo e, fundamentalmente, uma Assembleia Constituinte eleita por sufr\u00e1gio universal. A partir de tr\u00eas de janeiro houve uma greve em uma das maiores f\u00e1bricas metal\u00fargicas, Putilov.  Em sete de janeiro haviam 140 mil grevistas em Petrogrado.<\/p>\n<p>O Czar mandou massacrar os manifestantes. Houve centenas de mortes e milhares de feridos.<\/p>\n<p>A matan\u00e7a detonou a revolu\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Uma onda de greves sacudiu o imp\u00e9rio. Em 122 cidades e localidades, v\u00e1rias minas de Donetzk e dez companhias ferrovi\u00e1rias, ocorreram greves durante v\u00e1rios meses. Em mar\u00e7o come\u00e7ou o movimento dos camponeses. Depois vieram os levantamentos no Exercito e na Marinha que ficou imortalizada pelo filme O Encoura\u00e7ado Potemkin(1925)  que se somou \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o em Odessa.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m se somaram os professores e estudantes. Nos fins de setembro, nos edif\u00edcios das universidades em S\u00e3o Petersburgo, Kiev e em outras cidades, se realizavam assembleias populares com secundaristas e oper\u00e1rios.<\/p>\n<p>A chegada do outono (setembro-outubro) marcou um novo ascenso grevista. Pararam os metal\u00fargicos e t\u00eaxteis, e em seguida todos os setores assalariados. Os mais de setecentos mil ferrovi\u00e1rios seriam uma vanguarda decisiva. Em novembro, s\u00f3 circulavam os trens que transportavam os delegados aos sovietes (conselho de oper\u00e1rios, camponeses e soldados). Os correios e tel\u00e9grafos transmitiam ou transportavam apenas as mensagens que necessitavam os grevistas. No campo, os \u201cdesordeiros\u201d &#8211; verdadeiras insurrei\u00e7\u00f5es \u2013 ocorreram em mais de um ter\u00e7o dos distritos do pa\u00eds. Colocaram fogo em umas duas mil casas de fazendeiros e repartiram a produ\u00e7\u00e3o em toneladas. Entretanto, houve muita dispers\u00e3o e desorganiza\u00e7\u00e3o. Faltou contund\u00eancia e a debilidade no campo foi uma das causas fundamentais da derrota da revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cOito horas e o fuzil\u201d<\/p>\n<p>Em 17 de outubro, o czar mudou o chefe dos ministros e ditou um \u00fakase (decreto) que convocava para 1906 uma Duma nacional (esp\u00e9cie de parlamento muito restrito), que o dirigente bolchevique Lenin* definiu como \u201cuma caricatura de representa\u00e7\u00e3o popular\u201d. O proletariado j\u00e1 n\u00e3o se enganava mais. Seus sentimentos expressavam a consigna \u201coito horas e o fuzil\u201d<\/p>\n<p>Em muitas f\u00e1bricas, apoiados pelos sovietes, trabalhava-se apenas oito horas e n\u00e3o mais. Os povos oprimidos se levantavam. Estudantes poloneses queimavam retratos do czar e livros em russo e exigiam que o ensino passasse a depender do soviet de deputados oper\u00e1rios. Organizou-se uma liga de povos mu\u00e7ulmanos.<\/p>\n<p>O pico revolucion\u00e1rio final ocorreu em dezembro. Dia 3, foram detidos Le\u00f3n Trotsky e os demais membros do Comit\u00ea Executivo do Soviet de Petrogrado. Do dia nove a 17 aconteceu a insurrei\u00e7\u00e3o de Moscou. Milhares de oper\u00e1rios armados desafiaram o governo do czar. A guarni\u00e7\u00e3o local n\u00e3o atuou e s\u00f3 conseguiram parar os oper\u00e1rios com um regimento de elite de S\u00e3o Petersburgo. A revolu\u00e7\u00e3o come\u00e7ou a declinar.<br \/>\nDoze anos depois, ap\u00f3s um per\u00edodo de rea\u00e7\u00e3o e em meio aos sofrimentos da Primeira Guerra Mundial, finalmente em fevereiro de 1917, outra insurrei\u00e7\u00e3o, esta vez triunfante, derrotou o czar Nicolau II e acabou com o czarismo. E em poucos meses triunfou o primeiro governo oper\u00e1rio e campon\u00eas da hist\u00f3ria, encabe\u00e7ado pelos sovietes e o Partido Bolchevique. <\/p>\n<p>O \u201censaio geral\u201d de 1905 tinha sido decisivo para a experi\u00eancia de luta das massas e seus organismos democr\u00e1ticos, e para forjar a dire\u00e7\u00e3o revolucionaria que permitiu a vit\u00f3ria da primeira revolu\u00e7\u00e3o socialista em outubro de 1917.<\/p>\n<p>O surgimento dos Sovietes<\/p>\n<p>No calor da greve de outubro, no dia 13 \u00e0 noite, no Instituto Tecnol\u00f3gico, juntaram-se uns 30 ou 40 delegados de f\u00e1bricas da capital, que lan\u00e7aram um chamado \u00e0 greve geral e \u00e0 elei\u00e7\u00e3o de delegados (1delegado para cada 500 oper\u00e1rios, ainda que n\u00e3o se cumpria estritamente). Foi uma decis\u00e3o un\u00e2nime e r\u00e1pida. Surgia o primeiro soviet de delegados oper\u00e1rios, uma organiza\u00e7\u00e3o que chegou a representar a mais da metade dos oper\u00e1rios de Petrogrado (uns 220 mil), e iniciou a forma\u00e7\u00e3o dos sovietes em outras cidades (por exemplo, Moscou). <\/p>\n<p>O novo organismo orientou a \u00faltima etapa revolucion\u00e1ria em todo o pa\u00eds. Nele atuavam democraticamente e unitariamente os partidos oper\u00e1rios (o POSDR \u2013 Partido Oper\u00e1rio Social-Democrata da R\u00fassia \u2013 e os Socialistas Revolucion\u00e1rios), os delegados sem partido, sindicatos e tamb\u00e9m alguns delegados de profissionais como engenheiros, m\u00e9dicos, advogados, dentre outros. Adquiriu uma tremenda autoridade. Suas ordens e instru\u00e7\u00f5es eram obedecidas pelas massas revolucionarias. Denominava-se popularmente o \u201cgoverno prolet\u00e1rio\u201d.<\/p>\n<p>Durante os 52 dias de funcionamento, publicou uma dezena de n\u00fameros de um jornal, Not\u00edcias (Izvestia), cuja edi\u00e7\u00e3o era garantida por tip\u00f3grafos armados que ocupavam para isso as grandes imprensas (gr\u00e1ficas). Um advogado, Jrustalev (Jorge Nosar), foi nomeado presidente, mas o principal animador da pol\u00edtica do soviet (primeiro como vice e depois como presidente) era um jovem dirigente do POSDR, que n\u00e3o pertencia a nenhuma de suas duas fra\u00e7\u00f5es (mencheviques  e bolcheviques). Tinha chegado clandestinamente da Finl\u00e2ndia, o ucraniano de Ianovka. Seu nome era Le\u00f3n Trotsky.<\/p>\n<p>Primeiros passos de Trotsky como dirigente<\/p>\n<p>O revolucion\u00e1rio ucraniano que tinha fugido em 1902 do ex\u00edlio na Sib\u00e9ria era o membro mais jovem da legendaria reda\u00e7\u00e3o da Iskra (A Fa\u00edsca), revista dirigida por Lenin em Londres. Voltou em 1905 para S\u00e3o Petersburgo e desde a condu\u00e7\u00e3o do soviet pode come\u00e7ar a desenvolver suas condi\u00e7\u00f5es de grande orador e dirigente de massas.<\/p>\n<p>O debate sobre a revolu\u00e7\u00e3o permanente<\/p>\n<p>Entre os marxistas russos, antes, durante e depois de 1905, dava-se um importante debate sobre o car\u00e1ter da revolu\u00e7\u00e3o russa. O setor dos reformistas (mencheviques), encabe\u00e7ados por George Plekanov, sustentava que a burguesia liberal encabe\u00e7aria uma revolu\u00e7\u00e3o burguesa, que abriria uma etapa hist\u00f3rica de liberdades republicanas e de desenvolvimento capitalista. Os trabalhadores e camponeses deviam colaborar com a burguesia para ascender ao governo. Em um futuro imediato, se abriria a etapa da transforma\u00e7\u00e3o socialista. <\/p>\n<p>O setor dos revolucion\u00e1rios (bolcheviques), encabe\u00e7ados por Vladimir Ilich Ulianov, mais conhecido como Lenin, compartilhava a defini\u00e7\u00e3o de que a revolu\u00e7\u00e3o contra o czar seria democr\u00e1tica burguesa, mas recha\u00e7ava de antem\u00e3o que a burguesia liberal russa a pudesse encabe\u00e7ar. Para Lenin, as tarefas centrais eram a revolu\u00e7\u00e3o agr\u00e1ria, junto as liberdades pol\u00edticas, o melhoramento das condi\u00e7\u00f5es de vida dos oper\u00e1rios e levar o fogo revolucion\u00e1rio ao resto da Europa. Para consegui-las, propunha uma \u201cditadura democr\u00e1tica de oper\u00e1rios e camponeses\u201d, na qual n\u00e3o definia qual classe encabe\u00e7aria. Seria uma etapa ou per\u00edodo r\u00e1pido e convulsivo, de avan\u00e7o em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o socialista na R\u00fassia e na Europa.<br \/>\nTrotsky sustentou uma posi\u00e7\u00e3o distinta, que se fez conhecer como \u201ca revolu\u00e7\u00e3o permanente\u201d. Segundo ele, na luta pela democracia burguesa na R\u00fassia, os oper\u00e1rios e camponeses enfrentariam tanto a autocracia czarista como a burguesia liberal, que se uniria aos fazendeiros, a burocracia e aos nobres para n\u00e3o perder seus privil\u00e9gios.<\/p>\n<p>Descartava \u2013 coincidindo com Lenin- que os burgueses encabe\u00e7ariam a luta anticzarista. E tirava uma conclus\u00e3o pr\u00f3pria: a \u00fanica classe capaz de encabe\u00e7ar a revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica burguesa e transformar as condi\u00e7\u00f5es de vida no campo era os trabalhadores das cidades, conduzindo os camponeses pobres. N\u00e3o haveria duas etapas, mas sim uma s\u00f3: os oper\u00e1rios, ao tomar o poder, introduziriam desde o come\u00e7o a luta por suas demandas contra a patronal, transformando essa revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica- burguesa em socialista, quer dizer, \u201cpermanente\u201d. <\/p>\n<p>Tanto a derrota de 1905, como o triunfo de outubro de 1917, confirmaram a teoria de Trotsky, a qual Lenin se somou por completo a partir de abril de 1917.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>| Mercedes Petit (Dirigente nacional de Esquerda Socialista- Argentina-, partido irm\u00e3o da CST do Brasil) Em 1905 milh\u00f5es de oper\u00e1rios e camponeses se insurrecionaram contra a ditadura dos czares russos. 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