

	{"id":5412,"date":"2019-12-13T14:43:14","date_gmt":"2019-12-13T14:43:14","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/?p=5412"},"modified":"2019-12-13T18:35:31","modified_gmt":"2019-12-13T18:35:31","slug":"internacional-uma-onda-de-mobilizacoes-percorrer-o-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2019\/12\/13\/internacional-uma-onda-de-mobilizacoes-percorrer-o-mundo\/","title":{"rendered":"Uma onda de mobiliza\u00e7\u00f5es percorre o mundo"},"content":{"rendered":"<p style=\"font-weight: 400;\">De Hong Kong \u00e0 Am\u00e9rica Latina, atrav\u00e9s da greve geral francesa, Oriente M\u00e9dio e Norte da \u00c1frica, uma trilha de revoltas populares incendeia o planeta.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Uma onda revolucion\u00e1ria desencadeou-se fortemente desde o in\u00edcio de 2019. Houve um antecedente no final de 2018 com a tremenda mobiliza\u00e7\u00e3o dos Coletes Amarelos na Fran\u00e7a. Em 2019 come\u00e7ou com um grande triunfo da mobiliza\u00e7\u00e3o popular na Arg\u00e9lia que derrubou o ditador Boutheflika. Ent\u00e3o as massivas mobiliza\u00e7\u00f5es de Hong Kong abalaram o mundo, enfrentando por muitos meses a ditadura do Partido Comunista da China. Em julho, a chamada &#8220;revolu\u00e7\u00e3o cidad\u00e3&#8221; de Porto Rico atingiu o governador. E, nesses \u00faltimos meses, vimos como retornaram os massivos movimentos de independ\u00eancia do povo catal\u00e3o \u00a0pela liberdade de seus presos pol\u00edticos. Enquanto isso, nos Estados Unidos houve a greve da General Motors, a mais longa em meio s\u00e9culo.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Um \u00faltimo trimestre cheio de revoltas populares<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Os \u00faltimos meses do ano foram atingidos por v\u00e1rias revoltas revolucion\u00e1rias. Em todos os casos, elas come\u00e7aram com reivindica\u00e7\u00f5es espec\u00edficas (contra os aumentos nas passagens dos transportes ou combust\u00edvel ou contra um novo imposto) e rapidamente foram diretamente contra os governos.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Assim, tivemos o triunfo da semi-insurrei\u00e7\u00e3o no Equador. Foi o primeiro triunfo com a derrota do aumento da gasolina e o plano ditado pelo FMI.O governo de Lenin Moreno teve que se retirar da capital tomada pelos povos ind\u00edgenas, com a Conaie na lideran\u00e7a, apoiada pelo movimento estudantil, trabalhadores setores populares e teve que ceder para recuperar o controle. Esse triunfo gerou um tremendo impacto, demonstrando que os planos do FMI podem ser derrotados pela mobiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Quase imediatamente uma mobiliza\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria come\u00e7ou no Chile contra Pi\u00f1era e o modelo pol\u00edtico-econ\u00f4mico herdado do pinochetismo. Milh\u00f5es de jovens, trabalhadores e mulheres se rebelaram contra o governo de direita de Pi\u00f1era, passando por cima de todas as lideran\u00e7as pol\u00edticas e sindicais. Apesar do governo Pi\u00f1era ter recuado do aumento das tarifas do metr\u00f4, os trabalhadores continuaram nas ruas reivindicando a sa\u00edda do governo e o fim do modelo econ\u00f4mico, ignorando o estado de emerg\u00eancia e o toque de recolher. A mobiliza\u00e7\u00e3o, depois de mais de um m\u00eas e meio, n\u00e3o parou. Continuaram exigindo que Pi\u00f1era saia e todo um programa contra o ajuste e o regime pol\u00edtico dos \u00faltimos trinta anos, que tem sido uma continuidade do pinochetismo.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">No Haiti, houve uma nova revolta popular (e j\u00e1 \u00e9 a quarta). No L\u00edbano, ocorreu a chamada \u201crevolu\u00e7\u00e3o whatsapp\u201d, onde trabalhadores, jovens e setores populares acompanharam as manifesta\u00e7\u00f5es exigindo que o governo fosse embora. Houve revoltas gigantescas no Iraque que terminaram com a queda do governo. Tamb\u00e9m vimos milh\u00f5es nas ruas do Ir\u00e3 e da Eti\u00f3pia. Ao mesmo tempo, ocorreram as grandes marchas e lutas \u00a0contra o golpe reacion\u00e1rio na Bol\u00edvia. O ano terminou com greves gerais e protestos em massa na Col\u00f4mbia. E com a Fran\u00e7a, participando de uma greve geral quase por tempo indeterminado, a maior desde 1995.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Finda 2019 tamb\u00e9m com a continuidade da onda verde do movimento de mulheres, que se refletiu novamente na nova paralisa\u00e7\u00e3o mundial de 8 de mar\u00e7o e em outras mobiliza\u00e7\u00f5es. E ele viu o nascimento de um novo movimento global e massivo, o da juventude mundial pela mudan\u00e7a clim\u00e1tica.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong><span style=\"font-family: inherit; font-size: 19.4px; font-style: inherit;\">Uma revolta mundial contra o ajuste<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A classe trabalhadora, jovens, mulheres e outros setores populares participam dessas mobiliza\u00e7\u00f5es. H\u00e1 insurrei\u00e7\u00f5es populares, greves gerais, mobiliza\u00e7\u00f5es de massas juvenis, desempregados, povos ind\u00edgenas e lutas pela quest\u00e3o nacional. Em muitos lugares, s\u00e3o atropeladas as velhas dire\u00e7\u00f5es dos antigos partidos e sindicatos tradicionais; em outros, como no Chile, ningu\u00e9m dirige diretamente as mobilza\u00e7\u00f5es. Essa tem sido a din\u00e2mica no Chile, L\u00edbano ou Iraque. Al\u00e9m de suas diferen\u00e7as, todos eles t\u00eam algo em comum: o confronto com todos os planos de ajuste, superexplora\u00e7\u00e3o e pilhagem do capitalismo imperialista e de seus governos.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A origem de tudo est\u00e1 na crise capitalista global aberta em 2007. O imperialismo e os governos capitalistas do mundo tentaram resolv\u00ea-la, descarregando-a nas costas da classe trabalhadora e dos setores oprimidos, com ajustes cada vez maiores. Mas eles enfrentaram uma exacerba\u00e7\u00e3o fenomenal da luta oper\u00e1ria e popular. Um dos pontos mais altos foi a chamada primavera \u00e1rabe de 2011. Agora estamos diante de uma nova onda que dificulta as tentativas do imperialismo de superar a crise por meio de n\u00edveis mais altos de explora\u00e7\u00e3o e precariedade das massas em n\u00edvel mundial.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Este \u00e9 o fator chave das rebeli\u00f5es que geram enormes instabilidades pol\u00edticas. Em muitos casos, causa a queda de governos ou maior crise de regimes pol\u00edticos. E tem outras express\u00f5es mais indiretas, como votar punindo governos patronais de todos os tipos que realizam os ajustes.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A aplica\u00e7\u00e3o pelo imperialismo e seus governos de planos de superexplora\u00e7\u00e3o causa uma exacerba\u00e7\u00e3o do \u00f3dio das massas. Isso acontece tanto com governos e regimes da direita liberal quanto com aqueles que aparecem como mais &#8220;esquerdistas&#8221;, &#8220;centro esquerda&#8221; ou &#8220;progressistas&#8221;. Foi o que aconteceu, entre outros, com o Syriza na Gr\u00e9cia, Maduro e o Chavismo na Venezuela ou com o lulismo no Brasil. Todos falharam em governar com setores da burguesia, de acordo com multinacionais e empobrecendo o povo trabalhador.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>O desafio: construir uma nova lideran\u00e7a revolucion\u00e1ria<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Sabemos que essa nova onda de lutas tem um ponto fraco, que \u00e9 a crise e a aus\u00eancia de uma dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria. Este continua sendo o maior problema para a classe trabalhadora e os povos do mundo.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><span style=\"font-family: inherit; font-size: 19.4px; font-style: inherit;\">As mobiliza\u00e7\u00f5es das massas s\u00e3o tra\u00eddas pelas burocracias sindicais, pelas lideran\u00e7as reformistas e conciliadoras com os governos capitalistas.<\/span><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><span style=\"font-family: inherit; font-size: 19.4px; font-style: inherit;\">O que est\u00e1 pendente \u00e9 a constru\u00e7\u00e3o de novas dire\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias. E para isso \u00e9 necess\u00e1rio construir partidos revolucion\u00e1rios em cada pa\u00eds. O ponto positivo dessa luta \u00e9 que no mundo surgem milhares e milhares de lutadoras e lutadores que est\u00e3o na vanguarda de todos os trabalhadores e lutas populares passando por cima das velhas dire\u00e7\u00f5es. A\u00ed est\u00e1 a base para superar a aus\u00eancia de lideran\u00e7a revolucion\u00e1ria. Uma nova dire\u00e7\u00e3o que n\u00e3o apenas se coloca \u00e0 frente das reivindica\u00e7\u00f5es mais sinceras, mas tamb\u00e9m aposta na mobiliza\u00e7\u00e3o permanente e postule um programa de sa\u00edda para o governo dos trabalhadores e o socialismo.<\/span><\/p>\n<p><em>Miguel Sorans &#8211; Dirigente do Izquierda Socialista e da UIT-QI<\/em><\/p>\n<p><strong>Tradu\u00e7\u00e3o:<\/strong> Mario Makaiba<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De Hong Kong \u00e0 Am\u00e9rica Latina, atrav\u00e9s da greve geral francesa, Oriente M\u00e9dio e Norte da \u00c1frica, uma trilha de revoltas populares incendeia o planeta. Uma onda revolucion\u00e1ria desencadeou-se fortemente desde o in\u00edcio de 2019. 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