

	{"id":544,"date":"2015-04-11T20:36:00","date_gmt":"2015-04-11T20:36:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/index.php\/2015\/04\/11\/arquivoid-9579\/"},"modified":"2015-04-11T20:36:00","modified_gmt":"2015-04-11T20:36:00","slug":"arquivoid-9579","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2015\/04\/11\/arquivoid-9579\/","title":{"rendered":"Argentina: grande paralisa\u00e7\u00e3o nacional contra o governo"},"content":{"rendered":"<p>Vamos por 36h de greve!!! | Esquerda Socialista*; Foto: Reuters<\/p>\n<p>Cumpriu-se com \u00eaxito a quarta paralisa\u00e7\u00e3o geral contra o governo de Cristina Kirchner. Foi uma grande paralisa\u00e7\u00e3o na maior parte do pa\u00eds: no transporte, nos bancos, nas escolas e em grande parte da ind\u00fastria. Houve mobiliza\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m em outros ramos da economia. O dia de paralisa\u00e7\u00e3o foi acompanhado por protestos do sindicalismo combativo e da esquerda<\/p>\n<p>A campanha do governo de que estavam parando somente uma &quot;minoria privilegiada&quot; (aos quais se aplicam o imposto sobre os sal\u00e1rios), fracassou. Em primeiro lugar, porque pararam milh\u00f5es que recebem uma mis\u00e9ria.<\/p>\n<p>Quando Kicilloff disse que somente a 10% dos trabalhadores desconta-se esse novo imposto, reconheceu que os outros 90% recebem sal\u00e1rios de pobreza. Se milh\u00f5es de trabalhadores pararam, quer dizer que o fizeram n\u00e3o s\u00f3 os que ganham 15.000 pesos bruto &#8211; que, explique-se, s\u00f3 ganham para cobrir os custos b\u00e1sicos de vida. <\/p>\n<p>Que Cristina diga em cadeia nacional que a paralisa\u00e7\u00e3o s\u00f3 ocorreu porque &quot;n\u00e3o houve transporte&quot;, \u00e9 porque tenta desvirtuar o enorme rep\u00fadio que se expressou contra seu governo. A paralisa\u00e7\u00e3o foi um claro pronunciamento nacional do conjunto da classe trabalhadora. Foi tamb\u00e9m uma paralisa\u00e7\u00e3o contra os pol\u00edticos opositores que, onde governam, aplicam a mesma pol\u00edtica, ou fazem promessas de aumentar o valor m\u00ednimo para os impostos, como Macri e Massa, mas n\u00e3o de revogar este imposto, como prop\u00f5e a Frente de Esquerda e dos Trabalhadores.<\/p>\n<p>A paralisa\u00e7\u00e3o foi contundente porque milh\u00f5es ganham somente 5.500 pesos, os sal\u00e1rios seguem abaixo da infla\u00e7\u00e3o, o governo quer impor um teto de 30% nas parit\u00e1rias, rouba com impostos os sal\u00e1rios de mais de um milh\u00e3o de trabalhadores e porque o trabalho clandestino e prec\u00e1rio se consolidou em uns 40%.<\/p>\n<p>Os ministros de Economia e  do Trabalho,  Carlos Tomada e An\u00edbal Fern\u00e1ndez, quando sa\u00edram a defender o imposto ao sal\u00e1rio, jogaram mais lenha ao fogo da paralisa\u00e7\u00e3o. A mentira de que o imposto serviria para dividir este dinheiro com os pobres, cada vez se cr\u00ea menos. Todos sabemos que o governo o cobra para pagar a d\u00edvida externa e subsidiar empres\u00e1rios amigos. E se colocar algo deste roubo para o abono fam\u00edlia ou planos sociais, est\u00e1 indicando que o kirchinerismo est\u00e1 tirando dos trabalhadores para dar aos mais humildes, ao inv\u00e9s de tirar dinheiro do setor financeiro, aplicar um imposto \u00e0s grandes fortunas, multinacionais e bancos, al\u00e9m de deixar de pagar a fraudulenta d\u00edvida externa. S\u00f3 com estas medidas se poderia conceder sal\u00e1rios e aposentadorias dignas; moradia; sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o roubando os trabalhadores. Por tudo isso a paralisa\u00e7\u00e3o foi contundente &#8211; e n\u00e3o s\u00f3 do transporte &#8211; e mais do que controlam os dirigentes.<\/p>\n<p>Fracassou a campanha do governo para desmontar a paralisa\u00e7\u00e3o com negocia\u00e7\u00f5es e ofertas de dinheiro para as obras sociais, e ajudas a empres\u00e1rios. Cristina n\u00e3o conseguiu que a UTA (sindicato dos rodovi\u00e1rios de Buenos Aires) n\u00e3o parasse, como aconteceu na greve anterior. At\u00e9 a UOM de Cal\u00f3 (sindicato de metal\u00fargicos) e o sindicato oficialista de Daer, da ind\u00fastria da alimenta\u00e7\u00e3o, tiveram que dar &quot;liberdade de a\u00e7\u00e3o&quot; para suas bases, produto de que as reclama\u00e7\u00f5es por sal\u00e1rio repercutem com muita for\u00e7a em suas bases, e mais ainda ante o desprezo do governo n\u00e3o lhes oferece nenhuma migalha.<\/p>\n<p>A paralisa\u00e7\u00e3o foi mais importante ainda se consideramos que houve que contar com a sorte por causa das limita\u00e7\u00f5es da convocat\u00f3ria e isso o torna muito mais significativa. Se bem a paralisa\u00e7\u00e3o do transporte foi anunciado desde um m\u00eas atr\u00e1s, nunca se soube com certeza se ia se cumprir ou n\u00e3o. Os dirigentes estiveram negociando com o governo at\u00e9 uma semana antes. A CGT Moyano, que vinha dizendo que n\u00e3o ia aderir, o fez no \u00faltimo momento quando viu que a paralisa\u00e7\u00e3o do transporte ia ser forte, e s\u00f3 ent\u00e3o a medida se tornou mesmo uma greve geral.<\/p>\n<p>\u00c9 evidente que n\u00e3o foi uma paralisa\u00e7\u00e3o preparada, debatida e discutida na base. Se se houvesse  feito dessa forma, n\u00e3o s\u00f3 teria sido mais contundente, como tamb\u00e9m que haveria permitido abrir o debate no conjunto dos trabalhadores sobre as reivindica\u00e7\u00f5es a defender e, essencialmente, sobre como seguir a luta. Coisa que temos que reclamar agora. Isto contrasta com o que fez o sindicalismo combativo. Os ferrovi\u00e1rios do Sarmiento fizeram uma assembleia massiva na segunda-feira, debateram a paralisa\u00e7\u00e3o e votaram por unanimidade pela ades\u00e3o. Com esta pol\u00edtica tamb\u00e9m aderiu \u00e0 greve o Encontro Sindical Combativo.<\/p>\n<p>Temos que exigir que a CGT Moyano (e a CTA Michelli) convoquem uma nova greve um plano de luta nacional. Moyano deixou passar sete meses desde a \u00faltima paralisa\u00e7\u00e3o geral anterior (agosto de 2014) at\u00e9 convocar o da semana passada. Moyano tamb\u00e9m levantou a greve do final do ano passado, ante o an\u00fancio parcial de Cristina de  n\u00e3o descontar nos b\u00f4nus trabalhistas. No entanto, o roubo salarial seguiu e milh\u00f5es de trabalhadores agora est\u00e3o muito pior.<\/p>\n<p>Na coletiva de imprensa da CGT Moyano onde se fez o balan\u00e7o da paralisa\u00e7\u00e3o, Barrionuevo prop\u00f4s levar ao pr\u00f3ximo espa\u00e7o de reuni\u00e3o da confedera\u00e7\u00e3o a reivindica\u00e7\u00e3o de uma nova paralisa\u00e7\u00e3o de 36 horas, com mobiliza\u00e7\u00e3o \u00e0 Pra\u00e7a de Maio. Consultado, Moyano disse sobre a proposta: &quot;Estamos mais pelo sim \u00e0 mobiliza\u00e7\u00e3o de 36 horas do que pelo n\u00e3o&quot;. Mas quem vai decidir como segue a luta e com quais medidas? Os dirigentes entre quatro paredes ou os trabalhadores? As bases s\u00e3o as que devem debater e resolver como se dar\u00e1 a continuidade a esta nova grande paralisa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Chamamos a CGT Moyano que leve a proposta de paralisa\u00e7\u00e3o de 36 horas ao conjuntos dos trabalhadores e sindicatos para que a debatam desde agora em assembleia e plen\u00e1rias de delegados. Est\u00e1 claro que faz falta um plano de luta com mobiliza\u00e7\u00e3o para torcer ao bra\u00e7o o ajuste de Cristina e os governadores, e se se quer garantir um aumento de sal\u00e1rios e aposentadorias de acordo com as necessidades b\u00e1sicas de uma fam\u00edlia; anular o imposto ao sal\u00e1rio e que se reabram as negocia\u00e7\u00f5es salariais, entre outros reclama\u00e7\u00f5es. Se n\u00e3o vamos a uma medida separadora, como se vai ganhar do governo e dos patr\u00f5es?<\/p>\n<p>Como disse a declara\u00e7\u00e3o previa do Encontro Sindicativo Combativo previamente ao ato: &quot;H\u00e1 que exigir que a CGT Moyano e CTA Aut\u00f3noma de\u00eam continuidade com uma nova paralisa\u00e7\u00e3o geral ativo de 36 horas como mobiliza\u00e7\u00e3o \u00e0 Pra\u00e7a de Maio e todas as pra\u00e7as do pa\u00eds, que garantam um plano nacional de luta para derrotar o ajuste e que paguem os monop\u00f3lios, as grandes corporo\u00e7\u00f5es, os latifundi\u00e1rios, os bancos que muito enriqueceram  na d\u00e9cada kirchinerista.<\/p>\n<p>*Esquerda Socialista \u00e9 um partido argentino, integrante da Unidade Internacional do Trabalhadores &#8211; Quarta Internacional (UIT-QI), organiza\u00e7\u00e3o internacional da qual faz parte da CST-PSOL do Brasil.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vamos por 36h de greve!!! | Esquerda Socialista*; Foto: Reuters Cumpriu-se com \u00eaxito a quarta paralisa\u00e7\u00e3o geral contra o governo de Cristina Kirchner. 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