

	{"id":548,"date":"2015-04-14T14:45:00","date_gmt":"2015-04-14T14:45:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/index.php\/2015\/04\/14\/arquivoid-9583\/"},"modified":"2015-04-14T14:45:00","modified_gmt":"2015-04-14T14:45:00","slug":"arquivoid-9583","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2015\/04\/14\/arquivoid-9583\/","title":{"rendered":"UIT-QI participa do F\u00f3rum Social Mundial no cora\u00e7\u00e3o da Primavera \u00c1rabe"},"content":{"rendered":"<p>| Laura Marrone e Gabriel Schwerdt, dirigentes de Esquerda Socialista presentes em Tunes<\/p>\n<p>Mais de 5.000 organiza\u00e7\u00f5es sociais, pol\u00edticas, ambientalistas, de direitos humanos, da juventude, imigrantes, mulheres e de povos de diferentes pa\u00edses, com uma presen\u00e7a estimada em 60.000 pessoas, segundo seus organizadores, participaram do F\u00f3rum Social Mundial 2015, que ocorreu no Campus da Universidade de Manar, na cidade de Tunes, na \u00c1frica do Norte.<\/p>\n<p>Desde sua primeira edi\u00e7\u00e3o em Porto Alegre (Brasil), o F\u00f3rum \u00e9 um espa\u00e7o de exposi\u00e7\u00e3o de ideais de setores progressistas e de diferentes correntes de esquerda. Entre os fundadores do F\u00f3rum predominam setores reformistas como, por exemplo, ATTAK e setores de ONGs ligados a Igreja Brasileira. Por sua dire\u00e7\u00e3o e pelo mesmo formato de f\u00f3rum, tem a limita\u00e7\u00e3o de n\u00e3o ser um espa\u00e7o de resolu\u00e7\u00f5es para tarefas comuns, mais uma \u201cfeira\u201d de ideias.<\/p>\n<p>Tun\u00edsia, a revolu\u00e7\u00e3o a flor da pele <\/p>\n<p>Sem d\u00favida, o fato que o f\u00f3rum se realizara pela segunda vez em Tun\u00edsia, pa\u00eds que deu in\u00edcio a chamada \u201cprimavera \u00e1rabe\u201d em 2011 e que abriu um processo de contagio em todos os pa\u00edses da regi\u00e3o do norte da \u00c1frica e se estendeu logo ao Oriente M\u00e9dio no inicio da revolu\u00e7\u00e3o s\u00edria, lhe deu um conte\u00fado especial. Milhares de jovens, que foram a vanguarda do processo, fizeram falas em v\u00e1rios espa\u00e7os de debates, pondo aos encontros a paix\u00e3o de quem busca nutrir-se das experi\u00eancias de outros povos, para dar curso a revolu\u00e7\u00e3o que ainda vive nesse pa\u00eds.<\/p>\n<p>Uma atmosfera militante dava conta de uma juventude politizada, forjada na a\u00e7\u00e3o, nas ruas, nas tomadas de pra\u00e7as durante a revolu\u00e7\u00e3o, incendiada em enfrentamentos com a pol\u00edcia do regime ditatorial em retirada. O sentido dos debates era encontrar o caminho para dar continuidade a uma revolu\u00e7\u00e3o que se iniciou com importantes triunfos democr\u00e1ticos, como a queda do regime ditatorial de Ben Ali, depois de 25 anos, que logrou liberar a dezenas de milhares de prisioneiros pol\u00edticos, denunciar as torturas, recuperar o direito a vida pol\u00edtica e sindical.<\/p>\n<p>\u201cEu estive na revolu\u00e7\u00e3o, ganhamos a democracia, por\u00e9m isto n\u00e3o pode acabar aqui. O desemprego, a infla\u00e7\u00e3o, a pobreza, nada tem mudado, h\u00e1 que seguir, fazer a revolu\u00e7\u00e3o social, o socialismo, ou vamos perder inclusive a democracia\u201d, nos disse Meher, estudante de inform\u00e1tica. <\/p>\n<p>O sal\u00e1rio m\u00e9dio \u00e9 de 600 dinares (300 d\u00f3lares). A maioria da juventude est\u00e1 desempregada. Somente entre os universit\u00e1rios formados h\u00e1 800.000 sem trabalho, ao ponto que est\u00e3o organizando a \u201cUni\u00e3o de diplomados desocupados\u201d, algo assim como \u201cos piqueteiros\u201d (grupos de desempregados argentinos que se destacou no Argentinazo de 2001) universit\u00e1rios.<\/p>\n<p>No final de 2014 ganhou as elei\u00e7\u00f5es um ex-ministro do antigo regime. No entanto, mais de quatro milh\u00f5es de pessoas n\u00e3o participaram do processo eleitoral e muitos deles observam com desconfian\u00e7a o estancamento do processo revolucion\u00e1rio.<\/p>\n<p>O massacre em Bardo e a contrarrevolu\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>O massacre de 22 turistas no museu do Bardo por um grupo fundamentalista ligado ao ISIS (Estado Isl\u00e2mico), apenas uma semana antes do F\u00f3rum, marcou um ponto alto da contrarrevolu\u00e7\u00e3o que tenta pela via do terror derrotar a revolu\u00e7\u00e3o que segue viva neste pa\u00eds. Enquanto que nos pa\u00edses vizinhos o processo tem retrocedido como \u00e9 o caso da L\u00edbia, dividida em dois governos, ou no Egito, com um governo c\u00edvico-militar.<\/p>\n<p>\u201cSomos como a ave F\u00e9nix, renascemos cada vez como o fez Cartago, a cidade milenar duas vezes massacrada. Levantamos-nos, e n\u00f3s fizemos o f\u00f3rum, apesar de tudo\u201d, nos diz Yibran, estudante tunisiano. Certamente, um brilho nos olhos parece agradecer aos nossos militantes pela aposta de participar desde t\u00e3o longe e por isso a frase que sai de cada tunisiano que nos recebe \u201cVous est bienvenue\u201d (Voc\u00eas s\u00e3o bem vindos).<\/p>\n<p>S\u00edria n\u00e3o foi lembrada como deveria<\/p>\n<p>A revolu\u00e7\u00e3o s\u00edria, desde seu inicio, h\u00e1 quatro anos, tem mais de 200.000 personas assassinadas e sete milh\u00f5es desabrigadas ou exiladas, v\u00edtimas do ditador Bashar Al Assad, por um lado, e mais tarde do fogo do Estado Isl\u00e2mico (ISIS) e do pr\u00f3prio imperialismo norte americano por outro. Isto era motivo suficiente para que o f\u00f3rum tivesse tido a este povo, e a sua heroica resist\u00eancia, como um eixo de debate e de propostas de a\u00e7\u00f5es solid\u00e1rias no mundo inteiro nos pr\u00f3ximos meses. Por\u00e9m n\u00e3o o foi. A delega\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio governo de Al Assad, que deveria ter sido repudiada no f\u00f3rum, se apresentou justificando sua atua\u00e7\u00e3o como uma resposta a interven\u00e7\u00e3o imperialista e ao terror de ISIS. O resto dos estados \u00e1rabes presentes fez sil\u00eancio frente ao massacre. Muitas organiza\u00e7\u00f5es de esquerda \u00e1rabe, outrora antiditatoriais e simpatizantes da revolu\u00e7\u00e3o s\u00edria, est\u00e3o caindo na armadilha do mal menor e calam ou diretamente justificam a Al Assad.<\/p>\n<p>No entanto, grande parte da juventude magrebina presente, filha da revolu\u00e7\u00e3o em Tun\u00edsia, Arg\u00e9lia, Marrocos, recha\u00e7a essa postura dos partidos da esquerda tradicional, fortemente influenciados por tradi\u00e7\u00f5es estalinistas. Eles foram simpatizantes da revolu\u00e7\u00e3o S\u00edria desde seus in\u00edcios e denunciam que a interven\u00e7\u00e3o de ISIS e do imperialismo \u00e9 contra o pr\u00f3prio povo revolucion\u00e1rio.<\/p>\n<p>Uma campanha internacional pela revolu\u00e7\u00e3o s\u00edria<\/p>\n<p>Nossa delega\u00e7\u00e3o da UIT-CI teve como eixo de participa\u00e7\u00e3o neste f\u00f3rum, a convocat\u00f3ria para a realiza\u00e7\u00e3o de uma campanha internacional de solidariedade com a revolu\u00e7\u00e3o s\u00edria e o povo kurdo, triunfante em Kobane. Sendo uma delega\u00e7\u00e3o pequena, no entanto, nossa proposta ganhou a simpatia de grande parte desses jovens que se somaram a nossas oficinas com sua presen\u00e7a e participa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A presen\u00e7a em nossas oficinas de importantes companheiros como Salamah Kaileh, reconhecido revolucion\u00e1rio marxista s\u00edrio, prisioneiro durante 10 anos do regime de Al Assad, contribuiu para nuclear a diversas organiza\u00e7\u00f5es juvenis e jovens independentes que se comprometeram a desenvolver juntos uma campanha mundial em apoio a revolu\u00e7\u00e3o na S\u00edria.<\/p>\n<p>\u201cSo, So, So, Solidarit\u00e9, avec les femmes. Du monde entiere\u201d<\/p>\n<p>\u201cSo, so, so, solidariedade com as mulheres do mundo inteiro\u201d. Este era o canto que uma ou outra vez mulheres e homens magrebinos, \u00e1rabes, da \u00c1frica Central, saarianos e europeus, centralmente, fizeram ouvir pelos espa\u00e7os do F\u00f3rum em pequenas manifesta\u00e7\u00f5es ao mesmo tempo que agitavam bandeiras palestinas. O F\u00f3rum teve como um dos eixos tem\u00e1ticos a situa\u00e7\u00e3o das mulheres, especialmente a luta contra os setores fundamentalistas que querem destru\u00ed-las. Valentes e bravas, tiveram o apoio de muitos homens que marchavam juntos.<\/p>\n<p>A UIT-QI na Tun\u00edsia<\/p>\n<p>A Unidade Internacional dos Trabalhadores \u2013 Quarta Internacional (UIT-QI) participou no F\u00f3rum Social Mundial na Tun\u00edsia com uma importante delega\u00e7\u00e3o integrada por companheiros de Luta Internacionalista (LI) do Estado Espanhol; do Partido pela Democracia Oper\u00e1ria (PDO), de Turquia; de Esquerda Socialista, de Argentina, e do KRD da Alemanha. Mais de 200 pessoas participaram nas duas oficinas que organizou a UIT-QI em solidariedade com o processo revolucion\u00e1rio em Tun\u00edsia, S\u00edria e em apoio ao povo Kurdo.<\/p>\n<p>O F\u00f3rum ocorreu de 24 a 28 de mar\u00e7o. A UIT-QI levantou um estande com materiais em diversos idiomas (\u00e1rabe, franc\u00eas, ingl\u00eas e espanhol) com os temas das oficinas e, ademais, sobre Gr\u00e9cia, Venezuela e sobre a Frente de Esquerda de Argentina. Esses textos se distribu\u00edram a milhares de pessoas. Nas oficinas participaram como convidados especiais Fathi Chamkhi, dirigente da Liga de Esquerda Oper\u00e1ria (LEO) de Tun\u00edsia e Salamah Kaileh, um destacado dirigente marxista s\u00edrio-palestino, preso por 10 anos pela ditadura s\u00edria e depois foi deportado em 2012 para Jord\u00e2nia. Tamb\u00e9m foram debatedores Cristina Mas (LI), Gorkem Duru (PDO) e Laura Marrone (ES).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>| Laura Marrone e Gabriel Schwerdt, dirigentes de Esquerda Socialista presentes em Tunes Mais de 5.000 organiza\u00e7\u00f5es sociais, pol\u00edticas, ambientalistas, de direitos humanos, da juventude, imigrantes, mulheres e de povos de diferentes pa\u00edses, com uma presen\u00e7a estimada em 60.000 pessoas, segundo seus organizadores, participaram do<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-548","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-arquivo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/548","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=548"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/548\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=548"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=548"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=548"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}