

	{"id":5598,"date":"2020-02-01T21:54:04","date_gmt":"2020-02-01T21:54:04","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/?p=5598"},"modified":"2020-02-01T22:10:49","modified_gmt":"2020-02-01T22:10:49","slug":"espanha-a-formacao-do-governo-psoe-up-consagra-o-fim-do-ciclo-podemos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2020\/02\/01\/espanha-a-formacao-do-governo-psoe-up-consagra-o-fim-do-ciclo-podemos\/","title":{"rendered":"Espanha | A forma\u00e7\u00e3o do governo PSOE-UP consagra o fim do ciclo Podemos"},"content":{"rendered":"<h6 style=\"text-align: right;\">por\u00a0Josep Lluis del Alc\u00e1zar, <a href=\"http:\/\/www.luchainternacionalista.org\/\">Lucha Internacionalista<\/a>.<\/h6>\n<hr \/>\n<div id=\"attachment_5599\" style=\"width: 1310px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-5599\" class=\"size-full wp-image-5599\" src=\"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/PSO_UP_Podemos_Espanha.jpg\" alt=\"\" width=\"1300\" height=\"800\" srcset=\"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/PSO_UP_Podemos_Espanha.jpg 1300w, https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/PSO_UP_Podemos_Espanha-300x185.jpg 300w, https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/PSO_UP_Podemos_Espanha-768x473.jpg 768w, https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/PSO_UP_Podemos_Espanha-1024x630.jpg 1024w, https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/PSO_UP_Podemos_Espanha-50x31.jpg 50w, https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/PSO_UP_Podemos_Espanha-600x369.jpg 600w\" sizes=\"auto, (max-width: 1300px) 100vw, 1300px\" \/><p id=\"caption-attachment-5599\" class=\"wp-caption-text\">Pablo Iglesias (Unidas Podemos) e Pedro S\u00e1nchez (PSOE) ap\u00f3s assinatura de acordo. | Foto: EPA\/JuanJo Martin<\/p><\/div>\n<p>No in\u00edcio de 2014, impulsionado ainda pelos ventos dos\u00a0<i>Indignados<\/i>\u00a0do 15M, na Espanha nasce\u00a0<i>Podemos<\/i>, um partido com express\u00f5es politicamente incorretas, de den\u00fancia da casta, que reivindica sem complexos <em>os de baixo<\/em>&#8230; Teve uma veloz ascens\u00e3o: em 4 meses apresentou-se \u00e0s elei\u00e7\u00f5es europeias com 7,98% dos votos e 5 deputadas\/os. Em s\u00f3 20 dias de inscri\u00e7\u00e3o reuniu 100 mil membros e em outubro j\u00e1 eram 200 mil. No final desse m\u00eas, as pesquisas j\u00e1 davam a\u00a0<i>Podemos<\/i>\u00a0o primeiro lugar nas elei\u00e7\u00f5es gerais. Em 2015, ano em que o partido\u00a0<i>Syriza<\/i>\u00a0da Gr\u00e9cia alcan\u00e7ava a maioria, faltando s\u00f3 dois votos para a obten\u00e7\u00e3o da maioria absoluta,\u00a0<i>Podemos<\/i>\u00a0conseguia 20,68% dos votos e 69 deputadas\/os.<\/p>\n<p>Esse come\u00e7o mete\u00f3rico deu logo in\u00edcio ao seu decl\u00ednio, como retornar sem nunca ter sa\u00eddo do lugar. Apesar da unidade eleitoral com IU (Izquierda Unida), a soma das duas for\u00e7as perdeu votos e s\u00f3 conseguiu manter as deputadas\/os do\u00a0<i>Podemos<\/i>. A experi\u00eancia do governo Al\u00e9xis Ts\u00edpras na Gr\u00e9cia, traindo o resultado no referendo que ele mesmo tinha convocado e que exigia romper os memorandos da UE (Uni\u00e3o Europeia), foi decisiva para desmanchar as enormes ilus\u00f5es que tinha gerado. Foi um processo de apenas 6 anos em que o aparato controlado pelo Pablo Iglesias foi abandonando uma ap\u00f3s outra as reivindica\u00e7\u00f5es populares, para adapt\u00e1-las a uma suposta ala esquerda do partido governante PSOE (Partido Socialista Oper\u00e1rio Espanhol).<\/p>\n<p>No entanto, no momento de maior debilidade, com uma perda de mais de 15% dos votos em seis meses, o\u00a0<i>Podemos<\/i>\u00a0entra no governo. Quer dizer, n\u00e3o como uma express\u00e3o do seu fortalecimento, mas da sua fraqueza, como uma fuga pra frente, dada a necessidade de fechar preventivamente uma crise interna que amea\u00e7ava destruir a organiza\u00e7\u00e3o. A entrada no governo, por\u00e9m, atesta o fim do partido do <em>&#8220;S\u00ed, se puede&#8221;<\/em> (Sim, \u00e9 poss\u00edvel), que milhares de gargantas de oper\u00e1rios e setores populares t\u00eam gritado. Imediatamente ap\u00f3s a forma\u00e7\u00e3o do governo, Iglesias se precipita para fechar uma suposta crise interna, tentando terminar de apagar qualquer ind\u00edcio de resist\u00eancia.<\/p>\n<p>Na sexta-feira 17 de janeiro, foi convocado o Conselho Cidad\u00e3o Estatal do\u00a0<i>Podemos<\/i>\u00a0para anunciar o Terceiro Congresso que vai acontecer em mar\u00e7o, onde Pablo Iglesias ser\u00e1 apresentado novamente como candidato a Secret\u00e1rio Geral. Mas a advert\u00eancia dada ao partido \u00e9 clara quando ele pr\u00f3prio lembra que, a partir de agora, os membros do\u00a0<i>Podemos<\/i>\u00a0que fazem parte do governo n\u00e3o falar\u00e3o &#8220;em nome do\u00a0<i>Unidas Podemos<\/i>\u00a0(UP), mas em nome da Espanha&#8221;. Em nome da Espanha? Refere-se \u00e0\u00a0<i>Espanha<\/i>\u00a0a qual os membros do governo S\u00e1nchez-Iglesias t\u00eam prometido lealdade: \u00e0 Espanha mon\u00e1rquica! Fim do trajeto.<\/p>\n<p>Uma imagem vale mais que mil palavras. O CUP-PR (Candidatura de Unidade Popular &#8211; Pela Ruptura) apresentou no Parlamento um pedido para o comparecimento do Felipe VI na Comiss\u00e3o do Interior, diante das not\u00edcias divulgadas pelo fisco da anticorrup\u00e7\u00e3o de propinas pagas pelo Estado Espanhol \u00e0 Ar\u00e1bia Saudita: a Mesa do Congresso n\u00e3o deu seguimento ao tr\u00e2mite, com o voto da UP em favor de que n\u00e3o tivesse comparecimento! E logo ap\u00f3s, seu sil\u00eancio no COP 25 em Madri, a Confer\u00eancia sobre o Clima que abriu com todas as honras o assassino presidente chileno Sebasti\u00e1n Pi\u00f1era, enquanto seu povo sofria uma repress\u00e3o terr\u00edvel?<\/p>\n<h3><b>S\u00e1nchez-Iglesias: governo de coaliz\u00e3o?<\/b><\/h3>\n<p>Ciente da debilidade de Iglesias no governo, S\u00e1nchez estrutura o Executivo para que\u00a0<i>Podemos<\/i>\u00a0fique na sombra.<\/p>\n<p>Em junho de 2018, ap\u00f3s a mo\u00e7\u00e3o de censura que causou a queda do Mariano Rajoy (PP), Sanchez nomeou um governo com 17 ministras\/os e com uma vice-presid\u00eancia. Hoje o PSOE tem 17 ministros com tr\u00eas vice-presid\u00eancias. E\u00a0<i>Podemos<\/i>? Bem, foi criada uma vice-presid\u00eancia dos Direitos Sociais para Pablo Iglesias e a Agenda 2030, associada a 4 novos minist\u00e9rios: Yolanda D\u00edaz (IU) vai para Trabalho, perdendo a Previd\u00eancia Social que \u00e9 a parte que mexe com todo o dinheiro; Alberto Garz\u00f3n (IU, PCE &#8211; Partido Comunista Espanhol) vai para Consumo, deixando Sa\u00fade; Irene Montero vai para Igualdade, que surge de Justi\u00e7a e Mem\u00f3ria Hist\u00f3rica; e Manuel Castells vai para Universidades, que emerge de Ci\u00eancia.<\/p>\n<p>Ou seja, s\u00e3o criados novos minist\u00e9rios e uma vice-presid\u00eancia para dar cargos a\u00a0<i>Unidas Podemos<\/i>, mas garantindo que as pol\u00edticas nesses minist\u00e9rios n\u00e3o v\u00e3o provocar problemas econ\u00f4micos na pol\u00edtica de austeridade. Lembre-se de passagem, que a partir de janeiro de 2020, no governo come\u00e7a a vigorar o artigo 135.2 da Constitui\u00e7\u00e3o, que evita gerar d\u00e9ficit por fora dos marcos estabelecidos pela UE. Quer dizer, o pr\u00f3prio\u00a0<i>Podemos,<\/i>\u00a0que tinha denunciado a aprova\u00e7\u00e3o urgente do artigo 135 da Constitui\u00e7\u00e3o, agora vai ter de aplic\u00e1-lo.<\/p>\n<p>O outro grande problema pol\u00edtico est\u00e1 na Catalunha. Iglesias j\u00e1 disse que sua poltrona vale mais do que o direito de autodetermina\u00e7\u00e3o do povo catal\u00e3o.<\/p>\n<p>Para Sanchez,\u00a0<i>Podemos<\/i>\u00a0resulta \u00fatil no intuito de neutralizar as mobiliza\u00e7\u00f5es populares que certamente come\u00e7ar\u00e3o a denunciar sua submiss\u00e3o aos poderes factuais. Temos o primeiro exemplo nas pens\u00f5es. A COESPE (Coordenadora Estatal pela Defesa do Sistema P\u00fablico de Pens\u00f5es) tem tido uma forte influ\u00eancia pol\u00edtica do\u00a0<i>Podemos<\/i>, a tal ponto que t\u00eam sido escandalosos os comunicados diante das elei\u00e7\u00f5es ou agora lisonjeando o governo. O pr\u00f3ximo encontro na luta por pens\u00f5es dignas \u00e9 na greve geral do 30 de janeiro no Pa\u00eds Basco. A COESPE se manifesta contra, embora seja um salto indiscut\u00edvel que a luta em defesa das aposentadorias se torne uma luta de toda a classe trabalhadora. Lander Mart\u00ednez, secret\u00e1rio-geral do\u00a0<i>Podemos Euskadi<\/i>, anuncia que n\u00e3o far\u00e1 a greve geral de janeiro, reconhece que &#8220;grande parte das reivindica\u00e7\u00f5es anunciadas por essa greve s\u00e3o de compet\u00eancia Estatal&#8221; e que &#8220;devemos dar essa margem de confian\u00e7a&#8221;.<\/p>\n<h3><b>Precisa-se construir uma alternativa<\/b><\/h3>\n<p>Ao contr\u00e1rio do\u00a0<i>Syriza<\/i>, que foi o resultado do agrupamento de 13 organiza\u00e7\u00f5es de esquerda, o\u00a0<i>Podemos<\/i>\u00a0nega desde o in\u00edcio a configura\u00e7\u00e3o de organiza\u00e7\u00f5es no seu interior.\u00a0<i>Izquierda Anticapitalista<\/i>, que esteve da primeira hora, teve que se dissolver para continuar a fazer parte do\u00a0<i>Podemos<\/i>, que permaneceu com n\u00edveis elevados de caudilhismo e falta de democracia interna. Com a rejei\u00e7\u00e3o a exist\u00eancia de qualquer partido em seu interior, se configurava uma camarilha burocr\u00e1tica na dire\u00e7\u00e3o.\u00a0<i>Podemos<\/i>\u00a0encurtava o processo de degenera\u00e7\u00e3o pol\u00edtica ao n\u00e3o ter uma oposi\u00e7\u00e3o interna. C\u00edrculos isolados e marginalizados para a simples aplica\u00e7\u00e3o das diretrizes adotadas pela c\u00fapula. Um partido com hierarquias, usando vota\u00e7\u00f5es pela Internet para aumentar o peso da dire\u00e7\u00e3o e isolar qualquer tentativa que por ventura tenha surgido na base. Essa estrutura bonapartista e burocr\u00e1tica estava a servi\u00e7o de impor uma pol\u00edtica eleitoral e reformista, que contrastava com as ilus\u00f5es e necessidades de dezenas de milhares de membros.<\/p>\n<p><i>Anticapitalistas<\/i>\u00a0\u00e9 uma corrente da esquerda no\u00a0<i>Podemos<\/i>, que \u00e9 incentivada por um setor que reivindica o trotskismo. Seus dirigentes mais reconhecidos s\u00e3o Teresa Rodr\u00edguez e Miguel Urb\u00e1n. O seu porta-voz Raul Camargo, que em entrevista ao 4\u00ba Poder em 20 de novembro \u00faltimo, afirmou que &#8220;governar com eles (o PSOE) sup\u00f5e uma ruptura evidente com as linhas fundacionais do\u00a0<i>Podemos<\/i>&#8221; e anunciou uma confer\u00eancia para mar\u00e7o, para decidir se eles rompem com o\u00a0<i>Podemos<\/i>. De fato, afirmou que &#8220;Em alguns territ\u00f3rios ainda n\u00e3o, seguimos dentro do\u00a0<i>Podemos<\/i>, mas na maioria j\u00e1 estamos fora&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;A entrada da\u00a0<i>Unidas Podemos<\/i>\u00a0no governo, deixa um espa\u00e7o enorme \u00e0 sua esquerda. Nas \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es, a CUP-PR decidiu dar um passo e se apresentar nas elei\u00e7\u00f5es como forma de visualizar a necessidade de construir uma alternativa que rompa com a Monarquia e com o capitalismo. Uma alternativa de trabalhadoras\/es e os povos. Os resultados foram limitados, pois o debate foi realizado tardiamente e n\u00e3o houve tempo para ampliar a iniciativa para outras for\u00e7as. A tarefa, por\u00e9m, \u00e9 essencial. Se a solidariedade entre os povos avan\u00e7ar, o Estado se debilita e tamb\u00e9m a repress\u00e3o que possa exercer.<\/p>\n<p>Mas esses processos nunca acontecem sem um devido aquecimento. \u00c9 preciso que respondam \u00e0 mobiliza\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria e social, que entronquem com as necessidades dos trabalhadores\/as e os povos. \u00c9 por isso que devemos abrir esse debate para uma ampla gama de for\u00e7as e, sem esperar, fazer acordos de solidariedade que permitam responder com unidade qualquer agress\u00e3o do regime.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>por\u00a0Josep Lluis del Alc\u00e1zar, Lucha Internacionalista. 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