

	{"id":5602,"date":"2020-02-04T19:38:37","date_gmt":"2020-02-04T19:38:37","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/?p=5602"},"modified":"2020-02-04T19:38:37","modified_gmt":"2020-02-04T19:38:37","slug":"greve-da-educacao-rs-um-balanco-necessario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2020\/02\/04\/greve-da-educacao-rs-um-balanco-necessario\/","title":{"rendered":"Greve da Educa\u00e7\u00e3o\/RS &#8211; um balan\u00e7o necess\u00e1rio"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_5603\" style=\"width: 1210px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-5603\" class=\"size-full wp-image-5603\" src=\"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/15748868225ddedda65f5ff_1574886822_3x2_xl.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"800\" srcset=\"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/15748868225ddedda65f5ff_1574886822_3x2_xl.jpg 1200w, https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/15748868225ddedda65f5ff_1574886822_3x2_xl-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/15748868225ddedda65f5ff_1574886822_3x2_xl-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/15748868225ddedda65f5ff_1574886822_3x2_xl-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/15748868225ddedda65f5ff_1574886822_3x2_xl-50x33.jpg 50w, https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/15748868225ddedda65f5ff_1574886822_3x2_xl-600x400.jpg 600w, https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/15748868225ddedda65f5ff_1574886822_3x2_xl-210x140.jpg 210w, https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/15748868225ddedda65f5ff_1574886822_3x2_xl-272x182.jpg 272w\" sizes=\"auto, (max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><p id=\"caption-attachment-5603\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Caco Argemi\/Cpers<\/p><\/div>\n<p>Uma das maiores greves da hist\u00f3ria do CPERS, com amplo apoio popular, foi desencadeada no final de 2019. O poder do movimento desestabilizou o governador Eduardo Leite (PSDB), fissurou a sua base aliada na Alergs, escancarou os interesses de classes na sociedade (com os pequenos e m\u00e9dios comerciantes apoiando a greve enquanto que as federa\u00e7\u00f5es empresariais apoiavam o pacote do governo), atraiu as aten\u00e7\u00f5es de todo o Brasil e encheu de esperan\u00e7a e confian\u00e7a uma categoria maltratada que amarga o pior sal\u00e1rio entre os estados do pa\u00eds. Mas como uma greve dessa magnitude termina esvaziada proporcionando ao governo Leite aprovar com tranquilidade (a Alergs sequer foi gradeada como nos tempos do governo Sartori) o maior ataque da hist\u00f3ria ao funcionalismo e ao magist\u00e9rio ga\u00facho? Para a Dire\u00e7\u00e3o Central (PT, PCdoB, PDT) a culpa \u00e9 da base que retornou espontaneamente e da maioria parlamentar do governo. N\u00f3s do Combate e da CST temos outra opini\u00e3o.<\/p>\n<h3><strong>A pol\u00edtica da Dire\u00e7\u00e3o Central resultou na derrota da categoria<\/strong><\/h3>\n<p>Quando o pacote do governo se tornou p\u00fablico, a orienta\u00e7\u00e3o da Dire\u00e7\u00e3o Central para a categoria foi de que assim que ele fosse protocolado a greve seria deflagrada. Uma linha estranha para quem tratava o governo como uma \u201cfortaleza\u201d por causa da maioria parlamentar. Assim, em vez do sindicato construir a greve e evitar a entrada do pacote na Alergs, sua atua\u00e7\u00e3o era pautada pelo governo. Ali\u00e1s, a completa falta de vontade pol\u00edtica de construir uma forte mobiliza\u00e7\u00e3o contra o governo j\u00e1 come\u00e7a no Congresso da entidade, em Bento, que n\u00e3o aprovou uma linha sequer sobre plano de lutas para a categoria. Nesse meio tempo, os n\u00facleos da oposi\u00e7\u00e3o come\u00e7aram a fazer visitas em escolas para mobilizar e apresentar o pacote.<\/p>\n<p>Finalmente o pacote foi protocolado, o governador viajou aos EUA, pago pela Funda\u00e7\u00e3o Lemann (uma rela\u00e7\u00e3o que deveria ser apurada), e a greve foi declarada diante de uma multid\u00e3o em frente ao Pal\u00e1cio Piratini. Os atos di\u00e1rios em todos os cantos do Estado e o apoio popular desestabilizaram Eduardo Leite que passou a dar declara\u00e7\u00f5es desencontradas na imprensa, \u00e0s vezes explicitando suas inten\u00e7\u00f5es. Tamb\u00e9m retaliou com o ilegal corte do ponto e quis manter a qualquer custo a vota\u00e7\u00e3o do pacote. O poder da greve gerou profundo desgaste ao governo (sua desaprova\u00e7\u00e3o ultrapassou 80% em Porto Alegre) e criou fissuras em sua base. O rei estava nu e a sua \u201cfortaleza\u201d rachada. Cientes de que a prepot\u00eancia do governador poderia derrotar o pacote, as raposas velhas do MDB sugeriram transferir a vota\u00e7\u00e3o para o final de janeiro.<\/p>\n<p>A Dire\u00e7\u00e3o Central surfava na onda ao mesmo tempo em que rejeitava a\u00e7\u00f5es mais radicalizadas, n\u00e3o alimentava a greve, fomentava ilus\u00f5es institucionais (Justi\u00e7a, C\u00e2maras de Vereadores) e eleitoreiras (\u201cnossa resposta ser\u00e1 nas urnas em 2022\u201d, enquanto no aqui e agora faz o jogo do governo). Com a transfer\u00eancia da vota\u00e7\u00e3o para janeiro, a DC tentou encerrar a greve antes do Natal, deu f\u00e9rias coletivas e fechou o sindicato. O governo mantinha o corte de ponto avalizado por decis\u00e3o do Tribunal de Justi\u00e7a que rejeitou a\u00e7\u00e3o do CPERS. Contra a vontade da Dire\u00e7\u00e3o Central, a oposi\u00e7\u00e3o iniciou uma campanha de ped\u00e1gios solid\u00e1rios para ajudar colegas que tiveram corte de sal\u00e1rio. Nas duas semanas em que o sindicato ficou fechado, outros ataques foram desferidos contra a educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica sem que a categoria tivesse uma orienta\u00e7\u00e3o. Foi o caso da nova matriz curricular que retira conhecimentos de estudantes e resultar\u00e1 na demiss\u00e3o de at\u00e9 20% do quadro.<\/p>\n<p>A categoria ficou \u00e0 deriva, a greve suspensa no ar. A Dire\u00e7\u00e3o Central buscava negociar com o governo o corte de ponto para encerrar a greve. Percebendo o cen\u00e1rio de desmobiliza\u00e7\u00e3o, o governo postergou a negocia\u00e7\u00e3o e condicionava o pagamento dos dias parados \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o dos dias de greve. \u00c9 verdade que n\u00e3o houve acordo assinado com o governo. Mas, novamente, era ele que pautava o movimento. Nenhum protesto, ato ou visita \u00e0s escolas foi constru\u00eddo. A senha para a categoria retornar \u00e0s aulas estava dada. As condi\u00e7\u00f5es para encerrar a greve haviam sido constru\u00eddas pela Dire\u00e7\u00e3o Central desde dezembro e com o fechamento do sindicato. Foi s\u00f3 ratificar em assembleia, no dia 14\/1.<\/p>\n<p>Os ataques do governo n\u00e3o cessaram. Escolas, turnos e turmas seguiram sendo fechados. Um acordo individual foi criado no qual se aceitava o desconto parcelado de uma greve recuperada e quem n\u00e3o aceitou o acordo teve desconto no contracheque de janeiro. Com a categoria recuperando aulas e sofrendo ass\u00e9dio ficaria mais dif\u00edcil mobilizar. Alertamos, junto com outros setores da oposi\u00e7\u00e3o. Infelizmente foi o que se deu. Na segunda-feira da semana em que a mobiliza\u00e7\u00e3o foi retomada, ocorreu um ato que saiu do Tribunal de Justi\u00e7a e terminou na Pra\u00e7a da Matriz, onde fica o Pal\u00e1cio Piratini e a Alergs. Os poucos \u00f4nibus que vieram do interior retornaram no final da tarde do mesmo dia. Para tentar se livrar da responsabilidade da derrota a presidente Helenir, sem autoriza\u00e7\u00e3o da categoria, sentou \u00e0 mesa com o MDB, base aliada do Leite, e o l\u00edder do governo, Frederico Antunes (PP), para aceitar uma emenda de redu\u00e7\u00e3o m\u00ednima de danos no plano de carreira, dando aval do CPERS para a retirada de direitos. A situa\u00e7\u00e3o foi t\u00e3o inusitada que at\u00e9 a bancada do PT, partido da Helenir, votou contra a emenda do MDB. Tal trai\u00e7\u00e3o vem sendo embalada como o hero\u00edsmo poss\u00edvel diante da \u201cfortaleza\u201d que \u00e9 o governo Leite. Nada mais falso como pudemos constatar.<\/p>\n<h3><strong>O papel da CNTE nesse processo<\/strong><\/h3>\n<p>Al\u00e9m de toda a trai\u00e7\u00e3o da DC, nossa greve tamb\u00e9m foi fragilizada porque ficamos isolados nacionalmente. Existe uma crise da educa\u00e7\u00e3o no pa\u00eds inteiro e enquanto est\u00e1vamos lutando aqui, outros estados tamb\u00e9m ensaiaram mobiliza\u00e7\u00f5es. A CNTE, que \u00e9 dirigida majoritariamente pelo PT, simplesmente se manteve em sil\u00eancio com rela\u00e7\u00e3o a isso, n\u00e3o organizou um calend\u00e1rio que unificasse as lutas no pa\u00eds. No ano de 2019, chamou apenas um dia de paralisa\u00e7\u00e3o e nada mais, mesmo com um tsunami da educa\u00e7\u00e3o explodindo com atos multitudin\u00e1rios em todo o pa\u00eds.<br \/>\nNa plen\u00e1ria intercongressual, em dezembro, aprovou um dia nacional de luta para 18 de mar\u00e7o de 2020, mas at\u00e9 agora nada est\u00e1 sendo constru\u00eddo. Isso \u00e9 muito ruim visto que Bolsonaro\/Guedes j\u00e1 preparam mais uma rodada de pacotes com o Plano Mais Brasil, que entre outras coisas vai significar mais corte de investimento em educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica. \u00c9 preciso que esse dia de luta seja muito forte e que n\u00e3o seja o \u00fanico. Depois do 18\/3, a CNTE deve apostar nas mobiliza\u00e7\u00f5es e seguir com mais calend\u00e1rios unificados para enfrentar os ataques que o governo Bolsonaro prepara para a Educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h3><strong>Por uma chapa unificada da oposi\u00e7\u00e3o de esquerda<\/strong><\/h3>\n<p>Greves encerradas na marra, n\u00e3o alimentadas para morrer de inani\u00e7\u00e3o, esvaziadas, desmontadas, abandonadas. Do Pepsi On Stage ao Pacote da Morte, a atual dire\u00e7\u00e3o do sindicato vem sendo uma verdadeira organizadora de derrotas. Nem mesmo a sua pol\u00edtica eleitoreira tem sido bem sucedida, vide a elei\u00e7\u00e3o de 2018 que terminou entre Sartori e Leite, e para a qual n\u00e3o houve sequer uma campanha de voto nulo.<\/p>\n<p>A ofensiva decidida do capital sobre a educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica, que visa a sua privatiza\u00e7\u00e3o, exige uma dire\u00e7\u00e3o que atue com firmeza na sua defesa. A oposi\u00e7\u00e3o de esquerda do CPERS possui correntes combativas que sempre que atuam unificadas conseguem ganhos para a categoria, como na hist\u00f3rica e vitoriosa ocupa\u00e7\u00e3o do Centro Administrativo do Estado, em 2016, ocorrida por iniciativa da oposi\u00e7\u00e3o e contra a vontade da Dire\u00e7\u00e3o Central.<\/p>\n<p>O momento \u00e9 extremamente grave e exige, mais do que nunca, que seja apresentada uma alternativa pol\u00edtica \u00e0 categoria sob pena da dispers\u00e3o, da desmobiliza\u00e7\u00e3o, do des\u00e2nimo, do abandono da carreira, etc; facilitarem o trabalho de Eduardo Leite de destruir a todos n\u00f3s. Por isso pedimos \u00e0s distintas correntes da oposi\u00e7\u00e3o de esquerda que deixem as diferen\u00e7as de lado e se unifiquem em uma grande chapa para as elei\u00e7\u00f5es do CPERS.<\/p>\n<h3><strong>Filie-se ao CPERS!<\/strong><\/h3>\n<p>Muitos colegas t\u00eam como primeira forma de protesto diante de uma trai\u00e7\u00e3o de uma dire\u00e7\u00e3o sindical o abandono do sindicato formalizado atrav\u00e9s da desfilia\u00e7\u00e3o. Partilhamos do inconformismo e indigna\u00e7\u00e3o, mas achamos essa forma de protesto equivocada pois o seu efeito \u00e9 o contr\u00e1rio do pretendido. Com menos filiados a burocracia sindical tem mais facilidade de se manter no poder e aprovar as suas propostas nas assembleias enquanto que a oposi\u00e7\u00e3o se enfraquece. Fazemos um chamado a todos que desejam se desfiliar que se mantenham filiados e a todos que ainda n\u00e3o o s\u00e3o, que se filiem. Somente participando \u00e9 que poderemos mudar os rumos do sindicato.<\/p>\n<h3><strong>Seguir mobilizados \u00e9 a nossa sa\u00edda<\/strong><\/h3>\n<p>Nossa categoria tem um hist\u00f3rico lindo de lutas e conquistas. Essa greve, apesar de ter sido desmontada e tra\u00edda, \u00e9 motivo de muito orgulho e demonstra que nossa for\u00e7a est\u00e1 nas nossas pr\u00f3prias m\u00e3os. O ano j\u00e1 come\u00e7a com muitos ataques vindos do Eduardo Leite e outros do Bolsonaro, e precisamos seguir impulsionando mobiliza\u00e7\u00f5es, paralisa\u00e7\u00f5es e greves para enfrentar \u00e0 altura e n\u00e3o sofrer mais derrotas.<br \/>\nEnquanto categoria composta majoritariamente de mulheres, a Dire\u00e7\u00e3o Central tem que construir o 8\/3 e a greve internacional de mulheres. Temos que construir e participar tamb\u00e9m do 14\/3, exigindo justi\u00e7a por Marielle e Anderson. \u00c9 inadmiss\u00edvel que os culpados, milicianos que t\u00eam rela\u00e7\u00f5es com a fam\u00edlia Bolsonaro, sigam impunes. E, por fim, o 18\/3 \u00e9 uma data importante para a educa\u00e7\u00e3o. Finalmente a CNTE convoca um calend\u00e1rio nacional unificado. Para tanto, a DC deve chamar assembleia e construir, junto \u00e0 base, uma paralisa\u00e7\u00e3o para este dia com um grande ato estadual em Porto Alegre.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma das maiores greves da hist\u00f3ria do CPERS, com amplo apoio popular, foi desencadeada no final de 2019. 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