

	{"id":568,"date":"2015-05-02T11:20:00","date_gmt":"2015-05-02T11:20:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/index.php\/2015\/05\/02\/arquivoid-9603\/"},"modified":"2015-05-02T11:20:00","modified_gmt":"2015-05-02T11:20:00","slug":"arquivoid-9603","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2015\/05\/02\/arquivoid-9603\/","title":{"rendered":"H\u00e1 78 anos bombardeios nazistas arrasaram a cidade basca de Guernica"},"content":{"rendered":"<p>| Por Mercedes Petit (El Socialista)<\/p>\n<p>Em 26 de abril de 1937 a cidade sagrada do povo basco foi incendiada por bombardeios alem\u00e3es da sinistra Legi\u00e3o Condor, que participava ativamente junto aos fascistas de Franco para derrotar a revolu\u00e7\u00e3o espanhola.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s o triunfo das chapas republicanas da Frente Popular em fevereiro de 1936, a burguesia basca conseguiu autonomia pol\u00edtica. P\u00f4s-se em pr\u00e1tica o uso oficial do idioma tradicional basco (Euskara) e outras reivindica\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas do povo basco. A partir do levantamento de Francisco Franco em julho de 1936, o processo revolucion\u00e1rio espanhol se transformou em uma guerra entre o lado republicano e o lado fascista. O Partido Nacionalista Basco (PNB), ainda que aliado da luta antifascista, mantinha como grande objetivo impedir que o processo revolucion\u00e1rio de oper\u00e1rios e camponeses n\u00e3o questionasse seus interesses de burguesia regional. Assim facilitaram a campanha dos fascistas para derrotar a rep\u00fablica em Vizcaya. <\/p>\n<p>\u201cArrasarei Vizcaya\u201d<\/p>\n<p>O pa\u00eds basco era uma regi\u00e3o rica em minerais de ferro, f\u00e1bricas sider\u00fargicas e estaleiros. Os fascistas, que dominavam as vizinhas Gal\u00edcia e Navarra, eram dirigidos pelo general Emilio Mola, a frente de 50 mil soldados e 100 avi\u00f5es. Al\u00e9m disso, contava com a ajuda direta de tropas italianas enviadas por Benito Mussolini e da tristemente c\u00e9lebre Legi\u00e3o Condor de Adolfo Hitler, com 6, 5 mil volunt\u00e1rios com unidades blindadas e avi\u00f5es ca\u00e7as e bombardeiros.<\/p>\n<p>Em mar\u00e7o de 1937 Mola intimou os bascos a entregar a capital, Bibao. &quot; Se a reden\u00e7\u00e3o n\u00e3o for imediata, arrasarei Vizcaya&quot;. Dias depois, a 31 de mar\u00e7o, avi\u00f5es alem\u00e3es arrasaram com toneladas de bombas \u00e0 cidade de Durango. Eram 10 mil habitantes, sem nenhum tipo de presen\u00e7a ou prote\u00e7\u00e3o de tropas republicanas. Houve 250 mortos. O informe oficial acusou os &quot;vermelhos&quot; pelas igrjas destru\u00eddas nos bombardeios.*<\/p>\n<p>Guernica<\/p>\n<p>Situada a 35 quil\u00f4metros de Bilbao, Guernica era a cidade emblem\u00e1tica da identidade nacional e das cren\u00e7as religiosas cat\u00f3licas do povo basco. 26 de abril de 1937 era segunda-feira e dia de mercado em Guernica. Os bombardeios da Legi\u00e3o Condor come\u00e7aram \u00e0s quatro da tarde, em plena atividade dos seis mil habitante da cidade. O pior foi a partir das 5h15. &quot;Tr\u00eas esquadrilhas procedentes de Burgos arrasaram sistematicamente a cidade em passadas de 20 minutos durante duas horas e meia. A carga dos quase 40 avi\u00f5es que bombardearam Guernica consistia em bombas m\u00e9dias e pequenas, mas tamb\u00e9m tinham bombas de 250 kg, bombas antipessoais e incendiarias. [&#8230;] Fam\u00edlias inteiras acabaram enterradas nos escombros das suas casas ou morreram esmagadas nos ref\u00fagios; vacas e ovelhas, queimaram pela a\u00e7\u00e3o do f\u00f3sforo branco, e pulavam enlouquecidas entre os edif\u00edcios em chamas at\u00e9 cair mortas&quot;. (Beebor, p. 340)<\/p>\n<p>Sob um c\u00e9u vermelho-alaranjado, apenas se salvaram dos bombardeios o carvalho sagrado e o edif\u00edcio da Casa de Encontros. Nunca se soube com certeza o n\u00famero de mortos e feridos, ainda que o governo basco denunciou que foram atingidas um ter\u00e7o da popula\u00e7\u00e3o (entre 1.645 e 889 feridos). Dos quinhentos edif\u00edcios da cidade, incendiaram-se 400. O franquismo e o nazismo mostravam seu espantoso rosto, destruindo quase por completo uma cidade sem presen\u00e7a militar, para provar a efic\u00e1cia do que o chefe da Legi\u00e3o Condor, coronel Wolfram von Richthofen, chamou de \u201cterror a\u00e9reo\u201d.<\/p>\n<p>Uma vez mais, os franquistas acusaram os &quot;vermelhos&quot; dos inc\u00eandios. &quot;A igreja espanhola respaldou sem reservas esta mentira e um catedr\u00e1tico em teologia em Roma chegou a declarar que n\u00e3o havia em Espanha nenhum alem\u00e3o&quot;&#8230;porque Franco n\u00e3o necessitava da ajuda deles (idem, p. 341). Finalmente, em 19 de junho as tropas fascistas tomaram Bilbao. Sob o franquismo a persegui\u00e7\u00e3o ao povo basco foi brutal. A sangue e fogo se impediu o povo basco de falar &quot;Euskara&quot;, que se transformou em um idioma de luta e resist\u00eancia clandestina.<\/p>\n<p>O \u201cGuernica\u201d de Picasso<\/p>\n<p>A den\u00fancia do holocausto de Guernica se fez imortal gra\u00e7as a uma pintura. O bombardeio da pequena cidade teve um impacto imediato nas massivas fileiras de simpatizantes da Rep\u00fablica Espanhola e entre os artistas e intelectuais antifascistas. Em Paris vivia um dos mais grandes pintores do s\u00e9culo XX, o espanhol Pablo Picasso (1881-1973). Em 1937 Picasso havia estado dedicado a escrever um grande poema, &quot;Sonho e mentira de Franco&quot;, ao que se acompanhou dezoito gravuras alusivas aos horrores do franquismo. <\/p>\n<p>O governo republicano encarregou Picasso de apresentar alguma obra no pavilh\u00e3o espanhol da Exposi\u00e7\u00e3o Internacional de Artes e T\u00e9cnicas na Vida Moderna, que se realizaria em Paris. No in\u00edcio de maio come\u00e7ou a trabalhar febrilmente nos primeiros esbo\u00e7os do que seria seu c\u00e9lebre &quot;Guernica&quot;. Touros, cavalos, homens e mulheres come\u00e7aram a se entrela\u00e7ar em meio a destrui\u00e7\u00e3o e \u00e0s chamas. A pintura definitiva, um \u00f3leo de tr\u00eas metros e meio de altura e quase oito de largura, foi apresentado em quatro de junho de 1937 na exposi\u00e7\u00e3o parisiense, e entrou para a hist\u00f3ria. A obra viajou por numerosos pa\u00edses, at\u00e9 que terminou instalada desde 1970 no Museu de Arte Moderna de Nova Iorque. Picasso decidiu que a obra n\u00e3o fosse entregue \u00e0 Espanha enquanto seguisse o regime franquista.<\/p>\n<p>*A guerra civil espanhola, por Antony Beevor. Cr\u00edtica, Barcelona, 2005. Ver tamb\u00e9m A revoluci\u00f3n e a guerra de Espanha, por P. Brou\u00e9 y E. T\u00e9mime, FCE, 1971.<\/p>\n<p>Publicado originalmente em 25 de abril de 2007, no Nro. 64 do jornal El Socialista, do partido trotskysta argentino Esquerda Socialista.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>| Por Mercedes Petit (El Socialista) Em 26 de abril de 1937 a cidade sagrada do povo basco foi incendiada por bombardeios alem\u00e3es da sinistra Legi\u00e3o Condor, que participava ativamente junto aos fascistas de Franco para derrotar a revolu\u00e7\u00e3o espanhola. 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