

	{"id":5840,"date":"2020-03-24T14:47:07","date_gmt":"2020-03-24T14:47:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/?p=5840"},"modified":"2020-03-24T14:49:17","modified_gmt":"2020-03-24T14:49:17","slug":"estado-espanhol-declaracao-da-luta-internacionalista-sobre-covid-19","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2020\/03\/24\/estado-espanhol-declaracao-da-luta-internacionalista-sobre-covid-19\/","title":{"rendered":"Estado Espanhol | COVID-19 e o Estado de alerta"},"content":{"rendered":"<h3><strong>Declara\u00e7\u00e3o de luta Internacionalista<\/strong><\/h3>\n<p><i>A crise do coronav\u00edrus n\u00e3o deve ser paga pelos trabalhadores. Plano de choque para salvar vidas, n\u00e3o para defender interesses capitalistas.<\/i><\/p>\n<p>O governo acaba de declarar o estado de alerta, enquanto o cont\u00e1gio do v\u00edrus se multiplica e afundam as bolsas de valores. A prioridade deve ser conter a dissemina\u00e7\u00e3o do covid-19, sabendo que isso ser\u00e1 feito em condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias, ap\u00f3s anos de cortes na sa\u00fade p\u00fablica (9 bilh\u00f5es de euros entre 2009 e 2013) e servi\u00e7os sociais. Devemos nos perguntar acerca da forma de enfrentar a crise financeira mundial que desencadeou a pandemia, uma crise pior que a de 2008, e nos preparar para enfrent\u00e1-la.<\/p>\n<p><b>O decreto de estado de alerta<\/b><\/p>\n<p>Depois de uma etapa em que os governos minimizaram os efeitos da pandemia, agora as medidas de conten\u00e7\u00e3o chegam a uma paralisia global. O governo do PSOE-Unidas Podemos tem declarado estado de alerta, por\u00e9m para implementar qual pol\u00edtica? S\u00e3o esperadas as medidas econ\u00f4micas, mas j\u00e1 est\u00e1 previsto que as demiss\u00f5es tempor\u00e1rias ser\u00e3o facilitadas sob o\u00a0Expediente de Regula\u00e7\u00e3o Temporal do Emprego (ERTE), deixando milhares de trabalhadoras e trabalhadores sem sal\u00e1rio e sem definir em que situa\u00e7\u00e3o v\u00e3o receber o seguro de desemprego. Uma avalanche de ERTEs j\u00e1 foi anunciada e, com as reformas trabalhistas em vigor, a patronal pode demitir sem restri\u00e7\u00f5es. Sabemos que os ERTEs abrem caminho para futuras demiss\u00f5es nos ERE (Expediente de Regula\u00e7\u00e3o do Emprego), embora essas medidas estavam sendo pactuadas entre as CCOO (Comiss\u00f5es Oper\u00e1rias) e a UGT (Uni\u00e3o Geral dos Trabalhadores) com a patronal.<\/p>\n<p>Com essa mesma l\u00f3gica de colocar os interesses capitalistas \u00e0 frente da seguran\u00e7a da trabalhadora e o trabalhador, f\u00e1bricas e centros de trabalho permanecem funcionando, e n\u00e3o apenas aqueles que fornecem produtos de primeira necessidade. Mas que tipo de confinamento \u00e9 esse que permite continuar indo ao trabalho? Tamb\u00e9m n\u00e3o existem medidas de seguran\u00e7a obrigat\u00f3rias para os trabalhadores\/as. \u00c9 esse desprezo pela vida oper\u00e1ria &#8211; compartilhado pelo governo Conte da It\u00e1lia &#8211; que provocou uma forte resposta na forma de greves no norte da It\u00e1lia.<\/p>\n<p>O decreto de estado de alerta imp\u00f5e uma centraliza\u00e7\u00e3o na qual o governo central assume o controle de todas as pol\u00edcias auton\u00f4micas e locais, bem como das compet\u00eancias da sa\u00fade. Em vez de agregar a todos em torno de um plano, ele j\u00e1 tem provocado o confronto dos governos basco e catal\u00e3o, autonomias que exigem medidas mais en\u00e9rgicas nos confinamentos. Ao defender a constitui\u00e7\u00e3o, a unidade da Espanha e levar o ex\u00e9rcito para a rua, Pedro S\u00e1nchez (PSOE) mostra que est\u00e1 mais preocupado em impedir as cr\u00edticas da direita de seu pr\u00f3prio partido, do Ciudadanos, PP e VOX, do que combater o coronav\u00edrus. Santiago Abascal (VOX) aplaude S\u00e1nchez. Rejeitamos a militariza\u00e7\u00e3o que inevitavelmente vir\u00e1 acompanhado de um aumento repressivo. Mas, o que pode fazer no governo Unidas Podemos, a suposta esquerda, al\u00e9m de reclamar?<\/p>\n<p><b>Sa\u00fade p\u00fablica &#8211; Sa\u00fade privada<\/b><\/p>\n<p>Sem sombra de d\u00favida, \u00e9 a sa\u00fade p\u00fablica que em primeira inst\u00e2ncia enfrenta os efeitos da pandemia do coronavirus. Um sistema de sa\u00fade p\u00fablica que foi duplamente esmagado na \u00faltima d\u00e9cada, aproveitando os ventos da crise, com grandes cortes e privatiza\u00e7\u00f5es. Centros de sa\u00fade privados e at\u00e9 alguns &#8220;centros concertados&#8221; (terceirizados) n\u00e3o fazem o teste do coronav\u00edrus nem hospitalizam os infectados (La Vanguardia, 13\/03\/20). Este setor privado de sa\u00fade possui 146 hospitais na Catalunha (69% do total) e 19.169 leitos (56% do total). Agora, com o decreto de alerta, poder\u00e3o ser postos a servi\u00e7o das decis\u00f5es p\u00fablicas, mas a que pre\u00e7o?<\/p>\n<p>A sa\u00fade p\u00fablica carece de pessoal e material suficientes para lidar com uma situa\u00e7\u00e3o normal, de longas listas de espera, e agora precisa se colocar na linha de frente da conten\u00e7\u00e3o da pandemia. Os cortes matam e agora vemos isso de uma maneira mais agravada.<\/p>\n<p><b>O coronav\u00edrus \u00e9 a gota d&#8217;\u00e1gua da crise capitalista.<\/b><\/p>\n<p>Na quinta-feira, 12 de mar\u00e7o, as bolsas de valores desabaram em todos os lugares. O IBEX (\u00edndice das a\u00e7\u00f5es da Espanha) caiu 14,06%, a maior queda na hist\u00f3ria, em Mil\u00e3o caiu 16,92%, em Frankfurt 12,24%, o \u00edndice Dow Jones caiu 9,99%&#8230; Uma s\u00e9rie de quedas acumuladas que excederam 20% do valor da bolsa em pouco mais de tr\u00eas semanas, ap\u00f3s atingir o m\u00e1ximo em fevereiro. Nunca, nem na depress\u00e3o de 1929, nem em 2008, a bolsa tinha ca\u00eddo t\u00e3o rapidamente. Desta vez, nem as promessas de uma enorme inje\u00e7\u00e3o de dinheiro da reserva federal dos EUA, do BCE (Banco Central Europeu) e do Jap\u00e3o conseguiram mudar a tend\u00eancia.<\/p>\n<p>Somente na Espanha, as 35 empresas do IBEX t\u00eam perdido 235 bilh\u00f5es, ou seja, estamos falando de bilh\u00f5es de d\u00f3lares e euros que deixaram o conjunto do mercado financeiro. Foi pelo coronav\u00edrus? N\u00e3o, sabe-se h\u00e1 muito tempo que a economia mundial foi sustentada durante estes dez anos de crise, pela inje\u00e7\u00e3o dos bancos centrais de bilh\u00f5es de d\u00f3lares e euros, que t\u00eam anestesiado e permitido pequenos crescimentos no PIB. Por\u00e9m, antes do v\u00edrus, esse impulso tinha se esgotado, formando de maneira simult\u00e2nea novas bolhas financeiras insustent\u00e1veis.<\/p>\n<p><b>As consequ\u00eancias da paralisia e da crise financeira chegam com muita for\u00e7a<\/b><\/p>\n<p>Repete-se a situa\u00e7\u00e3o da crise de 10 anos atr\u00e1s, agora com todos os estados endividados at\u00e9 o pesco\u00e7o: salvar a patronal e os bancos com dinheiro p\u00fablico e fazer que a crise seja paga uma vez mais pela classe trabalhadora ou romper com a l\u00f3gica do capital, essas s\u00e3o as op\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><b>As medidas do governo central e auton\u00f4mico<\/b><\/p>\n<p>Perante a grave situa\u00e7\u00e3o atual, o que n\u00e3o pode acontecer novamente \u00e9 que sejam os trabalhadores os que paguem as consequ\u00eancias. Por isso, \u00e9 necess\u00e1rio um plano de choque que garanta:<\/p>\n<p>1. Que as medidas de conten\u00e7\u00e3o sejam tomadas estritamente de acordo com crit\u00e9rios epidemiol\u00f3gicos e n\u00e3o pol\u00edticos ou econ\u00f4micos. As trabalhadoras e trabalhadores que n\u00e3o fazem parte dos servi\u00e7os essenciais devem poder ficar em casa para se protegerem, sem perder o sal\u00e1rio ou a vaga, como est\u00e3o come\u00e7ando a impor os trabalhadores da Mercedes Benz de Gasteiz ou dos de Planting Brap em Igualada. Sem demiss\u00e3o: nem ERTE nem ERE.<\/p>\n<p>2. Que os trabalhadores dos servi\u00e7os considerados essenciais tenham todas as medidas de prote\u00e7\u00e3o dispon\u00edveis e o n\u00famero de trabalhadores seja ampliado, para que possam trabalhar nas melhores condi\u00e7\u00f5es poss\u00edveis. Tamb\u00e9m devem receber o apoio necess\u00e1rio para cuidar de seus dependentes.<\/p>\n<p>3. Investimentos urgentes na sa\u00fade p\u00fablica: reabrir as centenas de leitos fechados em hospitais p\u00fablicos, aumento do pessoal, estabilidade no emprego, material adequado e suficiente para lidar com a pandemia. Por todas essas raz\u00f5es, tamb\u00e9m \u00e9 necess\u00e1rio intervir &#8211; e, eventualmente, nacionalizar &#8211; n\u00e3o apenas a sa\u00fade privada (que devem colocar todos os seus recursos ao alcance das autoridades sem contrapresta\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica), mas tamb\u00e9m laborat\u00f3rios e a pesquisa de vacinas e tratamentos. O coronav\u00edrus n\u00e3o pode ser tomado como um neg\u00f3cio comercial. \u00c9 preciso reverter os cortes e a privatiza\u00e7\u00e3o da sa\u00fade.<\/p>\n<p>4. Controle do pre\u00e7o dos medicamentos e todos os produtos essenciais, para evitar assim a especula\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>5. Assist\u00eancia social a todos os grupos mais vulner\u00e1veis, em especial idosos ou pessoas em situa\u00e7\u00e3o de depend\u00eancia. N\u00e3o podem ser exclu\u00eddos de qualquer recurso as pessoas indocumentadas e refugiados. O acesso aos Servi\u00e7os Sociais e de Sa\u00fade deve ser universal. Proibir despejar inquilinos e garantir \u00e1gua e eletricidade em todas as moradias.<\/p>\n<p>6. Tudo isso envolve muitos recursos, mas o dinheiro est\u00e1 a\u00ed. Voc\u00ea s\u00f3 precisa decidir quais s\u00e3o as prioridades: n\u00e3o ao pagamento da d\u00edvida que significou, s\u00f3 de juros foram 31,398 bilh\u00f5es de euros em 2019, ou seja, 40% de todos os gastos com Sa\u00fade. Impostos especiais aos bancos e grandes fortunas e nacionaliza\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os b\u00e1sicos.<\/p>\n<p>7. Garantia do direito \u00e0 informa\u00e7\u00e3o e transpar\u00eancia absoluta desta, para que as pessoas possam tomar decis\u00f5es conscientes e respons\u00e1veis.<\/p>\n<p>Muitos bairros e cidades j\u00e1 come\u00e7aram a constituir redes de solidariedade nas quais os jovens se oferecem para ajudar as pessoas idosas a ficarem em casa, al\u00e9m de dar apoio aos trabalhadores dos servi\u00e7os essenciais para cuidar de pessoas dependentes.<\/p>\n<p>O coronav\u00edrus hoje esconde a realidade da profunda crise econ\u00f4mica do capitalismo mundial, que existia antes da pandemia. Mais cedo ou mais tarde a crise da sa\u00fade vai finalizar, mas a que permanecer\u00e1 ser\u00e1 o flagelo do capitalismo, com uma nova onda de mis\u00e9ria na classe oper\u00e1ria e os setores populares. Devemos preparar hoje uma luta contra esse sistema para que n\u00e3o nos fa\u00e7a pagar a nova conta. Os gastos multimilion\u00e1rios que trar\u00e1 &#8211; ao contr\u00e1rio de 10 anos atr\u00e1s &#8211; encontra os estados endividados at\u00e9 no limite. N\u00e3o pode existir tr\u00e9gua nenhuma. \u00c9 preciso constituir uma plataforma de luta: sindicatos, entidades, organiza\u00e7\u00f5es que respondem coletivamente agora e tamb\u00e9m na rua, sempre que poss\u00edvel. Agora, para exigir uma resposta que coloque os interesses dos trabalhadores na frente do v\u00edrus e impedir que carreguem a conta nas nossas costas.<\/p>\n<p><em>Luta Internacionalista &#8211;\u00a0<span style=\"font-family: inherit; font-size: 19.4px; font-weight: inherit;\">16 de mar\u00e7o de 2020<\/span><\/em><\/p>\n<p>Traduzido por: Pablo Andrada<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Declara\u00e7\u00e3o de luta Internacionalista A crise do coronav\u00edrus n\u00e3o deve ser paga pelos trabalhadores. Plano de choque para salvar vidas, n\u00e3o para defender interesses capitalistas. 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