

	{"id":613,"date":"2015-06-19T11:38:00","date_gmt":"2015-06-19T11:38:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/index.php\/2015\/06\/19\/arquivoid-9648\/"},"modified":"2016-02-25T18:18:40","modified_gmt":"2016-02-25T18:18:40","slug":"arquivoid-9648","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2015\/06\/19\/arquivoid-9648\/","title":{"rendered":"Entrevista com Salameh Kayleh, revolucion\u00e1rios S\u00edrio"},"content":{"rendered":"<p>|<\/p>\n<p>Salameh Kayleh \u00e9 um intelectual marxista s\u00edrio de origem palestino. Ele passou v\u00e1rios preso pela ditadura de Bashar Al Assad, foi preso novamente em abril de 2012 e logo depois deportado a Jord\u00e2nia. No F\u00f3rum Social Mundial (FSM) de Tun\u00edsia, realizado no final de mar\u00e7o, Kayleh participou de um debate em favor da revolu\u00e7\u00e3o s\u00edria organizado pela UIT-QI. Desde l\u00e1, junto a outras organiza\u00e7\u00f5es, decidiu-se convocar um encontro internacional em apoio \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o em S\u00edria em 11 e 12 de julho, em Istambul, Turquia. Nas \u00faltimas semanas uma s\u00e9rie de combates no norte do pa\u00eds e em cidade pr\u00f3ximas a Damasco mostrariam que as for\u00e7as de Al Assad voltam a perder terreno.<\/p>\n<p>UIT-QI: O que opina sobre o que est\u00e1 ocorrendo em S\u00edria?<\/p>\n<p>SK: A situa\u00e7\u00e3o em S\u00edria \u00e9 dif\u00edcil e complexa. Agora o pa\u00eds \u00e9 o centro de confronto dos pa\u00edses regionais e imperialistas contra as revolu\u00e7\u00f5es que come\u00e7aram em Tun\u00edsia e se expandiram como uma chama em todos os pa\u00edses \u00e1rabes. <\/p>\n<p>Antes de se deter em S\u00edria como consequ\u00eancia da brutalidade do regime de Al Assad e a influ\u00eancia de alguns pa\u00edses da regi\u00e3o, como Ar\u00e1bia Saudita e Cat\u00e1r, que impulsionam a islamiza\u00e7\u00e3o e a distor\u00e7\u00e3o da revolu\u00e7\u00e3o via o apoio \u00e0s<br \/>\nfac\u00e7\u00f5es radicais da &quot;jihad&quot; (guerra santa) como o Al Nusrah, Estado Isl\u00e2mico, Ahrar al Sham e o Ex\u00e9rcito Isl\u00e2mico.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o os povos, que se rebelaram com a inten\u00e7\u00e3o de mudar o regime e alcan\u00e7ar a liberdade econ\u00f4mica e a democracia, est\u00e3o em uma situa\u00e7\u00e3o muito dif\u00edcil. Mais da metade da popula\u00e7\u00e3o s\u00e3o de refugiados e pessoas sem casa por causa da destrui\u00e7\u00e3o de cidades e povoados com avi\u00f5es de combate e tanques, misseis de longo alcance e armas qu\u00edmicas. Com a sa\u00edda de tanta gente a revolu\u00e7\u00e3o tem perdido seguidores. Os que continuaram n\u00e3o s\u00f3 enfrentam o regime, como tamb\u00e9m o Estado Isl\u00e2mico e o Al Nusrah. Estas for\u00e7as fundamentalistas, que querem impor a religi\u00e3o (segundo a interpreta\u00e7\u00e3o deles mesmos) e o estabelecimento do Califado e a luta contra os &quot;renegadores do Isl\u00e3&quot;, quer dizer, aqueles que n\u00e3o de acordo com eles. Essa \u00e9 a miss\u00e3o destes grupos sect\u00e1rios, n\u00e3o luta contra o regime. Algumas pessoas est\u00e3o em S\u00edria enfrentando a pobreza, o ass\u00e9dio por parte do regime, o colapso econ\u00f4mico e os sequestros, lutando, ao mesmo tempo, contra o Estado Isl\u00e2mico e o Al Nusrah.<\/p>\n<p>Mas se pode dizer que a situa\u00e7\u00e3o da op\u00e7\u00e3o militar est\u00e1 sofrendo agora um obst\u00e1culo intranspon\u00edvel, ainda mais depois do apoio de Ir\u00e3 a Al Assad. As mil\u00edcias xiitas de Hizbol\u00e1 do Libano foram enviadas \u00e0 S\u00edria, assim como combatentes do Afeganist\u00e3o, Tajiquist\u00e3o e tamb\u00e9m da Guarda Revolucion\u00e1ria iraniana, que agora lidera a luta contra a revolu\u00e7\u00e3o em todo o pa\u00eds. Mesmo com todo este apoio, o regime \u00e9 incapaz de reivindicar a vit\u00f3ria e por fim \u00e0 luta. No entanto, o caos da revolu\u00e7\u00e3o e da prote\u00e7\u00e3o iraniana ao regime e o papel dos grupos sect\u00e1rios, que s\u00e3o apoiados pelo regime, Ir\u00e3, Ar\u00e1bia Saudita e outros, leva o conflito a um beco sem sa\u00edda. A solu\u00e7\u00e3o agora depende uma iniciativa internacional-regional, como resultado do controle de alguns pa\u00edses como os EUA, R\u00fassia, Ir\u00e3, Ar\u00e1bia Saudita e os partidos de oposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas este n\u00e3o \u00e9 o fim da revolu\u00e7\u00e3o. A resist\u00eancia continua. Em todos os casos, a revolu\u00e7\u00e3o continuar\u00e1 at\u00e9 que o povo seja vitorioso. Isto torna mais importante e urgente a constru\u00e7\u00e3o de uma rede de solidariedade com a revolu\u00e7\u00e3o s\u00edria.<\/p>\n<p>O que opinas sobre o que est\u00e1 ocorrendo em Tun\u00edsia?<\/p>\n<p>Agora o novo governo foi formado pela alian\u00e7a Nidaa Tunis, que \u00e9 encabe\u00e7ada por um ex-ministro do antigo regime. <\/p>\n<p>Isso ocorre depois das elei\u00e7\u00f5es de dezembro passado e do fracasso do governo do movimento isl\u00e2mico Ennahda, que quis impor seu controle durante tr\u00eas anos depois da revolu\u00e7\u00e3o. Mas est\u00e1 claro que o medo de uma nova insurrei\u00e7\u00e3o do povo, sobre tudo com o regresso da aplica\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas do FMI que facilita o saqueio do imperialismo aos bens do pa\u00eds, tem levado os setores da burguesia a criar uma alian\u00e7a de grupos pol\u00edticos para representar o seu seguimento e tamb\u00e9m para unir-se ao saqueio do povo. Tem ficado claro que a depend\u00eancia do imperialismo financeiros dita as pol\u00edticas que permitem que o capital imperialista roube ainda mais, frente \u00e0 profunda crise do capitalismo que est\u00e1 ocorrendo no mundo.<\/p>\n<p>Portanto, n\u00e3o se trata da vit\u00f3ria da &quot;via democr\u00e1tica&quot;, e sim que a crise da classe dominante os obriga a afrontar o regime desta forma. J\u00e1 que na mesma propor\u00e7\u00e3o que se aprofunda a pobreza das pessoas, espera-se o povo saia a<br \/>\nlutar novamente. Este \u00e9 o caminho que se deve prestar aten\u00e7\u00e3o, ao impulso da pr\u00f3xima fase, porque o povo est\u00e1 lutando pelas mudan\u00e7as e n\u00e3o deter\u00e1 at\u00e9 ter \u00eaxito. Por isso creio que Tun\u00edsia, sem d\u00favida, ser\u00e1 o teste de uma nova revolu\u00e7\u00e3o, o que elevar\u00e1 a necessidade de discutir pol\u00edticas adequadas para satisfazer as necessidades do povo, e desenvolver a revolu\u00e7\u00e3o com o fim de ganhar verdadeiramente e n\u00e3o ser distra\u00eddo pelo processo democr\u00e1tico, que<br \/>\nreflete precisamente a devo\u00e7\u00e3o \u00e0 alian\u00e7a com os capitalistas.<\/p>\n<p>O problema \u00e9 que os velhos partidos de esquerda consideram que a via democr\u00e1tica \u00e9 a base da luta, e que \u00e9 a forma de mudar. Pelo que se debilita e perde grande parte da juventude, que jogou um papel importante na revolu\u00e7\u00e3o antes e depois. Esta jovem gera\u00e7\u00e3o \u00e9 o que conta para a mudan\u00e7a e \u00e9 a esperan\u00e7a do futuro para criar uma nova esquerda, revolucion\u00e1ria e marxista.<\/p>\n<p>Em sua opini\u00e3o, quais s\u00e3o os passos que devem tomar a esquerda revolucion\u00e1ria nos pa\u00edses \u00e1rabes no futuro pr\u00f3ximo?<\/p>\n<p>A tarefa consiste em formar partidos marxistas revolucion\u00e1rios, dependendo do esp\u00edrito das revolu\u00e7\u00f5es e da participa\u00e7\u00e3o de milh\u00f5es de jovens na pol\u00edtica sem nenhuma consci\u00eancia pol\u00edtica. J\u00e1 tem sido demonstrado que a totalidade dos velhos partidos de esquerda est\u00e3o longe das classes empobrecidas, e sofrem de fadiga j\u00e1 que a maioria de seus membros s\u00e3o maiores, e tamb\u00e9m sofrem de cansa\u00e7o intelectual e centram suas atividades na democracia. N\u00e3o s\u00e3o conscientes dos problemas  dos trabalhadores pobres e dos camponeses. Isto provocou o in\u00edcio de novos caminhos das revolu\u00e7\u00f5es que requerem o estabelecimento de uma nova esquerda revolucion\u00e1ria, que esteja formada pelo movimento e a juventude que se encontra em frente aos conflitos. A jovem gera\u00e7\u00e3o que est\u00e1 tratando de desenvolver seu intelecto atrav\u00e9s da busca de leitura do marxismo e da compreens\u00e3o da realidade, e que tamb\u00e9m est\u00e1 a buscar formas corretas de organiza\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para ganhar a revolu\u00e7\u00e3o. O que parece importante agora \u00e9: 1) A evolu\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia marxista, baseado no eixo de que o marxismo \u00e9 um m\u00e9todo de pensamento que por si s\u00f3 permite o conhecimento cient\u00edfico da realidade; 2) Iniciar um di\u00e1logo s\u00e9rio para desenvolver uma vis\u00e3o alternativa, um projeto alternativo para representar os trabalhadores e camponeses pobres. Que fale em seu nome e determine as estrat\u00e9gias que conduzam \u00e0 vit\u00f3ria da revolu\u00e7\u00e3o, sempre que estivemos na era das revolu\u00e7\u00f5es e 3) Entender como mobilizar o movimento popular at\u00e9 uma revolu\u00e7\u00e3o organizada com sua pr\u00f3pria agenda.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>| Salameh Kayleh \u00e9 um intelectual marxista s\u00edrio de origem palestino. Ele passou v\u00e1rios preso pela ditadura de Bashar Al Assad, foi preso novamente em abril de 2012 e logo depois deportado a Jord\u00e2nia. 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