

	{"id":633,"date":"2015-07-24T22:24:00","date_gmt":"2015-07-24T22:24:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/index.php\/2015\/07\/24\/arquivoid-9668\/"},"modified":"2016-02-25T16:35:56","modified_gmt":"2016-02-25T16:35:56","slug":"arquivoid-9668","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2015\/07\/24\/arquivoid-9668\/","title":{"rendered":"H\u00e1 36 anos da revolu\u00e7\u00e3o sandinista na Nicar\u00e1gua"},"content":{"rendered":"<p>Entrevista com o revolucion\u00e1rio Miguel Sorans |<\/p>\n<p>Nota de Laclase.info: 20 de julho de 2015. Completam-se 36 anos da revolu\u00e7\u00e3o sandinista na Nicar\u00e1gua. A corrente internacional encabe\u00e7ada por Nahuel Moreno, impulsionou desde seu ex\u00edlio em Bogot\u00e1 (Col\u00f4mbia) a conforma\u00e7\u00e3o de uma brigada internacionalista para lutar junto a Frente Sandinista de Liberta\u00e7\u00e3o Nacional (FSLN) contra Somoza, a hist\u00f3rica Brigada Sim\u00f3n Bol\u00edvar.<\/p>\n<p>Hoje, a Nicar\u00e1gua \u00e9 novamente governada pela Frente Sandinista, no entanto, o pa\u00eds continua afundado na pobreza. As esperan\u00e7as do povo nica se frustraram e n\u00e3o deixam vest\u00edgios daquele vendaval revolucion\u00e1rio que atravessou a Am\u00e9rica Central.<\/p>\n<p>Queremos recordar esse fato, reproduzindo uma entrevista que no ano de 2007 fizeram a Miguel Sorans, um dos principais dirigentes da Brigada Sim\u00f3n Bol\u00edvar (BSB) e da Unidade Internacional dos Trabalhadores (UIT-CI), a qual foi publicada no jornal El Socialista, da Argentina.<\/p>\n<p>Entrevistador : Em primeiro lugar, quer\u00edamos que nos falasse um pouco sobre tua experi\u00eancia com a Brigada Sim\u00f3n Bol\u00edvar (BSB) e a rela\u00e7\u00e3o desta pol\u00edtica com Moreno.<\/p>\n<p>M.S: A BSB foi um grande acerto de Nahuel Moreno em 1979. Uma iniciativa que foi n\u00e3o s\u00f3 sua, mas de toda a LIT-CI (Liga Internacional dos Trabalhadores \u2013 Quarta Internacional, a corrente internacional que havia fundado o pr\u00f3prio Moreno, em 1982). Moreno teve a iniciativa de formar uma brigada de combatentes, retomando uma tradi\u00e7\u00e3o que foi abandonada pelo estalinismo desde a Guerra Civil Espanhola, em 1936, com as Brigadas Internacionais.<\/p>\n<p>Desde ent\u00e3o, n\u00e3o havia existido uma brigada assim, de volunt\u00e1rios, de combatentes. Foi Moreno, nossa corrente, o trotskismo, quem, no caso da guerra civil nicaraguense, retomamos essa tradi\u00e7\u00e3o. Foi uma brigada baseada na unidade de a\u00e7\u00e3o. Na luta pela tomada do poder contra Somoza, na guerra civil. A Brigada combateu na Frente Sul. Tivemos companheiros que morreram, muitos outros ca\u00edram feridos e tamb\u00e9m formamos uma coluna, na qual participei, quer tomou, na costa atl\u00e2ntica, a cidade de Bluefields (uma regi\u00e3o majoritariamente composta por negros, como reflexo do per\u00edodo de coloniza\u00e7\u00e3o, que falam um dialeto local), onde tomamos o poder, em unidade com outro setor (que era sandinista, por\u00e9m n\u00e3o estava integrado organicamente) e come\u00e7amos a formar as mil\u00edcias, a fundar sindicatos. Era uma cidade importante para a Nicar\u00e1gua, devido a exist\u00eancia do porto. Assim, come\u00e7ou um enfrentamento pol\u00edtico porque, nessa cidade, n\u00e3o formamos o mesmo tipo de governo que estava sendo constitu\u00eddo nacionalmente, com partidos burgueses, como o de Violeta Chamorro. Os \u201cchamorristas\u201d da cidade foram discutir com o sandinismo como resolver este \u201cproblema\u201d de uma brigada latino-americana que havia tomado o poder na regi\u00e3o. Este foi um dos muitos conflitos que tivemos com os sandinistas.<\/p>\n<p>Depois, a brigada fundou os primeiros sindicatos em Managua, o que aumentou ainda mais o conflito. Os brigadistas eram colombianos, panamenhos, argentinos, costarriquenhos, com distintas forma\u00e7\u00f5es. Os trotskistas \u00e9ramos minoria. Era uma brigada fundamentada na unidade de a\u00e7\u00e3o e \u00e9ramos independentes das pol\u00edticas do sandinismo.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, quando depois fomos formando os sindicatos, houve um forte choque com o governo, que terminou com nossa expuls\u00e3o, porque defend\u00edamos que n\u00e3o houvesse ministros burgueses no governo, que a reforma agr\u00e1ria e as expropria\u00e7\u00f5es fossem aprofundadas e por isso fomos expulsos. <\/p>\n<p>Entrevistador: Qual \u00e9 a import\u00e2ncia das orienta\u00e7\u00f5es de Moreno no que se refere a organiza\u00e7\u00e3o da Brigada e fundamentalmente, no balan\u00e7o do processo? Os escritos de Moreno sobre Nicar\u00e1gua, at\u00e9 hoje, s\u00e3o considerados alguns de seus principais aportes. <\/p>\n<p>M.S: O balan\u00e7o foi positivo no sentido de que foi um marco e no que se refere as orienta\u00e7\u00f5es de Moreno, de ser muito flex\u00edvel com as t\u00e1ticas. Por exemplo, Moreno nunca foi defensor da pol\u00edtica guerrilheira, por\u00e9m, neste caso, defendeu a rela\u00e7\u00e3o com uma guerrilha que havia sido foquista, por\u00e9m, que naquele momento, em 1979, se havia convertido em um movimento de massas. N\u00e3o era um foco guerrilheiro. E diante disso, tivemos uma unidade semelhante a que Trotsky defendeu em rela\u00e7\u00e3o a frete republicana na Guerra Civil Espanhola. Com independ\u00eancia pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m, a experi\u00eancia da Nicar\u00e1gua revelou que \u00e9 muito dif\u00edcil construir um partido em um momento como aquele, a partir de um pequeno grupo. \u00c9 uma li\u00e7\u00e3o de que oi partido tem que ser constru\u00eddo em um per\u00edodo maior. N\u00e3o digo que a iniciativa de construir o partido tenha sido equivocada, porque foi um intento correto de construir um partido revolucion\u00e1rio. Tanto \u00e9 assim que o sandinismo e o castrismo nos expulsaram exatamente para cortar da raiz a possibilidade de que se constru\u00edsse um polo revolucion\u00e1rio na Nicar\u00e1gua<\/p>\n<p>Entrevistador: Quase 30 anos depois da Brigada e 20 da morte de Moreno, e com Daniel Ortega, de novo no poder, como avalias este fato e o resgate da trajet\u00f3ria da vida e do legado de Moreno?<\/p>\n<p>M.S: Creio que, realmente, \u00e9 uma confirma\u00e7\u00e3o da orienta\u00e7\u00e3o que tivemos naquele momento, de independ\u00eancia frente ao sandinismo, porque h\u00e1 quase 30 anos da revolu\u00e7\u00e3o nicaraguense e a 20 anos da morte de Moreno, se confirma que o sandinsmo como corrente pequeno burguesa nacionalista, e que defendia um suposto socialismo colaborando com a burguesia e consensualizando com o imperialismo, se demonstrou como um discurso vazio.<\/p>\n<p>E agora, quando Daniel Ortega volta a presidir, atrav\u00e9s dos votos, um governo de total concilia\u00e7\u00e3o de classes com o imperialismo e a igreja, chegamos ao extremo de ver que o vice-presidente de Ortega \u00e9 um ex contra (grupo financiado pelo imperialismo, que lutou contra os sandinistas depois da tomada do poder) e que, inclusive, Daniel Ortega vive na mans\u00e3o deste vice-presidente, que foi tomada e expropriada pessoalmente por ele mesmo. \u00c9 como se diz, uma dessas situa\u00e7\u00f5es nas que Marx diria que \u201ca hist\u00f3ria se repete como trag\u00e9dia\u201d.<\/p>\n<p>Naquele momento, para a esquerda latino-americana, nossa postura era considerada sect\u00e1ria. Muitos, inclusive nas fileiras do trotskismo \u201cjustificavam\u201d nossa expuls\u00e3o, dizendo que nossa posi\u00e7\u00e3o era \u201cexagerada\u201d, ultra esquerdista. Isso era dito pelo trotskismo revisionista mandelista, pelo castrismo e outros setores de esquerda e lutadores de ent\u00e3o, que viam o sandinismo como um caminho. O mesmo que dizem hoje, quando criticamos a Ch\u00e1vez. Por\u00e9m, o fato de haver constitu\u00eddo um ponto de partida frente aquele processo foi fundamental para educar e continuar educando uma camada de revolucion\u00e1rios.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entrevista com o revolucion\u00e1rio Miguel Sorans | Nota de Laclase.info: 20 de julho de 2015. Completam-se 36 anos da revolu\u00e7\u00e3o sandinista na Nicar\u00e1gua. 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