

	{"id":634,"date":"2015-07-29T19:52:00","date_gmt":"2015-07-29T19:52:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/index.php\/2015\/07\/29\/arquivoid-9669\/"},"modified":"2016-02-25T16:22:51","modified_gmt":"2016-02-25T16:22:51","slug":"arquivoid-9669","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2015\/07\/29\/arquivoid-9669\/","title":{"rendered":"Gr\u00e9cia: a rendi\u00e7\u00e3o de Tsipras"},"content":{"rendered":"<p>|<\/p>\n<p>Por Felipe Melo &#8211; Coordena\u00e7\u00e3o da CST\/PSOL<\/p>\n<p>Na madrugada de 12 para 13 de julho, o mundo acompanhava o desenrolar da reuni\u00e3o de l\u00edderes da Uni\u00e3o Europeia (UE) que ia discutir um novo plano de austeridade para a Gr\u00e9cia. Mesmo com um recha\u00e7o contundente da pol\u00edtica de austeridade imposta pela Troika (UE, Banco Central Europeu &#8211; BCE &#8211; e Fundo Monet\u00e1rio Internacional &#8211; FMI) no referendo de 5 de julho, o primeiro ministro grego e dirigente do partido Syriza, Alex Tsipras, apresentou aos chefes de Estado da Europa uma proposta de acordo que previa mais medidas que retirariam direitos dos trabalhadores, aumentariam impostos e entregariam setores estrat\u00e9gicos do pa\u00eds \u00e0 iniciativa privada.<\/p>\n<p>Acordo ampliar\u00e1 a crise social grega<\/p>\n<p>Alegando falta de confian\u00e7a no Syriza, o Eurogrupo &#8211; f\u00f3rum de Ministros de Finan\u00e7as dos pa\u00edses da UE &#8211; exigiu que fossem aprovadas, j\u00e1 no dia 15 de julho, quatro medidas \u201cemergenciais\u201d.  Entre as medidas, estava o aumento do imposto sobre o consumo; reforma na previd\u00eancia; aprova\u00e7\u00e3o de leis que imp\u00f5e cortes autom\u00e1ticos ao or\u00e7amento social caso o governo n\u00e3o cumpra com as metas de super\u00e1vit fiscal (economia para pagar a d\u00edvida); e a privatiza\u00e7\u00e3o do setor el\u00e9trico do pa\u00eds.O acordo foi aprovado, garantindo um empr\u00e9stimo transit\u00f3rio para os gregos de mais de 7 bilh\u00f5es de euros, que servir\u00e3o para pagar d\u00edvidas com o FMI e BCE em sua maioria.Agora, Tsipras ter\u00e1 mais um m\u00eas para negociar o 3\u00ba plano de resgate com a Troika para os pr\u00f3ximos tr\u00eas anos: uma ajuda que pode chegar a 86 bilh\u00f5es de euros. (ver no boxe ao lado as medidas impostas pela Uni\u00e3o Europeia)<\/p>\n<p>Mais austeridade gera crise no Syriza<\/p>\n<p>Os dois pacotes de \u201cresgate\u201d aos quais a Gr\u00e9cia esteve submetida foram aplicados pelos partidos do regime bipartid\u00e1rio grego, PASOK (social-democracia) e Nova Democracia (direita tradicional), e levaram o pa\u00eds a uma crise humanit\u00e1ria: o desemprego chegou a 50% entre os jovens; foram fechadas 30% das empresas; o sal\u00e1rio caiu em cerca de 38% e as aposentadorias e pens\u00f5es em uns 45%. Ao mesmo tempo, mesmo com todos esses cortes para pagar a d\u00edvida, a mesma chegou a 175% do Produto Interno Bruto (PIB).Foi justamente contra esse caos social que o Syriza venceu as elei\u00e7\u00f5es de 25 de janeiro, o que consideramos uma vit\u00f3ria do povo contra os planos de austeridade.<\/p>\n<p>\u00c9 neste contexto que 109 dos 201 membros do Comit\u00ea Central do Syriza lan\u00e7aram um documento, na manh\u00e3 de 15 de julho, chamando o partido a recha\u00e7ar no parlamento o acordo feito por Tsipras com a Uni\u00e3o Europeia. Comit\u00eas regionais tamb\u00e9m se posicionaram de forma contr\u00e1ria, o que levou 32 deputados do partido a votarem contra o acordo, 6 se absterem e um a n\u00e3o comparecer \u00e0 vota\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A corrente trotskista DEA (Esquerda dos Trabalhadores Internacionalistas), parte da Plataforma de Esquerda do Syriza, afirma que Tsipras e seu governo tra\u00edram o N\u00c3O do povo no referendo ao aceitar um acordo ainda pior. Apesar das amea\u00e7as de expuls\u00e3o, eles se autodenominam como o Syriza de Esquerda e diz que vai se centralizar pelo programa fundacional do partido e n\u00e3o pelo acordo com a troika, pois eles n\u00e3o aceitam a austeridade.<br \/>\nO DEA tamb\u00e9m convoca a esquerda que est\u00e1 fora do Syriza a fazer uma unidade contra o novo memorando, o que j\u00e1 ocorreu no dia 15 de julho na greve geral dos servidores, e que apostamos que se intensifique com a perspectiva de fortalecimento de um campo verdadeiramente contra a austeridade.<\/p>\n<p>Um debate estrat\u00e9gico: \u00e9 poss\u00edvel acabar com a austeridade sem ruptura com a d\u00edvida p\u00fablica e o euro?<\/p>\n<p>A ilus\u00e3o com a UE ainda tem muito peso na classe trabalhadora grega e conta com o refor\u00e7o de Tsipras e da maioria dos setores da esquerda mundial, que cedem \u00e0s confus\u00f5es e n\u00e3o explicam de forma paciente, mesmo que fiquem em minoria, que \u00e9 imposs\u00edvel ter justi\u00e7a social, sal\u00e1rios e aposentadorias dignas, servi\u00e7os p\u00fablicos de qualidade e soberania, ou seja, aplicar o programa de governo do Syriza, nos marcos de uma Uni\u00e3o Europeia que j\u00e1 est\u00e1 \u00e0 servi\u00e7o dos bancos e grandes empresas, sobretudo alem\u00e3s e francesas.Mesmo sendo ainda maioria a posi\u00e7\u00e3o pelo euro, a mesma pesquisa aponta que 29% do eleitorado do Syriza avalia que o governo deveria ter rompido as negocia\u00e7\u00f5es e abandonado o euro. Tsipras afirmou que n\u00e3o concorda com o acordo, mas que ele foi o \u00fanico poss\u00edvel para manter o pa\u00eds no euro, e que um retorno ao Dracma &#8211; moeda grega &#8211; levaria a uma cat\u00e1strofe social na Gr\u00e9cia. Concordamos que uma ruptura com o euro traria, em um primeiro momento, grandes dificuldades, mas, a m\u00e9dio e longo prazo, com uma pol\u00edtica correta, haveria uma luz no fim do t\u00fanel, enquanto hoje a \u00fanica perspectiva \u00e9 maior ajuste, desemprego, cortes salariais e mis\u00e9ria.<\/p>\n<p>N\u00e3o tendo uma perspectiva estrat\u00e9gica de ruptura, Tsipras e o governo de Syriza veem a manuten\u00e7\u00e3o deste modelo econ\u00f4mico como um fato consumado, mesmo que tenham que se tornar os aplicadores de um novo memorando contra o povo; tudo para pagar uma d\u00edvida p\u00fablica que a auditoria pr\u00e9via considerou ilegal e impag\u00e1vel, pois foi utilizada para salvar os bancos privados.<\/p>\n<p>De nossa parte, defendemos a unidade que prop\u00f5e DEA de unificar todos aqueles que rejeitam o ajuste que vai ser aplicado pelo governo Tsipras e os outros partidos do regime. Seguimos defendendo o n\u00e3o pagamento da d\u00edvida p\u00fablica ilegal e a ruptura com o euro como \u00fanica sa\u00edda para acabar com a austeridade. E tamb\u00e9m apontamos medidas de fundo, como a nacionaliza\u00e7\u00e3o dos bancos e das empresas privatizadas, colocando-as sob controle dos trabalhadores, para que sejam os capitalistas que paguem pela crise.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>| Por Felipe Melo &#8211; Coordena\u00e7\u00e3o da CST\/PSOL Na madrugada de 12 para 13 de julho, o mundo acompanhava o desenrolar da reuni\u00e3o de l\u00edderes da Uni\u00e3o Europeia (UE) que ia discutir um novo plano de austeridade para a Gr\u00e9cia. 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