

	{"id":6353,"date":"2020-04-27T18:58:36","date_gmt":"2020-04-27T18:58:36","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/?p=6353"},"modified":"2020-04-27T19:07:11","modified_gmt":"2020-04-27T19:07:11","slug":"o-fim-do-psr-capitulo-final-de-uma-geracao-do-trotskismo-brasileiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2020\/04\/27\/o-fim-do-psr-capitulo-final-de-uma-geracao-do-trotskismo-brasileiro\/","title":{"rendered":"O fim do PSR: cap\u00edtulo final de uma gera\u00e7\u00e3o do trotskismo brasileiro"},"content":{"rendered":"<h6 dir=\"ltr\" style=\"text-align: right;\"><strong>Escreve:\u00a0<\/strong>Henrique Lignani \u2013 <em>Historiador e professor da rede estadual do RJ<\/em> e<br \/>\nMichel Tunes &#8211; coordena\u00e7\u00e3o<em>\u00a0nacional da CST<\/em><\/h6>\n<hr \/>\n<p dir=\"ltr\"><em>(\u00faltimo artigo do especial 80 anos do PSR, um conjunto de artigos hist\u00f3ricos publicado mensalmente no jornal Combate Socialista entre setembro de 2019 e Mar\u00e7o de 2020)<\/em><\/p>\n<hr \/>\n<p dir=\"ltr\">Fundado em 1939, o Partido Socialista Revolucion\u00e1rio atuou at\u00e9 o in\u00edcio da d\u00e9cada de 1950. Apesar da sua import\u00e2ncia pol\u00edtica, o partido atravessou diversas crises, o que ajuda a entender o seu fim, por volta de 1952. A dissolu\u00e7\u00e3o do PSR possui grande import\u00e2ncia para o trotskismo brasileiro, marcando o fim da segunda gera\u00e7\u00e3o do movimento.<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><strong>A cis\u00e3o \u201canti-defensista\u201d de 1940<\/strong><\/p>\n<p dir=\"ltr\">Um primeiro momento de crise atravessado pelo PSR ocorreu em 1940. Suas origens se situam nos debates em n\u00edvel internacional, sendo aquele um contexto turbulento para o trotskismo no mundo inteiro. Primeiramente, destaca-se o fato de que a IV Internacional, fundada em 1938, logo se viu imersa em uma realidade marcada pela Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Diante da situa\u00e7\u00e3o de guerra na Europa, a sede da Internacional foi obrigada a se transferir de Paris para Nova Iorque, ficando a sua dire\u00e7\u00e3o praticamente restrita ao SWP (se\u00e7\u00e3o estadunidense da IV Internacional). Com as dificuldades impostas pela situa\u00e7\u00e3o, as atividades pol\u00edticas da IV Internacional ficaram muito reduzidas, existindo, al\u00e9m disso, a interrup\u00e7\u00e3o quase total dos contatos entre as diferentes se\u00e7\u00f5es nacionais. Sem d\u00favidas essa realidade afetou o partido brasileiro, provocando um isolamento do PSR.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">N\u00e3o bastassem as consequ\u00eancias da eclos\u00e3o do conflito armado, em 1940 a IV Internacional atravessou ainda uma crise interna, provocando uma importante cis\u00e3o no movimento. Desde 1939, com a assinatura do pacto de n\u00e3o-agress\u00e3o entre Hitler e Stalin e com as amea\u00e7as de invas\u00e3o \u00e0 Pol\u00f4nia e \u00e0 Finl\u00e2ndia pelo Ex\u00e9rcito sovi\u00e9tico, o debate sobre a caracteriza\u00e7\u00e3o da URSS ganhou for\u00e7a entre os trotskistas. Ela ainda poderia ser considerada um \u201cEstado oper\u00e1rio burocraticamente degenerado\u201d, defini\u00e7\u00e3o formulada por Trotsky; ou deveria ser encontrada outra caracteriza\u00e7\u00e3o, como \u201cEstado livre burocratizado\u201d (sem car\u00e1ter oper\u00e1rio) ou at\u00e9 mesmo um Estado imperialista? A burocracia surgida no seio do Partido Comunista da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica poderia ou n\u00e3o ser considerada uma nova classe? Essa pol\u00eamica teve forte repercuss\u00e3o no SWP estadunidense, ocasionando o rompimento de um grupo de militantes liderados por Max Schachtman e James Burnham, e logo alcan\u00e7ou outras se\u00e7\u00f5es nacionais. N\u00e3o se tratava apenas de um debate te\u00f3rico, pois uma mudan\u00e7a de caracteriza\u00e7\u00e3o acarretaria na mudan\u00e7a da pol\u00edtica da IV Internacional, pautada pela defesa incondicional da URSS contra um ataque imperialista.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Em maio de 1940 foi realizada a Confer\u00eancia de Emerg\u00eancia da IV Internacional, em consequ\u00eancia da eclos\u00e3o da guerra, ocasi\u00e3o em que se lan\u00e7ou um documento intitulado \u201cManifesto da IV Internacional sobre a guerra imperialista e a revolu\u00e7\u00e3o prolet\u00e1ria mundial\u201d (tamb\u00e9m conhecido como \u201cManifesto de alarme\u201d). Respondendo \u00e0s pol\u00eamicas em curso naquele momento, o texto reafirmava o princ\u00edpio de defesa revolucion\u00e1ria da URSS diante de uma amea\u00e7a imperialista, o que n\u00e3o significaria a defesa da burocracia stalinista, mas sim das conquistas da Revolu\u00e7\u00e3o de Outubro.<\/p>\n<div id=\"attachment_6360\" style=\"width: 778px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/orientacao-socialista-out-1947.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-6360\" class=\"size-large wp-image-6360\" src=\"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/orientacao-socialista-out-1947-768x1024.jpg\" alt=\"\" width=\"768\" height=\"1024\" srcset=\"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/orientacao-socialista-out-1947-768x1024.jpg 768w, https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/orientacao-socialista-out-1947-225x300.jpg 225w, https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/orientacao-socialista-out-1947-38x50.jpg 38w, https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/orientacao-socialista-out-1947-600x800.jpg 600w, https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/orientacao-socialista-out-1947.jpg 1536w\" sizes=\"auto, (max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-6360\" class=\"wp-caption-text\">Edi\u00e7\u00e3o de outubro de 1947<\/p><\/div>\n<p dir=\"ltr\"><strong>O jornal vanguarda socialista agrupa os antidefensistas ligados a Mario Pedrosa<\/strong><\/p>\n<p dir=\"ltr\">Os problemas em torno dessa discuss\u00e3o atingiram o PSR no mesmo ano de 1940. Em meio a um contexto que j\u00e1 era dif\u00edcil para a atua\u00e7\u00e3o do partido, que sofria a pesada repress\u00e3o imposta pela ditadura de Vargas (incluindo a pris\u00e3o de militantes), M\u00e1rio Pedrosa, um dos fundadores do trotskismo no Brasil, aderiu \u00e0s perspectivas \u201canti-defensistas\u201d, rompendo com a Internacional. Devido \u00e0 grande influ\u00eancia de Pedrosa no partido brasileiro muitos militantes se somaram \u00e0s posi\u00e7\u00f5es por ele adotadas, o que levou ao afastamento de grande parte da \u201cprimeira gera\u00e7\u00e3o\u201d do trotskismo brasileiro. Pedrosa e seus companheiros fundaram o peri\u00f3dico Vanguarda Socialista, em 1945, reunindo intelectuais em grande parte provenientes do trotskismo. O jornal foi um importante meio de divulga\u00e7\u00e3o para a esquerda brasileira, tendo como eixo uma perspectiva socialista cr\u00edtica tanto ao stalinismo quanto ao bolchevismo. Distanciava-se da id\u00e9ia leninista do partido de vanguarda e, em alguma medida, se aproximava de algumas concep\u00e7\u00f5es organizativas de Rosa Luxemburgo. Posteriormente, foram parte do movimento que deu origem \u00e0 Esquerda Democr\u00e1tica e ao Partido Socialista Brasileiro (PSB), adotando posi\u00e7\u00f5es revisionistas e reformistas. Entre os ex-trotskistas que colaboraram com Vanguarda Socialista, al\u00e9m de M\u00e1rio Pedrosa, podemos citar outros importantes militantes: Patr\u00edcia Galv\u00e3o, Hilcar Leite, Pl\u00ednio Gomes de Mello, Febus Gikovate, Fulvio Abramo, Edmundo Moniz, Aristides Lobo.<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><strong>O PSR manteve uma postura firme<\/strong><\/p>\n<p dir=\"ltr\">\u00c9 importante ressaltar que enquanto enfrentava essa grave crise interna, o PSR reafirmou sua ades\u00e3o aos princ\u00edpios da IV Internacional. Existe men\u00e7\u00e3o a uma carta enviada pelo PSR \u00e0 IV Internacional, na qual o partido \u201cse declara pronto, apesar da forte tend\u00eancia derrotista existente nas suas fileiras, a continuar a defender o slogan de defesa incondicional [da URSS] at\u00e9 que uma decis\u00e3o internacional seja alcan\u00e7ada\u201d [1].<\/p>\n<p dir=\"ltr\">De qualquer forma, o processo de cis\u00e3o impactou gravemente os trotskistas no pa\u00eds. As debilidades apresentadas pelo partido podem ser percebidas em um texto de balan\u00e7o das atividades da se\u00e7\u00e3o brasileira apresentado durante a j\u00e1 citada Confer\u00eancia de Emerg\u00eancia de 1940. No documento em quest\u00e3o afirmava-se o seguinte: \u201cO movimento pela Quarta Internacional no Brasil \u00e9 um dos mais antigos no continente; foi organizado por volta de 1930-31. Desde sua forma\u00e7\u00e3o, passou por uma s\u00e9rie de crises pol\u00edticas e organizacionais. Politicamente, tem sido um dos grupos mais ativos; mas devido \u00e0 aus\u00eancia de uma lideran\u00e7a pol\u00edtica firme e est\u00e1vel, sua vida pol\u00edtica assume uma forma desorganizada e se traduz, muitas vezes, em uma crise organizacional\u201d [2].<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><strong>Os anos finais do PSR<\/strong><\/p>\n<p dir=\"ltr\">Ap\u00f3s um per\u00edodo de maior atividade entre 1945 e 1948, no qual houve, por exemplo, a publica\u00e7\u00e3o regular do jornal Orienta\u00e7\u00e3o Socialista, o PSR perdeu for\u00e7as novamente no final dos anos 1940. O per\u00edodo final da exist\u00eancia do partido \u00e9 pouco documentado e necessita de mais estudo por parte tanto dos historiadores quanto dos militantes trotskistas. Por\u00e9m existem algumas informa\u00e7\u00f5es importantes (apresentadas pelo historiador Murilo Leal) que indicam a exist\u00eancia de uma nova crise interna antes da dissolu\u00e7\u00e3o final. A exist\u00eancia de diverg\u00eancias internas no PSR pode ser observada na realiza\u00e7\u00e3o de uma reuni\u00e3o ampliada do partido, em 1951, pr\u00e9via ao III Congresso da IV Internacional. Segundo as informa\u00e7\u00f5es apresentadas por Murilo Leal, as diverg\u00eancias envolveram o reconhecimento da se\u00e7\u00e3o oficial na Argentina: enquanto o PSR defendia a escolha do Partido Obrero Revolucionario (POR), de Nahuel Moreno, o delegado brasileiro enviado ao Congresso (cujo codinome era \u201cFelipe\u201d) se posicionou favoravelmente a J. Posadas (agrupado com a maioria da Internacional, cujos expoentes eram Pablo e Mandel).<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Neste mesmo per\u00edodo ocorre o afastamento de Herm\u00ednio Sacchetta e posteriormente sua aproxima\u00e7\u00e3o de algumas das posi\u00e7\u00f5es adotadas por M\u00e1rio Pedrosa. Sacchetta ainda colaborou por algum tempo com o PSR na condi\u00e7\u00e3o de simpatizante e, em 1956, fundou a Liga Socialista Independente.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Este referido Congresso tamb\u00e9m d\u00e1 mostras de que havia fragilidade nos v\u00ednculos existentes entre o PSR e o centro da IV Internacional. Em documento relativo \u00e0s tarefas para a Am\u00e9rica Latina, mencionava-se brevemente a \u201cnossa se\u00e7\u00e3o reorganizada\u201d no Brasil, \u201cque deve ser auxiliada pela Internacional\u201d [3], afirma\u00e7\u00e3o que sugere, al\u00e9m do processo de \u201creorganiza\u00e7\u00e3o\u201d pelo qual passava o partido ap\u00f3s sucessivos rompimentos, que este aux\u00edlio internacional n\u00e3o acontecia naquele momento. Nesse sentido, \u00e9 poss\u00edvel inferir que o tamanho reduzido do partido, as dificuldades vivenciadas no per\u00edodo e o contexto de crise tornaram o PSR praticamente inativo naquele momento.<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><strong>O pablismo\/posadismo e o trotskismo no Brasil<\/strong><\/p>\n<p dir=\"ltr\">Caminhando para a conclus\u00e3o desta s\u00e9rie de textos sobre os 80 anos do PSR, retornamos a um evento citado acima: o III Congresso da IV Internacional, de 1951. Como mencionado, na pol\u00eamica envolvendo o reconhecimento da se\u00e7\u00e3o trotskista na Argentina, h\u00e1 ind\u00edcios de que o PSR tenha se manifestado favoravelmente a Moreno, contra Posadas. Entretanto, apoiado por Michel Pablo e Ernest Mandel, o grupo posadista foi eleito como se\u00e7\u00e3o oficial argentina. A exist\u00eancia desta pol\u00eamica no PSR, algo que ainda precisa ser mais pesquisado, poderia parecer menor ou passar despercebida. Por\u00e9m, de um ponto de vista internacional expressa uma profunda diverg\u00eancia pol\u00edtica e program\u00e1tica, pois Nahuel Moreno foi o principal dirigente latino americano da IV Internacional e uma das lideran\u00e7as da luta internacional contra Pablo e Mandel e contra a nova orienta\u00e7\u00e3o que defendiam para o movimento: o &#8220;entrismo suis generis&#8221;.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">No plano da IV internacional a pol\u00edtica e orienta\u00e7\u00e3o estavam em debate no referido congresso mundial. Se tratava, no fim das contas, do apoio ou n\u00e3o a essas posi\u00e7\u00f5es defendidas pelo \u201cpablismo&#8221;. Segundo os formuladores do &#8220;entrismo suis generis&#8221;, o contexto pol\u00edtico mundial, marcado pela guerra fria entre EUA e URSS, apontava para uma inevit\u00e1vel \u201cterceira guerra mundial\u201d envolvendo os dois pa\u00edses. Isso obrigaria os Partidos Comunistas ao redor do mundo a adotarem posi\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias para defender a URSS. Dessa forma, Pablo e Mandel defendiam que os trotskistas entrassem nos Partidos Comunistas (ou, em certos casos, em correntes de esquerda de movimentos nacionalistas burgueses) n\u00e3o por um breve per\u00edodo, mas at\u00e9 que houvesse a tomada do poder, linha aprovada no III Congresso da IV Internacional. Moreno, junto a setores das se\u00e7\u00f5es inglesa e francesa e ao SWP estadunidense, se op\u00f4s a essa linha. Criticava tal an\u00e1lise como sendo revisionista, uma vez que reavaliava o car\u00e1ter dos Partidos Comunistas dirigidos pelo stalinismo e considerava que eles poderiam voltar a ser revolucion\u00e1rios. Se trata do trotskismo ortodoxo que originou Comit\u00ea Internacional, chegando a produzir uma cis\u00e3o\u00a0 da IV internacional em 1953.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">No Brasil, ap\u00f3s o fim do PSR, houve a funda\u00e7\u00e3o de um novo partido atrelado politicamente \u00e0 tend\u00eancia pablista\/posadista: o Partido Oper\u00e1rio Revolucion\u00e1rio (POR). Fundado em 1952, este partido se formou a partir do envio para o Brasil de um dirigente argentino vinculado ao grupo de Posadas.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Apesar de ter produzido algumas an\u00e1lises interessantes sobre a realidade brasileira, a atua\u00e7\u00e3o do POR foi caracterizada por uma s\u00e9rie de erros que comprometeram a forma\u00e7\u00e3o do partido trotskista no pa\u00eds. Indo de acordo com a orienta\u00e7\u00e3o sua tend\u00eancia internacional, o partido praticou o \u201centrismo aqui generis\u201d entre 1954 e 1962. A t\u00e1tica foi aplicada em rela\u00e7\u00e3o ao PCB e ao rec\u00e9m fundado PCdoB, partidos nos quais sequer havia espa\u00e7o para o debate interno. Ap\u00f3s esse per\u00edodo, tend\u00eancias nacionalistas burguesas, como o brizolismo, tamb\u00e9m foram alvo do \u201centrismo sui generis\u201d do POR. O argumento era que tais tend\u00eancias poderiam desempenhar o papel de dire\u00e7\u00e3o de uma etapa do processo revolucion\u00e1rio. Assim capitulava as velhas dire\u00e7\u00f5es pelegas ou diretamente burguesas, se negando a construir um partido independente e revolucion\u00e1rio. N\u00e3o foi um acidente, portanto, realizar campanha para J\u00e2nio Quadros em elei\u00e7\u00e3o para prefeito de SP em 1953.<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><strong>O revisionismo destruiu o partido trotskista e abandonou a constru\u00e7\u00e3o da IV Internacional no Brasil<\/strong><\/p>\n<p dir=\"ltr\">Em 1962, o pr\u00f3prio Posadas rompe com seus antigos aliados na dire\u00e7\u00e3o da IV Internacional, mantendo o POR brasileiro sob sua influ\u00eancia. Por\u00e9m, a aus\u00eancia de um balan\u00e7o dos resultados da atua\u00e7\u00e3o do partido e a condu\u00e7\u00e3o da sua dire\u00e7\u00e3o por parte de Posadas foram alvo de cr\u00edticas internas. Essas cr\u00edticas, que apontavam o personalismo e a falta de democracia na organiza\u00e7\u00e3o, foram logo suprimidas e taxadas de \u201cfracionistas\u201d. Entre idas e vindas, com alguns \u00eaxitos pontuais, o POR existiu at\u00e9 1966. Por\u00e9m, sua dire\u00e7\u00e3o posadista j\u00e1 afastava o partido da IV Internacional e fundava sua pr\u00f3pria Internacional.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Nota-se, portanto, como o revisionismo, em dois momentos, primeiro com os antidefensistas e em seguida com os posadistas, foi crucial para o que se poderia denominar de uma esp\u00e9cie de fim do trotskismo como organiza\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria no Brasil. No in\u00edcio dos anos 50, apesar de alguns combates, n\u00e3o existiu uma corrente trotskista ortodoxa vigorosa que desse a batalha at\u00e9 o final como existiu em outros pa\u00edses, em especial o caso argentino, sob a condu\u00e7\u00e3o de Nahuel Moreno. No Brasil o posadismo, apesar certos focos de resist\u00eancias parciais, p\u00f4de seguir levando quadros para fora da IV internacional, impondo a dispers\u00e3o e crise dos revolucion\u00e1rios.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Ao finalizar essa s\u00e9rie de artigos esperamos que os acertos, bem como as debilidades e insufici\u00eancias do PSR, possam estimular reflex\u00f5es e servir de base para a constru\u00e7\u00e3o do partido revolucion\u00e1rio em nosso pa\u00eds, al\u00e9m de ajudar a seguir a batalha pela reconstru\u00e7\u00e3o da IV internacional. Do mesmo modo, esperamos que n\u00e3o se subestime a influ\u00eancia de grupos revisionistas e ecl\u00e9ticos, pablistas\/mandelistas, que foram respons\u00e1veis pela destrui\u00e7\u00e3o da IV enquanto uma organiza\u00e7\u00e3o centralizada mundial e do abandono do programa de Transi\u00e7\u00e3o, cujo efeito no Brasil foi um retrocesso program\u00e1tico e organizativo, como se nota na experi\u00eancia do posadismo. Isso imp\u00f5e hoje como tarefa imprescind\u00edvel a necessidade de sua reconstru\u00e7\u00e3o como partido mundial da revolu\u00e7\u00e3o socialista e a constru\u00e7\u00e3o de um partido revolucion\u00e1rio no Brasil.<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><strong>Notas<\/strong><\/p>\n<p dir=\"ltr\">[1] SUPPLEMENTARY Statement of the International Executive Committee. Adopted by the Emergency Conference of the Fourth International, 19-26\/05\/1940. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/history\/etol\/document\/fi\/1938-1949\/emergconf\/fi-emerg04.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer noreferrer\" data-saferedirecturl=\"https:\/\/www.google.com\/url?q=https:\/\/www.marxists.org\/history\/etol\/document\/fi\/1938-1949\/emergconf\/fi-emerg04.htm&amp;source=gmail&amp;ust=1588097495386000&amp;usg=AFQjCNHM70vdgGP3WuIikfJXQKbNa8v_Ag\">https:\/\/www.marxists.org\/<wbr \/>history\/etol\/document\/fi\/1938-<wbr \/>1949\/emergconf\/fi-emerg04.htm<\/a>&gt; (acesso em 14\/01\/2020).<\/p>\n<p dir=\"ltr\">[2] GONZALES, Colay. On the movement of the Fourth International in Latin America. Report to the Emergency Conference of the Fourth International by the Latin American Department. Adopet by the Emergency Conference of the Fourth International, 19-26\/05\/1940. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/history\/etol\/document\/fi\/1938-1949\/emergconf\/fi-emerg14.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer noreferrer\" data-saferedirecturl=\"https:\/\/www.google.com\/url?q=https:\/\/www.marxists.org\/history\/etol\/document\/fi\/1938-1949\/emergconf\/fi-emerg14.htm&amp;source=gmail&amp;ust=1588097495386000&amp;usg=AFQjCNFT5GEqjkWRR8EqaJa1MM_gvsv9OA\">https:\/\/www.marxists.org\/<wbr \/>history\/etol\/document\/fi\/1938-<wbr \/>1949\/emergconf\/fi-emerg14.htm<\/a>&gt; (acesso em 14\/01\/2020).<\/p>\n<p dir=\"ltr\">[3] LATIN America: problems and task. Resolutions adopted by the Third Congress of Fourth International, Paris, April 1951. In: Fourth International, v. 12, n\u00ba 6, nov-dec 1951, p. 207-212. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/history\/etol\/document\/fi\/1950-1953\/fi-3rdcongress\/1951-congress10.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer noreferrer\" data-saferedirecturl=\"https:\/\/www.google.com\/url?q=https:\/\/www.marxists.org\/history\/etol\/document\/fi\/1950-1953\/fi-3rdcongress\/1951-congress10.htm&amp;source=gmail&amp;ust=1588097495386000&amp;usg=AFQjCNGr84rZNWmh_popiczxEFvxURt_Lw\">https:\/\/www.marxists.org\/<wbr \/>history\/etol\/document\/fi\/1950-<wbr \/>1953\/fi-3rdcongress\/1951-<wbr \/>congress10.htm<\/a>&gt; (acesso em 18\/01\/2020).<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p dir=\"ltr\">Dainis Karepovs e Jos\u00e9 Castilho Marques Neto \u2013 Os trotskistas brasileiros e suas organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas: 1930-1966 [Texto em: Marcelo Ridenti e Daniel Aar\u00e3o Reis Filho \u2013 Hist\u00f3ria do marxismo no Brasil: partidos e organiza\u00e7\u00f5es dos anos 20 aos 60. Campinas, Ed. da UNICAMP, 2002. v. 5].<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Jos\u00e9 Castilho Marques Neto (org.) \u2013 Mario Pedrosa e o Brasil. S\u00e3o Paulo: Editora Funda\u00e7\u00e3o Perseu Abramo, 2001.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Murilo Leal Pereira Neto \u2013 \u00c0 esquerda da esquerda: trotskistas, comunistas e populistas no Brasil contempor\u00e2neo: 1952-1966. S\u00e3o Paulo: Paz e Terra, 2003.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Pedro Roberto Ferreira &#8211; Imprensa pol\u00edtica e ideologia: Orienta\u00e7\u00e3o Socialista. S\u00e3o Paulo: Editora Moraes, 1989.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Nahuel Moreno.- O Partido e a Revolu\u00e7\u00e3o: teoria, programa e pol\u00edtica &#8211; pol\u00eamica com Mandel. S\u00e3o Paulo, Editora Sundermann, 2008.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Escreve:\u00a0Henrique Lignani \u2013 Historiador e professor da rede estadual do RJ e Michel Tunes &#8211; coordena\u00e7\u00e3o\u00a0nacional da CST (\u00faltimo artigo do especial 80 anos do PSR, um conjunto de artigos hist\u00f3ricos publicado mensalmente no jornal Combate Socialista entre setembro de 2019 e Mar\u00e7o de 2020)<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":6359,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[47],"tags":[532,1130,53],"class_list":["post-6353","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-historia-e-formacao-politica","tag-historia","tag-psr","tag-trotskysmo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6353","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6353"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6353\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6359"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6353"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6353"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6353"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}