

	{"id":6450,"date":"2020-05-05T23:45:19","date_gmt":"2020-05-05T23:45:19","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/?p=6450"},"modified":"2020-05-05T23:45:19","modified_gmt":"2020-05-05T23:45:19","slug":"aldir-blanc-um-brasileiro-que-conhecia-o-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2020\/05\/05\/aldir-blanc-um-brasileiro-que-conhecia-o-brasil\/","title":{"rendered":"Aldir Blanc: Um brasileiro que conhecia o Brasil"},"content":{"rendered":"<p><em>\u201cO Brazil n\u00e3o conhece o Brasil<\/em><\/p>\n<p><em>O Brasil nunca foi ao Brazil<\/em><\/p>\n<p><em>[&#8230;]<\/em><\/p>\n<p><em>O Brazil n\u00e3o merece o Brasil<\/em><\/p>\n<p><em>O Brazil t\u00e1 matando o Brasil<\/em><\/p>\n<p><em>[&#8230;]<\/em><\/p>\n<p><em>Do Brasil S.O.S. ao Brasil<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Do Brasil S.O.S. ao Brasil\u201d<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Querelas do Brasil &#8211; Aldir Blanc Mendes \/ Mauricio Tapajos Gomes \u2013 1978<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00c9 muito angustiante nos depararmos com o crescente n\u00famero de mortos pela COVID-19 diariamente nos notici\u00e1rios. Uma dor que parece se intensificar quando os n\u00fameros se concretizam em nomes conhecidos, como parentes e pessoas pr\u00f3ximas. Esta dor foi sentida por milhares de brasileiros ao descobrir que Aldir Blanc se tornou mais uma v\u00edtima da doen\u00e7a, falecendo nesta segunda-feira, 04 de abril, na UTI do Hospital Universit\u00e1rio Pedro Ernesto.<\/p>\n<p>O compositor, que abandonou a carreira de m\u00e9dico para entrar para a hist\u00f3ria da m\u00fasica popular brasileira, dedicando-se ao estudo e composi\u00e7\u00e3o de algumas das maiores can\u00e7\u00f5es nacionais, contando com diversas parcerias ao longo da vida. Junto de nomes como Moacyr Luz, Maur\u00edcio Tapaj\u00f3s, Paulo Em\u00edlio, Carlos Lyra, Guinga, Edu Lobo e Cristov\u00e3o Bastos, enriqueceu o repert\u00f3rio musical brasileiro. Mas, provavelmente, a mais importante parceria de sua vida foi a que teve com Jo\u00e3o Bosco. Juntos, Bosco e Blanc, compuseram obras inesquec\u00edveis. Em\u00a0<em>O mestre-sala dos mares<\/em>, de 1975, por exemplo, exaltam a mem\u00f3ria de Jo\u00e3o C\u00e2ndido, lideran\u00e7a da revolta da chibata de 1910, movimento que lutou contra os castigos f\u00edsicos que aconteciam contra os marujos negros, em continuidade \u00e0 explora\u00e7\u00e3o e opress\u00e3o da escravid\u00e3o. A ditadura militar na \u00e9poca, claro, n\u00e3o gostou nada de uma can\u00e7\u00e3o que reivindicava a luta hist\u00f3rica do povo trabalhador, e mandou censurar a can\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Incomodar o regime ditatorial militar era na verdade uma verdadeira miss\u00e3o da dupla. Tanto que <em>O b\u00eabado e o equilibrista<\/em>, eternizado na voz de Elis Regina, virou praticamente um hino informal contra a ditadura.\u00a0 Um hino cantado pelos que sonhavam\u00a0\u201ccom a volta do irm\u00e3o do Henfil\u201d, isto \u00e9, com a volta de todos os exilados pol\u00edticos. A letra denunciava as mortes, torturas e desaparecimentos promovidos pelos militares. <em>Chora a nossa p\u00e1tria, m\u00e3e gentil \/ Choram Marias e Clarices no solo do Brasil<\/em>, em refer\u00eancia \u00e0s vi\u00favas de Manuel Fiel e Vladimir Herzog, assassinados nos por\u00f5es da ditadura.<\/p>\n<p>No atual momento pol\u00edtico, em que o presidente Jair Bolsonaro mostra seus objetivos de dar um golpe e governar com amplos poderes ditatoriais, a mem\u00f3ria de Blanc se mostra imprescind\u00edvel. Bolsonaro e Mour\u00e3o sempre se espelharam no regime militar de 64, t\u00eam como \u00eddolo o brutal torturador Brilhante Ustra e reivindicam os m\u00e9todos da ditadura militar. Querem governar perseguindo, assassinando e exilando opositores. No per\u00edodo ditatorial, os artistas n\u00e3o tinham liberdade para produzir livremente, estavam sujeitos \u00e0 censura pr\u00e9via dos generais de plant\u00e3o.\u00a0 Assim como a classe trabalhadora como um todo tamb\u00e9m n\u00e3o podia reivindicar melhores condi\u00e7\u00f5es de vidas e lutar por sal\u00e1rio, por exemplo. Em uma ditadura bolsonarista, a extrema-direita teria muito mais facilidade de aplicar seu projeto ultraliberal de destrui\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os p\u00fablicos e ultrarreacion\u00e1rio e fundamentalista nos costumes, sabotando a cultura e a produ\u00e7\u00e3o de conhecimento livres.<\/p>\n<p>Aldir Blanc segue presente, hoje e sempre. Sua obra \u00e9 eterna e assim como inspirou os que foram de a\u00e7o nos anos de chumbo, vai continuar inspirando os que lutam contra o autoritarismo e toda a forma de explora\u00e7\u00e3o e opress\u00e3o. Ir\u00e1 nos inspirar nas lutas que vamos travar contra o projeto de Bolsonaro. A classe art\u00edstica pode cumprir um papel importante nessa batalha \u2013 como cumpriu nos anos da ditadura \u2013 em unidade com as diversas categorias que hoje lutam por condi\u00e7\u00f5es dignas de vida em meio \u00e0 pandemia. Precisamos unificar nos panela\u00e7os, fortalecer as mobiliza\u00e7\u00f5es que est\u00e3o em curso como a dos trabalhadores da sa\u00fade rumo a uma greve geral, para colocar para fora Bolsonaro e Mour\u00e3o.<\/p>\n<p>Encerramos com as palavras de Jo\u00e3o Bosco ap\u00f3s a morte de Aldir: \u201cN\u00e3o existe Jo\u00e3o sem Aldir. Felizmente nossas can\u00e7\u00f5es est\u00e3o a\u00ed para nos sobreviver. E como sempre ele falar\u00e1 em mim, estar\u00e1 vivo em mim, a cada vez que eu cant\u00e1-las. Hoje \u00e9 um dos dias mais dif\u00edceis da minha vida. Meu cora\u00e7\u00e3o est\u00e1 com Mari, companheira de Aldir, com seus filhos e netos. Perco o maior amigo, mas ganho, nesse mar de tristeza, uma raz\u00e3o pra viver: quero cantar nossas can\u00e7\u00f5es at\u00e9 onde eu tiver for\u00e7as. Uma pessoa s\u00f3 morre quando morre a testemunha. E eu estou aqui pra fazer o esp\u00edrito do Aldir viver. Eu e todos os brasileiros e brasileiras tocados por seu g\u00eanio.\u201d<\/p>\n<p>Por Caio Sepulveda e Bruno Pacifico, CST de Niter\u00f3i<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cO Brazil n\u00e3o conhece o Brasil O Brasil nunca foi ao Brazil [&#8230;] O Brazil n\u00e3o merece o Brasil O Brazil t\u00e1 matando o Brasil [&#8230;] Do Brasil S.O.S. ao Brasil &nbsp; Do Brasil S.O.S. ao Brasil\u201d &nbsp; Querelas do Brasil &#8211; Aldir Blanc Mendes<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":6451,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[790],"tags":[],"class_list":["post-6450","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6450","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6450"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6450\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6451"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6450"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6450"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6450"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}