

	{"id":647,"date":"2015-08-24T18:06:00","date_gmt":"2015-08-24T18:06:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/index.php\/2015\/08\/24\/arquivoid-9682\/"},"modified":"2016-02-23T15:34:49","modified_gmt":"2016-02-23T15:34:49","slug":"arquivoid-9682","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2015\/08\/24\/arquivoid-9682\/","title":{"rendered":"EM MEM\u00d3RIA DE LEON TROTSKY: Elementos pol\u00edticos de seu legado para os revolucion\u00e1rios do s\u00e9culo XXI"},"content":{"rendered":"<p>Makaiba e Diego Vitello \u2013 CST-PSOL<\/p>\n<p>&#8220;Diga aos nossos amigos que eu tenho a certeza da vit\u00f3ria da Quarta Internacional &#8211; v\u00e1 em frente!&#8221;Leon Trotsky no leito do hospital pouco antes de sua morte.<\/p>\n<p>No dia 21 de agosto, completam-se 75 anos em que Trotsky foi assassinado em seu ex\u00edlio no M\u00e9xico, a mando de Stalin. Lembrar a sua morte n\u00e3o significa apenas lembrar e lamentar o crime em si. A trama stalinista para assassinar Trotsky n\u00e3o foi somente um ato de vingan\u00e7a pessoal de Stalin contra o seu maior inimigo pol\u00edtico.<br \/>\nStalin, o \u201cgrande organizador de derrotas\u201d, como o descreveu o pr\u00f3prio Trotsky em um de seus escritos, precisava destruir o trotskismo. A elimina\u00e7\u00e3o f\u00edsica do velho Lev Davidovich Bronstein (Trotsky) foi uma tentativa de dar uma tacada final nessa destrui\u00e7\u00e3o. Primeiro, com o revolucion\u00e1rio ainda vivo, os stalinistas propagandeavam pelo mundo todo, atrav\u00e9s dos partidos da III Internacional Comunista, que Trotsky era um agente do imperialismo e inimigo da URSS. Enquanto a cal\u00fania era repercutida, ia-se armando nos bastidores do Comissariado Popular de Assuntos Internos (a sigla em russo \u00e9 NKVD), a pol\u00edcia secreta stalinista, o assassinato do fundador do Ex\u00e9rcito Vermelho. E por fim, em 1940, ele foi morto pelas m\u00e3os de Ram\u00f3n Mercader. Nos anosanteriores milhares de trotskistas haviam sido assassinados pelo mundo todo. Na URSS stalinistas alguns milhares de jovens socialistas morriam fuzilados no ex\u00edlio siberiano, com o punho esquerdo erguido gritando &#8220;Viva Trotsky\u201d. Ele havia se tornado, sobretudo na segunda metade dos anos 20 e in\u00edcio dos anos 30, o maior s\u00edmbolo da resist\u00eancia ao modelo stalinista.<\/p>\n<p>A destrui\u00e7\u00e3o do trotskismo, na vis\u00e3o astuciosa e cruel de Stalin, era uma necessidade estrat\u00e9gica para que ele pudesse concluir o seu plano de ruptura program\u00e1tica e radical com o bolchevismo. N\u00e3o foi por acaso que dos l\u00edderes bolcheviques \u00e0 \u00e9poca da Revolu\u00e7\u00e3o de Outubro de 1917, os \u00fanicos que morreram de morte natural foram L\u00eanin, Sverdlov e o pr\u00f3prio Stalin. Os demais, como Zinoviev, Kamenev, Bukharin, entre outros, depois de passarem pelos humilhantes processos p\u00fablicos de confiss\u00f5es for\u00e7adas e expurgos, foram assassinados. Trotsky foi o \u00faltimo dos dirigentes bolcheviques de outubro morto a mando de Stalin. S\u00f3 assim foi poss\u00edvel assegurar de uma vez por todas o prevalecimento dos interesses da casta burocr\u00e1tica que usurpara o poder do jovem Estado Oper\u00e1rio Sovi\u00e9tico.<\/p>\n<p>Mas a hist\u00f3ria da luta de classes n\u00e3o se deixa contar impunemente pelos \u201cvencedores\u201d de tramas pol\u00edticas hediondas e segue dando xeque mate e derrubando as m\u00e1scaras das ditaduras de \u201cesquerda\u201d, dos PCs \u201cetapistas\u201d, do transformismo socialdemocrata em social-liberal, dos burocratas sindicais e dos governos de frente popular. Depois de 75 anos da elimina\u00e7\u00e3o f\u00edsica de Trotsky, seu legado te\u00f3rico e pol\u00edtico continua vivo entre os lutadores da vanguarda mundial que defende a causa revolucion\u00e1ria dos trabalhadores. Os seus herdeiros, somos orgulhosos de sua trajet\u00f3ria e dos sacrif\u00edcios que foram feitos para que ele nos deixasse seu legado pol\u00edtico. Enquanto isso,os herdeiros do stalinismo n\u00e3o conseguem mencionar o nome do chefe m\u00e1ximo dos burocratas, traidores e aniquiladores da tradi\u00e7\u00e3o bolchevista, sem constrangimentos.<\/p>\n<p>A crise capitalista atual e o legado de Trosky para os desafios do s\u00e9culo XXI<\/p>\n<p>Frente a maior crise do capitalismo, compar\u00e1vel somente a de 1929, os ensinamentos deixados por Trotsky s\u00e3o de extrema atualidade. Com a crise econ\u00f4mica iniciada em 2007-08 vemos em todo mundo um poderoso ascenso das lutas de massas, greves gerais, movimentos de jovens como os indignados na Espanha, o Ocuppy Wall Street nos EUA, governos que n\u00e3o chegam ao fim dos calend\u00e1rios eleitorais e inclusive revolu\u00e7\u00f5es como vimos no mundo \u00e1rabe. Esses fen\u00f4menos mostram que a luta contra os males intr\u00ednsecos ao capitalismo segue mais viva do que nunca.<\/p>\n<p>Em Trotsky, temos um dos grandes pensadores da teoria da revolu\u00e7\u00e3o. As conclus\u00f5es tiradas por ele foram todas \u00e0 luz de processos reais do seu tempo, e no maior deles, a Revolu\u00e7\u00e3o Socialista na R\u00fassia em 1917, ele foi, ao lado de Lenin, um dos grandes dirigentes. Aprender e tirar conclus\u00f5es dos processos atuais, \u00e0 luz do legado de Trotsky, \u00e9 uma das grandes tarefas que temos os revolucion\u00e1rios do s\u00e9culo XXI, que acreditamos que por dentro do sistema capitalista n\u00e3o haver\u00e1 sa\u00edda para a classe trabalhadora e nem para a humanidade em geral.<\/p>\n<p>Tendo em vista sua imensa obra, que merece obviamente uma avalia\u00e7\u00e3o que vai muito al\u00e9m deste pequeno texto que nos propomos, queremos colocar apenas alguns pontos do legado de Trotskyque se complementam e que acreditamos que ajudam muito os militantes socialistas a compreender a realidade do s\u00e9culo XXI e a pensar uma sa\u00edda revolucion\u00e1ria para a atual crise capitalista.<\/p>\n<p>Algumas conclus\u00f5es da teoria da Revolu\u00e7\u00e3o Permanente para os dias atuais<\/p>\n<p>A teoria da Revolu\u00e7\u00e3o Permanente come\u00e7ou a ser elaborada por Trotsky no Balan\u00e7o feito da Revolu\u00e7\u00e3o Russa de 1905, que ficou conhecida como o \u201cEnsaio Geral\u201d. Neste processo, o marxista russo, ent\u00e3o com 26 anos, foi parte fundamental da a\u00e7\u00e3o das massas. Quando se formaram os Conselhos Oper\u00e1rios (Soviets), Lev Davidovich foi presidente do Soviete de Petrogrado, que junto com Moscou, eram as maisimportantes cidades industriais do Imp\u00e9rio Russo \u00e0 \u00e9poca. No balan\u00e7o desta poderosa mobiliza\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria da qual participou ativamente, Trotsky chegou a conclus\u00f5es fundamentais que seriam a base da sua teoria da revolu\u00e7\u00e3o. A primeira delas foi que a burguesia russa, pelo seu atraso, seria incapaz historicamente de cumprir as tarefas democr\u00e1ticas, como fazer uma reforma agr\u00e1ria para acabar com o latif\u00fandio, ou mesmo ter um projeto de desenvolvimento industrial independente do capital estrangeiro, vindo na \u00e9poca sobretudo da Inglaterra, Fran\u00e7a e Alemanha.<\/p>\n<p>Trotsky colocou que somente a classe oper\u00e1ria, derrubando o Czar, poderia governar executando as tarefas democr\u00e1ticas at\u00e9 o fim e o desenvolvimento pleno da industrializa\u00e7\u00e3o na R\u00fassia se daria diretamente pelas m\u00e3os da classe oper\u00e1ria no poder, combinado com esse processo se colocaria para o proletariado no poder a possibilidade de avan\u00e7ar nas tarefas socialistas. Ap\u00f3s as conclus\u00f5es da Revolu\u00e7\u00e3o Chinesa de 1927 e das suas pol\u00eamicas contra Stalin que apoiou o governo nacionalista-burgu\u00eas de Chiang-Kai-Check, Trotsky, complementou a teoria da revolu\u00e7\u00e3o permanente, a transformando em uma teoria para a revolu\u00e7\u00e3o socialista internacional. Para ele, em sua din\u00e2mica, a revolu\u00e7\u00e3o nos pa\u00edses de capitalismo atrasado, como no caso russo, se transformaria de democr\u00e1tica em socialista, caso cumprisse o seu curso at\u00e9 o fime n\u00e3o fosse abortada, para isso, deveria ser encabe\u00e7ada pela classe oper\u00e1ria. A antiga m\u00e1xima \u201co que n\u00e3o avan\u00e7a, retrocede\u201d estaria presente aqui tamb\u00e9m, pois caso uma revolu\u00e7\u00e3o que iniciasse com tarefas democr\u00e1ticas n\u00e3o avan\u00e7asse para as tarefas socialistas no curso do seu desenvolvimento, ela inevitavelmente retrocederia. Para levar adiante essas enormes tarefas a vanguarda oper\u00e1ria precisava estar organizada em partido pol\u00edtico, que pudesse ser o elemento consciente das mobiliza\u00e7\u00f5es de massa espont\u00e2neas que surgiriam, as dotando de um programa de ruptura com o sistema capitalista.<\/p>\n<p>Tiramos das li\u00e7\u00f5es da teoria da revolu\u00e7\u00e3o permanente que n\u00e3o h\u00e1 setor da burguesia que possa ser consequente nem com as tarefas democr\u00e1ticas colocadas no curso da luta de classes, portanto governos em comum com setores burgueses n\u00e3o servem para aqueles que buscam defender os interesses hist\u00f3ricos da classe oper\u00e1ria e nem para defender de forma consequente as tarefas democr\u00e1ticas ainda pendentes em determinado pa\u00eds.Al\u00e9m disso, para al\u00e9m das \u201cmodas anti-partido\u201d, vemos que o legado de Trotsky, colocando que era preciso que os revolucion\u00e1rios organizassem seu partido para levar a classe oper\u00e1ria a tomada do poder, segue mais vivo do que nunca. A aus\u00eancia de um partido revolucion\u00e1rio com influ\u00eancia de massas foi determinante por exemplo para que as revolu\u00e7\u00f5es do mundo \u00e1rabe n\u00e3o avan\u00e7assem para uma ruptura anticapitalista.<\/p>\n<p>A Frente Popular e o combate de Trotsky em vida<\/p>\n<p>Por diversas vezes na hist\u00f3ria assumiram o governo projetos pol\u00edticos que chamamos de concilia\u00e7\u00e3o de classes. Organiza\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias e\/ou populares e de esquerda se uniram a partidos burgueses para governar e obviamente n\u00e3o se propuseram a romper com o sistema capitalista. O primeiro caso foi naR\u00fassia em Fevereiro de 1917, onde os mencheviques, uma organiza\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria reformista, formaram um governo em comum com os Cadetes, partido impulsionado e financiado por setores da burguesia russa.Trotsky, ao lado de Lenin, se tornou um dos grandes opositores deste governo e organizou a sua derrubada pela via insurrecional em outubro de 1917.<\/p>\n<p>Foi no seu VII congresso que a Internacional Comunista, j\u00e1 completamente comandada pelo Stalinismo, pela primeira vez se formulou de forma mais acabada a defesa de governos de Frente Popular ou de concilia\u00e7\u00e3o de classes. Em s\u00edntese, tratava-se de formar governos em comum com a burguesia \u201cdemocr\u00e1tica\u201d de cada pa\u00eds, contra a burguesia \u201creacion\u00e1ria\u201d. Esta alian\u00e7a de classes antag\u00f4nicas formando governos em comum foi respons\u00e1vel pelas maiores derrotas da classe oper\u00e1ria no s\u00e9culo XX. Governos que eram compostos por organiza\u00e7\u00f5es nascidas no seio da classe oper\u00e1ria, como os Partidos Comunistas ou Socialistas, ao lado de partidos burgueses foram parte dos debates estrat\u00e9gicos feitos por Trotsky em vida. Para o dirigente russo \u201cNa realidade, na nossa \u00e9poca, a Frente Popular \u00e9 a quest\u00e3o principal da estrat\u00e9gia da classe prolet\u00e1ria\u201d.<\/p>\n<p>Em suas an\u00e1lises quando a Frente-Popular chegou ao poder na Fran\u00e7a, Trotsky sentenciou: &#8220;Na Fran\u00e7a, a poderosa onda de greves com ocupa\u00e7\u00e3o de f\u00e1bricas, particularmente em junho de 1936, mostrou com clareza que o proletariado estava completamente pronto para derrubar o sistema capitalista. Entretanto, as organiza\u00e7\u00f5es dirigentes (socialistas, stalinistas e sindicalistas) conseguiram, sob a \u00e9gide da Frente Popular, canalizar e deter, ao menos momentaneamente, a torrente revolucion\u00e1ria.&#8221; Ou seja, a ascens\u00e3o de um governo de Frente Popular ao poder, serve em primeiro lugar para conter as mobiliza\u00e7\u00f5es de massa. Para o velho dirigente revolucion\u00e1rio, o papel traidor da Frente Popular era evidente, pois ao conciliar com a burguesia, seu papel de freio das lutas oper\u00e1rias impedia que as massas avan\u00e7assem no caminho da revolu\u00e7\u00e3o permanente, onde o proletariado enquanto classe dominante dirigiria as tarefas democr\u00e1ticas e tamb\u00e9m as socialistas de cada pa\u00eds, derrotando o capitalismo. E esse \u00e9 um debate muito atual, pois a estrat\u00e9gia frente populista, de concilia\u00e7\u00e3o de classes, \u00e9 hoje inteiramente reivindicada por in\u00fameros setores da esquerda mundial, como \u00e9 o caso da Unidade Socialista (US) que hoje comanda o aparelho legal do PSOL. N\u00e3o por acaso a prefeitura de Macap\u00e1, no extremo norte do Brasil, \u00e9 governada em total alian\u00e7a com setores burgueses da cidade e daquele estado.<\/p>\n<p>Apoiar governos em comum com setores da burguesia n\u00e3o tem nada a ver com a pol\u00edtica Trotskista<\/p>\n<p>Ap\u00f3s conclus\u00f5es tiradas da avalia\u00e7\u00e3o destes governos, sobretudo a partir dos processos que existiram na Fran\u00e7a e na Espanha dos anos 30,a pol\u00eamica com os PCs stalinistas que defendiam abertamente a forma\u00e7\u00e3o de governos em comum com a burguesia, Trotsky escreveu em 1938 no seu Programa de Transi\u00e7\u00e3o: \u201cA situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica mundial no seu conjunto caracteriza-se, antes de mais nada, pela crise hist\u00f3rica da dire\u00e7\u00e3o do proletariado.\u201dOu seja, ap\u00f3s as dire\u00e7\u00f5es do proletariado, que \u00e0 \u00e9poca eram os partidos comunistas e socialistas, que tinham poderosas organiza\u00e7\u00f5es partid\u00e1rias e estavam a frente dos grandes sindicatos, formarem governos em comum com a burguesia, Trotsky colocou que o elemento determinante da situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica era a crise de dire\u00e7\u00e3o do proletariado. Portanto, a tarefa principal que se desdobrava da\u00ed, era a constru\u00e7\u00e3o de uma nova dire\u00e7\u00e3o para a classe oper\u00e1ria em n\u00edvel mundial. Ali surgiu a IV Internacional, que Trotsky afirmou que foi \u201ca mais importante obra de sua vida.\u201d<br \/>\nInfelizmente, diversas organiza\u00e7\u00f5es de esquerda que afirmam reivindicar o legado de Leon Trotsky e da IV internacional, acabaram apoiando governos de concilia\u00e7\u00e3o de classes. E temos exemplos recentes. Na Venezuela chavista, enquanto um setor burgu\u00eas enriquecia a cada dia mais, formando a chamada \u201cboliburguesia\u201d e as greves oper\u00e1rias sofriam dura repress\u00e3o, correntes da esquerda, que est\u00e3o junto conosco no PSOL, como o MES, ou a se\u00e7\u00e3o brasileira do Secretariado Unificado da IV Internacional, que atualmente se chama Insurg\u00eancia, colocavam sempre a necessidade de apoiar este governo ou ent\u00e3o suas medidas, ou ainda se limitando a cr\u00edticas parciais ou focadas em determinados setores do governo, se negando permanentemente a debater seu car\u00e1ter de classe. O que foi um erro. A trag\u00e9dia da pol\u00edtica e da estrat\u00e9gia do chavismo j\u00e1 era esperada, ap\u00f3s 16 anos de chavismo no poder, a classe trabalhadora venezuelana amarga uma dura situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, com a pol\u00edtica do governo descarregando a conta da crise econ\u00f4mica sobre suas costas.<\/p>\n<p>Hoje em dia surgem \u201cnovos\u201d fen\u00f4menos pol\u00edticos que apontam \u201csa\u00eddas\u201d para a classe trabalhadora sem apontar a necessidade de ruptura com o sistema capitalista. Vimos onde foi parar o projeto de Ch\u00e1vez do \u201cSocialismo do S\u00e9culo XXI\u201d, que em nenhum momento se prop\u00f4s a romper com o capitalismo e hoje a crise venezuelana \u00e9 exemplo disso. Nahuel Moreno, fundador da corrente hist\u00f3rica da qual n\u00f3s da CST-PSOL somos parte, e dirigente trotskistas latino-americano que melhor seguiu o legado de Trotsky ao longo do s\u00e9culo XX colocou em um debate com as organiza\u00e7\u00f5es que expressavam apoio aos governos de FP: &#8220;Sempre os reformistas esconderam seu apoio ao governo burgu\u00eas frentepopulista atr\u00e1s da m\u00e1scara de apoio \u00e0s \u201cmedidas\/passos progressivos\u201d. N\u00e3o foram poucos os textos em que in\u00fameras correntes defenderam com unhas e dentes as medidas \u201cprogressivas\u201d do governo burgu\u00eas bolivariano na Venezuela e por essa via lhe destinavam apoio pol\u00edtico, apesar de seu car\u00e1ter burgu\u00eas global. O caso venezuelano \u00e9 emblem\u00e1tico, pois h\u00e1 menos de uma d\u00e9cada cruzava todos os principais debates da esquerda latino-americana, mas poder\u00edamos obviamente citar outros fen\u00f4menos relativamente recentes como o Zapatismo, o governo Lula\/Dilma, Correa, Evo Morales, Ollanta Humala, etc.<\/p>\n<p>O debate sobre governos de concilia\u00e7\u00e3o de classes tem enorme atualidade quando verificamos o governo grego de Alexis Tsipras e do Syriza. Formando um governo em comum com um partido burgu\u00eas (ANEL), e n\u00e3o tendo em seu programa nenhum elemento que apontasse para a ruptura com o atual sistema, o Syriza, partido que comanda o governo, se transformou em seis meses do partido que encabe\u00e7ou o descontentamento anti-austeridade no terreno eleitoral, a ser o partido que aplica diretamente as medidas de austeridade que arrebentam com o n\u00edvel de vida dos trabalhadores gregos para manter os astron\u00f4micos lucros dos banqueiros. A disjuntiva de ferro de ruptura ou continuidade esteve mais uma vez colocada. Ao tomar a covarde op\u00e7\u00e3o pol\u00edtica da continuidade, Tsipras mostrou a fal\u00eancia completa de sua estrat\u00e9gia. Os que lhe prestaram apoio pol\u00edtico, mais uma vez mostraram que o apoio a determinado governo sem ter um crit\u00e9rio claro de classe, s\u00f3 serve para pavimentar o caminho das derrotas e da capitula\u00e7\u00e3o. N\u00e3o temos expectativas que correntes declaradamente frente-populistas como a US mudem sua estrat\u00e9gia. Porem fazemos um chamado \u00e0 reflex\u00e3o as correntes que afirmam reivindicar o legado de Leon Trotsky e da IV internacional perante esses fatos gigantescos para que revejam sua pol\u00edtica na Gr\u00e9cia e, principalmente perante Pablo Iglesias e Podemos na Espanha, evitando novos erros.<\/p>\n<p>Seguimos o legado de Leon Trotsky<\/p>\n<p>De nossa parte, aos 75 anos da morte do dirigente do ex\u00e9rcito vermelho, temos certeza de que sua obra \u00e9 de imenso valor para os revolucion\u00e1rios do s\u00e9culo XXI que buscam uma sa\u00edda para a barb\u00e1rie capitalista. O trotskismo foi a corrente mais perseguida do movimento oper\u00e1rio mundial. Nossos antepassados tiveram que enfrentar duramente n\u00e3o apenas a persegui\u00e7\u00e3o da burguesia capitalista, mas tamb\u00e9m a repress\u00e3o vinda da burocracia sovi\u00e9tica, que desde suas salas no Kremlin, tramou o assassinato de dezenas de milhares dos que, como n\u00f3s, seguiram a obra de Leon Trotsky. Mesmo com toda essa persegui\u00e7\u00e3o, a realidade objetiva de decad\u00eancia do capitalismo e a burocratiza\u00e7\u00e3o do primeiro estado oper\u00e1rio surgido na URSS, foram as bases para que as novas gera\u00e7\u00f5es de revolucion\u00e1rios fossem dando continuidade a imensa batalha que Leon Trotsky deu em vida.Em seu testamento ele afirmou: N\u00e3o preciso mais uma vez refutar aqui a cal\u00fania vil de Stalin e seus agentes: n\u00e3o h\u00e1 uma s\u00f3 mancha sobre minha honra revolucion\u00e1ria. N\u00e3o entrei, nem direta nem indiretamente, em nenhum acordo, ou mesmo em nenhuma negocia\u00e7\u00e3o de bastidores, com os inimigos da classe oper\u00e1ria. Milhares de advers\u00e1rios de St\u00e1lin tombaram, v\u00edtimas de falsas acusa\u00e7\u00f5es. As novas gera\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias reabilitar\u00e3o sua honra pol\u00edtica e tratar\u00e3o seus carrascos do Kremlin como eles merecem.&#8221; Temos orgulho de colaborar, ainda que muito menos do que mereceram devido \u00e0s nossas imensas debilidades, a reabilitar a honra pol\u00edtica dos que tombaram assassinados a mando de Stalin e sobretudo do seu maior opositor, que nos deixou grandes ensinamentos, Leon Trotsky.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Makaiba e Diego Vitello \u2013 CST-PSOL &#8220;Diga aos nossos amigos que eu tenho a certeza da vit\u00f3ria da Quarta Internacional &#8211; v\u00e1 em frente!&#8221;Leon Trotsky no leito do hospital pouco antes de sua morte. 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