

	{"id":6519,"date":"2020-05-10T15:22:51","date_gmt":"2020-05-10T15:22:51","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/?p=6519"},"modified":"2020-05-10T15:22:51","modified_gmt":"2020-05-10T15:22:51","slug":"primeiro-de-maio-sem-patroes-mostra-o-caminho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2020\/05\/10\/primeiro-de-maio-sem-patroes-mostra-o-caminho\/","title":{"rendered":"Primeiro de maio sem patr\u00f5es mostra o caminho"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><em>CONTRAPODER<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No dia primeiro de maio de 1886, uma greve de trabalhadores em Chicago, reivindicando a redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho, foi duramente reprimida pelas for\u00e7as da ordem. Manifestantes foram feridos, presos e assassinados. Em 20 de junho de 1889, a II Internacional \u2013 que agrupava ent\u00e3o os socialistas \u2013 decidiu convocar anualmente, todo dia primeiro de maio, protestos pela redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho e em mem\u00f3ria dos m\u00e1rtires de Chicago todo dia primeiro de maio. Desde ent\u00e3o, a data tem sido um marco na afirma\u00e7\u00e3o da luta e do protagonismo da classe trabalhadora.<\/p>\n<p>Em 2020, as celebra\u00e7\u00f5es do \u201cDia do Trabalhador\u201d ocorreram em situa\u00e7\u00f5es particularmente adversas. A emerg\u00eancia do novo coronav\u00edrus, que amea\u00e7a especialmente a vida dos mais pobres, agravou a crise econ\u00f4mica, que j\u00e1 vinha de antes da pandemia, e degradou ainda mais as condi\u00e7\u00f5es de exist\u00eancia da classe trabalhadora. Al\u00e9m disso, impediu a realiza\u00e7\u00e3o de manifesta\u00e7\u00f5es de rua.<\/p>\n<p>No Brasil, tais adversidades foram potencializadas pelo car\u00e1ter dependente do capitalismo aqui vigente, marcado por uma brutal desigualdade social, pela precariedade dos servi\u00e7os p\u00fablicos, pelo autoritarismo e pela submiss\u00e3o pol\u00edtica e econ\u00f4mica aos ditames das pot\u00eancias estrangeiras. Tamb\u00e9m foram refor\u00e7adas pelo governo de extrema-direita de Jair Bolsonaro, que minimizou a gravidade da pandemia, combateu o isolamento social \u2013 mesmo em suas vers\u00f5es brandas e insuficientes, como as defendidas pela maioria dos governadores \u2013 e adotou uma pol\u00edtica econ\u00f4mica ultraliberal, que n\u00e3o abre espa\u00e7o para medidas antic\u00edclicas que atenuem o mergulho depressivo.<\/p>\n<p>As perspectivas para a classe trabalhadora s\u00e3o sombrias, com o risco de centenas de milhares de mortes e com as amea\u00e7as da fome e do desemprego em massa. Mais do que nunca, os trabalhadores precisam assumir as r\u00e9deas de seu destino, organizando-se e mobilizando-se de forma independente para construir um novo rumo, socialista, para a humanidade. \u00c9 a \u00fanica forma de evitar a cat\u00e1strofe.<\/p>\n<p>Lamentavelmente, a maior parte do movimento sindical (CUT, CTB, For\u00e7a Sindical etc.) e dos partidos identificados como de esquerda no Brasil (PT, PC do B etc.) n\u00e3o entendeu isso. Ao seguirem apostando na concilia\u00e7\u00e3o de classes, esses sindicatos e partidos convocaram um ato para o primeiro de maio com uma pauta rebaixada e com as presen\u00e7as anunciadas de diversas figuras do campo burgu\u00eas, como Fernando Henrique Cardoso, Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre.<\/p>\n<p>Ocultando o papel desses agentes pol\u00edticos nos ataques sistem\u00e1ticos contra os direitos dos trabalhadores \u2013 Reforma da Previd\u00eancia, MP 936, Carteira Verde-Amarela e PEC 10 (Or\u00e7amento de Guerra) etc. -, transformaram o primeiro de maio, que deveria ser um dia da classe trabalhadora e de suas pautas, num palanque da frente ampla contra Bolsonaro. Ao mesmo tempo, sacrificaram a necess\u00e1ria unidade de a\u00e7\u00e3o do movimento sindical e popular, j\u00e1 que, diante da modifica\u00e7\u00e3o do car\u00e1ter do protesto, a CSP Conlutas, a Intersindical e at\u00e9 mesmo, na \u00faltima hora, a Frente Povo Sem Medo, para citar apenas alguns setores, decidiram corretamente romper com o ato.<\/p>\n<p>Para a classe trabalhadora, n\u00e3o faz sentido dissociar a luta para derrubar Bolsonaro da batalha contra a agenda econ\u00f4mica liberal. N\u00e3o se trata de retirar uma pessoa do governo, mas de derrotar uma pol\u00edtica e de conformar uma alternativa efetiva \u00e0 crise \u2013 algo que somente aqueles que vivem do pr\u00f3prio trabalho podem fazer.<\/p>\n<p>Evidentemente, isso n\u00e3o impede uma eventual unidade pontual em defesa das liberdades democr\u00e1ticas com setores burgueses, por exemplo. Mas \u00e9 um grave equ\u00edvoco renunciar \u00e0 defesa das bandeiras dos trabalhadores e \u00e0 sua independ\u00eancia pol\u00edtica, colocando-os a reboque de parcelas da classe dominante.<\/p>\n<p>Nesse cen\u00e1rio, teve grande import\u00e2ncia o ato virtual do primeiro de maio classista, de luta e internacionalista organizado pela CSP Conlutas e pela Intersindical. Simbolicamente, tal protesto manteve viva a mem\u00f3ria classista da data. Politicamente, demarcou um contraponto \u00e0 agenda econ\u00f4mica liberal, pautou a defesa do isolamento social efetivo (com a paralisa\u00e7\u00e3o de todas as atividades n\u00e3o essenciais e a garantia de sa\u00fade, emprego e renda para todos, com recursos advindos da suspens\u00e3o do pagamento da d\u00edvida p\u00fablica e da taxa\u00e7\u00e3o das grandes fortunas) e aglutinou a esquerda contra a ordem.<\/p>\n<p>O desafio agora \u00e9, aproveitando o impulso positivo desse protesto, avan\u00e7ar na unidade da esquerda socialista, com a forma\u00e7\u00e3o de uma Frente Classista e Anticapitalista, reunindo PSOL, PSTU, PCB, UP e movimentos sociais combativos, capaz de apresentar um programa socialista frente \u00e0 barb\u00e1rie. Isso sem deixar de batalhar por a\u00e7\u00f5es comuns com as maiores centrais sindicais, partidos e movimentos populares na defesa dos direitos da classe trabalhadora e das liberdades democr\u00e1ticas e pelo \u201cFora Bolsonaro e Mour\u00e3o!\u201d. M\u00e3os \u00e0 obra!<\/p>\n<p><strong>Contrapoder, 04 de maio de 2020.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>CONTRAPODER &nbsp; No dia primeiro de maio de 1886, uma greve de trabalhadores em Chicago, reivindicando a redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho, foi duramente reprimida pelas for\u00e7as da ordem. Manifestantes foram feridos, presos e assassinados. 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