

	{"id":653,"date":"2015-08-29T12:14:00","date_gmt":"2015-08-29T12:14:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/index.php\/2015\/08\/29\/arquivoid-9688\/"},"modified":"2016-02-25T13:47:01","modified_gmt":"2016-02-25T13:47:01","slug":"arquivoid-9688","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2015\/08\/29\/arquivoid-9688\/","title":{"rendered":"Construir uma sa\u00edda pela esquerda"},"content":{"rendered":"<p>Contra o governismo e a oposi\u00e7\u00e3o tucana | Combate Socialista, n\u00ba 66<\/p>\n<p>Diego Vitello \u2013 CN CST\/PSOL<\/p>\n<p>A crise pol\u00edtica e econ\u00f4mica no Brasil tem levado ao aprofundamento dos debates sobre a sa\u00edda para o pa\u00eds. O ajuste encabe\u00e7ado por Dilma e Levy leva a uma justa indigna\u00e7\u00e3o popular contra este governo. Os trabalhadores sentem no seu dia a dia o peso dos ataques do governo petista. A infla\u00e7\u00e3o corr\u00f3i nossos sal\u00e1rios e sentimos que o n\u00edvel de vida s\u00f3 piora. \u00c9 extremamente positivo que a classe trabalhadora responsabilize Dilma pela crise que vive o pa\u00eds, pois as dificuldades pelas quais passamos no dia a dia s\u00e3o fruto das op\u00e7\u00f5es pol\u00edticas do seu governo, que nada mais \u00e9 do que um executor do plano econ\u00f4mico dos banqueiros e empreiteiras para jogar a crise nas costas dos trabalhadores.<\/p>\n<p>A baixa popularidade do governo, menor que a pr\u00f3pria infla\u00e7\u00e3o em 12 meses, e o rep\u00fadio da classe trabalhadora ao ajuste fiscal, colocam grandes desafios para a esquerda brasileira. Passados os atos do dia 16 e 20 de agosto, precisamos debater quais as tarefas da oposi\u00e7\u00e3o de esquerda hoje. Este \u00e9 o objetivo do presente texto.<\/p>\n<p>A defesa do governo Dilma marcou os atos do dia 20<\/p>\n<p>Os atos do dia 20, que mobilizaram infinitamente menos gente que os do dia 16, foram de claro conte\u00fado em defesa do governo. Poucos dias antes, a convoca\u00e7\u00e3o feita pelo PT a partir de inser\u00e7\u00f5es na televis\u00e3o marcou ainda mais na consci\u00eancia da popula\u00e7\u00e3o como um ato pr\u00f3-Dilma. O principal partido que aplica o ajuste fiscal contra os trabalhadores, o maior respons\u00e1vel pol\u00edtico pelos absurdos lucros dos banqueiros, logo ap\u00f3s criminalizar os movimentos sociais ao aprovar a \u201clei antiterrorismo\u201d, convoca um ato em \u201cdefesa da democracia\u201d e contra o \u201cgolpe da direita\u201d. Desde que Dilma disse no segundo turno das elei\u00e7\u00f5es de 2014 que n\u00e3o retiraria direitos trabalhistas, n\u00e3o v\u00edamos tamanha cara-de-pau.<\/p>\n<p>Como n\u00e3o podia ser diferente, a composi\u00e7\u00e3o social do ato foi centralmente de cargos de confian\u00e7a dos governos petistas, militantes e sindicalistas vinculados ao governo. As dire\u00e7\u00f5es majorit\u00e1rias da UNE e da UBES, que tem recebido dezenas de milh\u00f5es de reais nos \u00faltimos anos do governo petista, voltaram a pintar a cara. Desta vez, por\u00e9m, n\u00e3o para participar da derrubada de um governo conservador e corrupto como em 1992, no \u201cFora Collor\u201d, mas para defend\u00ea-lo. A eles se somou em S\u00e3o Paulo uma grande coluna do MTST e tamb\u00e9m uma participa\u00e7\u00e3o bastante apagada de algumas correntes do PSOL.  O conte\u00fado da convoca\u00e7\u00e3o do ato teve pequenas varia\u00e7\u00f5es de estado a estado, por\u00e9m em nenhum deles houve cr\u00edtica a presidenta Dilma. Pelo contr\u00e1rio, bandeiras e faixas de apoio \u00e0 presidenta foram vistos por todos os atos do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Estes atos serviram muito bem ao governo. Pois, com suas bandeiras de \u201cdemocracia\u201d e \u201ccontra o golpe\u201d, ajudaram a desvirtuar a luta dos trabalhadores, escondendo que este governo \u00e9 nosso inimigo. Alguns at\u00e9 falaram mal do ajuste fiscal, por\u00e9m sem citar a presidenta. Como se Dilma n\u00e3o fosse respons\u00e1vel pela crise estar sendo jogada nas costas dos trabalhadores. Quem nomeou Joaquim Levy? Quem nomeou Katia Abreu? Quem assinou as Medidas Provis\u00f3rias 664 e 665, que retiram direitos trabalhistas? Quem \u00e9 uma das principais entusiastas da Agenda Brasil? Quem cortou mais de R$10 bilh\u00f5es da educa\u00e7\u00e3o? Quem privatiza o petr\u00f3leo, os portos e os aeroportos? Todas estas perguntas e muitas outras parecidas com elas tem uma resposta: Dilma Rousseff, do PT.  Mas, sobre isso o ato do dia 20 se calou.<\/p>\n<p>N\u00e3o podemos deixar de colocar a lament\u00e1vel participa\u00e7\u00e3o de setores da esquerda nesse ato. Os companheiros de correntes da esquerda do PSOL, Insurg\u00eancia e LSR, junto com a ala de Ivan Valente e Edmilson Rodrigues, a US, participaram de diversos atos pelo pa\u00eds, sobretudo do maior deles em S\u00e3o Paulo, fazendo coro ao governo e ajudando objetivamente o governo Dilma.<\/p>\n<p>Unificar as lutas em curso e construir uma alternativa dos trabalhadores<br \/>\nContra o ajuste fiscal de petistas e tucanos<\/p>\n<p>As lutas n\u00e3o param. A greve dos servidores p\u00fablicos federais e das Universidades segue forte e marcando a conjuntura. Os metal\u00fargicos vivem uma ascens\u00e3o de suas lutas. A greve da GM de S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos, que reverteu as 798 demiss\u00f5es, apontou mais uma vez o caminho a seguir. Na Volkswagen de Taubat\u00e9 os oper\u00e1rios seguem enfrentando as demiss\u00f5es com sua greve. Trabalhadores terceirizados tamb\u00e9m entram em lutas como no caso de diversas universidades federais e tamb\u00e9m na Usiminas de Cubat\u00e3o-SP. Lutas populares como contra a viol\u00eancia policial expressa na brutal chacina de Osasco e Barueri tamb\u00e9m marcam o cen\u00e1rio pol\u00edtico. No primeiro semestre, queremos destacar o poderoso movimento grevista na luta dos professores estaduais. Estas diversas lutas que ocorrem no pa\u00eds neste momento apontam o caminho a seguir pela nossa classe para enfrentar o ajuste fiscal. A necessidade de unifica\u00e7\u00e3o destas lutas \u00e9 evidente e deve ser parte fundamental da pol\u00edtica da esquerda hoje.<\/p>\n<p>Mas, para al\u00e9m da unifica\u00e7\u00e3o das lutas \u00e9 preciso construir uma alternativa pol\u00edtica contra aqueles que encabe\u00e7aram os atos do dia 16 e do dia 20. A constru\u00e7\u00e3o de um terceiro campo deve partir de uma defini\u00e7\u00e3o: Tem que ser oposi\u00e7\u00e3o intransigente frente aos governistas e aos tucanos. Estes dois \u201cirm\u00e3os siameses\u201d, como bem colocou a companheira Luciana Genro nas \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es, s\u00e3o osque aplicam o ajuste fiscal nas costas da classe trabalhadora. Portanto, sem enfrent\u00e1-los diretamente n\u00e3o poderemos oferecer uma sa\u00edda dos trabalhadores e setores populares para a crise do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Por essa raz\u00e3o, vemos como muito positiva a iniciativa da Plen\u00e1ria para construir esta alternativa que est\u00e1 sendo chamada para o dia 27 de agosto em S\u00e3o Paulo, que na nossa opini\u00e3o deve votar um grande ato nacional nesta mesma cidade no m\u00eas de setembro. <\/p>\n<p>Nesta alternativa que queremos construir ao lado de todos que comp\u00f5e a oposi\u00e7\u00e3o de esquerda e dos trabalhadores e da juventude que est\u00e3o indignados com a pol\u00edtica deste governo, necessitamos defender um plano econ\u00f4mico de emerg\u00eancia para resolver a crise do pa\u00eds: Suspens\u00e3o e auditoria da d\u00edvida p\u00fablica, taxa\u00e7\u00e3o das grandes fortunas, pris\u00e3o e confisco dos bens de todos os corruptos, Petrobr\u00e1s 100% estatal com controle dos trabalhadores, revoga\u00e7\u00e3o de todas as medidas que tiram direitos do povo trabalhador; aumento emergencial de sal\u00e1rios, apoio irrestrito \u00e0s greves em curso, etc.Mas tamb\u00e9m \u00e9 preciso colocar uma sa\u00edda para reorganizar o pa\u00eds, por isso colocamos como tarefa da esquerda a luta por uma Assembleia Nacional Constituinte livre e soberana, para reorganizar o pa\u00eds sobre novas bases. Defendemos que nessa Assembleia possam se apresentar candidatos independentes, fora de partidos pol\u00edticos, com controle estrito do poder econ\u00f4mico. Nela, levar\u00edamos para discutir uma nova ordem social e pol\u00edtica, come\u00e7ando pelo plano econ\u00f4mico alternativo e uma mudan\u00e7a completa das regras pol\u00edticas, onde esta falsa democracia do poder econ\u00f4mico e da corrup\u00e7\u00e3o seja substitu\u00edda por uma real participa\u00e7\u00e3o dos trabalhadores e do povo na tomada das decis\u00f5es fundamentais do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Para se constituir como alternativa pol\u00edtica \u00e9 preciso tamb\u00e9m ter em conta que precisamos nos apresentar nas lutas e tamb\u00e9m nas elei\u00e7\u00f5es. Ainda que temos certeza que o determinante para a derrota do ajuste fiscal e dos governos que o aplicam passa pelo terreno das lutas, precisamos ter como exemplo os avan\u00e7os pol\u00edticos da Frente de Izquierda y los Trabajadores (FIT) na Argentina, que se apresenta tamb\u00e9m como uma alternativa pol\u00edtica eleitoral aos milh\u00f5es de trabalhadores que protagonizam as lutas em seu pa\u00eds, colocando seus mandatos parlamentares a servi\u00e7o das greves e mobiliza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Uma pol\u00eamica com Guilherme Boulos: <\/p>\n<p>Sa\u00edda pela esquerda ou beco sem sa\u00edda com os governistas?<\/p>\n<p>Guilherme Boulos, principal dirigente do MTST, foi uma das grandes figuras pol\u00edticas no ato do dia 20. Ele tem falado muito que a sa\u00edda para a crise do pa\u00eds deve ser \u201cpela esquerda\u201d e \u201ccom o povo\u201d. Na semana anterior ao ato, Boulos foi tamb\u00e9m ao ato dos \u201cmovimentos sociais\u201d com a presidenta Dilma. Em seu discurso direcionado \u00e0 presidenta, n\u00e3o faltaram palavras contra \u201cas elites\u201d, o \u201cgolpismo\u201d, at\u00e9 corretamente contra o reacion\u00e1rio corrupto Eduardo Cunha e o neoliberal Joaquim Levy. Por\u00e9m nenhuma palavra se referindo diretamente \u00e0 responsabilidade de Dilma pela situa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds. Pelo contr\u00e1rio, para Dilma teve at\u00e9 abra\u00e7os por parte de Boulos.<\/p>\n<p>N\u00e3o se contentando com suas movimenta\u00e7\u00f5es ao lado dos governistas, tr\u00eas dias antes do ato, Boulos se dedicou a atacar a esquerda que n\u00e3o foi ao ato governista. Em seu lament\u00e1vel texto, Boulos coloca \u201cesta disputa real pelo significado do ato do dia 20 est\u00e1 sendo utilizada por grupos sect\u00e1rios de esquerda para carimbar o ato, e consequentemente o MTST, como governistas (&#8230;) Fogem das ambiguidades, de riscos pol\u00edticos, ou seja da hist\u00f3ria, dedicam a maior parte de seu tempo n\u00e3o a fazer pol\u00edtica de esquerda, mas a criticar quem faz por n\u00e3o ser \u201csuficientemente de esquerda\u201d. O resultado \u00e9 a mais completa impot\u00eancia pol\u00edtica\u201d. Boulos, no desespero para justificar sua pol\u00edtica ao lado dos governistas, parte para o ataque \u00e0 esquerda. Apesar do jogo de palavras, sua inten\u00e7\u00e3o \u00e9 clara: impedir que surja um terceiro campo pol\u00edtico, alternativo ao governismo e aos tucanos.<\/p>\n<p>Na manifesta\u00e7\u00e3o do dia 20 seu discurso n\u00e3o foi diferente: nenhuma men\u00e7\u00e3o a presidenta Dilma.<br \/>\nGritou contra as elites, os \u201cgolpistas\u201d, a direita, mas nenhum coment\u00e1rio sobre a presidenta Dilma. Isto n\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa, Boulos n\u00e3o esqueceu quem governa o pa\u00eds, \u00e9 parte de sua pol\u00edtica desastrosa, onde atacar a esquerda que n\u00e3o marcha ao lado de cartazes e bandeiras que exaltam a presidenta \u00e9 permitido, mas falar e cit\u00e1-la como aquela que ataca nossos direitos, n\u00e3o.<\/p>\n<p>Falar contra o ajuste fiscal sem dizer quem o aplica, compor atos &quot;contra a direita\u201d sem dizer que a pol\u00edtica do governo petista \u00e9 de direita, n\u00e3o nos levar\u00e1 a nenhuma sa\u00edda pela esquerda, como fala o principal dirigente do MTST, mas a um beco sem sa\u00edda, onde a esquerda n\u00e3o oferecer\u00e1 nenhuma alternativa pol\u00edtica para a classe trabalhadora que a ajude a combater todos aqueles que atacam nossos direitos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Contra o governismo e a oposi\u00e7\u00e3o tucana | Combate Socialista, n\u00ba 66 Diego Vitello \u2013 CN CST\/PSOL A crise pol\u00edtica e econ\u00f4mica no Brasil tem levado ao aprofundamento dos debates sobre a sa\u00edda para o pa\u00eds. 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