

	{"id":6662,"date":"2020-05-16T01:39:02","date_gmt":"2020-05-16T01:39:02","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/?p=6662"},"modified":"2020-05-16T01:41:05","modified_gmt":"2020-05-16T01:41:05","slug":"a-pandemia-bolsonaro-moro-e-a-desorientacao-da-burguesia-periferica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2020\/05\/16\/a-pandemia-bolsonaro-moro-e-a-desorientacao-da-burguesia-periferica\/","title":{"rendered":"A pandemia, Bolsonaro, Moro e a desorienta\u00e7\u00e3o da burguesia perif\u00e9rica"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><em>CONTRAPODER<\/em><\/p>\n<h4 class=\"author-name\"><strong>Marco Antonio Perruso (Trog)<\/strong><\/h4>\n<p>Avan\u00e7a rapidamente a crise do desgoverno Bolsonaro. Emparedado pelo Congresso e pelo STF, sofrendo com \u201cpautas bombas\u201d \u2013 normalmente, medidas t\u00edmidas de assist\u00eancia aos mais pobres \u2013\u00a0 e com a \u201cjudicializa\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica\u201d (fen\u00f4meno que sempre existiu em maior ou menor grau),<a href=\"https:\/\/contrapoder.net\/colunas\/a-pandemia-bolsonaro-moro-e-a-desorientacao-da-burguesia-periferica\/#_ftn1\">[1]<\/a>\u00a0o momento atual mostra que a ingovernabilidade n\u00e3o era privil\u00e9gio do governo Dilma ou do PT. A cena pol\u00edtica nacional desnuda qu\u00e3o forte \u00e9 a instabilidade de nossa democracia liberal burguesa.<\/p>\n<p>Bolsonaro, com seu negacionismo genocida, \u00e9 um dos pouqu\u00edssimos governos no mundo inteiro a ter perdido popularidade sob a pandemia do coronav\u00edrus e suas conseq\u00fc\u00eancias sociais e econ\u00f4micas. Ele continua assustando muita gente porque o bolsonarismo s\u00f3 sabe responder com agressividade e verborragia golpista \u00e0 sua pr\u00f3pria fragiliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Os que antes imaginavam um inevit\u00e1vel e consistente endurecimento do regime, v\u00eaem agora a crescente fragmenta\u00e7\u00e3o da direita liberal e conservadora no pa\u00eds: n\u00e3o s\u00f3 Rodrigo Maia, Doria, Witzel, Caiado, ACM Neto, mas tamb\u00e9m Moro \u00e9 feito inimigo por Bolsonaro. A extrema-direita brasileira perde o discurso anti-corrup\u00e7\u00e3o, essencial para o anti-petismo. N\u00e3o h\u00e1 coes\u00e3o na pauta pol\u00edtica, apenas em torno do programa econ\u00f4mico neoliberal.<\/p>\n<p>Bolsonaro poderia estar h\u00e1 semanas inaugurando hospitais de campanha militares e angariando apoio popular como l\u00edder no combate \u00e0 pandemia. Mas ainda n\u00e3o entendemos bem que ele n\u00e3o se elegeu para governar. Ele substitui a gest\u00e3o p\u00fablica burguesa cl\u00e1ssica pela permanente agita\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, n\u00e3o se comportando com o decoro que n\u00f3s, cidad\u00e3os intelectualizados crentes na democracia, esperamos dele. Por qu\u00ea?<\/p>\n<p><strong>Singularidade da pol\u00edtica bolsonarista<\/strong><\/p>\n<p>A resposta encontra-se na dificuldade de a extrema-direita no mundo todo construir alguma hegemonia pol\u00edtica. Assim, seus l\u00edderes populistas mobilizam continuamente suas pr\u00f3prias bases, \u00e0 base de carisma e\u00a0<em>fakenews<\/em>: pois s\u00e3o incapazes de manter maiorias sociais. A sordidez do m\u00e9todo pol\u00edtico oculta a fraqueza cong\u00eanita de uma leva de pol\u00edticos que s\u00f3 prosperam em \u00e9poca de crise.<\/p>\n<p>Por isso mesmo a pandemia n\u00e3o foi uma oportunidade para Bolsonaro: n\u00e3o lhe interessa a uni\u00e3o nacional t\u00edpica de governos tradicionais da direita (que seria falsa, de qualquer forma), pois precisa atuar sempre contra inimigos internos. Da\u00ed seu negacionismo.<\/p>\n<p>Mas h\u00e1 outra caracter\u00edstica diferenciada do bolsonarismo: como n\u00e3o chegou ao poder para governar e se v\u00ea \u2013 emulando a esquerda \u2013 como um movimento \u201canti-sistema\u201d (o \u201cDeep State\u201d, na vers\u00e3o trumpista nos EUA), ele n\u00e3o se afina com as t\u00e9cnicas de gest\u00e3o, a tecnocracia, a ci\u00eancia enfim. Este romantismo de quem vive no politizad\u00edssimo mundo das redes anticomunistas\/terraplanistas do WhatsApp, esta recusa \u00e0 \u201ct\u00e9cnica como ideologia\u201d, para usar os termos frankfurtianos, \u00e9 perfeitamente convergente com uma pol\u00edtica de crise permanente praticada pela extrema-direita. O inverso do que a burguesia deseja para seu ambiente de neg\u00f3cios: uma domina\u00e7\u00e3o de classe est\u00e1vel, despolitizada, desencantada \u2013 tal qual a tradicional direita brasileira costuma oferecer.<\/p>\n<p>Entretanto, o populismo de direita, no mundo, n\u00e3o sabe bem para onde ir. A crise social provocada pela pandemia encurralou seu neoliberalismo, a ponto de Boris Johnson defender publicamente a sa\u00fade estatal brit\u00e2nica. Revelam-se assim os limites do individualismo e do darwinismo social como ideologias dist\u00f3picas ap\u00f3s a crise econ\u00f4mica de 2008. Ademais, estes governos de extrema-direita fazem barulho, est\u00e3o em voga, mas s\u00e3o minorit\u00e1rios no negacionismo do coronav\u00edrus, como evidenciam as vota\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis \u00e0 OMS na ONU.<\/p>\n<p><strong>A burguesia na periferia do capitalismo<\/strong><\/p>\n<p>Como registrou Wanderley Guilherme dos Santos,<a href=\"https:\/\/contrapoder.net\/colunas\/a-pandemia-bolsonaro-moro-e-a-desorientacao-da-burguesia-periferica\/#_ftn2\">[2]<\/a>\u00a0a burguesia brasileira, por si mesma, nunca foi grande coisa como ator pol\u00edtico. Na quadra hist\u00f3rica atual de crise mundial generalizada, sua desorienta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica \u00e9 enorme. N\u00e3o sabe o que propor, insiste em f\u00f3rmulas repetidas ou arrisca solu\u00e7\u00f5es bizarras. Mas muitos burgueses s\u00e3o verdadeiros ao expressar a selvageria do nosso capitalismo perif\u00e9rico. Intensificam os ataques aos trabalhadores \u2013 ainda mais ap\u00f3s o lulismo ter desarmado as classes populares, ao substituir as mobiliza\u00e7\u00f5es sociais, do PT das origens, por pol\u00edticas p\u00fablicas.<\/p>\n<p>Assim, o bolsonarismo, inadvertidamente, colocou as \u201cid\u00e9ias\u201d no \u201clugar\u201d (para usar o conceito de Roberto Schwarz), explicitando a contradi\u00e7\u00e3o essencial \u2013 a extra\u00e7\u00e3o brutal da mais-valia \u2013 que fundamenta nossa forma\u00e7\u00e3o social. Ainda que esgrimindo falsas dicotomias \u2013 evocando o mercado contra o Estado, como n\u00f3s mesmos equivocadamente fazemos, mas com sinal invertido \u2013 a extrema-direita brasileira n\u00e3o s\u00f3 recoloca o \u201ccomunismo\u201d de volta ao debate p\u00fablico (coisa que a esquerda, amedrontada, evita), como defende o car\u00e1ter estrutural da desigualdade brasileira.<\/p>\n<p>Como se v\u00ea hoje, nossa desigualdade \u00e9 imposs\u00edvel de ser combatida de modo eficaz nos marcos do capitalismo. O nacionalismo lulista nisso apostou e fracassou. Ao lado deste setor progressista, a direita tradicional, que perto do bolsonarismo parece ilustrada, tenta recolocar as \u201cid\u00e9ias\u201d fora do \u201clugar\u201d (onde sempre estiveram). \u00c9 o que vemos quando Rodrigo Maia responde a Bolsonaro afirmando que os ricos podem contribuir mais na crise brasileira.<a href=\"https:\/\/contrapoder.net\/colunas\/a-pandemia-bolsonaro-moro-e-a-desorientacao-da-burguesia-periferica\/#_ftn3\">[3]<\/a>\u00a0\u00c9 certo que o presidente da C\u00e2mara expressa outras tend\u00eancias \u2013 n\u00e3o outras fra\u00e7\u00f5es \u2013 da burguesia brasileira, desejosas de maior ativismo governamental diante da inani\u00e7\u00e3o administrativa do governo federal. Muitos progressistas e conservadores apostam nesta mesma dire\u00e7\u00e3o.<a href=\"https:\/\/contrapoder.net\/colunas\/a-pandemia-bolsonaro-moro-e-a-desorientacao-da-burguesia-periferica\/#_ftn4\">[4]<\/a><\/p>\n<p><strong>A cidadania dos trabalhadores em jogo<\/strong><\/p>\n<p>Do nosso ponto de vista, o dos que vivem da sua pr\u00f3pria for\u00e7a de trabalho, percebe-se de imediato que s\u00f3 podemos contar com nossas pr\u00f3prias for\u00e7as. Enquanto os setores dominantes tateiam em busca de sa\u00eddas \u201ccivilizadas\u201d ou ca\u00f3ticas, devemos nos perguntar como nossa gera\u00e7\u00e3o chegou onde estamos. Da experi\u00eancia de democratiza\u00e7\u00e3o de base mais avan\u00e7ada da hist\u00f3ria da sociedade brasileira, marcante nos anos 1970\/80, at\u00e9 o bolsonarismo vigente no momento atual.<\/p>\n<p>A trajet\u00f3ria recente de nossa forma\u00e7\u00e3o social evidencia um enfraquecimento da ag\u00eancia sociol\u00f3gica das classes trabalhadoras. Este \u00e9 anterior a Bolsonaro e a Temer, n\u00e3o podendo ser creditado a eles. O empoderamento da ag\u00eancia do Estado-Na\u00e7\u00e3o, realizado pela concilia\u00e7\u00e3o lulista de classes no enfrentamento \u00e0 ag\u00eancia do mercado defendida pelos neoliberais, extraiu for\u00e7a e autonomia dos movimentos populares.<\/p>\n<p>A esfera do mercado forma antes consumidores do que cidad\u00e3os. Como o crescimento econ\u00f4mico sob o lulismo na d\u00e9cada passada foi grande, n\u00e3o devemos nos surpreender agora que tantos consumidores, \u201cinconscientes\u201d de sua pr\u00f3pria cidadania, tenham optado pelo bolsonarismo em 2018. Maior inclus\u00e3o via mercados s\u00f3 pode aumentar a demanda por disciplina do trabalho, correlata a uma intensifica\u00e7\u00e3o do \u201cesp\u00edrito do capitalismo\u201d. J\u00e1 o Estado-Na\u00e7\u00e3o forma clientelas de pol\u00edticas p\u00fablicas (atendendo a certos interesses materiais), mas n\u00e3o necessariamente cidad\u00e3os. No \u201cmundo da vida\u201d das classes populares, a cidadania \u00e9 propiciada fundamentalmente por seus movimentos sociais e sindicais, que configuram uma socializa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica por meio de experi\u00eancias coletivas de luta.<\/p>\n<p>Ainda que esteja havendo uma renova\u00e7\u00e3o do campo dos movimentos populares desde o in\u00edcio desta d\u00e9cada, ela n\u00e3o se mostrou expressiva o suficiente para revitalizar nossa democracia desde baixo. De forma que hoje nos sobra indigna\u00e7\u00e3o mas baixa capacidade mobilizat\u00f3ria. A indigna\u00e7\u00e3o anda junto com a inoper\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Da\u00ed parecerem t\u00e3o eficientes as \u201cguerras culturais\u201d da extrema-direita. Explorando contradi\u00e7\u00f5es e frustra\u00e7\u00f5es do desenvolvimento capitalista ensejado pelo lulismo, o bolsonarismo colheu capilaridade social e disseminou modismos pol\u00edticos e culturais, ainda que n\u00e3o saiba bem para qu\u00ea. Por isso insiste na agita\u00e7\u00e3o de suas bases. Mas a direita brasileira e o autoritarismo em geral (inclusive o varguista) sempre foram elitistas, tecnocr\u00e1ticos e desmobilizadores, como apontou Bolivar Lamounier.<a href=\"https:\/\/contrapoder.net\/colunas\/a-pandemia-bolsonaro-moro-e-a-desorientacao-da-burguesia-periferica\/#_ftn5\">[5]<\/a>\u00a0Entre o fascismo e o bonapartismo, sempre se escolheu a segunda op\u00e7\u00e3o. Por isso talvez Sergio Moro e o lavajatismo \u2013 dadas sua origem e configura\u00e7\u00e3o institucional burocr\u00e1tica \u2013 sejam uma op\u00e7\u00e3o burguesa segura para o futuro imediato. J\u00e1 do lado dos movimentos dos trabalhadores, a retomada das lutas que se deram na atual d\u00e9cada (greves setoriais e gerais conduzidas por sindicatos e oposi\u00e7\u00f5es sindicais, lutas pelo passe livre e contra os grandes eventos, junho de 2013 e os diversos \u201cOcupas\u201d, lutas das mulheres, pelos direitos humanos, pela educa\u00e7\u00e3o, etc.) aguarda o fim da quarentena. \u00c9 necess\u00e1rio novamente \u201cbotar o bloco nas ruas\u201d, pois a insatisfa\u00e7\u00e3o popular com o\u00a0<em>status quo<\/em>\u00a0\u2013 de que passou a fazer parte o bolsonarismo \u2013 continua enorme. Apenas as pautas pr\u00f3prias dos explorados e oprimidos podem renovar a sociedade brasileira em perspectiva transformadora e emancipat\u00f3ria.<\/p>\n<hr class=\"wp-block-separator\" \/>\n<p><a href=\"https:\/\/contrapoder.net\/colunas\/a-pandemia-bolsonaro-moro-e-a-desorientacao-da-burguesia-periferica\/#_ftnref1\">[1]<\/a>\u00a0A chamada judicializa\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica ou das rela\u00e7\u00f5es sociais s\u00f3 \u00e9 assim chamada pelos que raciocinam exclusivamente na \u00f3tica dos demais poderes, Executivo e Legislativo. A respeito, veja-se meu artigo \u201cAspectos sociol\u00f3gicos da litig\u00e2ncia e do acesso \u00e0 justi\u00e7a\u201d, Revista da Se\u00e7\u00e3o Judici\u00e1ria do Rio de Janeiro, v. 24, 2009.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/contrapoder.net\/colunas\/a-pandemia-bolsonaro-moro-e-a-desorientacao-da-burguesia-periferica\/#_ftnref2\">[2]<\/a>\u00a0Ordem Burguesa e Liberalismo Pol\u00edtico. S\u00e3o Paulo: Duas Cidades, 1978.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/contrapoder.net\/colunas\/a-pandemia-bolsonaro-moro-e-a-desorientacao-da-burguesia-periferica\/#_ftnref3\">[3]<\/a>\u00a0<a href=\"https:\/\/noticias.uol.com.br\/politica\/ultimas-noticias\/2020\/04\/03\/maia-rebate-e-bolsonaro-e-diz-que-ricos-poderiam-fazer-mais-pelo-brasil.htm\">https:\/\/noticias.uol.com.br\/politica\/ultimas-noticias\/2020\/04\/03\/maia-rebate-e-bolsonaro-e-diz-que-ricos-poderiam-fazer-mais-pelo-brasil.htm<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/contrapoder.net\/colunas\/a-pandemia-bolsonaro-moro-e-a-desorientacao-da-burguesia-periferica\/#_ftnref4\">[4]<\/a>\u00a0Tais s\u00e3o os apelos tecnocr\u00e1ticos anti-bolsonaristas de um fundamentalista neoliberal: \u201cas decis\u00f5es do Executivo requerem t\u00e9cnica e pol\u00edtica\u201d, \u201ca pol\u00edtica p\u00fablica [n\u00e3o] se resume a frases de efeito\u201d, h\u00e1 necessidade de \u201cgest\u00e3o, planejamento\u201d (<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/colunas\/marcos-lisboa\/2020\/05\/quem-semeia-vento-colhe-tempestade.shtml\">https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/colunas\/marcos-lisboa\/2020\/05\/quem-semeia-vento-colhe-tempestade.shtml<\/a>).<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/contrapoder.net\/colunas\/a-pandemia-bolsonaro-moro-e-a-desorientacao-da-burguesia-periferica\/#_ftnref5\">[5]<\/a>\u00a0Forma\u00e7\u00e3o de um pensamento pol\u00edtico autorit\u00e1rio na Primeira Rep\u00fablica: uma interpreta\u00e7\u00e3o. In: FAUSTO, Boris (org.) Hist\u00f3ria geral da civiliza\u00e7\u00e3o brasileira \u2013 o Brasil republicano. S\u00e3o Paulo: Difel, 1977.<\/p>\n<div class=\"author-box clearfix\">\n<div class=\"author-img\"><a href=\"https:\/\/contrapoder.net\/colunista\/marco-antonio-perruso-trog\/\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"colunista-foto alignleft\" src=\"https:\/\/contrapoder.net\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/44148904_1253307478144827_2837507510317875200_n.jpg\" alt=\"\" width=\"960\" height=\"864\" \/><\/a><\/div>\n<div class=\"author-description-wrapper\">\n<h4 class=\"author-name\">Marco Antonio Perruso (Trog)<\/h4>\n<p class=\"author-description\">Professor de Sociologia da UFRRJ; pesquisador na \u00e1rea de movimentos populares, esquerda e teoria marxista; militante do PSOL e do Andes-SN.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>CONTRAPODER Marco Antonio Perruso (Trog) Avan\u00e7a rapidamente a crise do desgoverno Bolsonaro. 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