

	{"id":673,"date":"2015-10-24T13:01:00","date_gmt":"2015-10-24T13:01:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/index.php\/2015\/10\/24\/arquivoid-9708\/"},"modified":"2016-02-25T04:24:09","modified_gmt":"2016-02-25T04:24:09","slug":"arquivoid-9708","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2015\/10\/24\/arquivoid-9708\/","title":{"rendered":"Venezuela: A bancarrota do chavismo"},"content":{"rendered":"<p>| Por Miguel Angel Hern\u00e1ndez*<\/p>\n<p>O povo venezuelano sofre com in\u00fameras pen\u00farias. Seguem o desabastecimento e as longas filas que este produz e o alto custo de vida. A situa\u00e7\u00e3o se agrava cada dia mais. A vida cotidiana de venezuelanas e venezuelanos se complica mais ainda com a falta de \u00e1gua, apag\u00f5es cont\u00ednuos, p\u00e9ssimas vias de comunica\u00e7\u00e3o e s\u00e9rios problemas de transporte. A todos esses infort\u00fanios, se somam \u00e0s demiss\u00f5es nas empresas p\u00fablicas e privadas. No marco da crise, o povo e a classe trabalhadora venezuelana enfrentam uma violenta ofensiva por parte do governo e dos patr\u00f5es, que tem retirado seus direitos pol\u00edticos e sindicais, arrochado os sal\u00e1rios, barateando a m\u00e3o de obra a n\u00edveis n\u00e3o vistos nos \u00faltimos 50 anos. T\u00eam-se flexibilizado as rela\u00e7\u00f5es de trabalho com demiss\u00f5es massivas, tudo como parte do esfor\u00e7o do governo e empres\u00e1rios do setor privado de descarregar a crise nas costas do povo trabalhador.<\/p>\n<p>O governo venezuelano, sob o manto de um falso discurso socialista, aplica um plano de ajuste que inclui demiss\u00f5es, aumento dos pre\u00e7os dos alimentos e demais produtos regulados, desvaloriza\u00e7\u00e3o, aumento das tarifas de transporte e servi\u00e7os p\u00fablicos, e est\u00e1 previsto um aumento da gasolina, que deve gerar uma espiral inflacion\u00e1ria nunca conhecida no pa\u00eds.  O partido Socialismo e Liberdade vem afirmando que existe um acordo n\u00e3o assinado entre o empresariado agrupado na Fedecamaras e o governo, para jogar a crise sobre os trabalhadores, e para isto contam com a burocracia sindical.<\/p>\n<p>O descontentamento social e a queda do respaldo ao governo <\/p>\n<p>Toda esta situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 produzindo um desmoronamento da  base social do chavismo e do governo. O descontentamento \u00e9 crescente e generalizado. Pela primeira vez em 16 anos o governo se enfrenta com a possibilidade certa de ser derrotado em uma elei\u00e7\u00e3o. No dia 6 de dezembro, data das elei\u00e7\u00f5es parlamentares na Venezuela, o partido do governo pode perder a maioria na Assembleia Nacional. No \u00faltimo per\u00edodo, o governo de Nicol\u00e1s Maduro, j\u00e1 sabendo da dif\u00edcil situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e social que seu governo e o PSUV devem enfrentar em um ano eleitoral, tem lan\u00e7ado ofensivas propagand\u00edsticas contra o imperialismo ou a velha direita, com os quais trata de eliminar o mal-estar crescente na popula\u00e7\u00e3o e reverter assim a tend\u00eancia negativa a sua gest\u00e3o. Primeiro utilizou a Ordem Executiva do governo norte-americano, que considerava a Venezuela como uma amea\u00e7a, buscando unificar a sua base social. Pouco durou o efeito positivo que a coleta de assinaturas contra o decreto de Obama possa ter tido em uma recupera\u00e7\u00e3o relativa de sua imagem. Logo depois, seguiu exacerbando os \u00e2nimos nacionalistas da popula\u00e7\u00e3o levantando a esquecida defesa de Esequibo, territ\u00f3rio em disputa com a Guiana desde 1899. Mais recentemente, Maduro responsabilizou os imigrantes colombianos \u201cilegais\u201d e lan\u00e7ou uma campanha de deporta\u00e7\u00f5es na fronteira com a Col\u00f4mbia, acompanhada pelo estabelecimento de estados de exce\u00e7\u00e3o nos estados de T\u00e1chira, Zulia, Apure e Amazonas, fronteiri\u00e7os com a Col\u00f4mbia, com o argumento de enfrentar o paramilitarismo e o contrabando, como parte de uma suposta \u201cguerra econ\u00f4mica\u201d que estaria originando o desabastecimento. Segundo o Escrit\u00f3rio da ONU para a Coordena\u00e7\u00e3o de Assuntos Humanit\u00e1rios, 1608 colombianos foram expulsos do territ\u00f3rio venezuelano e 19.686 regressaram por vontade pr\u00f3pria desde 19 de agosto. <\/p>\n<p>Todos estes recursos lan\u00e7ados pelo governo para levantar sua cada vez mais deteriorada imagem n\u00e3o tem produzido os resultados esperados pelos assessores governamentais. Pelo contr\u00e1rio, foram perdendo for\u00e7a e colocando em evid\u00eancia que n\u00e3o eram mais do que cortina de fuma\u00e7a, impulsionada com todos tipos de falsidades e amplificadas pelos meios de comunica\u00e7\u00e3o governamentais, qualificados para esta tarefa.  Agora vemos como estas inven\u00e7\u00f5es midi\u00e1ticas, criadas com objetivos claramente eleitorais, caem por terra. Das assinaturas recolhidas contra o decreto de Obama j\u00e1 ningu\u00e9m se recorda. N\u00e3o foram entregues em lugar algum e nunca mais o governo fez refer\u00eancia ao assunto. Maduro se reuniu com o presidente da Guiana e foi acordado o regresso dos embaixadores \u00e0s respectivas capitais, diminuindo as tens\u00f5es entre os dois pa\u00edses. Mas talvez o mais descarado \u00e9 o ocorrido com os imigrantes colombianos deportados. Agora o governo de Maduro, depois de uma reuni\u00e3o com o presidente Santos, acordou com a Unasul facilitar o regresso dos deportados. Algo inacredit\u00e1vel que deixa claro que as motiva\u00e7\u00f5es que originaram essa sa\u00edda compulsiva do pa\u00eds n\u00e3o tinham nenhuma validade, que n\u00e3o eram paramilitares, e que em definitivo n\u00e3o s\u00e3o os respons\u00e1veis pelo contrabando e pela escassez de alimentos e outros produtos da qual padecem os venezuelanos. <\/p>\n<p>Criminaliza\u00e7\u00e3o dos protestos e restri\u00e7\u00e3o das liberdades democr\u00e1ticas <\/p>\n<p>Todas estas medidas do governo se produzem no marco de um recrudescimento da restri\u00e7\u00e3o \u00e0s liberdades democr\u00e1ticas. Os estados de exce\u00e7\u00e3o na fronteira significaram a suspens\u00e3o de garantias constitucionais, como a liberdade de manifesta\u00e7\u00e3o e o direito \u00e0 greve, entre outras.  Paralelamente, o governo vem impulsionando h\u00e1 v\u00e1rios meses a chamada Opera\u00e7\u00e3o de Liberta\u00e7\u00e3o e Prote\u00e7\u00e3o ao Povo (OLP). Com o argumento do enfrentamento \u00e0 delinqu\u00eancia, se colocou em pr\u00e1tica um dispositivo repressivo, similar a outros aplicados no passado pelos anteriores governos patronais dos social-crist\u00e3os do Copei ou da A\u00e7\u00e3o Democr\u00e1tica (AD), cujo saldo, at\u00e9 agora, \u00e9 mais de 100 pessoas mortas em supostos enfrentamentos, nos quais n\u00e3o houve nenhum ferido das for\u00e7as de seguran\u00e7a. De fato, se tornou p\u00fablico um v\u00eddeo onde policiais executavam um detido. Organismos de defesa dos direitos humanos t\u00eam denunciado abusos e despejos de pessoas de moradias humildes, assim como poss\u00edveis execu\u00e7\u00f5es extrajudiciais.  No ano passado, depois dos protestos de fevereiro-abril, o governo adquiriu no exterior numerosos equipamentos antimotins. Gases lacrimog\u00eaneos, tanques e outros recursos foram comprados da R\u00fassia. Coincidindo com este operativo, Leopoldo L\u00f3pez, l\u00edder da oposi\u00e7\u00e3o burguesa, foi condenado a quase 14 anos de pris\u00e3o pelos protestos do ano passado, nos quais morreram 43 pessoas.A outra cara da repress\u00e3o do governo, e que menos se difunde nos meios de comunica\u00e7\u00e3o, \u00e9 a persegui\u00e7\u00e3o aos que lutam e se mobilizam, como \u00e9 o caso de Bladimir Carvajal, trabalhador petroleiro, dirigente do PSL e C-Cura, que foi demitido por dirigir \u00e0 luta pela discuss\u00e3o do contrato coletivo e por diversas reclama\u00e7\u00f5es dos trabalhadores petroleiros. Carvajal foi detido em fevereiro do ano passado, junto \u00e0 Jos\u00e9 Bodas, Leonardo Ugarte, todos do PSL e C-Cura, junto a outros nove trabalhadores, por defender o contrato coletivo. Mas s\u00e3o muitas as demiss\u00f5es no pa\u00eds. \u00c9 o caso de numerosas empresas p\u00fablicas e privadas. Chrysler, Ford, Ajeven, Filtros, Wix, Protinal, Qu\u00e9 Pollo, Polar, usinas de a\u00e7\u00facar, os minist\u00e9rios. O governo tamb\u00e9m deteve oito trabalhadores de Civetchi, empresa mista com a China. Assim como a trabalhadores de Vtelca, outra empresa mista com esse pa\u00eds, produtora de telefones celulares, por se atreverem a conformar um sindicato. A OLP, os estados de exce\u00e7\u00e3o na fronteira, a persegui\u00e7\u00e3o aos que lutam, buscam amedrontar a popula\u00e7\u00e3o e dissuadir o aumento dos protestos em um grave contexto de crise econ\u00f4mica e social, e deteriora\u00e7\u00e3o crescente do governo. Maduro tenta inibir qualquer possibilidade de explos\u00f5es sociais. <\/p>\n<p>Por uma alternativa socialista e revolucion\u00e1ria <\/p>\n<p>O marco em que v\u00e3o ocorrer as elei\u00e7\u00f5es \u00e9 de crise econ\u00f4mica, infla\u00e7\u00e3o, desabastecimento, demiss\u00f5es e restri\u00e7\u00e3o \u00e0s liberdades. Nosso partido segue colocando a necessidade de construir uma alternativa verdadeiramente revolucion\u00e1ria e socialista que acompanhe as lutas oper\u00e1rias e populares, e que se postule eleitoralmente, colocando suas candidaturas a servi\u00e7o das lutas cotidianas do povo trabalhador. <\/p>\n<p>*Professor da UCV e secret\u00e1rio-geral do Partido Socialismo e Liberdade (PSL), da Venezuela, se\u00e7\u00e3o da Unidade Internacional dos Trabalhadores &#8211; Quarta Internacional (UIT-QI)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>| Por Miguel Angel Hern\u00e1ndez* O povo venezuelano sofre com in\u00fameras pen\u00farias. Seguem o desabastecimento e as longas filas que este produz e o alto custo de vida. A situa\u00e7\u00e3o se agrava cada dia mais. 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