

	{"id":6881,"date":"2020-06-07T22:57:40","date_gmt":"2020-06-07T22:57:40","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/?p=6881"},"modified":"2020-06-07T22:57:40","modified_gmt":"2020-06-07T22:57:40","slug":"o-mito-da-cloroquina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2020\/06\/07\/o-mito-da-cloroquina\/","title":{"rendered":"O mito da cloroquina"},"content":{"rendered":"<h6 style=\"text-align: right;\">Maria V. Moura &#8211; Estudante de biotecnologia da UFPA<\/h6>\n<hr \/>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A cloroquina e sua derivada, a hidroxicloroquina, s\u00e3o f\u00e1rmacos j\u00e1 presentes no mercado que, antes da pandemia do coronav\u00edrus, eram exclusivamente indicadas para o tratamento de doen\u00e7as como a mal\u00e1ria e o l\u00fapus. Entretanto, no come\u00e7o da pandemia, elas foram testadas em laborat\u00f3rio e em hospitais, sendo apresentadas junto com outros medicamentos,\u00a0 como poss\u00edveis op\u00e7\u00f5es para o tratamento dos sintomas graves da COVID-19, com o objetivo de identificar a droga mais eficaz para o tratamento dos sintomas de modo a buscar reduzir a mortalidade da doen\u00e7a enquanto uma nova vacina ainda n\u00e3o foi descoberta.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Embora artigos anteriores \u00e0 pandemia identificassem a alta toxicidade (capacidade de causar danos ou morte) dessas duas subst\u00e2ncias, e seus resultados durante o surto do coronav\u00edrus gerassem resultados controversos quanto as suas rea\u00e7\u00f5es adversas causadas em pacientes infectados com o v\u00edrus, rapidamente elas foram propagadas de modo irrespons\u00e1vel como medicamentos \u201cmilagrosos\u201d, principalmente por governos, incluindo-se aqui o governo do Bolsonaro, o qual valendo-se do seu cargo pol\u00edtico, busca a todo custo, por meio de uma postura anti-cient\u00edfica, ignorando as advert\u00eancias da OMS e de pesquisas criteriosas, transformando a cat\u00e1strofe na qual vivemos em propaganda pol\u00edtica.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Finalmente, nas duas \u00faltimas semanas, foram publicados dois artigos de grande relev\u00e2ncia do Britain Journal of. Eles descartam o uso da cloroquina e da hidroxicloroquina como medicamentos para o tratamento de pacientes com sintomas leves, moderados e graves da COVID.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Os artigos publicados no Britain Journal of Medicine realizaram testes com a hidroxicloroquina em pacientes com sintomas leves e moderados da COVID. Ap\u00f3s 28 dias (tempo padr\u00e3o de tratamento) observou-se que 30% dos pacientes testados apresentaram rea\u00e7\u00f5es adversas (porcentagem maior dos que receberam tratamento padr\u00e3o) e dois pacientes tiveram rea\u00e7\u00f5es mais s\u00e9rias, evoluindo para infec\u00e7\u00e3o respirat\u00f3ria. Considerando que esse medicamento causou danos maiores aos pacientes e, aos que apresentaram melhora corresponderam a uma porcentagem muito pr\u00f3xima aos que se curaram sem o uso da hidroxicloroquina (59,9% e 66,6% respectivamente), o estudo conclui que ela n\u00e3o causa benef\u00edcios adicionais aos indiv\u00edduos infectados.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Embora o\u00a0 artigo publicado no The Lancet tenha causado controv\u00e9rsias e, posteriormente, ter sido comprovado erros expressivos na contagem do n\u00famero de pacientes com sintomas graves da COVID que desenvolveram complica\u00e7\u00f5es em decorr\u00eancia do uso da hidroxicloroquina nas UTI`s, outros trabalhos divulgados no mesmo per\u00edodo d\u00e3o sustenta\u00e7\u00e3o \u00e1 evid\u00eancia dos s\u00e9rios riscos e \u00e0 falta de melhora significativa em pacientes infectados com o coronav\u00edrus.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Diante dos fatos apresentados, \u00e9 de extrema relev\u00e2ncia os movimentos estudantis, sindicais, partidos e outros setores da sociedade se mobilizarem para articular uma campanha virtual reivindicando a suspens\u00e3o imediata da cloroquina e da hidroxicloroquina nos hospitais para o tratamento da COVID-19, caso contr\u00e1rio, poder\u00e1 ocorrer o agravamento dos colapsos nos leitos dos hospitais, nos quais os infectados pelo corona v\u00edrus ir\u00e3o ficar mais tempo internados, devido a complica\u00e7\u00f5es medicamentosas, assim como o n\u00famero de v\u00edtimas ser\u00e1 maior, afetando principalmente a popula\u00e7\u00e3o mais pobre: a mais atingida pela pandemia. N\u00e3o \u00e9 estranho pensar que ao ignorar a pr\u00f3pria recomenda\u00e7\u00e3o da OMS de que estudos com esses medicamentos sejam suspensos, Bolsonaro e seus aliados pretendem realizar uma esp\u00e9cie de \u201chigieniza\u00e7\u00e3o social\u201d, na qual as mortes ser\u00e3o em sua maioria de cidad\u00e3os pobres e negros, que dependam unicamente do SUS.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 importante aliar essa luta com outras j\u00e1 em vigor, iniciando pela mobiliza\u00e7\u00e3o em defesa da quarentena geral. N\u00e3o podemos colocar a reivindica\u00e7\u00e3o pela suspens\u00e3o do pagamento da d\u00edvida p\u00fablica como segundo plano, afinal, \u00e9 imprescind\u00edvel exigir a destina\u00e7\u00e3o dessa grande fortuna para investimento em EPI`s, ampliar o n\u00famero de leitos de UTI no SUS e oferecer suporte \u00e0s universidades p\u00fablicas e aos institutos de pesquisas para o desenvolvimento de novos medicamentos para o tratamento da COVID e para pesquisa na busca de uma vacina eficaz e economicamente acess\u00edvel.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Maria V. Moura &#8211; Estudante de biotecnologia da UFPA A cloroquina e sua derivada, a hidroxicloroquina, s\u00e3o f\u00e1rmacos j\u00e1 presentes no mercado que, antes da pandemia do coronav\u00edrus, eram exclusivamente indicadas para o tratamento de doen\u00e7as como a mal\u00e1ria e o l\u00fapus. 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