

	{"id":69,"date":"2011-07-27T09:55:00","date_gmt":"2011-07-27T09:55:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/index.php\/2011\/07\/27\/arquivoid-9104\/"},"modified":"2011-07-27T09:55:00","modified_gmt":"2011-07-27T09:55:00","slug":"arquivoid-9104","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2011\/07\/27\/arquivoid-9104\/","title":{"rendered":"A luta contra a \u201cChinaliza\u00e7\u00e3o\u201d nas rela\u00e7\u00f5es de trabalho na Amaz\u00f4nia"},"content":{"rendered":"<p>trabalho semi-escravo na \u00e9poca da decad\u00eancia e crise da economia capitalista | Rubra Pauta<\/p>\n<p>Michel Oliveira<br \/>\nJ\u00falio Miragaia<\/p>\n<p>Introdu\u00e7\u00e3o<br \/>\nA rebeli\u00e3o dos oper\u00e1rios de Jirau, no Rio Madeira, Rond\u00f4nia, com sua generaliza\u00e7\u00e3o por canteiros de obras de todo pa\u00eds, contribui para que o proletariado amaz\u00f4nico volte a ocupar espa\u00e7o na agenda de debate da esquerda na regi\u00e3o.<br \/>\nQuase n\u00e3o se fala no oper\u00e1rio da Amaz\u00f4nia. A luta de classes quase sempre \u00e9 vista por meio da luta camponesa e dos povos da floresta contra o agro\/hidroneg\u00f3cio e demais faces do capital. Atualmente o embate mais vis\u00edvel \u00e9 contra as hidrel\u00e9tricas, por seus conhecidos impactos s\u00f3cio-ambientais.<br \/>\nNo entanto, desde os anos 80 um forte operariado industrial se estrutura no meio da selva. Exemplos s\u00e3o o p\u00f3lo de Barcarena ou as opera\u00e7\u00f5es da Vale do Rio Doce no Par\u00e1 e a Zona Franca de Manaus, no Amazonas. Esta \u00faltima, um dos p\u00f3los mais diversificados e internacionalizados da regi\u00e3o.<br \/>\nNo P\u00f3lo Industrial de Manaus os oper\u00e1rios s\u00e3o massacrados pela patronal e seu chamado modelo de desenvolvimento da Zona Franca. As empresas desejam aumentar o n\u00edvel de explora\u00e7\u00e3o, elevando seus lucros, tentando impor ritmos chineses de produ\u00e7\u00e3o. Para isso, contam com a complac\u00eancia dos governantes, da Justi\u00e7a e, sobretudo, das lideran\u00e7as sindicais pelegas.<br \/>\nContra esse processo, que chamamos de \u201cChinaliza\u00e7\u00e3o\u201d, h\u00e1 distintos focos de organiza\u00e7\u00e3o. Uma delas \u00e9 a experi\u00eancia da Oposi\u00e7\u00e3o Metal\u00fargica de Manaus. Mesmo com dificuldades, h\u00e1 avan\u00e7os na articula\u00e7\u00e3o de um sindicalismo classista, combativo e anti-burocr\u00e1tico. O ch\u00e3o das f\u00e1bricas do p\u00f3lo industrial do Amazonas \u00e9 um dos palcos da resist\u00eancia oper\u00e1ria na Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>A \u201cChinaliza\u00e7\u00e3o\u201d: trabalho semi-escravo na \u00e9poca da decad\u00eancia e crise da economia capitalista<br \/>\nAs empresas desejam incorporar padr\u00f5es chineses nas rela\u00e7\u00f5es de trabalho em todo mundo. Hoje, os trabalhadores chineses s\u00e3o os mais explorados do planeta, o que foi fundamental para os lucros dos capitalistas em n\u00edvel internacional. A jornada de trabalho m\u00e9dia na China \u00e9 de 50 horas semanais. Em 2010 o sal\u00e1rio m\u00ednimo em dois grandes centros urbanos como Pequim e Xangai era de, respectivamente, R$ 250 e R$ 290. Dos 1,3 bilh\u00f5es de habitantes chineses, apenas cerca de 300 milh\u00f5es ganham sal\u00e1rio m\u00ednimo. Essas rela\u00e7\u00f5es de trabalho s\u00e3o tratadas como um modelo por todas as empresas, sobretudo em fun\u00e7\u00e3o da necessidade de elevarem seus lucros diante da crise da econ\u00f4mica capitalista.<br \/>\n  Para aplicar esse plano de aprofundamento da super-explora\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora, o imperialismo conta com um aliado central: o Partido Comunista Chin\u00eas.<br \/>\nEsse n\u00edvel de explora\u00e7\u00e3o s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel com a cumplicidade e apoio das lideran\u00e7as sindicais e sobre tudo, pela implanta\u00e7\u00e3o dessas pol\u00edticas por partidos de esquerda que chegam ao governo. Esse \u00e9 o caso da ditadura capitalista do Partido Comunista Chin\u00eas.<br \/>\nPara tentar sair de sua crise econ\u00f4mica, a burguesia precisa impor em n\u00edvel mundial um regime de super-explora\u00e7\u00e3o igual ou similar ao da China.  Al\u00ed se imp\u00f4s atrav\u00e9s de um regime autorit\u00e1rio, sem sindicatos e com organiza\u00e7\u00f5es fr\u00e1geis e fisiologistas, longas jornadas de trabalho e nenhum direito social. Mas para isso necessitam derrotar o proletariado de forma fulminante como na Pra\u00e7a da Paz Celestial, coisa que est\u00e3o longe de conseguir como o demonstram as revolu\u00e7\u00f5es nos pa\u00edses do norte da \u00c1frica e o forte ascenso das lutas oper\u00e1rias e juvenis na Europa contra os planos de ajuste.<br \/>\nNo Brasil, o projeto que o PT aspira vai nesse sentido. N\u00e3o \u00e9 por acaso que o Sindicato dos Metal\u00fargicos do ABC\/CUT, ber\u00e7o de Lula, est\u00e1 propondo altera\u00e7\u00f5es na legisla\u00e7\u00e3o trabalhista, para que o negociado se sobreponha ao legislado. Assim, cada empresa poderia massacrar seus oper\u00e1rios sem se importar com as leis do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Os Planos de \u201cChinaliza\u00e7\u00e3o\u201d no Brasil<br \/>\nPor isso, as discuss\u00f5es sobre diminuir o \u201ccusto Brasil\u201d, \u201cflexibilizar as rela\u00e7\u00f5es de trabalho\u201d e aumentar vantagens comparativas ganha na atualidade um contorno mediado pela situa\u00e7\u00e3o trabalhista e econ\u00f4mica da China. Trata-se de atrair empresas e capitais chineses ou americanos e europeus que investem na China. O investimento internacional dos chineses \u00e9 muito alto e o Brasil recebe pequena quantia. Apenas cerca de US$ 13,7 bilh\u00f5es daquele pa\u00eds s\u00e3o investidos em nossas terras, sendo restrito a produtos prim\u00e1rios. A visita de Dilma \u00e0 China teve o objetivo de aumentar investimentos chineses em \u00e1reas para al\u00e9m das commodities.<br \/>\nO pr\u00f3prio presidente da FoxConn, que produz os componentes para Apple, j\u00e1 declarou que no Brasil o sal\u00e1rio \u00e9 muito \u201calto\u201d e o proletariado indisciplinado. Por outro lado, h\u00e1 uma press\u00e3o dos capitalistas nacionais para conseguir lucros em n\u00edveis iguais aos chineses, o que levou o mega-empres\u00e1rio sider\u00fargico Jorge Gerdau a se transformar em assessor do governo Dilma, por meio da presid\u00eancia da C\u00e2mara de Pol\u00edticas de Gest\u00e3o. A Foxconn j\u00e1 possui f\u00e1bricas no Brasil. Em Manaus s\u00e3o duas, totalizando mais de 2300 oper\u00e1rios, atuando na fabrica\u00e7\u00e3o de componentes de celular para Ericson, Nokia e Sansung. A m\u00e9dia salarial \u00e9 de R$ 680.<\/p>\n<p>O Plano de Acelera\u00e7\u00e3o do Crescimento<br \/>\nNo Brasil, em linhas gerais, os embri\u00f5es do projeto Lulista de chinaliza\u00e7\u00e3o pode ser vistos no Plano de Acelera\u00e7\u00e3o do Crescimento (PAC). Trata-se de um projeto do governo brasileiro, onde se injeta bilh\u00f5es do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento) nas empreiteiras controladas por capitalistas nacionais. O objetivo \u00e9 gerar uma grande massa de m\u00e3o-de-obra barata e aprofundar a precariza\u00e7\u00e3o nas rela\u00e7\u00f5es de trabalho, tentando impor padr\u00f5es chineses a explora\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora em suas mais variadas categorias. Isso \u00e9 o que garante a expans\u00e3o internacional dessas empresas, hoje transformadas em multinacionais.<br \/>\nCom um or\u00e7amento de R$ 12 bilh\u00f5es, a constru\u00e7\u00e3o da hidrel\u00e9trica de Jirau, no rio madeira, \u00e9 hoje a maior obra do PAC. Localizado no meio da floresta amaz\u00f4nica, em Rond\u00f4nia, foi palco de uma gigantesca revolta. O sal\u00e1rio estava na casa dos R$ 700 para 22 mil oper\u00e1rios que viviam sobre jornada intensa. O intervalo do almo\u00e7o era marcado por longas filas e a comida de p\u00e9ssima qualidade. Os alojamentos min\u00fasculos amontoavam at\u00e9 oito pessoas por quarto. Havia constante ass\u00e9dio e amea\u00e7a das chefias.<br \/>\nEsse grau de explora\u00e7\u00e3o \u00e9 visto tamb\u00e9m em empresas instaladas na China como a Foxconn, que submete seus trabalhadores exatamente as mesmas jornadas extenuantes e alojamentos como os da cidade de Shenzen, em que residem cerca de 400 mil funcion\u00e1rios. Cada bloco de 100 mil em um complexo, onde as visitas s\u00e3o proibidas e dormem oito oper\u00e1rios por quarto.<br \/>\nTanto em Jirau quanto em Shenzen a tens\u00e3o social chegou a um limite. Na rebeli\u00e3o de Jirau foram incendiados 45 \u00f4nibus, 15 carros, 100 alojamentos, dentre outros locais. Iniciando um dos maiores movimentos grevistas dos \u00faltimos anos, paralisando, no primeiro trimestre de 2011, mais de 170 mil oper\u00e1rios em todo o pa\u00eds. Todo movimento organizado por fora dos sindicatos pelegos da constru\u00e7\u00e3o civil. A primeira reposta \u00e0 revolta de Jirau por parte do PT foi a For\u00e7a de Seguran\u00e7a Nacional, de Dilma e Gilberto Carvalho e a ordem da CUT de \u201cvoltem ao trabalho, porque s\u00e3o obras do PAC!\u201d.<br \/>\nNa China, a insatisfa\u00e7\u00e3o foi expressa por meio de uma onda de suic\u00eddios de 11 jovens em Shenzen. Em outras prov\u00edncias, o enfrentamento foi realizado por meio de greves. Foi o que fizeram os oper\u00e1rios da Honda, em Foshan, na prov\u00edncia de Gangdong. Todo o movimento organizado por fora e contra os sindicatos estatais comandados pelo PC Chin\u00eas.<br \/>\nPara al\u00e9m de Jirau, outro exemplo no Brasil \u00e9 a intensifica\u00e7\u00e3o dos n\u00edveis de explora\u00e7\u00e3o no p\u00f3lo industrial de Manaus. Por ser um proletariado na Amaz\u00f4nia, assim como em Jirau, padece de um isolamento geogr\u00e1fico que favorece os ataques patronais com a cumplicidade aberta das burocracias sindicais governistas e pelegas.  Isso n\u00e3o ocorre sem que existam lutas por parte dos oper\u00e1rios.<\/p>\n<p>P\u00f3lo industrial de Manaus<br \/>\n\u201cIsso aqui \u00e9 um projeto piloto da China\u201d. Foi assim que Daniel, integrante da Oposi\u00e7\u00e3o Metal\u00fargica, definiu o P\u00f3lo Industrial da Zona Franca da Manaus. \u201cA m\u00e9dia salarial \u00e9 muito baixa. \u00c9 por isso que o pessoal at\u00e9 brinca sobre isso, sobre a China. O custo de vida \u00e9 muito alto. O que a gente ganha n\u00e3o d\u00e1 pra viver bem aqui\u201d. De fato, o sal\u00e1rio que se paga \u00e9 muito inferior ao do metal\u00fargico de Campinas ou do ABC Paulista. A Conven\u00e7\u00e3o Coletiva de Trabalho 2010\/2011 assinada pelo Sindicato dos Metal\u00fargicos do Amazonas imp\u00f5e uma m\u00e9dia salarial que varia de R$ 570 a R$ 700 no setor de eletro-eletr\u00f4nico e de R$ 612 a R$ 759 no setor de duas rodas.<br \/>\n A atual Zona Franca foi iniciada em 1957. Dez anos depois a reformula\u00e7\u00e3o e amplia\u00e7\u00e3o do modelo estabeleceu incentivos fiscais por tr\u00eas d\u00e9cadas para que fosse concretizado um p\u00f3lo industrial, comercial e agropecu\u00e1rio.<br \/>\nNos anos 1980, o crescimento do p\u00f3lo industrial \u00e9 estimulado, sobretudo nos setores eletr\u00f4nicos, duas rodas, \u00f3ptico e relojoeiro. As leis do Governo Federal, Estadual e Municipal atuaram para isentar os impostos de importa\u00e7\u00e3o, exporta\u00e7\u00e3o e produtos industrializados e reduzir o ICMS. O favorecimento continuava com cr\u00e9ditos fiscais para mercadorias de origem nacional, incentivos para compra de terras para sediar novas ind\u00fastrias, al\u00e9m de outras facilidades.<br \/>\nNos anos 1990, o P\u00f3lo aprofundou o processo de reestrutura\u00e7\u00e3o produtiva. Dados da Suframa (Superintend\u00eancia da Zona Franca de Manaus) indicam que a \u201cas empresas do P\u00f3lo Industrial de Manaus deram in\u00edcio a um amplo processo de moderniza\u00e7\u00e3o industrial, com \u00eanfase na automa\u00e7\u00e3o, qualidade e produtividade\u201d. Com isso, que chamamos de contra-revolu\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, aumentou a extra\u00e7\u00e3o de mais-valia dos trabalhadores gerando faturamento recorde de US$ 13,2 bilh\u00f5es em 1996.<br \/>\nO p\u00f3lo tem mais de 100 mil oper\u00e1rios divididos em v\u00e1rias categorias. A principal delas \u00e9 agrupada no setor metal\u00fargico, reunindo cerca de 80 mil oper\u00e1rios. Neste setor, as f\u00e1bricas de eletro-eletr\u00f4nicos e de duas rodas, s\u00e3o as mais fortes. Empresas como Honda, Yamaha, Suzuki, LG, Philips e Semp Toshiba s\u00e3o exemplos.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o dos oper\u00e1rios na Honda<br \/>\nIn\u00fameros problemas afetam os oper\u00e1rios da Moto Honda da Amaz\u00f4nia, maior empresa do setor de duas rodas do p\u00f3lo industrial. Ela lidera as vendas no pa\u00eds e ultrapassou a marca de 13 milh\u00f5es de unidades produzidas.<br \/>\nA Moto Honda da Amaz\u00f4nia possui cerca de 10 mil oper\u00e1rios, denominados pela empresa de \u201ccolaboradores\u201d. Sua planta em Manaus ocupa o espa\u00e7o de um bairro inteiro e \u00e9 subdividida em tr\u00eas f\u00e1bricas: a) Moto Honda da Amaz\u00f4nia (HDA),  onde s\u00e3o produzidas motos, quadriciclos e motores estacion\u00e1rios; b) Honda Componentes da Amaz\u00f4nia (HCA), que como o pr\u00f3prio nome diz trabalha com componentes; c) Honda Tecnologia da Amaz\u00f4nia Ind\u00fastria e Com\u00e9rcio (HTA), que trabalha com equipamentos.<br \/>\nConversamos com um oper\u00e1rio de cada f\u00e1brica. Os tr\u00eas que concordaram falar solicitaram que os nomes n\u00e3o fossem divulgados. Nenhum deles goza de qualquer tipo de estabilidade e temia problemas futuros com a empresa.<br \/>\n \u201cNa f\u00e1brica tem muito desvio de fun\u00e7\u00e3o. Quando demitem algu\u00e9m, somos deslocados pra l\u00e1 at\u00e9 que venha outro. Eles falam muito de trabalho seguro, mas isso n\u00e3o \u00e9 respeitado. S\u00e3o mais de 600 afastados pelo INSS. O INSS manda todo mundo de volta pra f\u00e1brica, mesmo com laudo de que a pessoa n\u00e3o pode fazer esfor\u00e7o repetitivo. A empresa fica jogando o colaborador de setor em setor, mesmo com toda a doen\u00e7a. A pessoa se sente inv\u00e1lida. Tem gente com mais de 17 anos de empresa assim, nesse estado. Eles usam o funcion\u00e1rio, a for\u00e7a f\u00edsica, a juventude e n\u00e3o largam nem mesmo quando o cara j\u00e1 t\u00e1 destru\u00eddo. Como t\u00eam fam\u00edlia pra sustentar, muitos colaboradores trabalham usando rem\u00e9dio ou sentindo dores. Todo mundo v\u00ea. A empresa deveria garantir a sa\u00fade do lesionado. Botar pra trabalhar um colaborador que t\u00e1 licenciado \u00e9 absurdo. E s\u00e3o muitos. Dava pra abrir outra empresa s\u00f3 com eles. A quantidade de t\u00e9cnicos em seguran\u00e7a do trabalho \u00e9 pequena, n\u00e3o d\u00e1 conta. Tem um s\u00f3 engenheiro de seguran\u00e7a pra tr\u00eas f\u00e1bricas, dez mil oper\u00e1rios. O Minist\u00e9rio do Trabalho j\u00e1 deu prazo pra rever o que t\u00e1 errado, mais at\u00e9 agora nada\u201d, relatou um oper\u00e1rio da HTA.<br \/>\nEssa situa\u00e7\u00e3o contradiz o que a Honda chama de sua \u201cfilosofia\u201d. Eles afirmam que as pessoas que entram em contato com a companhia devem partilhar um \u201csentimento de alegria\u201d. O que seria vital para uma cultura corporativa que valoriza a criatividade, o bem-estar das pessoas e o respeito ao ser humano. Dizem que atuam para superar as expectativas do consumidor e criar um ambiente saud\u00e1vel e seguro para seus colaboradores.<br \/>\nOutro oper\u00e1rio, que hoje est\u00e1 na HCA, informa sua dura realidade cotidiana. \u201cEu j\u00e1 trabalhei na parte de montagem do motor. Primeiro na grava\u00e7\u00e3o do chassi da moto KVK, que o pessoal aqui fora compra chamando de Tornado 400. O chassi pesa entre 13 e 15 quilos. O levantamento \u00e9 manual em duas fases. A gente faz isso revezando entre tr\u00eas colaboradores. Um colega ficou lesionado e deixaram somente dois, o que \u00e9 um passo pra tamb\u00e9m ficar doente. A grava\u00e7\u00e3o \u00e9 um processo cr\u00edtico. N\u00e3o podemos fazer errado e prejudicar o cliente. Ent\u00e3o a gente se arrebenta pra fazer. Nada do que eles dizem de processo ergon\u00f4mico \u00e9 levado em conta. Eu estava sentindo dores e nem podia falar nada porque tinha medo de perder o emprego. Fui mandado para outro local. L\u00e1 era do mesmo jeito. Segurava uma pe\u00e7a de 5kg e levantava. Posicionava a pe\u00e7a com uma das m\u00e3os e apertava uma porca com a outra. Fazia isso todo dia. Repetia o movimento 2500 vezes no meu turno. Isso a cada 21 segundos, que \u00e9 o tempo de produ\u00e7\u00e3o de cada moto. Fazia por necessidade. Tava vendo a hora de n\u00e3o poder carregar meu filho no colo. Sai de l\u00e1 pra n\u00e3o ficar lesionado. Hoje trabalho em outro setor\u201d.<br \/>\n No mesmo sentido \u00e9 o que n\u00f3s relata um oper\u00e1rio da HDA. \u201cTemos poucas conquistas. A alimenta\u00e7\u00e3o de l\u00e1 \u00e9 interna. Olha que eu at\u00e9 n\u00e3o acho ruim, sei que n\u00e3o \u00e9 das melhores, mas muita gente reclama e outros at\u00e9 almo\u00e7am em casa. A bronca do pessoal \u00e9 que eles enjoam, \u00e9 muito repetitivo. O transporte da empresa \u00e9 regular. O \u00fanico problema \u00e9 do pessoal que sai 17h, que faz 2 horas-extras. A VAN demora muito, roda a cidade inteira. O colaborador fica mais 2 horas no carro depois do servi\u00e7o, cansa muito. O que me deixa triste mesmo \u00e9 que antes tinha \u00e1rea de lazer e hoje n\u00e3o tem mais. A expans\u00e3o da empresa tomou conta do lugar. A\u00ed o colaborador n\u00e3o tem onde ficar na hora do almo\u00e7o. Nesse intervalo de 1 hora, o pessoal coloca papel\u00e3o pelo ch\u00e3o pra descansar. Outros procuram local afastado ou ficam mesmo perto da esteira. \u00c9 vergonhoso. N\u00e3o se descansa bem pra voltar pra produ\u00e7\u00e3o. Talvez do Sr Soichiro Honda tivesse uma preocupa\u00e7\u00e3o com os colaboradores l\u00e1 no Jap\u00e3o. Mas os chefes daqui, n\u00e3o t\u00eam nenhuma. Eles pedem pra gente contribuir com melhorias. A gente fala. A\u00ed eles dizem que tem a ver com financiamento e que tudo fica por outro ano. S\u00f3 mudam o que d\u00e1 lucro pra eles\u201d.<\/p>\n<p>Patr\u00f5es, Pol\u00edticos, Justi\u00e7a e o Sindicato contra os metal\u00fargicos<br \/>\nUm dos fatores que ajuda a aumentar o grau de explora\u00e7\u00e3o s\u00e3o as dire\u00e7\u00f5es do movimento oper\u00e1rio. Em Manaus n\u00e3o \u00e9 diferente. As empresas recebem uma s\u00e9rie de regalias, contam com a cumplicidade dos caciques pol\u00edticos locais, compram senten\u00e7as em seu favor e at\u00e9 mesmo conquistaram para seu lado o sindicato da categoria.<br \/>\nAs principais lideran\u00e7as da oposi\u00e7\u00e3o metal\u00fargica j\u00e1 foram demitidas v\u00e1rias vezes de suas f\u00e1bricas. Por for\u00e7a da estabilidade concedida por meio da CIPA (Comiss\u00f5es Internas de Preven\u00e7\u00e3o de Acidente) conseguem recondu\u00e7\u00e3o as empresas. Em alguns casos nem mesmo a legisla\u00e7\u00e3o \u00e9 respeitada e se mant\u00eam as demiss\u00f5es, tudo para satisfazer a necessidade de lucro das multinacionais.<br \/>\n\u201cO atual presidente do sindicato n\u00e3o foi eleito. Desde 1999 n\u00e3o tem elei\u00e7\u00e3o. S\u00e3o mais de 10 anos que eles se perpetuam por meio de golpes e elei\u00e7\u00f5es de chapa \u00fanica. Era pra ter em 2003, n\u00e3o teve. Houve uma briga jur\u00eddica entre os pr\u00f3prios diretores. Em 2005 fizeram uma elei\u00e7\u00e3o de chapa \u00fanica que s\u00f3 eles participaram. Realizaram um congresso fraudado, no meio do mato, e a DRT (Delegacia Regional do Trabalho) e o TRT (Tribunal Regional do Trabalho) aceitaram a fraude. Em 2008, o sindicato fraudou o edital no Di\u00e1rio oficial e antecipou a elei\u00e7\u00f5es sem informar ningu\u00e9m. Agora em 2011 ia ter elei\u00e7\u00e3o e terminou em fraude de  novo, com s\u00f3 uma chapa inscrita. Esse ano \u00e9 a terceira vez que queremos disputar e n\u00e3o tem elei\u00e7\u00e3o. O judici\u00e1rio aposta neles. Todos s\u00e3o convenientes ao patr\u00e3o\u201d desabafa Daniel, integrante da oposi\u00e7\u00e3o metal\u00fargica.<br \/>\nEle ainda relata que em 2005, cerca de 2000 trabalhadores se dirigiram para frente do sindicato para garantir a elei\u00e7\u00e3o por meio de uma assembl\u00e9ia que elegeria a comiss\u00e3o eleitoral. O sindicato mobilizou cerca de 200 pessoas. A Pol\u00edcia Militar fazia a seguran\u00e7a da diretoria. O presidente apontava os integrantes da oposi\u00e7\u00e3o, que iam sendo presos pela pol\u00edcia um a um. A oposi\u00e7\u00e3o ganhou a assembl\u00e9ia, teve maioria na comiss\u00e3o eleitoral, e pela primeira vez, depois de anos, aconteceria uma elei\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica. Por\u00e9m, a justi\u00e7a cancelou o pleito. Em seguida a patronal come\u00e7ou as demiss\u00f5es nas f\u00e1bricas, eliminando a oposi\u00e7\u00e3o da categoria.<br \/>\nEra um ano em que se protagonizaram fortes lutas. Na Salcomp, a comiss\u00e3o que negociava a PLR (Participa\u00e7\u00e3o nos Lucros e Resultados), dirigida pela oposi\u00e7\u00e3o, realizou uma forte greve no interior da f\u00e1brica, ocupando a empresa. A luta foi vitoriosa. Aumentaram a proposta de R$ 200 para R$ 1200 com a greve. A empresa demitiu os nove membros da CIPA que organizaram o movimento, um deles era Daniel. Sendo que todos, posteriormente, conseguiram retornar ao trabalho.<br \/>\nEm 2009, a oposi\u00e7\u00e3o come\u00e7ou um processo de greves por empresa. \u201cFizemos muitas. Um exemplo foi a greve da Semp Toshiba. O sindicato faltou se ajoelhar e pedir pro pessoal voltar pra dentro da f\u00e1brica. A diretoria dizia: \u2018J\u00e1 t\u00e1 bom pessoal, \u00e9 a primeira PLR, a gente tem que entender a empresa\u2019. A Semp queria dar R$ 600 e a gente pedia R$ 5000. Por ser a primeira vez era que revoltava, porque a f\u00e1brica j\u00e1 tava h\u00e1 20 anos e dar s\u00f3 aquilo era uma vergonha. Fizemos muitas greves assim, isoladas, mas depois mudamos porque acabou se tornando uma armadilha pra identificar a oposi\u00e7\u00e3o. A\u00ed sempre vinha demiss\u00e3o\u201d conclui Daniel.<br \/>\nO mandato da atual diretoria do Sindicato dos Metal\u00fargicos termina em 2012. Por\u00e9m, o sindicato antecipou a elei\u00e7\u00e3o para maio e n\u00e3o deu oportunidade para que outras chapas se inscrevessem na disputa. \u201cA base quer mudan\u00e7a. O momento \u00e9 que se n\u00e3o acontecer elei\u00e7\u00e3o eu nem sei o que pode ocorrer. Eu acho que vai ser a fa\u00edsca pra uma greve geral. N\u00f3s temos lado. Foi isso que falamos pra ju\u00edza. Tentamos falar isso no tribunal. Levamos um abaixo-assinado com milhares de assinaturas pra provar que n\u00e3o teve elei\u00e7\u00e3o. Falamos que nem mesmo deu qu\u00f3rum essa fraude deles, porque eles est\u00e3o desacreditados na base. A ju\u00edza disse que valia mais a nota fiscal do sindicato comprovando que pagou 20 mil panfletos numa gr\u00e1fica pra divulgar a elei\u00e7\u00e3o. Eu perguntei se ela queria outra nota igual aquela. Porque \u00e9 a coisa mais f\u00e1cil ter uma nota fiscal de qualquer coisa. Entre uma nota e a assinatura de milhares de oper\u00e1rios o que vale mais? A ju\u00edza me deu voz de pris\u00e3o dentro do tribunal. A\u00ed n\u00e3o teve jeito. Tive que dizer pra ela que n\u00f3s queremos eleger o presidente do sindicato. N\u00e3o queremos que o tribunal determine quem vai ser o presidente. Sou trabalhador. N\u00e3o roubei, nem fraudei nada. N\u00e3o vendi, nem comprei senten\u00e7a. N\u00e3o tinha porque ser preso\u201d, conta Daniel, que hoje se encontra demitido pela terceira vez.<br \/>\nUm dos motivos para que n\u00e3o existam elei\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas \u00e9 que a atual gest\u00e3o do sindicato provavelmente n\u00e3o ganharia o processo limpo. Um dado s\u00e3o as elei\u00e7\u00f5es das CIPAS e Comiss\u00f5es de PLR. Onde a oposi\u00e7\u00e3o existe, as elei\u00e7\u00f5es s\u00e3o leg\u00edtimas e o sindicato nunca ganha. Sendo assim, recorrem a expedientes ileg\u00edtimos para se perpetuar na condu\u00e7\u00e3o da entidade enquanto desfrutam de benesses econ\u00f4micas. Um exemplo das liga\u00e7\u00f5es financeiras entre o sindicato e os patr\u00f5es foi visto na \u00faltima elei\u00e7\u00e3o burguesa. O filho do presidente do sindicato, que \u00e9 do PT, tentava uma vaga na assembl\u00e9ia com campanha eleitoral financiada pelas empresas, sobretudo a Toshiba, Philips e LG. Isso imp\u00f4s um recuo ainda maior do sindicato na data-base 2010. At\u00e9 mesmo a reivindica\u00e7\u00e3o de 40 horas semanais, uma das bandeiras nacionais da CUT, foi abandonada na \u00faltima \u201ccampanha salarial\u201d da categoria.<br \/>\n\u201cEu acho que o sindicato n\u00e3o \u00e9 aprovado na f\u00e1brica. Eles falaram na r\u00e1dio que a elei\u00e7\u00e3o ia ser em setembro. Tr\u00eas dias depois estavam com as urnas na empresa. Eles colocaram v\u00e1rias mulheres no refeit\u00f3rio pra atrair aten\u00e7\u00e3o e induzir o voto. Ningu\u00e9m sabia que eles tinham antecipado a elei\u00e7\u00e3o pra maio. Muita gente votou porque conhecia os diretores\u201d, nos disse o oper\u00e1rio da HTA. Talvez isso explique porque do total de 11 mil oper\u00e1rios, apenas tr\u00eas mil sejam sindicalizados na Honda. Desses, apenas 100 votaram na suposta elei\u00e7\u00e3o.<br \/>\nMesma vis\u00e3o tem o oper\u00e1rio da HDA. \u201cEu conhe\u00e7o um diretor do sindicato. Ele sempre me diz que a PLR j\u00e1 ta definida bem antes da negocia\u00e7\u00e3o. Ano passado ele disse que s\u00f3 ia aumentar R$ 200. Disse que esse era o teto de reajuste da empresa. Ela ia come\u00e7ar l\u00e1 em baixo e aumentar at\u00e9 esse ponto. Senti que eles j\u00e1 tinham acertado tudo antes da negocia\u00e7\u00e3o come\u00e7ar. Ent\u00e3o a gente elege colaboradores das tr\u00eas f\u00e1bricas, dois de cada, formando seis. A empresa indica seis e o sindicato t\u00e1 ali pra ser mediador. Mas n\u00e3o vi isso\u201d. Isso explica porque, mesmo com toda a luta da comiss\u00e3o da PLR da Honda, ela est\u00e1 abaixo da que recebem os metal\u00fargicos de outros estados.<br \/>\n\u201cO que sei \u00e9 que o gerente sempre chama o colaborador que fica pedindo mais dentro da negocia\u00e7\u00e3o da PLR. Os superiores tentam convencer o cara a aceitar sem questionar. Eu vejo como uma imposi\u00e7\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 negocia\u00e7\u00e3o. Tem gente que \u00e9 demitida depois da negocia\u00e7\u00e3o com argumento de que \u2018n\u00e3o acompanha o desenvolvimento da empresa\u2019, mas \u00e9 claro que foi porque reivindicou. N\u00e3o me sinto representado pelo sindicato. Desconto 26, 30 reais pro sindicato, pra nada. Eles est\u00e3o vendendo os oper\u00e1rios como se fossem escravos. Fechando os olhos para a vergonha e a humilha\u00e7\u00e3o que passa o cidad\u00e3o amazonense\u201d conclui o oper\u00e1rio da HCA.<\/p>\n<p>Conclus\u00e3o<br \/>\nA imposi\u00e7\u00e3o de rela\u00e7\u00f5es de trabalho semi-escravas, como na China, n\u00e3o triunfou no Brasil. Mas as empresas v\u00eam espa\u00e7o para essa implementa\u00e7\u00e3o, pois \u00e9 o PT de Lula, com influ\u00eancia no movimento oper\u00e1rio, que se disp\u00f5e a aplic\u00e1-la. Esse \u00e9 o projeto do governo Dilma\/Temer, o que tende a aumentar as contradi\u00e7\u00f5es entre patr\u00f5es e oper\u00e1rios por todo o pa\u00eds.<br \/>\nAs obras da copa, como as que tamb\u00e9m v\u00e3o acontecer em Manaus, s\u00e3o outro elemento dessa situa\u00e7\u00e3o. Empreiteiras nacionais e internacionais est\u00e3o de olho nesse fil\u00e3o para disputar obras que render\u00e3o contratos bilion\u00e1rios, com financiamento do BNDES e todo tipo de regalias, o que explica tamb\u00e9m a vinda de Obama e a visita da presidente Dilma \u00e0 China. Esse sim que \u00e9 um \u201cneg\u00f3cio da China\u201d!<br \/>\nO papel das dire\u00e7\u00f5es sindicais traidoras \u00e9 fundamental a favor de \u201cchinalizar\u201d as rela\u00e7\u00f5es trabalhistas, como pode ser visto no p\u00f3lo industrial de Manaus. Por outro lado, vimos que a oposi\u00e7\u00e3o organizada consegue fazer esse processo retroceder quando dirige lutas e greves impondo certos aumentos na remunera\u00e7\u00e3o.<br \/>\nUm dado importante \u00e9 que a tentativa de Chinaliza\u00e7\u00e3o no Brasil, nos canteiros do PAC, sofreu uma derrota com as greves da constru\u00e7\u00e3o civil no in\u00edcio do ano, apesar das demiss\u00f5es em Jirau. Na China, desde 2009 assistimos uma retomada das greves oper\u00e1rias, a exemplo dos metal\u00fargicos da Honda, o que conquistou reajustes salariais naquele pa\u00eds.<br \/>\nEsse giro das dire\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias para um projeto t\u00e3o patronal abre um espa\u00e7o importante para que a esquerda socialista volte a se inserir nos ch\u00e3o das f\u00e1bricas, ajudando a varrer os novos pelegos das centrais Lulistas que hoje comandam os sindicatos oper\u00e1rios.<br \/>\nOs sindicalistas classistas e o PSOL necessitam desse enraizamento social, de seus militantes entrando nas CIPAS, delegacias sindicais, criando comiss\u00f5es de base, de luta, no local de trabalho. Desse modo, a esquerda socialista da amaz\u00f4nia poder\u00e1 intervir em novas greves como a de Jirau, dirigindo as rebeli\u00f5es que est\u00e3o por vir.<\/p>\n<p>Michel Oliveira \u2013 Dire\u00e7\u00e3o Nacional do PSOL, Coordena\u00e7\u00e3o da CST.<br \/>\nJ\u00falio Miragaia \u2013 Assessor do SINTSEP-PA e Coletivo Vamos \u00e0 Luta<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>trabalho semi-escravo na \u00e9poca da decad\u00eancia e crise da economia capitalista | Rubra Pauta Michel Oliveira J\u00falio Miragaia Introdu\u00e7\u00e3o A rebeli\u00e3o dos oper\u00e1rios de Jirau, no Rio Madeira, Rond\u00f4nia, com sua generaliza\u00e7\u00e3o por canteiros de obras de todo pa\u00eds, contribui para que o proletariado amaz\u00f4nico<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-69","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-arquivo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/69","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=69"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/69\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=69"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=69"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=69"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}