

	{"id":6959,"date":"2020-06-22T12:49:29","date_gmt":"2020-06-22T12:49:29","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/?p=6959"},"modified":"2020-06-22T12:49:29","modified_gmt":"2020-06-22T12:49:29","slug":"como-foram-as-estatizacoes-na-venezuela","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2020\/06\/22\/como-foram-as-estatizacoes-na-venezuela\/","title":{"rendered":"Como foram as estatiza\u00e7\u00f5es na Venezuela?"},"content":{"rendered":"<h6 style=\"text-align: right;\"><b>Por<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> Claudio Funes, do jornal El Socialista.\u00a0<strong>Traduzido<\/strong>\u00a0<\/span><b style=\"font-family: inherit; font-style: inherit;\">por:\u00a0<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">Lucas Schlabendorff<\/span><\/h6>\n<hr \/>\n<p><b><i>Na Argentina, o an\u00fancio de estatiza\u00e7\u00e3o da empresa Vicentin, anunciada pelo governo de Alberto Fern\u00e1ndez, tem gerado muitos debates na sociedade e rendendo compara\u00e7\u00f5es com a Venezuela. No Brasil, uma parte da esquerda v\u00ea com empolga\u00e7\u00e3o essa not\u00edcia. Mas que tipo de estatiza\u00e7\u00e3o \u00e9 essa defendida pelo kirchnerismo? E como foram as estatiza\u00e7\u00f5es realizadas pelo chavismo na Venezuela? No artigo a seguir, escrito por Claudio Funes, do Izquierda Socialista (se\u00e7\u00e3o da UIT-QI na Argentina), apresentamos a vis\u00e3o dos socialistas revolucion\u00e1rios sobre esse debate.<\/i><\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A interven\u00e7\u00e3o estatal na gigante agroexportadora Vicentin, assim como o poss\u00edvel envio ao Congresso de um projeto para sua expropria\u00e7\u00e3o por parte do presidente argentino Alberto Fern\u00e1ndez, despertou p\u00e2nico nas grandes patronais, beirando a histeria.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Atrav\u00e9s da imprensa escrita, r\u00e1dio e televis\u00e3o est\u00e3o sendo feitas previs\u00f5es catastr\u00f3ficas, debates e compara\u00e7\u00f5es com a Venezuela de Hugo Ch\u00e1vez e de Nicol\u00e1s Maduro.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Um dos que de forma mais emblem\u00e1tica exp\u00f4s essa preocupa\u00e7\u00e3o foi Luis Miguel Etchevehere, ex-presidente da Sociedade Rural e ex-ministro da Agroind\u00fastria de Macri. Agourou que o pa\u00eds ser\u00e1 \u201ccomo a Venezuela, que come\u00e7ou com um slogan, como era a frase tragic\u00f4mica de Ch\u00e1vez com o \u2018exproprie-se\u2019\u201d. Esses setores patronais querem usar o evidente fracasso do chavismo para questionar as estatiza\u00e7\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p><b>O que aconteceu na Venezuela?<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O fracasso do chavismo n\u00e3o tem nada a ver com as estatiza\u00e7\u00f5es. Pelo contr\u00e1rio. O chavismo chegou ao poder em 1998, prometendo justi\u00e7a social, democracia participativa e anunciando que ia reverter a entrega da ind\u00fastria petroleira aos capitais transnacionais.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Passados mais de vinte anos, o tempo sobra para fazer um balan\u00e7o. O chavismo realizou uma intensa campanha dizendo que sob sua gest\u00e3o a ind\u00fastria petroleira foi renacionalizada. Ser\u00e1 que foi mesmo? A realidade \u00e9 a oposta, o chavismo tem a responsabilidade de ter aumentado a inser\u00e7\u00e3o das transnacionais petroleiras.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em 2006, com o nome de \u201cPlena Soberania Petroleira\u201d, se anunciou o plano mediante o qual se poderia associar capitais privados \u00e0 PDVSA. Surgiu assim o formato das empresas mistas. As primeiras em firmar foram a Chevron, Repsol, Shell, Total, Petrobras e Exxon Mobil, entre outras. As empresas mistas resultaram em organiza\u00e7\u00f5es totalmente aut\u00f4nomas que declaram os lucros a seus acionistas. Ao mesmo tempo, Ch\u00e1vez recha\u00e7ou qualquer tipo de gest\u00e3o ou cogest\u00e3o oper\u00e1ria, dando como desculpa que o petr\u00f3leo \u00e9 uma ind\u00fastria estrat\u00e9gica. N\u00e3o poderia ser de outra maneira. J\u00e1 que a outra cara do acordo com as saqueadoras foi o compromisso de Ch\u00e1vez para liquidar os acordos coletivos de trabalho e as conquistas dos trabalhadores petroleiros para garantir mais lucros para as multinacionais.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A realidade foi ent\u00e3o que, para al\u00e9m de certos atritos, Ch\u00e1vez nunca rompeu com o imperialismo. Manteve a empresa Citgo Petroleum Corpotarion, subsidi\u00e1ria da PDVSA, com 13.500 postos de servi\u00e7o nos Estados Unidos e lhe continuou enviando milhares e milhares de barris ao \u201cimp\u00e9rio\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O que fracassou e levou ao colapso a pr\u00f3pria ind\u00fastria petroleira venezuelana foi esse esquema de empresas mistas. As importa\u00e7\u00f5es de derivados do petr\u00f3leo como a nafta superam as exporta\u00e7\u00f5es, apesar da Venezuela ter um dos maiores complexos de refino do mundo. Essa \u00e9 a raz\u00e3o para que cheguem na Venezuela navios do Ir\u00e3 com combust\u00edvel. O saque levou a isso.<\/span><\/p>\n<p><b>Por estatiza\u00e7\u00f5es de 100%<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O que Ch\u00e1vez nunca quis fazer foi expulsar as multinacionais petroleiras e que o Estado tomasse o controle da maior fonte de riqueza da Venezuela, o petr\u00f3leo. Na pr\u00e1tica, o chavismo defendia a empresa mista com uma maioria estatal de 51% e o resto nas m\u00e3os do capital transnacional associado. O povo venezuelano e milhares de lutadores anti-imperialistas do mundo acreditavam que Ch\u00e1vez havia efetivamente nacionalizado o petr\u00f3leo. Por isso foram justamente nossos companheiros do Partido Socialismo e Liberdade (PSL, se\u00e7\u00e3o venezuelana da UIT-QI), os que se viram obrigados a agregar o n\u00famero 100% para exigir uma verdadeira estatiza\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo. Era a forma de lan\u00e7ar uma consigna contraposta ao enganoso 51% do chavismo. Assim popularizaram a frase \u201cpor uma PDVSA 100% estatal dirigida por seus trabalhadores\u201d como a \u00fanica medida que permitiria acabar com o saque a um pa\u00eds capitalista e semicolonial. A gest\u00e3o e o saque dessas empresas mistas foram justamente o que arrastaram o povo venezuelano \u00e0 essa realidade de fome e ajuste.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cExproprie-se!\u201d, o slogan de que fala Etchevehere, foi pronunciado por Ch\u00e1vez em v\u00e1rias ocasi\u00f5es ap\u00f3s a reelei\u00e7\u00e3o de 2006, em especial referindo-se a algumas empresas industriais. A experi\u00eancia foi um fracasso. As chamadas \u201cexpropria\u00e7\u00f5es\u201d n\u00e3o foram mais que compras a pre\u00e7os astron\u00f4micos que n\u00e3o trouxeram nenhum benef\u00edcio para seus trabalhadores e nem para o pa\u00eds. Na maioria dos casos se tratou de pura propaganda, e em outros foi a abertura de caminho para o saque, com o citado esquema das empresas mistas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Muitas dessas empresas \u201cexpropriadas\u201d hoje est\u00e3o fechadas, semiparalisadas ou em crise terminal. Isso foi consequ\u00eancia tamb\u00e9m daqueles que ficaram respons\u00e1veis pela administra\u00e7\u00e3o: burocratas, \u201cboliburgueses\u201d, sem nenhuma participa\u00e7\u00e3o e nem respeito pelos acordos dos pr\u00f3prios trabalhadores. Nossa proposta sempre foi a inversa, que a gest\u00e3o deve ser feita pelos pr\u00f3prios trabalhadores. S\u00e3o eles quem t\u00eam os conhecimentos e capacidades para coloc\u00e1-las para funcionar. Como j\u00e1 hav\u00edamos visto na pr\u00f3pria Venezuela em 2003, frente ao lockout na mesma ind\u00fastria petroleira, foram os pr\u00f3prios trabalhadores, com o fort\u00edssimo protagonismo de dirigentes sindicais do PSL, como Orlando Chirino e Jos\u00e9 Bodas, os que a colocaram para funcionar.<\/span><\/p>\n<p><b>E na Argentina?\u00a0<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Na Argentina, em 2012, durante o governo de Cristina Kirchner, aconteceu a expropria\u00e7\u00e3o parcial da YPF. O projeto de lei impulsionado pelo FpV defendia que a petroleira continuaria sendo uma sociedade an\u00f4nima, que participaria da Bolsa de Valores e que, portanto, deveria obedecer \u00e0 orienta\u00e7\u00e3o exigida pelos acionistas privados. A empresa mista, uma vez mais, \u00e9 uma artimanha para que o Estado se responsabilize pelas perdas, e os interesses privados fiquem respons\u00e1veis pelos lucros. Hoje estamos diante do mesmo perigo com a proposta do governo peronista de que Vicentin possa ser uma empresa mista com 51% estatal.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A gest\u00e3o do peronismo kirchnerista apresentou a \u201creestatiza\u00e7\u00e3o\u201d da YPF como \u201ca recupera\u00e7\u00e3o da soberania petroleira\u201d. A Repsol recebeu 5 bilh\u00f5es de d\u00f3lares em t\u00edtulos e os saqueadores continuaram livres para seguir fazendo neg\u00f3cios, como ficou demonstrado posteriormente com a escandalosa entrega para a Chevron.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Desde sua funda\u00e7\u00e3o em 1922, a YPF, na medida em que descobria e extra\u00eda campos de petr\u00f3leo, promovia a abertura de escolas, estradas, hospitais e moradias. Suas redes de servi\u00e7o cobriam todos os cantos do pa\u00eds. Na \u00e1rea de extra\u00e7\u00e3o chegou a ter duas plataformas mar\u00edtimas de primeiro n\u00edvel mundial. Em sua \u00e9poca tamb\u00e9m foi pioneira na constru\u00e7\u00e3o de refinarias. A YPF estatal foi um modelo para toda a Am\u00e9rica Latina, com sua contribui\u00e7\u00e3o se fundaram empresas estatais de Petr\u00f3leo no Brasil, Bol\u00edvia e Peru. Da mesma forma que as ferrovias, a YPF integrava a na\u00e7\u00e3o. Esse exemplo demonstra que a propriedade estatal pode ser eficiente e satisfazer as necessidades do povo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">N\u00f3s do Izquierda Socialista seguiremos exigindo a retomada do controle das riquezas do subsolo para coloc\u00e1-las a servi\u00e7o dos setores populares, com uma YPF 100% estatal e dirigida por seus trabalhadores.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O mesmo exigimos para Vicentin e todas as atividades que hoje est\u00e3o nas m\u00e3os do grande capital e das multinacionais, como o com\u00e9rcio internacional de gr\u00e3os e alimentos, a energia el\u00e9trica, a distribui\u00e7\u00e3o de g\u00e1s, as ferrovias, a educa\u00e7\u00e3o e a sa\u00fade, hoje escamoteada em plena pandemia.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Todas essas atividades essenciais devem estar a servi\u00e7o de satisfazer as necessidades do povo e n\u00e3o ser fonte de lucros para os capitalistas. Somente com a estatiza\u00e7\u00e3o sem indeniza\u00e7\u00e3o e sob controle dos trabalhadores \u00e9 que alcan\u00e7aremos a soberania pol\u00edtica e econ\u00f4mica.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Fonte:<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> Por que o chavismo fracassou? De Sim\u00f3n Rodr\u00edguez Porras e Miguel Sorans. Publicado no Brasil pela Edi\u00e7\u00f5es Combate Socialista.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Claudio Funes, do jornal El Socialista.\u00a0Traduzido\u00a0por:\u00a0Lucas Schlabendorff Na Argentina, o an\u00fancio de estatiza\u00e7\u00e3o da empresa Vicentin, anunciada pelo governo de Alberto Fern\u00e1ndez, tem gerado muitos debates na sociedade e rendendo compara\u00e7\u00f5es com a Venezuela. 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