

	{"id":6969,"date":"2020-06-23T16:44:51","date_gmt":"2020-06-23T16:44:51","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/?p=6969"},"modified":"2020-06-23T17:13:47","modified_gmt":"2020-06-23T17:13:47","slug":"especial-80-anos-do-partido-socialista-revolucionario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2020\/06\/23\/especial-80-anos-do-partido-socialista-revolucionario\/","title":{"rendered":"Especial 80 anos do Partido Socialista Revolucion\u00e1rio"},"content":{"rendered":"<p><strong><em>Por Henrique Lignani, Historiador e militante da CST<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><em>(No ano passado, a funda\u00e7\u00e3o do PSR, se\u00e7\u00e3o da IV internacional no Brasil, completou 80 anos. Aproveitamos a oportunidade para refletir sobre uma das fases do trotskismo em nosso pa\u00eds. Trata-se de um conjunto de artigos hist\u00f3ricos publicado mensalmente no jornal Combate Socialista entre setembro de 2019 e Mar\u00e7o de 2020. Em meio a pandemia o Especial foi finalizado em nosso site e divulgado no boletim eletr\u00f4nico de abril).<\/em><\/p>\n<p><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><strong><em><a href=\"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/psr.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-large wp-image-6970\" src=\"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/psr-1024x576.jpg\" alt=\"\" width=\"940\" height=\"529\" srcset=\"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/psr-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/psr-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/psr-768x432.jpg 768w, https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/psr-50x28.jpg 50w, https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/psr-600x338.jpg 600w, https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/psr.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 940px) 100vw, 940px\" \/><\/a><\/em><\/strong>Arte Felipe Shulte<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><em>80 anos do Partido Socialista Revolucion\u00e1rio, 1\u00ba artigo<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Em agosto deste ano completaram-se 80 anos da funda\u00e7\u00e3o do Partido Socialista Revolucion\u00e1rio (PSR). Reconhecido como se\u00e7\u00e3o brasileira da IV Internacional, o PSR se inseriu na tradi\u00e7\u00e3o trotskista no Brasil, surgida no final dos anos 1920, ainda no seio do PCB, com a luta da Oposi\u00e7\u00e3o de Esquerda contra a burocratiza\u00e7\u00e3o. Acompanhando o debate em n\u00edvel internacional, a partir de 1933 o objetivo de regenerar os PCs stalinistas foi abandonado, sendo impulsionada a forma\u00e7\u00e3o de novos partidos e de uma nova Internacional, fundada em 1938. Dessa forma, surgiram no Brasil partidos independentes, como a Liga Comunista Internacionalista e, mais tarde, o Partido Oper\u00e1rio Leninista. Este \u00faltimo, ao se fundir com uma cis\u00e3o do PCB de S\u00e3o Paulo, originou o PSR em 1939.<\/p>\n<p>O contexto em que o PSR atuou foi marcado por v\u00e1rias dificuldades: o pa\u00eds vivia a repress\u00e3o pol\u00edtica da ditadura de Get\u00falio Vargas, o Estado Novo (1937-1945); ainda, a eclos\u00e3o da II Guerra Mundial (1938-1945) tornou mais dif\u00edcil a comunica\u00e7\u00e3o entre as se\u00e7\u00f5es da IV Internacional, ficando o PSR isolado; por fim, em 1940, um ano ap\u00f3s o surgimento do partido, Trotsky foi assassinado pelo stalinismo, o que significou para a IV Internacional a perda de sua principal lideran\u00e7a. Tais dificuldades se manifestavam no pequeno tamanho do PSR (cerca de 50 membros), na sua restri\u00e7\u00e3o praticamente \u00e0 S\u00e3o Paulo e no fato de uma s\u00e9rie de seus militantes terem sido presos ou exilados.<\/p>\n<p>Apesar dos empecilhos, o partido desempenhou atividades em categorias como jornalistas, vidreiros e funcion\u00e1rios p\u00fablicos municipais de S\u00e3o Paulo. Al\u00e9m disso, publicou os jornais <em>A Luta de Classe<\/em>, <em>Luta Prolet\u00e1ria<\/em> e <em>Orienta\u00e7\u00e3o Socialista<\/em>, este \u00faltimo com alguma regularidade entre 1946 e 1948.<\/p>\n<p>Por muito tempo os estudos sobre a hist\u00f3ria da classe trabalhadora e da esquerda no Brasil exclu\u00edram os trotskistas alegando a \u201cpouca expressividade\u201d que suas organiza\u00e7\u00f5es alcan\u00e7aram. Por\u00e9m, isso desconsidera a import\u00e2ncia do movimento, algo que se deve tanto \u00e0 precis\u00e3o das an\u00e1lises da realidade que desenvolveram, quanto ao seu incans\u00e1vel combate \u00e0 colabora\u00e7\u00e3o de classes, mantendo viva a perspectiva revolucion\u00e1ria.<\/p>\n<p>Portanto, \u00e9 buscando resgatar a mem\u00f3ria dos trotskistas do PSR que publicamos esta s\u00e9rie de textos sobre a trajet\u00f3ria do partido. Acreditamos que por meio disso podemos contribuir para o entendimento de importantes quest\u00f5es ainda presentes nas lutas dos socialistas revolucion\u00e1rios.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/orientacaosocialista.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-large wp-image-6972 alignleft\" src=\"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/orientacaosocialista-1024x592.png\" alt=\"\" width=\"940\" height=\"543\" srcset=\"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/orientacaosocialista-1024x592.png 1024w, https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/orientacaosocialista-300x173.png 300w, https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/orientacaosocialista-768x444.png 768w, https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/orientacaosocialista-50x29.png 50w, https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/orientacaosocialista-638x368.png 638w, https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/orientacaosocialista-900x520.png 900w, https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/orientacaosocialista-600x347.png 600w, https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/orientacaosocialista.png 1161w\" sizes=\"auto, (max-width: 940px) 100vw, 940px\" \/><\/a>Capa jornal Orienta\u00e7\u00e3o Socialista; Arquivo Mario Pedrosa, CEMAP\/CEDEM &#8211; Unesp<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Os trotskistas brasileiros e o incans\u00e1vel combate ao reformismo, <em>2\u00ba artigo<\/em><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A defesa de um programa revolucion\u00e1rio e a luta contra a concilia\u00e7\u00e3o de classes foram tra\u00e7os marcantes de toda a trajet\u00f3ria do trotskismo brasileiro. Desde o final dos anos 1930, no per\u00edodo em que o PSR atuou, essa quest\u00e3o se tornou especialmente importante, j\u00e1 que o PCB, principal partido de esquerda no pa\u00eds, passou a defender a chamada pol\u00edtica de \u201cUni\u00e3o Nacional\u201d.<\/p>\n<p>A linha adotada pelo PCB, seguindo a Internacional Comunista controlada por Stalin, considerava o Brasil um pa\u00eds \u201csemifeudal\u201d. Tal defini\u00e7\u00e3o tinha consequ\u00eancias no car\u00e1ter da revolu\u00e7\u00e3o que os stalinistas buscavam para o Brasil, uma revolu\u00e7\u00e3o que seria realizada \u201cpor etapas\u201d: primeiro, uma \u201crevolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tico-burguesa, antifeudal e anti-imperialista\u201d, na qual o proletariado deveria estar aliado aos setores \u201cprogressistas\u201d da burguesia contra o latif\u00fandio e o imperialismo; e s\u00f3 depois, com o capitalismo j\u00e1 completamente desenvolvido no pa\u00eds, seria realizada a revolu\u00e7\u00e3o socialista. Na pr\u00e1tica, os stalinistas do PCB n\u00e3o lutavam pelo socialismo, mas por uma \u201cuni\u00e3o nacional\u201d com setores dessa burguesia supostamente \u201cprogressista\u201d, se aproximando inclusive do governo de Vargas. Desde o primeiro documento divulgado pelo PSR, em agosto de 1939, a pol\u00edtica stalinista era denunciada como uma trai\u00e7\u00e3o aos interesses da classe trabalhadora, sendo preciso construir uma nova vanguarda na luta contra o capitalismo.<\/p>\n<p>A partir de 1945, quando o \u201cEstado Novo\u201d chegava pr\u00f3ximo ao seu fim, avan\u00e7ava tamb\u00e9m a aproxima\u00e7\u00e3o do PCB em rela\u00e7\u00e3o a Vargas. Deve ser ressaltado que essa posi\u00e7\u00e3o de colabora\u00e7\u00e3o de classes foi a marca da atua\u00e7\u00e3o dos partidos stalinistas ao redor do mundo no contexto do fim da Segunda Guerra. Devido ao contexto de redemocratiza\u00e7\u00e3o, naquele momento o PSR encontrou possibilidades relativamente maiores para divulgar sua pol\u00edtica e se contrapor \u00e0 concilia\u00e7\u00e3o de classes e ao \u201cetapismo\u201d stalinista.<\/p>\n<p>Isso pode ser observado em agosto de 1945, na divulga\u00e7\u00e3o da nota \u201cO momento pol\u00edtico e a posi\u00e7\u00e3o do PSR\u201d, inserida por militantes do partido em meio ao conte\u00fado de um jornal da grande imprensa. O texto criticava diretamente discursos recentes realizados por Luiz Carlos Prestes, principal dirigente do PCB, nos quais a \u201cuni\u00e3o nacional\u201d era defendida a partir da \u201ccolabora\u00e7\u00e3o sincera e leal de todos os verdadeiros patriotas, sem distin\u00e7\u00e3o de categoria social, ideologias pol\u00edticas e credos religiosos\u201d. As palavras do dirigente stalinista expressavam a defesa da \u201cordem\u201d e da \u201cpaz social\u201d, portanto o total abandono da luta de classes em prol da alian\u00e7a idealizada com a burguesia nacional.<\/p>\n<p>O PSR respondia tal pol\u00edtica apresentando um programa alternativo que inclu\u00eda as aspira\u00e7\u00f5es imediatas da classe trabalhadora e a luta por liberdades democr\u00e1ticas, de organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, sindical e de greve. Essas pautas, entre outras, assumiam um sentido transit\u00f3rio, ajudando a avan\u00e7ar a consci\u00eancia dos trabalhadores no curso das lutas e expondo que tais problemas s\u00f3 podiam ser resolvidos pela luta revolucion\u00e1ria.<\/p>\n<p>Uma vez que o PCB dirigia setores importantes do proletariado no Brasil, sua pol\u00edtica tinha implica\u00e7\u00f5es bem concretas. Nos anos de 1945-6, in\u00fameras greves explodiram no pa\u00eds de forma espont\u00e2nea, contra a situa\u00e7\u00e3o de carestia vivida pelos trabalhadores. Com sua pol\u00edtica de concilia\u00e7\u00e3o, os stalinistas defendiam que era momento de \u201cordem e tranquilidade\u201d, chamando os trabalhadores a \u201capertar os cintos\u201d (ou seja, evitar greves). O PSR, na medida em que lhe era poss\u00edvel, se op\u00f4s a essa pol\u00edtica. Indicava a necessidade de aprofundar as reivindica\u00e7\u00f5es e, inclusive, formar comit\u00eas de f\u00e1brica para al\u00e9m dos sindicatos pelegos.<\/p>\n<p>Esses s\u00e3o apenas alguns exemplos de como os trotskistas brasileiros buscaram manter um programa revolucion\u00e1rio, mesmo nas condi\u00e7\u00f5es mais adversas. A den\u00fancia das trai\u00e7\u00f5es realizadas pelas dire\u00e7\u00f5es, principalmente pelo stalinismo, se tratou de um eixo fundamental dessa batalha, algo ainda presente no Brasil devido ao papel das atuais dire\u00e7\u00f5es reformistas e conciliadoras.<a href=\"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/OrientacaoSocialista.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-large wp-image-6974 alignleft\" src=\"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/OrientacaoSocialista-702x1024.jpg\" alt=\"\" width=\"702\" height=\"1024\" srcset=\"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/OrientacaoSocialista-702x1024.jpg 702w, https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/OrientacaoSocialista-206x300.jpg 206w, https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/OrientacaoSocialista-768x1120.jpg 768w, https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/OrientacaoSocialista-34x50.jpg 34w, https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/OrientacaoSocialista-600x875.jpg 600w, https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/OrientacaoSocialista.jpg 1369w\" sizes=\"auto, (max-width: 702px) 100vw, 702px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Capa jornal Orienta\u00e7\u00e3o Socialista; Arquivo Mario Pedrosa, CEMAP\/CEDEM &#8211; Unesp<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O \u201cPlano de reivindica\u00e7\u00f5es transit\u00f3rias\u201d \u2013 o trotskismo e o programa revolucion\u00e1rio para o Brasil, <\/strong><em>3\u00ba artigo<\/em><\/p>\n<p>A forma\u00e7\u00e3o de uma dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria para a classe trabalhadora foi o principal objetivo ao qual se dedicou o PSR e, como vimos no texto anterior publicado nesta s\u00e9rie de artigos, esse objetivo passava pelo enfrentamento \u00e0 concilia\u00e7\u00e3o de classes defendida pelo stalinismo (setor que ocupava a posi\u00e7\u00e3o de dire\u00e7\u00e3o). Para que pudesse ser realizada de forma eficaz, era preciso que a pol\u00edtica revolucion\u00e1ria dos trotskistas fosse expressa em termos mais concretos, em um programa que pudesse ser apresentado aos trabalhadores.<\/p>\n<p>Assim, o conte\u00fado dos programas pol\u00edticos formulados pelos trotskistas possui a maior import\u00e2ncia para entendemos a sua atua\u00e7\u00e3o naquele momento. Como acontece com a trajet\u00f3ria do PSR de um modo geral, existem poucas pistas da sua atua\u00e7\u00e3o at\u00e9 1945, per\u00edodo em que viveram a repress\u00e3o da ditadura de Vargas. Dessa forma, tamb\u00e9m no que diz respeito ao programa pol\u00edtico, \u00e9 ap\u00f3s esse per\u00edodo que encontramos documentos mais detalhados sobre as propostas do partido.<\/p>\n<p>Em outubro de 1947, os trotskistas se aproveitaram da realiza\u00e7\u00e3o das elei\u00e7\u00f5es municipais para apresentar um programa em seu jornal, <em>Orienta\u00e7\u00e3o Socialista<\/em> (n\u00b0 18). Conforme entendiam, as disputas eleitorais tinham o objetivo de conquistar postos para a \u201ceduca\u00e7\u00e3o socialista das massas\u201d, al\u00e9m de servir como ferramenta para \u201cdenunciar os crimes da classe dominante contra os interesses dos oprimidos\u201d. Assim, o PSR formulou naquele momento um \u201cPlano de reivindica\u00e7\u00f5es transit\u00f3rias\u201d, a partir do qual buscariam mobilizar os trabalhadores em torno dos seguintes eixos:<\/p>\n<p><em>1\u00ba \u2013 Pela liberdade e autonomia sindicais irrestritas e pelo direito de greve [&#8230;]<\/em><\/p>\n<p><em>2\u00ba \u2013 Pela extin\u00e7\u00e3o da pol\u00edcia pol\u00edtica e de todos os \u00f3rg\u00e3os especializados na repress\u00e3o do movimento oper\u00e1rio.<\/em><\/p>\n<p><em>3\u00ba \u2013 Direito, sem limita\u00e7\u00f5es, de organiza\u00e7\u00e3o, reuni\u00e3o e manifesta\u00e7\u00e3o do pensamento oral e escrito.<\/em><\/p>\n<p><em>4\u00ba \u2013 Pelo reconhecimento legal dos comit\u00eas de f\u00e1brica. [\u2026]<\/em><\/p>\n<p><em>5\u00ba \u2013 Escala m\u00f3vel de sal\u00e1rios e escala m\u00f3vel de horas de trabalho. [\u2026]<\/em><\/p>\n<p><em>6\u00ba \u2013 Pela aboli\u00e7\u00e3o do \u201csegredo\u201d comercial e institui\u00e7\u00e3o do controle oper\u00e1rio da ind\u00fastria.<\/em><\/p>\n<p><em>7\u00ba \u2013 Pela expropria\u00e7\u00e3o dos bancos particulares e a passagem do sistema de cr\u00e9dito para as m\u00e3os do Estado.<\/em><\/p>\n<p><em>8\u00ba \u2013 Expropria\u00e7\u00e3o pelo Estado, sem indeniza\u00e7\u00e3o e nem compra, das ind\u00fastrias monopolizadas [&#8230;]<\/em><\/p>\n<p><em>9\u00ba \u2013 Pela expropria\u00e7\u00e3o de todas as fortunas acumuladas, direta ou indiretamente, no exerc\u00edcio dos cargos p\u00fablicos.<\/em><\/p>\n<p><em>10\u00ba \u2013 Centraliza\u00e7\u00e3o, num instituto \u00fanico de pens\u00f5es e aposentadorias [&#8230;] e entrega de sua dire\u00e7\u00e3o a comit\u00eas constitu\u00eddos exclusivamente de delegados eleitos pelos pr\u00f3prios contribuintes.<\/em><\/p>\n<p><em>11\u00ba \u2013 Taxa\u00e7\u00e3o apenas dos ricos, atrav\u00e9s dos impostos diretos, e supress\u00e3o de todos os impostos indiretos, que concorrem para encarecer os artigos de consumo do povo.<\/em><\/p>\n<p><em>12\u00ba \u2013 Reforma radical do imposto de renda com taxas altamente progressivas sobre as grandes fortunas e aboli\u00e7\u00e3o de qualquer tributo sobre os que vivem de sal\u00e1rios e ordenados.<\/em><\/p>\n<p><em>13\u00ba \u2013 Nacionaliza\u00e7\u00e3o da terra, e sua entrega aos que nela trabalham [&#8230;]<\/em><\/p>\n<p><em>14\u00ba \u2013 Reforma completa da lei eleitoral. [\u2026]<\/em><\/p>\n<p>Apresentavam-se ainda pontos espec\u00edficos sobre as quest\u00f5es mais sentidas pela classe trabalhadora: alimenta\u00e7\u00e3o, habita\u00e7\u00e3o e transportes. Al\u00e9m de propostas concretas, os trotskistas defendiam que as reivindica\u00e7\u00f5es dos trabalhadores s\u00f3 poderiam ser atendidas a partir da sua organiza\u00e7\u00e3o e mobiliza\u00e7\u00e3o em comit\u00eas.<\/p>\n<p>Tal documento, por mais que indique a pol\u00edtica do PSR para um momento pontual, torna poss\u00edvel perceber como os trotskistas articulavam um programa socialista \u00e0s demandas concretas da classe trabalhadora. N\u00e3o defendiam a revolu\u00e7\u00e3o de forma abstrata, mas como a resposta necess\u00e1ria a partir dos problemas mais sentidos pelos trabalhadores. Dessa forma, portanto, buscavam apresentar uma alternativa ao reformismo. Sem d\u00favida, apesar de todas as dificuldades, se esfor\u00e7avam para aplicar em nosso pa\u00eds o m\u00e9todo do Programa de Transi\u00e7\u00e3o da IV Internacional.<\/p>\n<p>No pr\u00f3ximo texto analisaremos como o PSR buscou se constituir em dire\u00e7\u00e3o do proletariado a partir da sua interven\u00e7\u00e3o no movimento oper\u00e1rio.<\/p>\n<p><strong>O PSR e a imprensa prolet\u00e1ria<\/strong><\/p>\n<p>A publica\u00e7\u00e3o peri\u00f3dica impressa sempre foi uma preocupa\u00e7\u00e3o central para os militantes trotskistas. O jornal n\u00e3o servia apenas para divulgar as suas ideias e repercutir as lutas da classe trabalhadora, mas tamb\u00e9m como um meio de agrupar os militantes de vanguarda e os oper\u00e1rios mais avan\u00e7ados.<\/p>\n<p>Assim, desde os primeiros anos da Oposi\u00e7\u00e3o de Esquerda no Brasil, em 1930, come\u00e7ou a ser publicado o jornal\u00a0<em>A Luta de Classe<\/em>, que circulou at\u00e9 1939. O per\u00edodo repressivo imp\u00f4s s\u00e9rias limita\u00e7\u00f5es ao jornal, como mostram a sua periodicidade irregular e a qualidade prec\u00e1ria do material, produzido por mime\u00f3grafo. O PSR, que surgiu naquele ano de 1939, chegou a publicar uma edi\u00e7\u00e3o de\u00a0<em>A Luta de Classe<\/em>, mas logo teve essa atividade interrompida.<\/p>\n<p>Apenas em 1945 o partido voltou a produzir um jornal, com o t\u00edtulo\u00a0<em>Luta Prolet\u00e1ria<\/em>. Por\u00e9m, este teve vida curta, existindo apenas 2 edi\u00e7\u00f5es. No final de 1946 surgiu a publica\u00e7\u00e3o mais consistente do PSR:\u00a0<em>Orienta\u00e7\u00e3o Socialista<\/em>. Foram 21 edi\u00e7\u00f5es entre outubro daquele ano e janeiro de 1948. O jornal abordava temas da conjuntura nacional e internacional; pol\u00eamicas com outras organiza\u00e7\u00f5es de esquerda, especialmente com o PCB stalinista; relatos sobre as condi\u00e7\u00f5es de vida e trabalho do proletariado, bem como do movimento sindical; e tamb\u00e9m apresentava as propostas defendidas pelos trotskistas, como no caso do programa citado no texto acima.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/orientacao-socialista.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-large wp-image-6975\" src=\"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/orientacao-socialista-768x1024.jpg\" alt=\"\" width=\"768\" height=\"1024\" srcset=\"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/orientacao-socialista-768x1024.jpg 768w, https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/orientacao-socialista-225x300.jpg 225w, https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/orientacao-socialista-38x50.jpg 38w, https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/orientacao-socialista-600x800.jpg 600w, https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/orientacao-socialista.jpg 1536w\" sizes=\"auto, (max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><\/a>Capa jornal Orienta\u00e7\u00e3o Socialista; Arquivo Mario Pedrosa, CEMAP\/CEDEM &#8211; Unesp<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>\u201cLutemos pela independ\u00eancia dos sindicatos\u201d: os trotskistas brasileiros e a luta contra as dire\u00e7\u00f5es burocratas, <\/strong><em>4\u00b0 artigo<\/em><\/p>\n<p>Nos artigos anteriores desta s\u00e9rie hist\u00f3rica sobre o PSR viemos analisando a trajet\u00f3ria do partido, destacando temas como o enfrentamento \u00e0 concilia\u00e7\u00e3o de classes promovida pelo PCB\/stalinismo e a constru\u00e7\u00e3o de um programa revolucion\u00e1rio para o Brasil. No presente texto damos prosseguimento a esses debates abordando a interven\u00e7\u00e3o do trotskismo nos movimentos da classe trabalhadora.<\/p>\n<p><em>A estrutura sindical pelega varguista<\/em><\/p>\n<p>Para entendermos melhor a atua\u00e7\u00e3o dos militantes do PSR nesse terreno da luta de classes, \u00e9 preciso esclarecer algumas caracter\u00edsticas do movimento sindical no Brasil durante aquele per\u00edodo. No decorrer da d\u00e9cada de 1930, nos governos de Vargas, foi implementado o chamado \u201csindicalismo corporativista\u201d. Essa estrutura sindical era inspirada no modelo fascista italiano, permitindo apenas a exist\u00eancia dos sindicatos oficiais, atrelados ao Minist\u00e9rio do Trabalho. Apesar de ter se estruturado durante a ditadura do Estado Novo (1937-1945), v\u00e1rios aspectos desse modelo continuaram presentes muitas d\u00e9cadas ap\u00f3s o fim do regime e de certa forma ainda est\u00e3o vigentes at\u00e9 os dias de hoje, atravessando v\u00e1rios regimes e governos. Assim, al\u00e9m das dire\u00e7\u00f5es stalinistas, que promoviam uma pol\u00edtica de concilia\u00e7\u00e3o de classes (como vimos nas mat\u00e9rias anteriores), os trotskistas tamb\u00e9m enfrentavam em sua luta dentro dos sindicatos os pelegos \u201cministerialistas\u201d, agentes do governo. Ou seja, seguindo a linha da IV Internacional, n\u00e3o se isolaram criando estruturas paralelas, sindicatos vermelhos apenas dos revolucion\u00e1rios.<\/p>\n<p><em>O PSR lutava pelo car\u00e1ter classista dos sindicatos<\/em><\/p>\n<p>Um exemplo de como o PSR buscava combater a pol\u00edtica das dire\u00e7\u00f5es sindicais do PCB\/stalinistas e \u201cministerialistas\u201d pode ser visto em uma edi\u00e7\u00e3o de seu jornal do fim de 1946 (<em>Orienta\u00e7\u00e3o Socialista<\/em>, n\u00ba 3). O texto apontava para as semelhan\u00e7as existentes entre essas duas correntes. Segundo afirmavam, tanto os representantes do PCB quanto do governo atuavam de forma burocr\u00e1tica, tentando atrelar os sindicatos ao seu pr\u00f3prio partido ou ao Estado. Em oposi\u00e7\u00e3o a isso, o PSR defendia os sindicatos enquanto um espa\u00e7o para a defesa dos reais interesses dos trabalhadores, apresentando reivindica\u00e7\u00f5es imediatas para isso, como: defesa e amplia\u00e7\u00e3o do direito de greve, autonomia sindical irrestrita, escala m\u00f3vel de sal\u00e1rios (aumento autom\u00e1tico dos sal\u00e1rios conforme o aumento do custo de vida).<\/p>\n<p>Ainda segundo o texto, os militantes sindicais socialistas deveriam lutar para livrar os sindicatos da influ\u00eancia \u201cministerialista\u201d e stalinista, demonstrando que todas as conquistas obtidas pelos trabalhadores n\u00e3o vieram do governo ou de acordos com a \u201cburguesia progressista\u201d, mas dos seus pr\u00f3prios esfor\u00e7os. Terminava com o chamado: \u201clutemos pela independ\u00eancia dos sindicatos\u201d, para que tenham autonomia e sejam \u201capoiados em alicerces classistas e internacionalistas\u201d.<\/p>\n<p><em>O PSR no I Congresso Sindical de SP<\/em><\/p>\n<p>J\u00e1 em janeiro daquele mesmo ano de 1946, durante a realiza\u00e7\u00e3o do I Congresso Sindical de S\u00e3o Paulo, organizado pelos setores ligados ao PCB, encontramos um momento em que a luta dos trotskistas contra a burocracia sindical se mostrou na pr\u00e1tica.<\/p>\n<p>Segundo o relato de um militante do PSR, foi gra\u00e7as \u00e0 interven\u00e7\u00e3o do partido (representado pelo Sindicato dos Jornalistas) que o Congresso debateu o tema do direito de greve, tema importante, pois o Brasil acabava de sair da ditadura de Vargas. Assim, a resolu\u00e7\u00e3o em defesa do direito de greve, apresentada pelos trotskistas junto a outros setores socialistas independentes, foi aprovada pelo plen\u00e1rio contra os dirigentes do PCB. Al\u00e9m disso, tamb\u00e9m saiu vitoriosa a tese em defesa da autonomia e liberdade sindical, defendida por outro militante do Sindicato dos Jornalistas, onde o PSR tinha influ\u00eancia.<\/p>\n<p>Dessa forma, o relato em quest\u00e3o afirmava que a atua\u00e7\u00e3o trotskista no Congresso dos trabalhadores paulistas \u201cmostra como um agrupamento relativamente pequeno, agindo com honestidade e firmeza, pode produzir obra aproveit\u00e1vel mesmo nas condi\u00e7\u00f5es mais desfavor\u00e1veis\u201d (<em>Vanguarda Socialista<\/em>, n\u00ba 24).<\/p>\n<p><em>As experi\u00eancias do PSR<\/em><\/p>\n<p>Nesta edi\u00e7\u00e3o vimos que a import\u00e2ncia do PSR n\u00e3o pode ser determinada apenas pelo seu tamanho. Apesar de contar com poucos membros, o partido enfrentou um contexto muito adverso desenvolvendo an\u00e1lises precisas da realidade e manteve uma pol\u00edtica revolucion\u00e1ria e consequente, obtendo alguns resultados significativos como o citado no Congresso Sindical de SP.<\/p>\n<p>Podemos ainda tirar duas outras conclus\u00f5es, partindo dos artigos publicados anteriormente. O programa pol\u00edtico levantado pelos trotskistas do PSR partia dos problemas mais sentidos pela classe trabalhadora, apontando que apenas a luta revolucion\u00e1ria pelo socialismo seria capaz de resolv\u00ea-los de forma eficaz. Apostava, portanto, na luta de classes sem tr\u00e9gua contra a burguesia como a \u00fanica sa\u00edda para os trabalhadores e trabalhadoras. Por fim, o PSR buscava construir uma alternativa para o problema da crise de dire\u00e7\u00e3o do movimento de massas. Essa tarefa, presente at\u00e9 os dias de hoje para os socialistas, exige a supera\u00e7\u00e3o dos projetos de concilia\u00e7\u00e3o de classes que sempre se apresentam sob novos r\u00f3tulos. Quanto a isso, o combate ao reformismo por parte dos trotskistas brasileiros tamb\u00e9m traz uma importante contribui\u00e7\u00e3o para nossas lutas atuais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/pagu.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-6976\" src=\"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/pagu.jpg\" alt=\"\" width=\"867\" height=\"397\" srcset=\"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/pagu.jpg 867w, https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/pagu-300x137.jpg 300w, https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/pagu-768x352.jpg 768w, https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/pagu-50x23.jpg 50w, https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/pagu-600x275.jpg 600w\" sizes=\"auto, (max-width: 867px) 100vw, 867px\" \/><\/a>Exemplar dispon\u00edvel na Hemeroteca da Biblioteca Nacional<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Os caminhos de Patr\u00edcia Galv\u00e3o no movimento trotskista, <\/strong><em>5\u00ba artigo<\/em><\/p>\n<p>Continuando com a s\u00e9rie de textos que relembram os 80 anos de funda\u00e7\u00e3o do PSR, completados em agosto de 2019, damos destaque neste n\u00famero para uma importante militante daquele partido: Patr\u00edcia Rehder Galv\u00e3o, a Pagu.<\/p>\n<p>Nascida em 1910, Pagu teve uma atua\u00e7\u00e3o de destaque em v\u00e1rias \u00e1reas, sendo reconhecida como jornalista, escritora e artista, al\u00e9m da sua importante contribui\u00e7\u00e3o para a luta feminista. Dentro do tema deste especial, destacamos aqui a sua trajet\u00f3ria pol\u00edtica, ressaltando a sua milit\u00e2ncia no movimento trotskista.<\/p>\n<p>Em 1931, Pagu ingressou no PCB, sendo presa j\u00e1 no mesmo ano pela sua participa\u00e7\u00e3o como \u201cagitadora\u201d em uma greve dos estivadores do porto de Santos. Passado o epis\u00f3dio, se transferiu para o Rio, onde fez parte de grupos de autodefesa, auxiliando na prote\u00e7\u00e3o de com\u00edcios e atividades do partido. Ap\u00f3s passar dois anos no exterior, enviando mat\u00e9rias para jornais brasileiros, Pagu voltou ao pa\u00eds no final de 1935. No contexto de aumento da repress\u00e3o por parte do governo Vargas, depois da tentativa fracassada de levante armado do PCB, Pagu foi presa no in\u00edcio de 1936. Por\u00e9m, em outubro do ano seguinte conseguiu fugir do Hospital da Cruz Azul, para onde havia sido transferida por motivos de sa\u00fade.<\/p>\n<p>O ano de 1937 marcou o in\u00edcio de uma importante cis\u00e3o no PCB paulista. A partir de debates sobre o papel da burguesia nacional na revolu\u00e7\u00e3o brasileira e quanto ao posicionamento eleitoral do partido nas elei\u00e7\u00f5es que ocorreriam naquele ano, um grupo de militantes reunidos ao redor de Herm\u00ednio Sacchetta come\u00e7ou a criticar a dire\u00e7\u00e3o comunista. Formou-se o Comit\u00ea Regional de SP (CR-SP), que em 1939 se juntaria aos trotskistas do Partido Oper\u00e1rio Leninista (POL) para dar origem ao PSR.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s fugir da pris\u00e3o, Pagu aderiu ao CR-SP, se deslocando para o Rio a fim de angariar apoio para o grupo entre os militantes comunistas. Nesse meio tempo, a hist\u00f3rica militante j\u00e1 se aproximava das posi\u00e7\u00f5es trotskistas do POL, o que seria consolidado mais tarde com a sua participa\u00e7\u00e3o no PSR.<\/p>\n<p>Em abril de 1938, em a\u00e7\u00e3o da pol\u00edcia pol\u00edtica contra o POL no Rio de Janeiro, Pagu foi presa mais uma vez, n\u00e3o sem antes resistir com arma em m\u00e3os. Na ocasi\u00e3o, foi processada pelo Tribunal de Seguran\u00e7a Nacional, junto a outros militantes, como Hilcar Leite, permanecendo na cadeia por mais de dois anos.<\/p>\n<p>Mesmo presa, suas atividades pol\u00edticas n\u00e3o cessaram. No momento de funda\u00e7\u00e3o do PSR, em agosto de 1939, a Confer\u00eancia Nacional do partido elegeu Pagu entre os militantes que integrariam a presid\u00eancia de honra da organiza\u00e7\u00e3o. Trata-se de um reconhecimento das atividades realizadas por ela. Al\u00e9m disso, meses antes, j\u00e1 pr\u00f3xima ao trotskismo, Pagu tornou p\u00fablicas suas cr\u00edticas ao stalinismo, por meio da divulga\u00e7\u00e3o da \u201cCarta de uma militante\u201d. Reproduzimos abaixo alguns trechos desse importante documento:<\/p>\n<p><em>\u201cCompanheiros!<\/em><\/p>\n<p><em>Este documento vai com o meu apoio absoluto aos camaradas revolucion\u00e1rios pela posi\u00e7\u00e3o que tomaram frente \u00e0 burocracia internacional que tem travado a marcha do movimento revolucion\u00e1rio e tra\u00eddo o proletariado da URSS e as conquistas da Revolu\u00e7\u00e3o sovi\u00e9tica. [&#8230;] \u00c9 a minha convic\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria que me coloca ao lado dos companheiros na luta contra a burocracia, por um partido verdadeiramente revolucion\u00e1rio, pela Revolu\u00e7\u00e3o Prolet\u00e1ria Internacional. [&#8230;]<\/em><\/p>\n<p><em>Os sintomas da forma\u00e7\u00e3o de uma burocracia sovi\u00e9tica, depois da tomada do poder por Hitler, s\u00f3 se t\u00eam agravado, e hoje n\u00e3o \u00e9 mais poss\u00edvel ignorar-se ou ficar-se indiferente ante os crimes e, o que \u00e9 pior, os erros da casta governamental sovi\u00e9tica. A sua exist\u00eancia pode ser constatada n\u00e3o s\u00f3 praticamente, mas tamb\u00e9m teoricamente, procurando-se as causas das sucessivas derrotas que tem sofrido o proletariado nestes \u00faltimos 10 anos em que as crises do capitalismo t\u00eam-se mostrado mais graves. S\u00f3 esse fen\u00f4meno faz pensar que simultaneamente entrou em crise a dire\u00e7\u00e3o do proletariado. Um r\u00e1pido exame da pol\u00edtica seguida pelas organiza\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias evidencia o car\u00e1ter oportunista e capitalista desta pol\u00edtica. [\u2026] As verdadeiras causas primeiras dessa pol\u00edtica, hoje internacional, devem ser buscadas na necessidade sentida pela burocracia sovi\u00e9tica de manter-se no usufruto das conquistas da Revolu\u00e7\u00e3o, na impossibilidade de conciliar os interesses do proletariado internacional com os daqueles que se proclamam seus chefes.\u201d<\/em><\/p>\n<p>Patr\u00edcia Galv\u00e3o permaneceu nas fileiras do trotskismo at\u00e9 ser solta, em 1940. Posteriormente, integrou outros movimentos e partidos da esquerda anti-stalinista. Consideramos a import\u00e2ncia de resgatar sua trajet\u00f3ria militante, na luta contra a explora\u00e7\u00e3o e a opress\u00e3o, seu enfrentamento \u00e0 burocracia stalinista e o seu compromisso com a causa das mulheres, trabalhadoras e trabalhadores. Como diriam seus companheiros, ao divulgarem a \u201cCarta de uma militante\u201d, \u201ca camarada Pagu conserva toda a sua combatividade e esp\u00edrito revolucion\u00e1rio\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/A-Luta-de-Classe.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-large wp-image-6977 alignleft\" src=\"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/A-Luta-de-Classe-1024x559.png\" alt=\"\" width=\"940\" height=\"513\" srcset=\"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/A-Luta-de-Classe-1024x559.png 1024w, https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/A-Luta-de-Classe-300x164.png 300w, https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/A-Luta-de-Classe-768x420.png 768w, https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/A-Luta-de-Classe-50x27.png 50w, https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/A-Luta-de-Classe-600x328.png 600w, https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/A-Luta-de-Classe.png 1243w\" sizes=\"auto, (max-width: 940px) 100vw, 940px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Leia o \u00faltimo artigo do Especial:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/index.php\/2020\/04\/27\/o-fim-do-psr-capitulo-final-de-uma-geracao-do-trotskismo-brasileiro\/\">O fim do PSR: cap\u00edtulo final de uma gera\u00e7\u00e3o do trotskismo brasileiro<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Henrique Lignani, Historiador e militante da CST \u00a0(No ano passado, a funda\u00e7\u00e3o do PSR, se\u00e7\u00e3o da IV internacional no Brasil, completou 80 anos. Aproveitamos a oportunidade para refletir sobre uma das fases do trotskismo em nosso pa\u00eds. Trata-se de um conjunto de artigos hist\u00f3ricos<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":6970,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[47],"tags":[],"class_list":["post-6969","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-historia-e-formacao-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6969","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6969"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6969\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6970"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6969"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6969"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6969"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}