

	{"id":700,"date":"2015-12-20T22:30:00","date_gmt":"2015-12-20T22:30:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/index.php\/2015\/12\/20\/arquivoid-9735\/"},"modified":"2016-02-23T03:55:11","modified_gmt":"2016-02-23T03:55:11","slug":"arquivoid-9735","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2015\/12\/20\/arquivoid-9735\/","title":{"rendered":"Estado Espanhol: Elei\u00e7\u00f5es e crise do regime"},"content":{"rendered":"<p>| Correspondencia Internacional, Out-Dez 2015<\/p>\n<p>Por Josep Llu\u00eds de Alcazar, do Lucha Internacionalista (UIT-QI)<\/p>\n<p>Este ano, a Espanha est\u00e1 cheia de disputas eleitorais: foram as da Andaluzia em mar\u00e7o, as municipais e regionais em maio, agora na Catalunha e em dezembro as elei\u00e7\u00f5es gerais. E tudo parece indicar o fim de um ciclo e o in\u00edcio de um profundo processo de reconstru\u00e7\u00e3o de refer\u00eancias pol\u00edticas. Os partidos que tem sido os pilares das institui\u00e7\u00f5es, elei\u00e7\u00e3o ap\u00f3s elei\u00e7\u00e3o, v\u00e3o caindo inexoravelmente. <\/p>\n<p>Este fen\u00f4meno come\u00e7ou a se tornar claro nas elei\u00e7\u00f5es europeias de 2014, nas quais surgiu Podemos, o PP se afundava na Andaluzia e o PSOE conseguia minimizar as perdas para se aguentar no governo. Ent\u00e3o entrou em cena Ciudadanos que vinha ocupar o espa\u00e7o populista \u00e0 direita. Nas municipais e regionais de maio, ca\u00edam tanto o PP, quanto o PSOE, tamb\u00e9m o IU. As prefeituras de Madri, Barcelona, Val\u00eancia e tantas outras localidades e governos aut\u00f4nomos passavam para as m\u00e3os de novas forma\u00e7\u00f5es de esquerda.    <\/p>\n<p>H\u00e1 seis anos a crise castigava duramente a classe trabalhadora: milhares de demiss\u00f5es, cortes no seguro-desemprego, quedas generalizadas de sal\u00e1rios, despejos, cortes de pens\u00f5es, retirada de direitos trabalhistas, precariza\u00e7\u00e3o, desmantelamento e privatiza\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade p\u00fablica. Haviam surgido movimentos de revolta popular, como o 15M, que acabaram se desintegrando, enquanto as dire\u00e7\u00f5es da CCOO e UGT conseguiram passar por cima e desmobilizar o movimento de resist\u00eancia dos trabalhadores para que se fossem impondo os planos do governo e da patronal. Nestes anos de retrocessos e pen\u00farias, houve apenas uma greve de 24 horas. <\/p>\n<p>Mas, a partir de 2014, se remodelava o cen\u00e1rio pol\u00edtico e se agitavam os pilares da chamada transi\u00e7\u00e3o. A monarquia, cada vez mais questionada, precipitou rapidamente a sucess\u00e3o de Felipe V, que naquele momento contava com o apoio indiscut\u00edvel do PP e PSOE. \u00c0 essa situa\u00e7\u00e3o se somava o processo catal\u00e3o que provocava uma nova sacudida pol\u00edtica, e uma corrup\u00e7\u00e3o generalizada em todas as inst\u00e2ncias de poder que desata um cansa\u00e7o generalizado al\u00e9m de um \u201cbasta\u201d massivo j\u00e1 naquele momento. <\/p>\n<p>O fen\u00f4meno da crise institucional que arrasta consigo os partidos gestores da crise, n\u00e3o \u00e9 exclusividade da Espanha. Esse sentimento de recha\u00e7o aos velhos partidos, sua corrup\u00e7\u00e3o e os cortes foi o que levou o Syriza (que h\u00e1 poucos anos atr\u00e1s tinha 4% de votos) a ganhar duas elei\u00e7\u00f5es consecutivas. Na It\u00e1lia, \u00e9 o Movimento 5 estrelas do comediante Beppe Grillo, quem capitaliza 9 milh\u00f5es de votos de protesto, ainda que o car\u00e1ter de esquerda \u00e9 mais dif\u00edcil de definir, neste caso, pelo seu populismo. Na Gr\u00e3-Bretanha, a recente elei\u00e7\u00e3o de Corbin com 60% dos votos nas prim\u00e1rias do trabalhismo \u00e9 a express\u00e3o da vontade das bases trabalhistas de impor um giro \u00e0 esquerda contra as pol\u00edticas de austeridade. <\/p>\n<p>Mas estas novas forma\u00e7\u00f5es se encontram com o mesmo problema em que se afundou a socialdemocracia. A realidade \u00e9 que a voracidade do capitalismo em crise n\u00e3o deixa espa\u00e7o para pol\u00edticas de divis\u00e3o das migalhas, quer tudo e mais um pouco. A disjuntiva entre se submeter ao capitalismo e atacar brutalmente as massas ou se enfrentar com ele, est\u00e1 presente tamb\u00e9m para as novas op\u00e7\u00f5es de esquerda. <\/p>\n<p>Podemos<\/p>\n<p>Os efeitos da pol\u00edtica de Syriza na Gr\u00e9cia tem uma repercuss\u00e3o imediata no desenvolvimento da situa\u00e7\u00e3o na Espanha. Pablo Iglesias foi convidado de honra do Syriza nas elei\u00e7\u00f5es de janeiro. A evolu\u00e7\u00e3o de voto do Podemos \u00e9 muito significativa. Alcan\u00e7a uma previs\u00e3o de voto m\u00e1xima de 25% em janeiro de 2015, mas at\u00e9 o ver\u00e3o europeu cai para cerca de 15%, frente a aceita\u00e7\u00e3o de Tsipras do terceiro memorando e os dur\u00edssimos cortes que vai aplicar. <\/p>\n<p>Pablo Iglesias apoia Tsipras e justifica sua trai\u00e7\u00e3o afirmando que deu uma grande li\u00e7\u00e3o de democracia e honestidade. Mas, que li\u00e7\u00e3o de democracia \u00e9 consultar o povo atrav\u00e9s de um referendo e quando este \u2013 com uma maioria de 60% &#8211; vota n\u00e3o aceitar a proposta da troika, Tsipras imp\u00f5e um terceiro memorando ainda pior? Que honestidade \u00e9 aplicar o contr\u00e1rio do que dizia seu programa? <\/p>\n<p>O dirigente do Podemos acrescenta que a Gr\u00e9cia \u00e9 um pa\u00eds pequeno e que j\u00e1 fez muito e n\u00e3o podia ir mais longe, e o que tem que fazer \u00e9 resistir at\u00e9 que outros partidos do mesmo tipo na Europa cheguem ao governo e possam fazer mais for\u00e7a contra o austeric\u00eddio, enquanto isso n\u00e3o tem outro rem\u00e9dio do que impor os ditames da troika. Frente a isso, lhe responder\u00edamos: efetivamente os\/as trabalhadores\/as gregos\/as fizeram mais do que se pode pedir para deter os planos de mis\u00e9ria (quase 30 greves gerais) e o resto da esquerda europeia \u2013 inclusive o Podemos -, e os sindicatos tinham a responsabilidade de n\u00e3o deixar o povo grego sozinho e o abandonaram. Mas que governo \u00e9 esse para impor ao povo trabalhador o contr\u00e1rio do que este manifesta? Por sua vez, surgem outras perguntas: Pablo Iglesias est\u00e1 nos dizendo que talvez mesmo na Espanha \u2013 supondo que Podemos chegue ao governo \u2013 pode que n\u00e3o seja suficiente ainda e tenha que fazer como Tsipras e acabar aplicando o contr\u00e1rio do que nos vende? Dessa forma, o que os trabalhadores podem esperar da dire\u00e7\u00e3o de Pablo Iglesias?<\/p>\n<p>Nas elei\u00e7\u00f5es catal\u00e3s, Podemos vai com uma candidatura com IC (IU) que se chama \u201cCatalunha s\u00ed que es pot\u201d (Catalunha, sim, \u00e9 poss\u00edvel). H\u00e1 dois desafios colocados nessas elei\u00e7\u00f5es: o direito \u00e0 autodetermina\u00e7\u00e3o e a ruptura com a pol\u00edtica de austeridade e cortes. A resposta, segundo eles, \u00e9 que sim \u00e9 poss\u00edvel fazer um referendo sobre a autodetermina\u00e7\u00e3o\u2026 se os poderes do estado permitem e \u00e9 legal; e \u2013 visto a Gr\u00e9cia \u2013 sim \u00e9 poss\u00edvel acabar com os cortes\u2026 se a troika o permite.  Na verdade \u201cCatalunha sim se pode\u201d, \u00e9 em realidade \u201cCatalunha se nos deixam\u201d. <\/p>\n<p>A medida em que avan\u00e7a o poss\u00edvel \u00eaxito eleitoral que levar\u00e1 o Podemos a posi\u00e7\u00f5es de governo, v\u00e3o caindo por terra suas promessas de campanha. N\u00e3o se posiciona sobre a forma de estado: direito a decidir sim, mas no marco de um processo constituinte; n\u00e3o diz que n\u00e3o vai pagar a d\u00edvida para colocar em primeiro lugar as necessidades do povo, somente aspira reestruturar a d\u00edvida; come\u00e7aram a mudar o discurso que faziam \u00e0s classes populares atacando a \u201ccasta\u201d, quando reconheceram as virtudes da Guarda Civil, do ex\u00e9rcito, elogiaram o monarca, assim como aos Bot\u00edn, donos do Banco Santander. Hoje fazem alian\u00e7a com IC\/Euia levando como candidato por Barcelona Coscubiela, quem foi durante 13 anos secret\u00e1rio-geral da CCOO da Catalunha, com grande parte da responsabilidade de pactuar a retirada de direitos trabalhistas, assinatura de EREs (instrumento que permite \u00e0s empresas em \u201cm\u00e1 situa\u00e7\u00e3o\u201d demitir trabalhadores ou suspender deus contratos), al\u00e9m de prestar assessoria \u00e0 Endesa \u2013 grande empresa de eletricidade \u2013 e, logo que saiu da secretaria geral, foi ser professor em uma escola de neg\u00f3cios de elite(ESADE). A pergunta que fica \u00e9: Quem resta para ser \u201ca casta\u201d?<\/p>\n<p>Hoje, Podemos se assemelha a uma reedi\u00e7\u00e3o do PSOE de 81-82, e Pablo Iglesias a um novo Felipe Gonz\u00e1lez. Como o Syriza de Tsipras se pode assemelhar a uma nova reedi\u00e7\u00e3o do Pasok de Papandreu. Efetivamente acende paix\u00f5es na esquerda, entre os\/as trabalhadores\/as necessitados de um referencial pol\u00edtico, de uma sa\u00edda. Mas tememos muito que isto vai acabar em novo \u201cdesencanto\u201d como o que protagonizou a socialdemocracia na Transi\u00e7\u00e3o, enterrando a esperan\u00e7a e a luta oper\u00e1ria por um longo per\u00edodo. A vantagem com a qual contamos hoje \u00e9 a maior debilidade daquele poderoso aparato socialdemocrata. A mobiliza\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora e a luta para derrotar os planos, e a constru\u00e7\u00e3o de correntes revolucion\u00e1rias capazes de tocar as lutas, \u00e9 o \u00fanico ant\u00eddoto.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>| Correspondencia Internacional, Out-Dez 2015 Por Josep Llu\u00eds de Alcazar, do Lucha Internacionalista (UIT-QI) Este ano, a Espanha est\u00e1 cheia de disputas eleitorais: foram as da Andaluzia em mar\u00e7o, as municipais e regionais em maio, agora na Catalunha e em dezembro as elei\u00e7\u00f5es gerais. 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