

	{"id":701,"date":"2015-12-20T22:34:00","date_gmt":"2015-12-20T22:34:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/index.php\/2015\/12\/20\/arquivoid-9736\/"},"modified":"2016-02-22T21:28:25","modified_gmt":"2016-02-22T21:28:25","slug":"arquivoid-9736","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2015\/12\/20\/arquivoid-9736\/","title":{"rendered":"Estado Espanhol: As Prefeitas do \u201cBem Comum\u201d"},"content":{"rendered":"<p>| Correspondencia Internacional, Out-Dez 2015<\/p>\n<p>Por Josep Llu\u00eds del Alc\u00e1zar, do Lucha Internacionalista (UIT-QI)<\/p>\n<p>Em 4 de setembro, se reuniram em Barcelona os oito prefeitos de Madri, Zaragoza, Barcelona, Badalona, A Coru\u00f1a, Santiago de Compostela, Iruna e C\u00e1diz, quando se completou cem dias da posse, com o prop\u00f3sito de articular uma rede de munic\u00edpios, j\u00e1 batizada com o nome de \u201cCidades pelo bem comum\u201d. As expectativas e ilus\u00f5es de mudan\u00e7a que estas candidaturas despertaram em amplos setores das classes populares e os novos ares que sopram s\u00e3o indiscut\u00edveis. As elei\u00e7\u00f5es municipais e regionais provocaram uma s\u00e9ria crise nos velhos partidos que foram parte da transi\u00e7\u00e3o. Na maioria destas cidades, o Podemos participou das candidaturas vencedoras e impulsiona a \u201ceconomia do bem comum\u201d do austr\u00edaco Christian Felber que busca \u201csuperar a economia entre capitalismo e comunismo e aumentar o bem-estar social\u201d, baseado em impor condicionantes \u00e9ticos \u00e0 economia capitalista atual.<\/p>\n<p>\u00c9 dif\u00edcil que exista um \u201cbem comum\u201d&#8230; \u201caquilo do qual se beneficiam todos os cidad\u00e3os\u201d, porque o bem de alguns \u00e9 o mal dos outros. Porque, queiram ou n\u00e3o, a sociedade \u00e9 formada por classes que est\u00e3o em luta permanente, por isso dizemos que se n\u00e3o h\u00e1 uma pol\u00edtica de se apoiar na mobiliza\u00e7\u00e3o popular e avan\u00e7ar na ruptura com os velhos poderes, o estado e o capitalismo, a concilia\u00e7\u00e3o faz com que sejam os de sempre que saiam perdendo. Neste sentido, podemos observar alguns exemplos destes cem dias j\u00e1 cumpridos nas prefeituras de Madri e Barcelona.<\/p>\n<p>Ada Colau e a telefonia<\/p>\n<p>Ada Colau assinou em 19 de maio, antes das elei\u00e7\u00f5es, o \u201cCompromisso de las Escaleras\u201d com os trabalhadores em luta da Movistar, se comprometendo a \u201csuspender, reverter e n\u00e3o renovar nenhuma contrata\u00e7\u00e3o p\u00fablica de servi\u00e7os com a Movistar, nem qualquer outra empresa que n\u00e3o garantisse que todos os trabalhadores (diretos ou terceirizados) que atuam na presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os ou fornecimento tenham uma jornada m\u00e1xima de 40 horas semanais e dois dias de descanso, que recebam um sal\u00e1rio digno e o mesmo sal\u00e1rio pelo mesmo tipo de trabalho\u201d.<\/p>\n<p>A Telef\u00f3nica tinha um contrato no valor de 3,2 milh\u00f5es de euros e outro de 216 mil e 594 euros com a prefeitura de Barcelona. Em 19 de junho, os trabalhadores sa\u00edam da greve. Em 17 de julho, sem cumprir o compromisso, Ada Colau assinava o contrato com a Telef\u00f3nica de 1,6 milh\u00f5es de euros, renovando por \u201capenas\u201d seis meses esperando para ver se melhoraria, as condi\u00e7\u00f5es dos trabalhadores.<\/p>\n<p>Mas a empresa e suas subcontratadas n\u00e3o esperaram os seis meses e come\u00e7aram despedindo cinco grevistas em Abentel, a maioria dos membros do comit\u00ea de empresa em Itete e uma dezena em Comfica Barcelona, e pediu 400 mil euros de multa contra o comit\u00ea por preju\u00edzos econ\u00f4micos da greve. Fecharam a planta de trabalho de Contronic Barcelona. Seguem os contratos de falsos aut\u00f4nomos e 30 deles que participaram da greve est\u00e3o sem acesso ao local de trabalho. Ou seja, demitidos. Foi colocada uma cl\u00e1usula no \u201cconsist\u00f3rio de Barcelona em Com\u00fa\u201d ao menos para impedir as demiss\u00f5es? Se foi posta, \u00e9 claro que n\u00e3o foi efetivada.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o \u00e9 apenas isso. Porque se existem empresas que n\u00e3o respeitam os direitos dos trabalhadores, boa parte est\u00e1 representada no M\u00f3bile World Congresse (MWC) que acaba de acordar com a prefeita o aumento da sua presen\u00e7a em Barcelona at\u00e9 2023.<\/p>\n<p>Carmena e os bancos<\/p>\n<p>Em junho, antes de tomar posse, Manuela Carmena se reuniu com Jos\u00e9 Ignacio Goirigolzarri, presidente do Bankia, depois com os presidentes do BBVA e Banco Santander, Francisco Gonz\u00e1lez e Ana Bot\u00edn. Segundo a nota divulgado, o objetivo era agilizar a aloca\u00e7\u00e3o das resid\u00eancias que s\u00e3o parte do Fundo Social de Moradias. Carmena definiu o encontro como \u201cpositivo\u201d, que os bancos tinham grande af\u00e3 de escutar o governo.<\/p>\n<p>Mas por tr\u00e1s desses contatos, Manuela Carmena deixa de lado todas as suas propostas relacionadas com os bancos. A cria\u00e7\u00e3o de um banco p\u00fablico que tinha lugar destacado no seu programa para refor\u00e7ar a autonomia financeira municipal e \u201ccomo ferramenta de financiamento de projetos sociais e de empresas e cooperativas que fomentem a economia produtiva\u201d, hoje ela diz que \u201cn\u00e3o \u00e9 necess\u00e1ria\u201d.<\/p>\n<p>Em fins de 2014, a d\u00edvida de Madri era 5,936 bilh\u00f5es de euros. O programa Ahora Madri estabelecia a auditoria da d\u00edvida, sua reestrutura\u00e7\u00e3o, para depois quitar o pagamento, igual ao Syriza. Em 2015, est\u00e1 previsto o pagamento de 734 milh\u00f5es. A prefeitura afirma que seguir\u00e1 pagando a d\u00edvida e os prazos de amortiza\u00e7\u00e3o, pois \u201cse tem podido pagar, v\u00e3o seguir pagando\u201d. Sobre as possibilidades de acabar com o pagamento da d\u00edvida, a resposta \u00e9 \u201ctemos que ver\u201d e negociar com os credores.<\/p>\n<p>Outro tema diretamente relacionado com os bancos s\u00e3o as moradias. Efetivamente, se paralisou a venda de 2086 moradias sociais a fundos de investimento, que o governo anterior n\u00e3o chegou a materializar, ainda que o novo governo veja que \u00e9 dif\u00edcil reverter a venda de 1860 moradias protegidas a outro fundo abutre. Mas no que se refere aos grandes bancos estatais e os despejos, Carmena afirmou que em nenhum momento quer \u201cinterferir na Justi\u00e7a e que n\u00e3o pode alterar a lei porque n\u00e3o \u00e9 sua compet\u00eancia\u201d. Tampouco est\u00e1 previsto \u201cimpor taxas que penalizem a acumula\u00e7\u00e3o de moradias com fins especulativos, em m\u00e3os de grandes empresas, imobili\u00e1rias e entidades financeiras\u201d, como dizia o programa de Ahora Madri. A Oficina anti-desalojados tem como finalidade mediar antes da judicializa\u00e7\u00e3o e oferecer moradia social alternativa a pessoas desalojadas.<\/p>\n<p>Ruptura ou assistencialismo<\/p>\n<p>Carmena se justifica em Europa Press: \u201cO programa de Ahora Madri foi se construindo pouco a pouco, se inclu\u00edram muitas sugest\u00f5es e quando assumi a candidatura disse desde um primeiro momento que o entendia (o programa) como um conjunto de sugest\u00f5es, mas que nem todas se podia entender como pressupostos de implica\u00e7\u00e3o program\u00e1tica ativa\u201d. E segue: \u201cdepois haver\u00e1 medidas que podem ser levadas a cabo ou n\u00e3o porque o importante \u00e9 que se ajustem a objetivos como igualdade, anticorrup\u00e7\u00e3o, transpar\u00eancia\u201d.<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m duvida da press\u00e3o que exercem os poderes das empresas, Telef\u00f3nica, Bankia, BBVA ou Santander, La Caixa, Repsol, etc., e que contam al\u00e9m disso com partidos pol\u00edticos, leis e meios de comunica\u00e7\u00e3o que fazem o seu jogo. Mas o que n\u00e3o se pode \u00e9 conciliar com seus interesses: ou se est\u00e1 com os trabalhadores ou com a Telef\u00f3nica. Com as necessidades dos trabalhadores ou com os bancos. Esta \u00e9 a disjuntiva. E isso \u00e9 determinante, pois n\u00e3o h\u00e1 possibilidade de abordar o problema da greve ou a precariedade sem paralisar as grandes corpora\u00e7\u00f5es, sem denunciar as reformas trabalhistas e garantir trabalho p\u00fablico, sem paralisar o pagamento da d\u00edvida e tomar os recursos dos bancos para coloc\u00e1-los \u00e0 servi\u00e7o das necessidades urgentes da popula\u00e7\u00e3o trabalhadora.<\/p>\n<p>O caminho da concilia\u00e7\u00e3o (o do qual ao fim se colocaria todos de acordo), foi empreendido por Tsipras e acabou se aprovando contra o povo grego um memorando mais duro que os anteriores. E n\u00e3o \u00e9 casual que IU, IC\/EuiA e Podemos, os pilares de \u201cBarcelona em Comum\u201d e Ahora Madri, apoiem a trai\u00e7\u00e3o do governo do Syriza. Se n\u00e3o se vai a fundo sobre os verdadeiros problemas dos trabalhadores, resta apenas a pol\u00edtica de assistencialismo. Mas o primeiro \u00e9 limitado e logo se esgota (transpar\u00eancia, limita\u00e7\u00e3o de sal\u00e1rios, elimina\u00e7\u00e3o de luxos, etc.), e o segundo \u00e9 sempre insuficiente, n\u00e3o vai at\u00e9 a raiz do problema e, mais tarde do que nunca, se torna insustent\u00e1vel economicamente.<\/p>\n<p>\u00c9 certo que o desemprego, as leis de imigra\u00e7\u00e3o ou moradia, a educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade p\u00fablica n\u00e3o tem solu\u00e7\u00e3o somente no marco municipal. Mas a obriga\u00e7\u00e3o de uma prefeitura comprometida com os trabalhadores deve ser ao menos: 1) utilizar todos os meios para denunciar as leis e pol\u00edticas que v\u00e3o contra os interesses dos trabalhadores e se apoiar na mobiliza\u00e7\u00e3o contra elas; 2) se apoiar nas organiza\u00e7\u00f5es de moradores e trabalhadores; 3) municipalizar os servi\u00e7os privatizados; 4) compromisso de apoio \u00e0s lutas dos trabalhadores; 5) cria\u00e7\u00e3o de emprego p\u00fablico; 6) colocar os recursos p\u00fablicos para defender os servi\u00e7os p\u00fablicos e amenizar as consequ\u00eancias da crise capitalista.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>| Correspondencia Internacional, Out-Dez 2015 Por Josep Llu\u00eds del Alc\u00e1zar, do Lucha Internacionalista (UIT-QI) Em 4 de setembro, se reuniram em Barcelona os oito prefeitos de Madri, Zaragoza, Barcelona, Badalona, A Coru\u00f1a, Santiago de Compostela, Iruna e C\u00e1diz, quando se completou cem dias da posse,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":747,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[14,15],"class_list":["post-701","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-internacional","tag-espanha","tag-podemos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/701","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=701"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/701\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media\/747"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=701"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=701"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=701"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}