

	{"id":7059,"date":"2020-07-03T06:55:46","date_gmt":"2020-07-03T06:55:46","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/?p=7059"},"modified":"2020-07-03T06:55:46","modified_gmt":"2020-07-03T06:55:46","slug":"argentina-uma-lei-a-servico-do-sionismo-e-do-estado-de-israel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2020\/07\/03\/argentina-uma-lei-a-servico-do-sionismo-e-do-estado-de-israel\/","title":{"rendered":"ARGENTINA | Uma lei a servi\u00e7o do sionismo e do Estado de Israel"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">Por Laura Marrone, legisladora portenha &#8211; Izquierda Socialista\/FIT-U<br \/>\nTradu\u00e7\u00e3o: Lucas Schlabendorff<\/p>\n<hr \/>\n<p>Uma lei que nos enche de vergonha acaba de ser votada na Legislatura da Cidade de Buenos Aires. Sob um texto manipulado e complicado, em 18 de junho a Assembleia Legislativa de Buenos Aires com quase todos seus membros aderiu ao acordo assinado pelo Presidente Fernandez e a Embaixada de Israel alguns dias antes. O acordo adota a defini\u00e7\u00e3o de antissemitismo para qualquer ato realizado contra judeus ou institui\u00e7\u00f5es judaicas, de acordo com a nova defini\u00e7\u00e3o adotada pela Alian\u00e7a Internacional de Mem\u00f3ria do Holocausto (IHRA). Assim, se algu\u00e9m criticar o governo de Israel, estar\u00e1 cometendo um crime de antissemitismo, ou repudiar a agress\u00e3o do Estado de Israel contra o povo palestino seria &#8220;antissemita&#8221;.<\/p>\n<p>A nova defini\u00e7\u00e3o agora votada na Legislatura de Buenos Aires procura confundir aqueles que honestamente apoiam o povo judeu contra o holocausto e a persegui\u00e7\u00e3o que eles sofreram ao longo da hist\u00f3ria. Vamos desmontar a armadilha. Antissemita n\u00e3o \u00e9 igual a antissionista. Condenar o Estado de Israel \u00e9 ser antissionista, porque o sionismo \u00e9 o movimento pol\u00edtico que endossa a repress\u00e3o, a persegui\u00e7\u00e3o e a expropria\u00e7\u00e3o das terras do povo palestino. Mas sob nenhuma circunst\u00e2ncia isso significa ser antissemita. Al\u00e9m disso, o termo \u00e9 errado porque os semitas s\u00e3o muitos povos do Oriente M\u00e9dio, n\u00e3o apenas judeus, e muitos judeus n\u00e3o s\u00e3o semitas. Os antissionistas s\u00e3o a favor da cria\u00e7\u00e3o de um novo Estado laico, n\u00e3o racista e democr\u00e1tico, onde tanto palestinos como judeus, muitos dos quais s\u00e3o semitas, possam viver com direitos iguais, como existia antes de 1948, quando as pot\u00eancias imperialistas enclausuraram o Estado de Israel nas terras palestinas.<\/p>\n<p>Tanto nossa organiza\u00e7\u00e3o nacional, Izquierda Socialista, quanto a corrente internacional \u00e0 qual aderimos, a Unidade Internacional de Trabalhadoras e Trabalhadores &#8211; Quarta Internacional (UIT-QI), t\u00eam um longo e consistente registro de rep\u00fadio e combate a qualquer express\u00e3o racista ou ataque contra o povo judeu ou qualquer outro povo. Mas aqui estamos lidando com algo muito diferente: um engano que deve ser elucidado e repudiado.<\/p>\n<p>Essa lei surge porque a IHRA, a alian\u00e7a formada pelos governos de 34 pa\u00edses, promove a equipara\u00e7\u00e3o da defini\u00e7\u00e3o de antissemitismo ao antissionismo. Assim, quem ousar questionar a pol\u00edtica criminosa e genocida de anexa\u00e7\u00e3o que Israel est\u00e1 levando adiante atualmente contra o povo palestino em Gaza e na Cisjord\u00e2nia seria antissemita, uma vez que Israel se declara judeu. Atrav\u00e9s destas a\u00e7\u00f5es da IHRA, Israel procura cerrar as fileiras da grande maioria dos governos em apoio ao &#8220;Acordo do S\u00e9culo&#8221; assinado pelo Presidente israelense Netanyahu e pelo Presidente Trump em janeiro deste ano. Esse acordo d\u00e1 a Israel o direito de continuar anexando terras palestinas.<\/p>\n<p>Entre outras coisas, o acordo reconhece a soberania sionista sobre os assentamentos de colonos na Cisjord\u00e2nia, Jerusal\u00e9m como capital da entidade sionista, e a anexa\u00e7\u00e3o do Vale do Rio Jord\u00e3o. Prop\u00f5e a expuls\u00e3o de 300 mil palestinos com cidadania israelense para o pseudo Estado palestino, enquanto nega o direito de retorno a 6 milh\u00f5es de refugiados palestinos, que sob o acordo n\u00e3o seriam mais considerados refugiados. Seria negado a eles o direito de recuperar seus bens roubados durante o processo de coloniza\u00e7\u00e3o ou a qualquer compensa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica. Em troca, um pseudo Estado palestino seria reconhecido, como os guetos do apartheid sul-africano: sem controle de suas fronteiras ou de seu espa\u00e7o a\u00e9reo e mar\u00edtimo. &#8220;Desmilitarizados&#8221; no sentido de que os palestinos est\u00e3o proibidos de se armar para se defenderem contra os ataques sionistas. Este pseudo Estado receberia duas faixas de terra no deserto e Gaza permaneceria sitiada. O apoio a qualquer iniciativa de den\u00fancia nacional e antirracista, como o movimento antissionista de Boicote, Desinvestimento e San\u00e7\u00f5es (BDS), \u00e9 considerado uma viola\u00e7\u00e3o do acordo.<\/p>\n<p>Essa proposta aberrante \u00e9 a continua\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica agressiva imperialista e racista de Trump sobre a quest\u00e3o palestina. Nos \u00faltimos tr\u00eas anos, o governo dos Estados Unidos endossou a ocupa\u00e7\u00e3o ilegal pelas for\u00e7as sionistas das Colinas de Gol\u00e3 s\u00edrias e reconheceu Jerusal\u00e9m como capital israelense, anunciando que instalar\u00e1 a embaixada dos Estados Unidos naquela cidade. Os EUA encerraram a miss\u00e3o diplom\u00e1tica palestina em Washington e eliminaram a ajuda humanit\u00e1ria e o apoio \u00e0 ag\u00eancia de refugiados da ONU na Palestina. Em dezembro de 2019, os Estados Unidos assinaram uma ordem executiva contra o movimento BDS para criminalizar as cr\u00edticas a Israel e equipar\u00e1-las ao antissemitismo.<\/p>\n<p>Quanto ao voto favor\u00e1vel na Legislatura do macrista Juntos por el Cambio e da peronista Frente de Todos, \u00e9 inadmiss\u00edvel que 3 legisladores que agora cumprem o mandato da FIT na Legislatura de Buenos Aires tenham votado a favor dessa aberra\u00e7\u00e3o. Rejeitamos o voto de Gabriel Solano (PO) e Myriam Bregman e Alejandrina Barry (PTS), e os convidamos a retirar imediata e publicamente seu apoio, acompanhando o correto voto contr\u00e1rio da deputada da AyL, Marta Mart\u00ednez, e a posi\u00e7\u00e3o do Izquierda Socialista, \u00a0pois somos coerentes com as posi\u00e7\u00f5es que que toda a FIT tem apresentado contra o Estado genocida de Israel e a persegui\u00e7\u00e3o ao povo palestino durante todos estes anos, com declara\u00e7\u00f5es, marchas e atos, acompanhando o rep\u00fadio que o povo da Palestina tem promovido.<\/p>\n<p>N\u00f3s do Izquierda Socialista, como parte da FIT-U, sempre nos opusemos a estas iniciativas que procuram legitimar o Estado genocida de Israel e somos apoiadores do Comit\u00ea Argentino de Solidariedade com o Povo da Palestina.<\/p>\n<p>Convocamos todas as organiza\u00e7\u00f5es de direitos humanos, sindicatos, movimentos de mulheres, centros estudantis, a se pronunciarem contra o acordo de Trump e Netanyahu, assim como contra esta lei e o acordo assinado pelo governo nacional.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Laura Marrone, legisladora portenha &#8211; Izquierda Socialista\/FIT-U Tradu\u00e7\u00e3o: Lucas Schlabendorff Uma lei que nos enche de vergonha acaba de ser votada na Legislatura da Cidade de Buenos Aires. 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