

	{"id":7170,"date":"2020-07-25T17:57:39","date_gmt":"2020-07-25T17:57:39","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/?p=7170"},"modified":"2020-07-26T22:52:49","modified_gmt":"2020-07-26T22:52:49","slug":"25-de-julho-relembrar-a-luta-das-mulheres-negras-na-america-latina-e-caribe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2020\/07\/25\/25-de-julho-relembrar-a-luta-das-mulheres-negras-na-america-latina-e-caribe\/","title":{"rendered":"25 de julho | Relembrar a luta das mulheres negras na Am\u00e9rica Latina e Caribe"},"content":{"rendered":"<p>Em 25 de julho de 1992, durante o primeiro encontro de mulheres Afro-Latino-Americanas e Afro-Caribenhas, realizado na cidade de Santo Domingo, na Rep\u00fablica Dominicana, surge esta importante data a resgatar o legado de milhares de lutadoras e impulsionar as mobiliza\u00e7\u00f5es das mulheres negras no combate ao racismo e o machismo, por repara\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica e na luta por condi\u00e7\u00f5es de sobreviv\u00eancia. De acordo com o atlas da viol\u00eancia 2019, no Brasil, as mulheres negras foram 66% das v\u00edtimas de homic\u00eddios em 2017, 61% das v\u00edtimas de feminic\u00eddio entre 2017 e 2018 e 51% das v\u00edtimas de estupro.<\/p>\n<p>No Brasil, onde a popula\u00e7\u00e3o negra \u00e9 a maior fora da \u00c1frica, as mulheres negras est\u00e3o na base da pir\u00e2mide social, submetidas \u00e0s piores condi\u00e7\u00f5es de trabalho, recebendo menores sal\u00e1rios, ocupando postos de trabalho mais precarizados e vivendo em aglomerados nas periferias do pa\u00eds sem condi\u00e7\u00f5es sanit\u00e1rias b\u00e1sicas. Segundo o DIEESE, o sal\u00e1rio m\u00e9dio da mulher negra continua sendo a metade de uma mulher branca. As mulheres negras est\u00e3o em empregos mais prec\u00e1rios, sendo 74% contra 54% das mulheres brancas e 48% dos homens brancos. As estat\u00edsticas do IBGE comprovam que 21% das mulheres negras s\u00e3o empregadas dom\u00e9sticas, al\u00e9m de estarem ocupando quase a metade dos 38 milh\u00f5es de brasileiros no trabalho informal.<\/p>\n<p>A condi\u00e7\u00e3o de vida das mulheres negras \u00e9 semelhante em todo o mundo. Fruto das pol\u00edticas de ajuste fiscal dos governos,comp\u00f5em uma das parcelas mais atacadas da classe trabalhadora, que sente na pele toda a retirada de direitos e amarga a pobreza, o desemprego e a marginaliza\u00e7\u00e3o. Nas rela\u00e7\u00f5es capitalistas, o racismo e o machismo servem para que as multinacionais ampliem seus lucros, com a superexplora\u00e7\u00e3o dos setores oprimidos. Por isso esses setores est\u00e3o na linha frente de muitas lutas, protagonizando mobiliza\u00e7\u00f5es e enfrentamentos aos governos, como nos massivos atos antirracistas nos EUA que se espalharam pelo mundo este ano, da rebeli\u00e3o popular no Haiti ou das mulheres chilenas que incendiaram as ruas do pa\u00eds contra a pol\u00edtica de austeridade de Pi\u00f1era, no ano passado.<\/p>\n<p><strong>Pandemia: A letalidade \u00e9 maior entre negros\/as e ind\u00edgenas<\/strong><\/p>\n<p>Toda situa\u00e7\u00e3o de degrada\u00e7\u00e3o vivenciada pelas mulheres negras \u00e9 agravada pela crise do coronav\u00edrus. No in\u00edcio da quarentena, o n\u00famero de casos de viol\u00eancia dom\u00e9stica aumentou 50%, demonstrando que n\u00e3o existe lugar seguro.<br \/>\nAl\u00e9m disso, fruto das pol\u00edticas negacionistas e genocidas de Bolsonaro, os mais pobres foram jogados ao olho do furac\u00e3o: obrigados a escolher se morreriam de fome ou de coronav\u00edrus e tendo seu direito de quarentena negado. \u00c9 importante lembrar que a primeira v\u00edtima no estado do Rio de Janeiro foi a empregada dom\u00e9stica contaminada pela patroa que voltava de f\u00e9rias da It\u00e1lia.<br \/>\nEnquanto os ricos tem condi\u00e7\u00f5es de se tratar s\u00e3o as trabalhadoras\/es negras, pobres e perif\u00e9ricas que mais padecem nas filas do SUS aguardando leitos. Dados do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade apontam que 1 em cada 3 mortos por covid19 s\u00e3o negros.<br \/>\nDe acordo com o IBGE, no Brasil vivem 7,8 milh\u00f5es de pessoas em lares chefiados por mulheres negras e destes, 63% vivem abaixo da linha da pobreza. A maioria delas residem em condi\u00e7\u00f5es mais prec\u00e1rias, nas periferias sem saneamento b\u00e1sico e recursos m\u00ednimos para garantir a preserva\u00e7\u00e3o da sa\u00fade. Al\u00e9m de sofrerem com as pol\u00edticas de repress\u00e3o do Estado e o exterm\u00ednio de seus filhos pelas PMs e mil\u00edcias.<br \/>\nNem durante a pandemia as balas deixam de mirar a negritude: no RJ, menino Jo\u00e3o Pedro de 14 anos foi assassinado enquanto brincava e teve a casa atingida por mais de 70 tiros. S\u00e3o as mulheres negras e m\u00e3es que choram a perda de seus filhos v\u00edtimas de uma pol\u00edtica de seguran\u00e7a p\u00fablica militarista e genocida dos governos e de Bolsonaro. Al\u00e9m de tentar se proteger da covid19 e da mis\u00e9ria \u00e9 preciso esquivar-se das balas de fuzil.<\/p>\n<p>Longe de atingir o controle do v\u00edrus, com mais de 200 milh\u00f5es de contaminados e recordes di\u00e1rios de de \u00f3bitos, o Brasil chega a terr\u00edvel marca de 84 mil mortos por covid-19, escancarando a face genocida do governo Bolsonaro que, juntamente com governadores e prefeitos t\u00eam promovido a flexibiliza\u00e7\u00e3o do isolamento social, reabrindo o com\u00e9rcio e os servi\u00e7os n\u00e3o essenciais em detrimento do lucro, obrigam os trabalhadores a se exporem ao v\u00edrus.<\/p>\n<p>A crise do coronav\u00edrus escancara a realidade desigual e cruel das grandes massas de vulner\u00e1veis, que morre trabalhando infectada pelo v\u00edrus ou pela falta de alimento. N\u00e3o \u00e0 toa \u00e9 o setor mais palperizado da popula\u00e7\u00e3o que tem sa\u00eddo \u00e0s ruas no Brasil e no mundo a protestar. O levante antirracista nos EUA \u00e9 parte da onda de lutas que refletem a realidade da popula\u00e7\u00e3o negra e latina que foi penalizada duramente pela pandemia. A exemplo das merendeiras terceirizadas da prefeitura do Rio de Janeiro, categoria composta por maioria de mulheres negras, m\u00e3es e chefes de lares, que estavam h\u00e1 dois meses sem sal\u00e1rios e sem o aux\u00edlio alimenta\u00e7\u00e3o, organizaram diversos protestos at\u00e9 arrancar seus direitos. Ou mesmo como a popula\u00e7\u00e3o de Parais\u00f3polis (SP) que marchou nas ruas para exigir \u00e1gua encanada em toda a comunidade, saneamento b\u00e1sico e acesso \u00e0 sabonetes, condi\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas para sobreviv\u00eancia. Esses s\u00e3o exemplos que nos apontam o caminho a ser seguido. Hoje, al\u00e9m de dia Internacional da mulher negra latino-americana e caribenha \u00e9 tamb\u00e9m dia Nacional de Tereza de Benguela, l\u00edder quilombola da resist\u00eancia \u00e0 escravid\u00e3o no Brasil que nos deixa um importante legado de luta.<br \/>\nSeguiremos lutando pela destrui\u00e7\u00e3o do sistema capitalista, pelo combate ao racismo e pela liberdade do povo negro. Lutaremos tamb\u00e9m para derrotar o presidente genocida que legalizada a precariza\u00e7\u00e3o e o exterm\u00ednio dos nossos.<\/p>\n<p>\u2022 Quarentena geral j\u00e1!<br \/>\n\u2022 Renda m\u00ednima para as mulheres chefes de lares!<br \/>\n\u2022 Verbas para as pol\u00edticas p\u00fablicas e n\u00e3o para a D\u00edvida!<br \/>\n\u2022 Justi\u00e7a para \u00c1gata, Miguel e Jo\u00e3o Pedro! VIDAS NEGRAS IMPORTAM!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 25 de julho de 1992, durante o primeiro encontro de mulheres Afro-Latino-Americanas e Afro-Caribenhas, realizado na cidade de Santo Domingo, na Rep\u00fablica Dominicana, surge esta importante data a resgatar o legado de milhares de lutadoras e impulsionar as mobiliza\u00e7\u00f5es das mulheres negras no combate<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":7171,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[55],"tags":[1343,1079,68,1347,1349,1348,57,102],"class_list":["post-7170","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-mulheres","tag-americalatina","tag-caribe","tag-feminismo","tag-latina","tag-latinoamerica","tag-latinoamericano","tag-mulheres","tag-negras"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7170","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7170"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7170\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media\/7171"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7170"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7170"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7170"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}