

	{"id":7253,"date":"2020-08-09T00:07:42","date_gmt":"2020-08-09T00:07:42","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/?p=7253"},"modified":"2020-08-09T00:22:25","modified_gmt":"2020-08-09T00:22:25","slug":"chile-a-luta-contra-a-fome-e-as-afps","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2020\/08\/09\/chile-a-luta-contra-a-fome-e-as-afps\/","title":{"rendered":"CHILE: a luta contra a fome e as AFPs"},"content":{"rendered":"<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Por <\/strong>MST, se\u00e7\u00e3o chilena da UIT-QI<\/p>\n<p><strong>Tradu\u00e7\u00e3o <\/strong>Lucas Schlabendorff<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Hist\u00f3ria de uma crise<\/strong><\/p>\n<p>Pressionados pelo desemprego, a pobreza e at\u00e9 pela fome, milhares de trabalhadoras e trabalhadores come\u00e7aram h\u00e1 alguns meses uma campanha nas redes. De forma virtual, exigem que as AFPs (Administradoras de fundos de pens\u00f5es) devolvam 10% dos fundos economizados para cada cotizante. Uma demanda que parecia imposs\u00edvel.<\/p>\n<p>As respostas escassas do governo, que foram o motor dessa campanha, geravam a crescente indigna\u00e7\u00e3o de centenas de milhares de fam\u00edlias. No in\u00edcio de maio, uma jornada de mobiliza\u00e7\u00f5es contra a fome terminou com uma noite de protestos. Hoje no Chile a quantidade de cont\u00e1gios se aproxima de 350 mil, as mortes por coronav\u00edrus, at\u00e9 agora, s\u00e3o em torno de 13 mil, e come\u00e7am a ser sentidos os efeitos da brutal crise econ\u00f4mica. Os n\u00fameros do desemprego, pobreza e fome fizeram o pa\u00eds retroceder \u00e0s condi\u00e7\u00f5es do in\u00edcio dos anos 80.<\/p>\n<p>Esse antecedente abriu a brecha que acabou se transformando em um gigantesco impasse entre o Congresso e o governo de Pi\u00f1era. Ambos, junto com o empresariado, temem uma segunda explos\u00e3o social. Mas, pela primeira vez, deputadas e deputados da oposi\u00e7\u00e3o patronal, junto a um setor de deputados de direita, se rebelaram contra a linha imposta por la Moneda (sede do governo).<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o existem recursos p\u00fablicos suficientes para conter a fome, a pobreza e o desemprego, \u00e9 momento de buscarmos outros recursos\u201d, disse um deputado de direita que votou a favor da retirada dos 10%. Uma frase comum nesses dias em ambas as C\u00e2maras, mas que \u00e9 um exemplo da crise. O pr\u00f3prio Pi\u00f1era apresentou dois planos de ajuda para a \u201cclasse m\u00e9dia\u201d, junto com uma campanha p\u00fablica chamando a rejeitar a retirada dos fundos de pens\u00f5es.<\/p>\n<p>A pr\u00f3pria coaliz\u00e3o do governo se dividiu diante de uma demanda que parecia imposs\u00edvel at\u00e9 alguns meses atr\u00e1s. Hoje essa divis\u00e3o se tornou em uma guerra civil dentro da direita mas, sobretudo, um golpe em toda a linha que flutua ao redor do governo. Nem sequer seus pr\u00f3prios setores acreditam que o governo seja capaz de conter o descontentamento, e muitos j\u00e1 nem sequer escondem que n\u00e3o querem atrelar sua sorte \u00e0 do governo de Pi\u00f1era, que aprofunda sua crise a cada passo.<\/p>\n<p>A aprova\u00e7\u00e3o dessa lei na C\u00e2mara de Deputados \u00e9 s\u00f3 a ponta do iceberg de uma crise maior. Como Pi\u00f1era e o grande empresariado deter\u00e3o o avan\u00e7o dessa demanda? Poderiam barr\u00e1-la no Senado, mas um dia antes da vota\u00e7\u00e3o na C\u00e2mara de Deputados houve um panela\u00e7o nacional, com barricadas e alguns saques, e inclusive uma paralisa\u00e7\u00e3o nacional de meia jornada nos trabalhadores portu\u00e1rios. O cheiro de outra explos\u00e3o social est\u00e1 impregnado nos elegantes trajes \u201cdos e das ilustres\u201d. Al\u00e9m disso, cinco senadores de direita, inclusive pinochetistas declarados, disseram que votar\u00e3o a favor da retirada para evitar as consequ\u00eancias de uma nova mobiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Pi\u00f1era, sozinho e encurralado, aparece como o grande inimigo das massas, como o defensor ferrenho das odiadas AFPs. Lhe resta um \u00fanico caminho, vetar a lei. No entanto, dentro do pr\u00f3prio governo j\u00e1 anunciam que esse caminho sem d\u00favidas seria a fa\u00edsca que iniciaria um inc\u00eandio, e desta vez j\u00e1 n\u00e3o est\u00e3o seguros de poder control\u00e1-lo. Se a lei acabar sendo aprovada, ser\u00e1 um golpe mortal para Pi\u00f1era e seu poder em um regime presidencialista. Se ele a veta, selar\u00e1 sua sorte e a de seu governo. O presidente tem tudo a perder em todos os cen\u00e1rios poss\u00edveis.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Pela retirada dos 100%<\/strong><\/p>\n<p>N\u00f3s do MST, se\u00e7\u00e3o chilena da UIT-QI, temos nos somados \u00e0s mobiliza\u00e7\u00f5es que t\u00eam surgido espontaneamente pela aprova\u00e7\u00e3o dessa lei. Mas propomos que n\u00e3o lutemos apenas pelos 10%. A for\u00e7a das massas segue em p\u00e9, e ainda que fora das ruas por causa da pandemia, uma \u00fanica insinua\u00e7\u00e3o de uma nova explos\u00e3o social j\u00e1 provocou essa enorme crise no governo e no regime pol\u00edtico.<\/p>\n<p>Por que ficarmos apenas nessa demanda? N\u00f3s, do MST, defendemos que as AFPs devolvam a totalidade dos fundos de pens\u00e3o. Que se acabe com o sistema privado de aposentadorias que j\u00e1 demonstrou ser uma calamidade para milh\u00f5es de aposentados e aposentadas. Em seu lugar, estabelecer um sistema de distribui\u00e7\u00e3o solid\u00e1rio e tripartido sob controle dos aposentados, aposentadas, trabalhadores e trabalhadoras.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para evitar que n\u00f3s do povo e da classe trabalhadora paguemos a crise capitalista, devemos ir mais al\u00e9m. Chamamos a constru\u00e7\u00e3o de uma coordena\u00e7\u00e3o nacional entre sindicatos, assembleias territoriais, organiza\u00e7\u00f5es estudantis, feministas, populares e pol\u00edticas. Por um plano de lutas nacional e reivindica\u00e7\u00f5es unificadas que incluam um plano econ\u00f4mico de emerg\u00eancia oper\u00e1rio e popular votado pelas bases.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0 Por MST, se\u00e7\u00e3o chilena da UIT-QI Tradu\u00e7\u00e3o Lucas Schlabendorff &nbsp; Hist\u00f3ria de uma crise Pressionados pelo desemprego, a pobreza e at\u00e9 pela fome, milhares de trabalhadoras e trabalhadores come\u00e7aram h\u00e1 alguns meses uma campanha nas redes. 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