

	{"id":7418,"date":"2020-09-01T05:51:22","date_gmt":"2020-09-01T05:51:22","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/?p=7418"},"modified":"2020-09-01T05:51:22","modified_gmt":"2020-09-01T05:51:22","slug":"libano-a-explosao-de-beirute-provoca-uma-nova-rebeliao-popular","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2020\/09\/01\/libano-a-explosao-de-beirute-provoca-uma-nova-rebeliao-popular\/","title":{"rendered":"L\u00cdBANO | A explos\u00e3o de Beirute provoca uma nova rebeli\u00e3o popular"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>Por G\u00f6rkem Duru, dirigente da UIT-QI, Turquia, 17 de agosto de 2020<\/strong><br \/>\n<strong>Tradu\u00e7\u00e3o: Lucas Schlabendorff<\/strong><\/p>\n<hr \/>\n<p>No L\u00edbano, onde se sofre a mais profunda crise econ\u00f4mica de sua hist\u00f3ria, a dantesca explos\u00e3o no porto de Beirute, no dia 4 de agosto, revelou a f\u00faria incontrol\u00e1vel das massas. A explos\u00e3o de 2.750 toneladas de nitrato de am\u00f4nio, que estavam guardadas em um dep\u00f3sito desde 2013, no porto mais importante do pa\u00eds, causou 200 mortos, 5 mil feridos e deixou quase 300 mil libaneses sem lar. Esses n\u00fameros revelam o n\u00edvel da destrui\u00e7\u00e3o e, quando a combinamos com as consequ\u00eancias econ\u00f4micas e sociais a m\u00e9dio e longo prazo, entendemos a situa\u00e7\u00e3o desesperadora da classe trabalhadora libanesa.<\/p>\n<p>Por um lado, o governo prometeu que uma comiss\u00e3o seria formada para identificar os culpados, em uma tentativa de evitar que a indigna\u00e7\u00e3o pela explos\u00e3o se dirigisse contra eles. Por outro lado, declarou o estado de emerg\u00eancia e tratou de intimidar as massas, outorgando poderes extraordin\u00e1rios ao ex\u00e9rcito nas ruas de Beirute. No entanto, aos olhos da classe trabalhadora libanesa, os respons\u00e1veis pela explos\u00e3o s\u00e3o \u00f3bvios, e as massas se recusam a abandonar as ruas, cantando \u201cqueremos que o regime caia\u201d. No sexto dia de protestos, o governo de Hasan Diyab teve que renunciar depois de muitos de seus ministros terem feito o mesmo. Em outras palavras, o governo de tecnocratas com tend\u00eancias democr\u00e1ticas reacion\u00e1rias, que assumiu no dia 21 de janeiro de 2020, como resultado da queda do governo de Saad Hariri pelas m\u00e3os da chamada \u201cRevolu\u00e7\u00e3o de 17 de outubro\u201d (o governo de Hariri renunciou em 29 de outubro de 2019), foi for\u00e7ado a abandonar o seu posto ap\u00f3s seis meses, sob press\u00e3o das massas mobilizadas.<\/p>\n<p>As massas conquistaram uma vit\u00f3ria significativa, for\u00e7ando o governo a renunciar. No entanto, quando Diyab apresentou sua ren\u00fancia, anunciou que o pa\u00eds teria elei\u00e7\u00f5es antecipadas dentro de dois meses. O capitalismo liban\u00eas, que est\u00e1 \u00e0 beira do colapso, tratou de esconder-se atr\u00e1s do governo de Diyab para se salvar e manter vivo o regime corrupto, degenerado e sect\u00e1rio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Regime degenerado, capitalismo podre<\/strong><\/p>\n<p>A explos\u00e3o no porto de Beirute \u00e9 um exemplo suficiente para revelar a profundidade da corrup\u00e7\u00e3o e a decad\u00eancia do pa\u00eds. O fato de que 2.750 toneladas de nitrato de am\u00f4nio estavam armazenadas no porto por mais de seis anos, e que n\u00e3o se tomaram medidas para transport\u00e1-las a algum outro lugar, apesar das v\u00e1rias advert\u00eancias, \u00e9 evid\u00eancia de que a esfera de responsabilidade \u00e9 muito mais ampla. E esta responsabilidade n\u00e3o pode ser reduzida apenas ao n\u00edvel individual, dando a entender que foi resultado da \u201cneglig\u00eancia\u201d ou da \u201cincompet\u00eancia\u201d de um ou de outro gerente. O que est\u00e1 diante de n\u00f3s \u00e9 a brutal e exploradora ordem capitalista que prioriza o lucro acima da vida humana, assim como os l\u00edderes libaneses sect\u00e1rios em seu conjunto que representam essa ordem. Esses representantes s\u00e3o os que estabeleceram, em coopera\u00e7\u00e3o com o imperialismo, uma ordem clientelista e sect\u00e1ria e a chamada \u201cSu\u00ed\u00e7a do Oriente M\u00e9dio\u201d. Foram eles que cortaram o acesso do povo liban\u00eas a muitos servi\u00e7os p\u00fablicos atrav\u00e9s das pol\u00edticas neoliberais e privatiza\u00e7\u00f5es, e multiplicaram os seus pr\u00f3prios benef\u00edcios se convertendo em acionistas dos bancos do pa\u00eds, e tamb\u00e9m restringiram o acesso dos trabalhadores ao seu dinheiro que estava nos bancos durante a crise econ\u00f4mica, ao mesmo tempo que tentavam contrabandear suas pr\u00f3prias riquezas ao estrangeiro&#8230;<\/p>\n<p>Desde 2019, os trabalhadores libaneses estavam lutando contra uma profunda crise econ\u00f4mica. O que iniciou o processo revolucion\u00e1rio no pa\u00eds, em outubro de 2019, foi a negativa das massas em pagar o custo da crise; fizeram sua apari\u00e7\u00e3o no cen\u00e1rio pol\u00edtico com o desejo de se opor \u00e0s pol\u00edticas de austeridade. A crise se aprofundou ainda mais com a pandemia da Covid-19. Quando a d\u00edvida externa do pa\u00eds alcan\u00e7ou os 92 milh\u00f5es de d\u00f3lares, correspondentes a 170% do PIB do pa\u00eds, o governo anunciou a morat\u00f3ria em mar\u00e7o. Os bancos restringiram o acesso dos trabalhadores ao seu pr\u00f3prio dinheiro que estava nas contas banc\u00e1rias. A taxa de infla\u00e7\u00e3o subiu at\u00e9 400%, destruindo o poder aquisitivo do povo liban\u00eas. Quase 55% da popula\u00e7\u00e3o em idade de trabalhar est\u00e1 atualmente desempregada, enquanto que cerca de 60% da popula\u00e7\u00e3o total vive abaixo da linha da pobreza. Se antes j\u00e1 existiam graves defici\u00eancias no acesso dos trabalhadores aos recursos b\u00e1sicos como eletricidade e \u00e1gua pot\u00e1vel, a crise que se aprofundou com a pandemia provocou a apari\u00e7\u00e3o de novas dificuldades para acessar outros artigos vitais, como o trigo e os medicamentos.<\/p>\n<p>\u00c9 bastante \u00f3bvio que a explos\u00e3o produzida neste contexto piora o estado das coisas no pa\u00eds devido \u00e0s suas consequ\u00eancias econ\u00f4micas e sociais. O principal porto do L\u00edbano, que funciona com um modelo econ\u00f4mico baseado na importa\u00e7\u00e3o no lugar da produ\u00e7\u00e3o, est\u00e1 agora destru\u00eddo; outros portos do pa\u00eds est\u00e3o longe de poder levar o mesmo n\u00edvel de capacidade comercial, j\u00e1 que o governo nunca realizou os investimentos necess\u00e1rios neles. Tendo em conta as dificuldades j\u00e1 existentes para acessar os produtos de primeira necessidade como o trigo e os medicantes antes da explos\u00e3o, a destrui\u00e7\u00e3o do armaz\u00e9m de trigo no porto de Beirute, junto com os graves danos sofridos nos hospitais mais importantes de Beirute como consequ\u00eancia da explos\u00e3o, dar\u00e1 lugar a um poss\u00edvel surto de crise aliment\u00edcia e sanit\u00e1ria no pa\u00eds em um futuro breve, para al\u00e9m da pandemia em curso. Al\u00e9m disso, essas consequ\u00eancias se complicam ainda mais pelo fato de que mais de 300 mil libaneses ficaram sem lar e de que um n\u00famero importante de edif\u00edcios da cidade foram derrubados ou ficaram gravemente danificados, o que revela o peso da carga tanto da crise econ\u00f4mica como da incapacidade do regime para governar.<\/p>\n<p>O estado de coisas mencionado anteriormente \u00e9 indicativo dos escombros capitalistas em que se converteu o pa\u00eds devido ao regime dependente do exterior e sect\u00e1rio constru\u00eddo no L\u00edbano em associa\u00e7\u00e3o com o imperialismo e o Ir\u00e3 (Hezbollah), como resultado do Acordo de Taif assinado em 1989 ap\u00f3s a guerra civil que ocorreu no pa\u00eds entre 1975 e 1990. O regime que pretendia tornar invis\u00edveis os conflitos de classe, baseado em fundamentos sect\u00e1rios a favor da explora\u00e7\u00e3o capitalista, fez com que os l\u00edderes e pol\u00edticos sect\u00e1rios xiitas, sunitas ou crist\u00e3os se convertessem em not\u00f3rios capitalistas, que seguiram aumentando a riqueza de suas fortunas e cujos nomes figuram nas listas dos 100 mais ricos do pa\u00eds, o que fez com que o v\u00e9u sect\u00e1rio sumisse aos olhos dos trabalhadores.<\/p>\n<p>A profunda crise social e econ\u00f4mica que o L\u00edbano atravessa faz com que os abutres capitalistas imperialistas esfreguem as m\u00e3os com satisfa\u00e7\u00e3o; por um lado, buscam garantir seus interesses mantendo vivo o regime, apesar das mobiliza\u00e7\u00f5es das massas; por outro, se esfor\u00e7am em aumentar seus benef\u00edcios participando da reconstru\u00e7\u00e3o de Beirute mediante a oferta de \u201cpacotes de ajuda econ\u00f4mica\u201d para amenizar o colapso causado pela crise econ\u00f4mica e a explos\u00e3o. Em resumo, tratam de refor\u00e7ar a depend\u00eancia externa do pa\u00eds mediante o endividamento. A visita do presidente franc\u00eas, Emmanuel Macron, no dia seguinte \u00e0 explos\u00e3o, \u00e9 um exemplo deste plano.<\/p>\n<p>As massas libanesas se mobilizaram mais uma vez contra a visita de Macron, sabendo que qualquer \u201cpacote de ajuda econ\u00f4mica\u201d externo seria lan\u00e7ado contra eles como um \u201cplano de austeridade econ\u00f4mica\u201d. Amalgamaram sua raiva contra a destrui\u00e7\u00e3o da explos\u00e3o com sua ira contra o colapso econ\u00f4mico e o regime sect\u00e1rio, clientelista e corrupto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>\u201cPreparem a forca\u201d<\/strong><\/p>\n<p>Como ocorreu no in\u00edcio do processo revolucion\u00e1rio que tem atravessado o L\u00edbano, as massas se rebelaram mais uma vez contra a crise econ\u00f4mica e o regime para impulsionar suas demandas sociais e democr\u00e1ticas: \u201cO povo quer que o regime caia!\u201d \u201cFora todos os assassinos!\u201d<\/p>\n<p>Os trabalhadores se negaram a abandonar as ruas, apesar do governo ter concedido amplos poderes ao ex\u00e9rcito atrav\u00e9s da declara\u00e7\u00e3o do estado de emerg\u00eancia para reprimir o movimento de massas, e a dura interfer\u00eancia dos organismos encarregados de fazer cumprir a lei nos protestos utilizando gases lacrimog\u00eaneos, assim como balas de borracha e de verdade. Os trabalhadores libaneses se reuniram na Pra\u00e7a dos M\u00e1rtires de Beirute no dia 8 de agosto, que foi declarado como o \u201cdia da ira\u201d. Levantaram a forca e levaram adiante a\u00e7\u00f5es simb\u00f3licas de enforcamento de pol\u00edticos e exigiram que os respons\u00e1veis da explos\u00e3o e do colapso econ\u00f4mico do pa\u00eds sejam julgados, ou seja, os representantes do regime sect\u00e1rio. As massas ocuparam os edif\u00edcios dos Minist\u00e9rios de Energia, de Assuntos Exteriores e da Economia, assim como a sede da Associa\u00e7\u00e3o Banc\u00e1ria do L\u00edbano e v\u00e1rios bancos.<\/p>\n<p>O governo de Diyab, que anunciou que se criaria uma comiss\u00e3o para investigar os respons\u00e1veis da explos\u00e3o, tamb\u00e9m declarou que o pa\u00eds iria ter elei\u00e7\u00f5es antecipadas diante da press\u00e3o da opini\u00e3o p\u00fablica; no entanto, essa declara\u00e7\u00e3o n\u00e3o conseguiu convencer os trabalhadores libaneses a sa\u00edrem das ruas. Enquanto continuavam as manifesta\u00e7\u00f5es, os Ministros de Finan\u00e7as, de Informa\u00e7\u00e3o e de Meio Ambiente e Justi\u00e7a se demitiram, e ap\u00f3s isso o governo de Hasan Diyab tamb\u00e9m apresentou sua ren\u00fancia junto com a declara\u00e7\u00e3o de elei\u00e7\u00f5es antecipadas dentro de dois meses.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a ren\u00fancia do governo de Saad Hariri durante o processo da \u201cRevolu\u00e7\u00e3o de 17 de Outubro\u201d, os capitalistas libaneses e os l\u00edderes sect\u00e1rios, cujo interesse \u00e9 garantir a continua\u00e7\u00e3o do regime atual, haviam acordado em formar um governo tecnocr\u00e1tico dirigido por Hasan Diyab. O principal objetivo desses governantes era postergar as demandas de transforma\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e social das massas, absorvendo algumas dessas demandas contra o regime atrav\u00e9s de acordos democr\u00e1ticos parciais dentro do sistema \u2013 por exemplo, a prepara\u00e7\u00e3o de uma lei eleitoral mais democr\u00e1tica \u2013 com o fim de garantir a continuidade das pol\u00edticas de explora\u00e7\u00e3o capitalistas.<\/p>\n<p>Ainda que a apari\u00e7\u00e3o da pandemia da Covid-19 e a consequente retirada das massas das ruas tenham permitido ao governo de Diyab ganhar tempo para seguir adiante com seu plano, o agravamento das condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas e sociais com a pandemia preparou o caminho para a volta da mobiliza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores libaneses em abril. Os trabalhadores, que eram conscientes dos n\u00edveis de desemprego, das desigualdades na distribui\u00e7\u00e3o de renda e do alcance da corrup\u00e7\u00e3o na qual estavam envolvidos os representantes do regime sect\u00e1rio, viram que o que estava ocorrendo era um aprofundamento da crise em lugar de uma resolu\u00e7\u00e3o de suas demandas b\u00e1sicas. Por isso, aceleraram a mobiliza\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria, que se intensificou devido \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o causada pela explos\u00e3o e p\u00f4s fim ao governo de Diyab.<\/p>\n<p>No entanto, os capitalistas libaneses e os l\u00edderes sect\u00e1rios tratam de manter o seu regime vivo em coopera\u00e7\u00e3o com o imperialismo, refugiando-se atr\u00e1s do chamado de elei\u00e7\u00f5es antecipadas. Enquanto tentam fazer isso, os fatores mais fundamentais em que se apoiam s\u00e3o a press\u00e3o que buscam fazer sobre as massas utilizando o aparato estatal, os chamados reacion\u00e1rios democr\u00e1ticos como o \u201cestabelecimento de um governo de unidade nacional\u201d, assim como, e talvez o mais importante, a divis\u00e3o sect\u00e1ria que segue existindo no pa\u00eds apesar de sua eros\u00e3o devido \u00e0s pol\u00edticas de explora\u00e7\u00e3o capitalista.<\/p>\n<p>Contra o chamado \u00e0 celebra\u00e7\u00e3o de elei\u00e7\u00f5es antecipadas, o fator mais decisivo na luta da classe trabalhadora libanesa, em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 ruptura com o regime e as pol\u00edticas de explora\u00e7\u00e3o capitalistas, \u00e9 plantar e construir a unidade de classe dos trabalhadores, das mulheres, da juventude e dos oprimidos para se opor \u00e0s diferen\u00e7as sect\u00e1rias que t\u00eam sido constantemente incentivadas pelo imperialismo e pelos governantes do pa\u00eds.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Fora todos! N\u00e3o \u00e0s elei\u00e7\u00f5es antecipadas! Por uma Assembleia Constituinte independente, livre e soberana!<\/strong><\/p>\n<p>A base para estabelecer esta unidade \u00e9 a capacidade de continuar com as mobiliza\u00e7\u00f5es contra todas as manobras que o imperialismo e os capitalistas libaneses possam aplicar para preservar o regime, e colocar em marcha organismos de auto-organiza\u00e7\u00e3o dentro da luta. As mobiliza\u00e7\u00f5es t\u00eam se produzido de forma espont\u00e2nea durante os \u00faltimos 10 meses e n\u00e3o pode falar ainda da apari\u00e7\u00e3o de tais organismos. Em outras palavras, a insurrei\u00e7\u00e3o em curso est\u00e1 avan\u00e7ando sem dire\u00e7\u00e3o, o que aponta a falta de presen\u00e7a de uma alternativa que possa conduzir a ruptura com o atual regime, apesar da luta determinante dos trabalhadores libaneses contra o colapso econ\u00f4mico e social.<\/p>\n<p>Neste momento \u00edmpar, \u00e9 mais importante do que nunca que as massas e os socialistas libaneses estabele\u00e7am \u00f3rg\u00e3os de auto-organiza\u00e7\u00e3o e se organizem em torno de um programa de a\u00e7\u00e3o urgente, orientado para a ruptura com o regime e a ordem de explora\u00e7\u00e3o capitalista. Isto, se conquistado, seria um grande passo adiante no curso do processo revolucion\u00e1rio a favor de todos os explorados e oprimidos.<\/p>\n<p>Este passo adiante poderia ter como objetivo a luta por elei\u00e7\u00f5es de uma Assembleia Constituinte independente, livre e soberana para se opor \u00e0s manobras eleitorais \u00e0s quais o establishment recorre para manter o regime vivo. Eles planejam novas elei\u00e7\u00f5es, nos marcos do velho regime, para que sigam as tr\u00eas fra\u00e7\u00f5es burguesas no poder. A luta por uma Constituinte soberana seria a forma de apresentar uma ruptura com o regime sect\u00e1rio, degenerado e corrupto, assim como a ruptura com a Constitui\u00e7\u00e3o que o sustenta; isso seria, de uma vez por todas, \u201cque caiam todos\u201d.<\/p>\n<p>No caso de que a mobiliza\u00e7\u00e3o das massas libanesas desse um salto adiante com a exig\u00eancia de uma Assembleia Constituinte independente, livre e soberana, se poderia discutir toda a reorganiza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds. Os socialistas libaneses deveriam atuar nela, defendendo medidas de fundo em conson\u00e2ncia com o eixo de ruptura com a pol\u00edtica de explora\u00e7\u00e3o imperialista e capitalista. No caminho de um governo oper\u00e1rio e popular que possa impor o n\u00e3o pagamento da d\u00edvida externa, a expropria\u00e7\u00e3o dos bancos e de todas as institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas privatizadas, sem indeniza\u00e7\u00e3o, e o estabelecimento de uma economia central planificada.<\/p>\n<p>\u00c0 medida em que a pandemia da Covid-19 aprofunda a crise econ\u00f4mica, estamos atravessando tempos nos quais n\u00e3o h\u00e1 melhor defini\u00e7\u00e3o do que a express\u00e3o \u201csocialismo ou cat\u00e1strofe\u201d para se referir ao estado do nosso mundo. Se o levante dos trabalhadores libaneses puder criar uma alternativa ao seu regime e ao sistema capitalista de explora\u00e7\u00e3o nesta conjuntura mundial, daria um exemplo extremamente importante para todos os trabalhadores do mundo. O que n\u00f3s, os revolucion\u00e1rios internacionalistas, devemos fazer neste momento \u00e9 apoiar a luta cont\u00ednua das massas libaneses no plano pol\u00edtico e organizativo, assim como desenvolver formas de se solidarizar com ela.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por G\u00f6rkem Duru, dirigente da UIT-QI, Turquia, 17 de agosto de 2020 Tradu\u00e7\u00e3o: Lucas Schlabendorff No L\u00edbano, onde se sofre a mais profunda crise econ\u00f4mica de sua hist\u00f3ria, a dantesca explos\u00e3o no porto de Beirute, no dia 4 de agosto, revelou a f\u00faria incontrol\u00e1vel das<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":7419,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[1460,1459,1458,31,913,644,1461],"class_list":["post-7418","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-internacional","tag-arabe","tag-conflito","tag-explosao","tag-internacional","tag-libano","tag-primavera","tag-revolucoes"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7418","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7418"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7418\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media\/7419"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7418"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7418"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7418"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}