

	{"id":7422,"date":"2020-09-01T20:01:05","date_gmt":"2020-09-01T20:01:05","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/?p=7422"},"modified":"2020-09-01T20:01:05","modified_gmt":"2020-09-01T20:01:05","slug":"o-mst-lis-apoiou-o-chavismo-e-seus-governos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2020\/09\/01\/o-mst-lis-apoiou-o-chavismo-e-seus-governos\/","title":{"rendered":"O MST\/LIS apoiou o chavismo e seus governos"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>Por Diego Mart\u00ednez<\/strong><br \/>\n<strong>Tradu\u00e7\u00e3o: Lucas Schlabendorff<\/strong><\/p>\n<hr \/>\n<p><em>Na mesa de debate em homenagem a Trotsky, convocada pela FIT-Unidade, se deram diversos debates em rela\u00e7\u00e3o a como n\u00f3s revolucion\u00e1rios devemos intervir na luta de classes e construir partidos revolucion\u00e1rios seguindo os ensinamentos do grande revolucion\u00e1rio russo. Com o MST, debatemos sobre Venezuela e sobre suas pol\u00edticas de alian\u00e7as eleitorais anteriores \u00e0 FIT-U.<\/em><\/p>\n<p>Uma das pol\u00eamicas girou em torno da Venezuela e a pol\u00edtica do MST frente ao chavismo. Nossa companheira Mercedes Petit afirmou que foi um grande erro dos companheiros ter apoiado o governo de Hugo Ch\u00e1vez. Os dirigentes do MST, Alejandro Bodart e Sergio Garc\u00eda, justificaram o apoio de sua corrente ao chavismo em nome da t\u00e1tica. Mas, se as t\u00e1ticas n\u00e3o servem para a nossa estrat\u00e9gia como revolucion\u00e1rios, ent\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o t\u00e1ticas corretas.<\/p>\n<p>O MST n\u00e3o respeita o b\u00e1sico. N\u00f3s socialistas revolucion\u00e1rios nunca apoiamos politicamente governos burgueses. Pelo contr\u00e1rio, uma das nossas principais tarefas \u00e9 chamar a n\u00e3o confiar em nenhum governo burgu\u00eas. Sejam liberais ou de concilia\u00e7\u00e3o de classes (frente popular) como o caso do chavismo. \u00c9 um princ\u00edpio dos marxistas revolucion\u00e1rios.<\/p>\n<p>E reiteramos que a divis\u00e3o que o MST provocou na UIT-QI (2005) n\u00e3o foi, como pretendeu justificar Bodart em seu encerramento, por \u201cbrigas\u201d de maiorias ou minorias entre dirigentes. A realidade foi demonstrando, rapidamente, que foi uma ruptura pol\u00edtica que culminou no apoio de Bodart e seus seguidores ao governo chavista, depois a Pino Solanas ou a Luis Juez, entre outros.<\/p>\n<p>Garc\u00eda negou o apoio ao chavismo dizendo que sua corrente irm\u00e3 na Venezuela, Marea Socialista, n\u00e3o foi parte do governo de Ch\u00e1vez porque n\u00e3o teve funcion\u00e1rios dentro do mesmo e que manteve sua independ\u00eancia organizativa. Como bem respondeu nossa companheira Petit, para al\u00e9m de terem feito \u201cde dentro ou de fora\u201d, o concreto \u00e9 que apoiaram politicamente o governo burgu\u00eas de Ch\u00e1vez-Maduro. Vejamos os fatos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O MST e Marea Socialista se integraram ao chavismo<\/strong><\/p>\n<p>No ano de 2007 foi fundado o PSUV (Partido Socialista Unificado de Venezuela), um partido criado por Ch\u00e1vez com o objetivo de arregimentar o ativismo oper\u00e1rio e popular e os setores de esquerda em torno de seu governo. Ch\u00e1vez tachou de \u201ccontrarrevolucion\u00e1rios\u201d aqueles que n\u00e3o seguiram essa diretriz. Nossa organiza\u00e7\u00e3o da UIT-QI naquele momento, o Partido da Revolu\u00e7\u00e3o Socialista (PRS), com o dirigente Orlando Chirino \u00e0 frente, recha\u00e7ou essa ordem e declarou \u201cO PSUV n\u00e3o \u00e9 um partido dos trabalhadores e nem para aprofundar a revolu\u00e7\u00e3o. N\u00e3o tem uma fronteira pol\u00edtica definida, pois est\u00e3o entrando capitalistas e latifundi\u00e1rios \u2018socialistas\u2019\u201d (P\u00e1gina 98 da edi\u00e7\u00e3o em espanhol do livro <em>Por que o chavismo fracassou?<\/em>\u00b9,\u00a0 publicado pelo Cehus).<\/p>\n<p>J\u00e1 Marea Socialista, a corrente ligada ao MST, encabe\u00e7ada pelo dirigente Gonzalo G\u00f3mez, coordenador da p\u00e1gina Aporrea, acatou a ordem de Ch\u00e1vez e passou a fazer parte desse partido hegem\u00f4nico do governo. Nos anos seguintes a pol\u00edtica burguesa e antioper\u00e1ria do chavismo seguiu evidente. O governo entregou a principal reserva petroleira do mundo, a faixa do Orinoco, ao imperialismo, negociando com multinacionais petroleiras (entre elas v\u00e1rias estadunidenses) e impondo um esquema de empresas mistas. Beneficiou setores empresariais e militares que passaram a ser parte da \u201cboliburguesia\u201d. Se intensificou a repress\u00e3o ao movimento oper\u00e1rio. Em 2008, foram assassinados tr\u00eas companheiros do nosso partido irm\u00e3o, dirigentes oper\u00e1rios do estado de Aragua, pelas m\u00e3os de sic\u00e1rios do chavismo.<\/p>\n<p>Enquanto nossos companheiros agrupados na Ccura (Corrente sindical combativa e aut\u00f4noma do governo, que possui grande peso no sindicato petroleiro) lutavam contra a pol\u00edtica antioper\u00e1ria do governo, Marea Socialista se integrava \u00e0 CBST (Corrente Bolivariana Socialista dos Trabalhadores), ou seja, \u00e0 burocracia sindical do chavismo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O apoio direto ao governo<\/strong><\/p>\n<p>Em 2013 faleceu Hugo Ch\u00e1vez. Marea Socialista naquele momento, sob a pena de seu dirigente (membro do MST) Carlos Carcione, escreveu um artigo em forma de homenagem ao presidente venezuelano que terminava com o grito \u201cViva Ch\u00e1vez, Carajo\u201d (\u201c<em>Muri\u00f3 Chavez. Viva la revoluci\u00f3n bolivariana, Aporrea.org<\/em>). Ali se afirmava: \u201cCh\u00e1vez morreu e seu povo que o pariu, canta honra e gl\u00f3ria para o comandante da revolu\u00e7\u00e3o bolivariana\u201d [&#8230;] \u201cO que defendemos. Ter acompanhado o enfrentamento com o imp\u00e9rio gringo n\u00e3o agora, mas quando ele ainda estava muito mais forte, ter ajudado, empurrado pelo enorme movimento popular de Nuestra Am\u00e9rica, para frear o avan\u00e7o do neoliberalismo. Ter colocado a palavra socialismo para circular pelo mundo novamente.\u201d<\/p>\n<p>\u201c[&#8230;] Uma das coisas que aprendemos junto ao povo nesses longos anos de luta do processo bolivariano \u00e9 que, se Ch\u00e1vez mandava obedecendo, n\u00e3o devemos nunca mais aceitar um governante que desobede\u00e7a o mandato popular\u201d.<\/p>\n<p>J\u00e1 com Maduro na presid\u00eancia, Marea Socialista, com o apoio do MST argentino, seguiu apoiando o governo at\u00e9 o ano de 2016. Nesse ano, junto com ex-ministros e outras personalidades chavistas, firmaram uma plataforma \u201cde defesa da constitui\u00e7\u00e3o bolivariana\u201d na qual apoiavam a constitui\u00e7\u00e3o burguesa. Com cr\u00edticas, seguiam apoiando o governo: \u201cDefendemos o governo do presidente Maduro, como parte das conquistas do processo revolucion\u00e1rio\u201d (<em>Plataforma de la defensa de la constituci\u00f3n bolivariana, Aporrea.org, 18\/7\/2016<\/em>). Em um documento anterior se propunham a \u201crecuperar\u201d o PSUV. \u201cO partido que Ch\u00e1vez chamou a construir para fazer a revolu\u00e7\u00e3o\u201d (<em>Conferencia abierta de Marea Socialista. Primer documento para el debate. 19\/7\/2015, aporrea.org<\/em>)<\/p>\n<p>Atualmente, desde a funda\u00e7\u00e3o da LIS em maio de 2019, n\u00e3o encontramos em suas duas publica\u00e7\u00f5es (Revolu\u00e7\u00e3o Permanente n\u00ba 1 e 2) cr\u00edtica alguma ao chavismo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A frente com Luis Juez<\/strong><\/p>\n<p>Outro debate girou em torno da alian\u00e7a do MST com o juecismo em C\u00f3rdoba. Bodart disse que \u201cn\u00e3o se podem construir partidos revolucion\u00e1rios de fora dos processos progressivos da vanguarda\u201d. Em fun\u00e7\u00e3o dessa afirma\u00e7\u00e3o, justifica t\u00e1ticas de constru\u00e7\u00e3o com alian\u00e7as eleitorais com figuras que ele mesmo define como \u201cca\u00eddos do galho\u201d de partidos burgueses, como Pino Solanas, hoje funcion\u00e1rio do governo, e Luis Juez, atualmente macrista. A pergunta \u00e9: que processo progressivo representava o juecismo em C\u00f3rdoba? Luis Juez sempre foi um dirigente burgu\u00eas oportunista, que apesar de seu discurso anticorrup\u00e7\u00e3o, nunca levantou um programa favor\u00e1vel aos trabalhadores, nem sequer timidamente reformista.<\/p>\n<p>Seguiremos desenvolvendo esses debates com os companheiros do MST dentro da FIT-Unidade, da qual ambas correntes fazemos parte.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Nota do tradutor:<\/strong><\/p>\n<p>\u00b9 O livro <em>Por que o chavismo fracassou? Um balan\u00e7o da oposi\u00e7\u00e3o de esquerda <\/em>foi publicado no Brasil pelas Edi\u00e7\u00f5es Combate Socialista e pode ser adquirido com a milit\u00e2ncia da CST-PSOL.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Diego Mart\u00ednez Tradu\u00e7\u00e3o: Lucas Schlabendorff Na mesa de debate em homenagem a Trotsky, convocada pela FIT-Unidade, se deram diversos debates em rela\u00e7\u00e3o a como n\u00f3s revolucion\u00e1rios devemos intervir na luta de classes e construir partidos revolucion\u00e1rios seguindo os ensinamentos do grande revolucion\u00e1rio russo. 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