

	{"id":7503,"date":"2020-09-16T04:25:58","date_gmt":"2020-09-16T04:25:58","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/?p=7503"},"modified":"2020-09-16T04:25:58","modified_gmt":"2020-09-16T04:25:58","slug":"a-violencia-racista-da-policia-nao-da-tregua-nem-durante-a-pandemia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2020\/09\/16\/a-violencia-racista-da-policia-nao-da-tregua-nem-durante-a-pandemia\/","title":{"rendered":"A viol\u00eancia racista da pol\u00edcia n\u00e3o d\u00e1 tr\u00e9gua nem durante a pandemia"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><em>Por Luiz Domingues, CST RS<\/em><br \/>\n<em>Publicado originalmente no Combate Socialista Digital N\u00ba 07<\/em><\/p>\n<hr \/>\n<p>No dia em que completou 19 anos, o estudante Rog\u00e9rio Ferreira da Silva pediu emprestada a moto de um amigo para fazer algumas manobras. Abordado pela pol\u00edcia por estar em \u201catitude suspeita\u201d, Rog\u00e9rio foi derrubado da moto, agredido e morto a tiros por um PM. O caso ocorreu no dia 9 de agosto, dia dos pais, no Parque Bristol, bairro da zona sul da cidade de S\u00e3o Paulo. Uma semana depois, na zona norte do Rio de Janeiro, era Caio Gabriel Vieira que morria, tamb\u00e9m v\u00edtima da trucul\u00eancia da Pol\u00edcia Militar. O jovem de 20 anos foi acusado de ser traficante, vers\u00e3o negada pela sua m\u00e3e, que em uma entrevista desabafou dizendo que \u201cPara a pol\u00edcia, todo mundo \u00e9 traficante. Mora na comunidade, \u00e9 bandido, \u00e9 traficante&#8230;\u201d <strong>1<\/strong>. Assim como Rog\u00e9rio, Caio foi mais um jovem negro assassinado pela pol\u00edcia.<\/p>\n<p>A essa altura, o Brasil j\u00e1 passava das cem mil mortes pela COVID-19 de acordo com os dados oficiais, e o STF j\u00e1 havia acatado o pedido de que fossem suspensas as opera\u00e7\u00f5es policiais em favelas do Rio de Janeiro enquanto durasse a pandemia. Nada disso foi suficiente para poupar a vida de Caio e de tantos outros jovens negros e trabalhadores que vivem nos bairros perif\u00e9ricos do pa\u00eds. A pol\u00edcia que mais mata n\u00e3o entra em quarentena, e somente no estado do Rio de Janeiro, entre os meses de mar\u00e7o e abril (j\u00e1 durante a pandemia), cerca de 290 pessoas morreram pelas m\u00e3os da PM do governador Wilson Witzel (PSC), o que representa um aumento de 13% em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo do ano passado. Se levarmos em considera\u00e7\u00e3o os cinco primeiros meses do ano, os n\u00fameros s\u00e3o ainda piores, chegando a 741, o maior n\u00famero de mortes causadas pela pol\u00edcia no RJ em 22 anos! Ao mesmo tempo, o n\u00famero de homic\u00eddios para o mesmo per\u00edodo foi o menor desde 1991. <strong>2<\/strong><\/p>\n<p>Em S\u00e3o Paulo a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 muito diferente, sendo que s\u00f3 em abril houve 116 casos de pessoas assassinadas em decorr\u00eancia de \u201cinterven\u00e7\u00f5es policiais\u201d, de acordo com os dados do pr\u00f3prio governo de Jo\u00e3o D\u00f3ria (PSDB), representando 56% de aumento em rela\u00e7\u00e3o ao m\u00eas anterior. Assim como no caso do Rio, o aumento no \u00edndice de assassinatos cometidos pelas for\u00e7as policiais acompanha uma acentuada queda nos \u00edndices de viol\u00eancia no mesmo per\u00edodo, e ao longo dos cinco primeiros meses de 2020 foram 442 v\u00edtimas, o maior n\u00famero em 19 anos.<\/p>\n<p>Este \u00e9 um momento em que se apela para que a popula\u00e7\u00e3o fique em casa, como meio de evitar os cont\u00e1gios pelo novo coronav\u00edrus, entretanto, os trabalhadores, em sua grande maioria, j\u00e1 n\u00e3o podem se dar ao \u201cluxo\u201d de cuidar da pr\u00f3pria sa\u00fade, porque os governos em todos os n\u00edveis cedem \u00e0 press\u00e3o da burguesia para reabrir as atividades econ\u00f4micas \u201cmorra quem morrer\u201d, como disse um prefeito do interior da Bahia. Como se n\u00e3o bastasse, esses trabalhadores tamb\u00e9m n\u00e3o encontram nem em suas casas um lugar seguro. Se diminuem as chances de morrer de COVID-19, por outro lado, aumenta a possibilidade de morrer pelas balas da pol\u00edcia. A popula\u00e7\u00e3o negra \u00e9, nesse cen\u00e1rio, duplamente vitimada pelo Estado e suas pol\u00edticas de neglig\u00eancia e exterm\u00ednio. Al\u00e9m de estar entre os que mais morrem nesta pandemia por viverem em condi\u00e7\u00f5es mais prec\u00e1rias, terem menos acesso aos meios de preven\u00e7\u00e3o e condi\u00e7\u00f5es que permanecer em quarentena sem morrer de fome, s\u00e3o historicamente as maiores v\u00edtimas da viol\u00eancia policial.<\/p>\n<p>O racismo \u00e9 estrutural e permeia toda a institucionalidade burguesa no Brasil, incluindo as for\u00e7as de repress\u00e3o, e o preconceito de classe garante que a pol\u00edcia chegue com o p\u00e9 na porta nas favelas e comunidades da periferia, e pise com muito cuidado em condom\u00ednios e bairros de luxo. H\u00e1 ainda um outro elemento que ajuda a entender esse aumento no grau de letalidade da PM no pa\u00eds, mesmo no contexto de crise sanit\u00e1ria: \u00e9 o recado que figuras como o presidente Jair Bolsonaro e governadores como Witzel passam ao se associarem \u00e0 velha m\u00e1xima de que \u201cbandido bom \u00e9 bandido morto\u201d, legitimando assim, todo tipo de abuso e viol\u00eancia contra aqueles que, em sua l\u00f3gica racista e elitista, s\u00e3o vistos como suspeitos, de acordo com a cor da sua pele ou o seu endere\u00e7o. Al\u00e9m disso, o governo federal tem tomado algumas medidas para facilitar esse servi\u00e7o sujo, como a exclus\u00e3o dos dados sobre viol\u00eancia policial, de relat\u00f3rios anuais referentes a viola\u00e7\u00f5es dos direitos humanos no pa\u00eds.<\/p>\n<p><strong>\u00c9 preciso dar um basta!<\/strong><\/p>\n<p>Somente a mobiliza\u00e7\u00e3o popular ser\u00e1 capaz de garantir a puni\u00e7\u00e3o dos respons\u00e1veis por estes crimes. Nesse processo, tamb\u00e9m devemos exigir medidas de fundo para combater a viol\u00eancia sist\u00eamica do Estado. Isso passa, por exemplo, por exigir a descriminaliza\u00e7\u00e3o das drogas, a desmilitariza\u00e7\u00e3o urgente da pol\u00edcia, e por pensar em uma outra l\u00f3gica de seguran\u00e7a p\u00fablica, que n\u00e3o seja pautada pela repress\u00e3o aos pobres e aos movimentos sociais, nem pelo genoc\u00eddio da juventude negra e trabalhadora.<\/p>\n<ol>\n<li><a href=\"https:\/\/noticias.uol.com.br\/cotidiano\/ultimas-noticias\/2020\/08\/16\/operacao-da-pm-no-morro-dos-macacos.htm\">https:\/\/noticias.uol.com.br\/cotidiano\/ultimas-noticias\/2020\/08\/16\/operacao-da-pm-no-morro-dos-macacos.htm<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/rj\/rio-de-janeiro\/noticia\/2020\/06\/22\/rj-tem-maior-numero-de-mortes-por-policiais-em-22-anos-e-o-2o-menor-indice-de-homicidios-ja-registrado-pelo-isp.ghtml\">https:\/\/g1.globo.com\/rj\/rio-de-janeiro\/noticia\/2020\/06\/22\/rj-tem-maior-numero-de-mortes-por-policiais-em-22-anos-e-o-2o-menor-indice-de-homicidios-ja-registrado-pelo-isp.ghtml<\/a><\/li>\n<\/ol>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Luiz Domingues, CST RS Publicado originalmente no Combate Socialista Digital N\u00ba 07 No dia em que completou 19 anos, o estudante Rog\u00e9rio Ferreira da Silva pediu emprestada a moto de um amigo para fazer algumas manobras. Abordado pela pol\u00edcia por estar em \u201catitude suspeita\u201d,<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":7504,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[103],"tags":[1482,102,101,1182,1483,100,1484],"class_list":["post-7503","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-negros-e-negras","tag-antiracismo","tag-negras","tag-negros","tag-periferia","tag-politica","tag-racismo","tag-violencia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7503","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7503"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7503\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media\/7504"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7503"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7503"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7503"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}